Leão sofre novo apagão e perde a chance de entrar para o G8

Em cinco minutos, o Remo entregou um jogo que parecia sob controle e permitiu a virada da Ferroviária, na noite desta segunda-feira, em Mirassol (SP). Depois de sair na frente, ainda no primeiro tempo, com um gol de Paulinho Curuá, a equipe treinada por Rodrigo Santana adotou uma postura recuada e passou a ser pressionada pelo adversário.

Até a metade do 2º tempo, o Leão conquistava três pontos e entrava para o G8 da Série C pela primeira vez, assumindo a 7ª colocação. Com o time postado atrás, apenas rebatendo bolas enquanto era atacado, ficou fácil para a Ferroviária dominar a partida e criar seguidas oportunidades.

Empatou com Carlão, aproveitando uma bola alta na área, e quatro minutos depois alcançou a virada em falha da zaga. O fato é que o Remo, mesmo quando estava em vantagem, já deveria ter sofrido alterações. Ytalo teve participação decorativa no ataque, sem incomodar a defensiva da Ferroviária. Marco Antônio cansou muito cedo, e também deveria ter saído.

A primeira mudança foi a entrada de Ronald, já no segundo tempo. Ele entrou na esquerda, para reforçar um lado que se mostrava frágil com Helder. Depois, para espanto geral, o técnico Rodrigo Santana lançou Cachoeira para atuar também no lado esquerdo, embolando com Ronald e não acrescentando rigorosamente nada ao time. Ytalo só foi substituído a 10 minutos do final, cedendo lugar a Ribamar.

Depois do jogo, analisando o baixo rendimento do Remo na etapa final, o técnico Rodrigo Santana reprovou a postura do time, que recuou excessivamente. No primeiro tempo, a marcação funcionou e a Ferroviária não conseguiu se impor.

“Isso tem incomodado bastante, porque o time cede à pressão adversária. Isso aconteceu hoje. Eles são um time forte, pressionaram, cedemos e pagamos caro. Estamos trabalhando com os jogadores, pois eles querem correr atrás, se expõem. Temos que ter esse equilíbrio, não deixar o adversário gostar do jogo, principalmente quando saímos na frente”, observou Santana.

A velha mania de atribuir aos jogadores responsabilidade que pertence ao comandante. Rodrigo Santana ficou assistindo passivamente o Remo ceder espaço e aceitar a pressão da Ferroviária. Estava claro que o adversário se aproximava cada vez mais do gol. Léo Lang fez três boas defesas antes do gol de empate. As mudanças custaram a acontecer e, ainda assim, com escolhas erradas.

O resultado mantém o Remo na 10ª posição, ainda a 2 pontos do último colocado no G8. A próxima partida será no Mangueirão, na próxima segunda-feira, 22, contra o CSA.

O imenso abismo que nos separa

POR GERSON NOGUEIRA

A final da Eurocopa, ontem, no estádio Olímpico de Berlim, expôs ao mundo o nível técnico do futebol europeu com um jogo disputado em alta intensidade, repleto de emoções e vibrante do começo ao fim. Na comparação óbvia e direta com o futebol da Seleção Brasileira, pode-se dizer que o abismo só está aumentando.

A realidade é cruel: impossível hoje imaginar o Brasil encarando competitivamente os finalistas da Euro. A dinâmica de jogo das equipes é inteiramente diferente do que o escrete canarinho exibe, tanto nas Eliminatórias quanto na recente participação na Copa América.

Renovadas, as seleções da Inglaterra e Espanha retratam um futebol que muda a todo momento. A evolução faz com que naturalmente o espetáculo prevaleça. A condição física faz com que os times rendam mais e proporcionem um confronto sempre interessante.

A favorita Espanha não conseguiu se impor no 1º tempo, embora tivesse desfrutado de mais chances. A dupla formada por Yamal e Nico Williams levava vantagem sobre a marcação, mas não em volume suficiente para ameaçar o gol de Pickford.

Do lado inglês, poucas investidas ofensivas. Até Jude Bellingham, astro do time, parecia discreto. Foden foi quem mais incomodou. Diante do predomínio das defesas, a definição ficou para o 2º tempo.

Logo aos 2 minutos, em jogada de Yamal, a bola chegou a Nico Williams, que bateu para as redes. Com o gol, a Espanha ficou ainda mais presente no ataque. Dani Olmo e Nico quase ampliaram.

Bellingham apareceu aos 13 minutos, chutando forte da entrada da área. E, aos 28’, Palmer recebeu assistência do camisa 10 e fuzilou rasteiro para o fundo das redes. O empate fez a Inglaterra renascer, insistindo por alguns minutos com manobras junto à área espanhola.

Só que a qualidade ofensiva da Espanha falou mais alto e, aos 41 minutos, Cucurella deu assistência para Oyarzabal, que havia substituído Morata. Cruzamento perfeito, que o atacante desviou de bico para desempatar e garantir o quarto título da Fúria no continente.

O futebol sempre pródigo em desfazer injustiças acabou reabilitando o cabeludo Cucurella, autor do cruzamento para o gol do título. O lateral-esquerdo passou a Euro tomando vaia nos estádios. Tudo porque tocou na bola diante da Alemanha e o pênalti não foi marcado. Não tinha culpa, mas ficou marcado. Ontem, deu a volta por cima.  

Título europeu decidido, volto ao tema inicial desta conversa: o Brasil, mesmo com um time formado por jogadores “estrangeiros”, não chega nem perto do rendimento e da organização dos finalistas. Está longe demais do futebol que hoje domina o mundo.

Em meio ao caos em Miami, Argentina fatura outra Copa

Deu Argentina, de novo. Outra conquista na fase mais vitoriosa do time de Lionel Messi. A 16ª Copa América, ganha com méritos, em jogo marcado pelo equilíbrio no tempo normal e pela luta extenuante na prorrogação. Lautaro Martinez marcou o único gol da decisão, aproveitando um lançamento magistral de Lo Celso já no tempo final do período extra.

Os colombianos foram guerreiros, tiveram chances e muita ingenuidade na reta final do confronto, quando sucumbiram à tradicional catimba argentina. James Rodriguez e Luiz Díaz jogaram abaixo do esperado. Árias produziu muito, mas precisava de apoio para fazer mais.

Na Argentina, Messi saiu no 2º tempo, lesionado e chorando. Pareceu um sinal de que a Copa América foi seu último torneio oficial com a seleção. Em campo, o entrosamento e a solidariedade da equipe superaram até os momentos delicados, quando a Colômbia foi melhor. Título merecido.

Antes de a bola rolar, o caos provocado pela invasão de centenas de torcedores ameaçou a final da Copa América, que só começou 1h15 depois, no Hard Rock Stadium, em Miami. A bagunça reinante compromete a organização do torneio. O lado mais preocupante é que os Estados Unidos irão receber (junto com Canadá e México) a Copa do Mundo 2026.

A decisão de adiar por 1h15 o início da partida entre Argentina e Colômbia foi da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), depois das cenas de desespero e empurra-empurra nas filas de torcedores para acesso ao estádio. Muitos tentaram entrar pelos dutos de ar-condicionado. O calor de quase 40º C agravou ainda mais a situação.

Depois de liberarem a entrada de todos os torcedores, com e sem ingressos, a fim de acabar com o tumulto, o estádio ficou com todos os corredores travados, com mais de 80 mil pessoas ali dentro. Ninguém conseguia sair ou entrar nos banheiros ou lanchonetes. Parecia várzea.

Leão vai em busca da 3ª vitória consecutiva

Contra a invicta Ferroviária de Araraquara, hoje à noite, em Mirassol, o Remo vai tentar obter um feito raro nas participações do time na Série C: completar uma sequência de três vitórias.

A oportunidade se apresenta depois que o Leão superou Ferroviário e Caxias, reconquistando a confiança necessária para voltar a acreditar no acesso. O plano ainda é ambicioso, mas não impossível de realizar.

Uma vitória hoje colocaria o Remo dentro do G8, pela primeira vez na competição. No sistema 3-4-3, o time de Rodrigo Santana já conquistou 12 pontos em 18 disputados. É um número que permite ter esperanças. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 15)

Milei e a reunião da turma do golpe fracassado no Brasil

Por Celso Rocha de Barros, na Folha S. Paulo

No fim de semana passado, Javier Milei veio fugir do serviço em uma conferência de golpistas em Santa Catarina, a Cpac Brasil. Em seu discurso, o presidente argentino declarou que o socialismo é uma filosofia baseada na inveja e no ressentimento. Disse isso para gente como o deputado Mário Frias, ex-ministro da Cultura de Jair, um ator fracassado que sempre invejou os talentosos; para adeptos de Olavo de Carvalho, cuja vida foi um longo episódio de choro porque os filósofos profissionais não o reconheciam como um dos seus; para discípulos de Paulo Guedes, assombrado pelo ressentimento diante dos economistas da PUC-RJ que de fato conseguiram implementar um plano econômico bem sucedido.

Nos intervalos da palestra, os bolsonaristas puxavam refrões contra o cara que lhes venceu na última eleição e contra o juiz que não lhes deixou continuar no poder depois que tiveram menos votos que o mesmo cara. Enfim, todo populista precisa de uma elite contra a qual o povo honesto deve se insurgir. Como a extrema direita puxa o saco de todas as elites reais, precisa inventar elites imaginárias, formadas, sei lá, pelos atores da Globo, pelos professores de humanas, pelos alunos cotistas.

Durante o evento, Milei recebeu de Bolsonaro a medalha “triplo I”: “imorrível, imbrochável e incomível”. Faltou “inelegível”. Para lhe explicar o que queria dizer “incomível”, Eduardo Bolsonaro virou seu traseiro na direção do presidente da Argentina.
Até Milei pareceu constrangido, e isso não é pouco. Estamos falando de um político que ia nos programas de TV argentinos contar que fazia sucesso em orgias porque dominava a técnica de chegar ao orgasmo sem ejacular.

Não, não é o tipo de coisa que eu gostaria de ouvir de políticos. Mas sejamos honestos, se alguém tivesse ensinado o procedimento ao Jair, a Câmara dos Deputados, o Senado Federal e a Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro teriam sido um pouco melhores nos últimos anos.
O governador Tarcísio de Freitas foi escalado para listar as realizações do governo Bolsonaro. Na falta de exemplos reais, citou a transposição do São Francisco, feita por Lula (e por seu então ministro Ciro Gomes), e o Pix, criado pelos funcionários do Banco Central.

Tarcísio poderia aproveitar e sugerir aos presentes que aprendessem a usar o Pix: a família Bolsonaro, em especial, parece ter uma forte preferência por comprar imóveis em dinheiro vivo. Por algum motivo, os emissários de Bolsonaro que venderam as joias sauditas nos Estados Unidos também tentavam evitar o sistema bancário.

Se você se interessou pela CPAC Brasil, sugiro que assista ao vídeo da reunião de 30 de novembro de 2022 no Congresso Nacional em que os mesmos deputados bolsonaristas que discursaram em Santa Catarina pediam golpe abertamente. Na plateia, caminhoneiros que fecharam estradas pedindo golpe, líderes dos acampados em frente aos quartéis e um dos terroristas que tentou explodir o aeroporto de Brasília na véspera de natal de 2022.

A Cpac Brasil foi isso, uma reunião de turma do golpe fracassado de 2022. Foi um lembrete de como essa gente continua solta, livre para planejar o próximo golpe, enquanto vota mal sobre coisa séria no Congresso Nacional. Uma vergonha para o Brasil e para a Argentina.

Os pais da Abin paralela escaparam?

Por Paulo Motoryn, do The Intercept_Brasil

O escândalo de espionagem descoberto pela Polícia Federal, que ficou conhecido como ‘Abin paralela’, não surgiu do nada. Não veio do vácuo. Para entender como a estrutura do estado brasileiro foi usada para vigiar e atacar inimigos políticos de Jair Bolsonaro, é preciso voltar no tempo — e reconhecer que o esquema não é filho bastardo, muito menos paralelo.

Em primeiro lugar, é necessário olhar com seriedade para a Agência Brasileira de Inteligência — ainda que o próprio órgão não tenha se dado ao respeito. Criada em 1999, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, a Abin surgiu para tornar o serviço de inteligência brasileira um órgão civil.

Àquela altura, o Serviço Nacional de Informações, a estrutura de espionagem da Ditadura Militar, supostamente havia sido extinta há quase dez anos, em 1990, na gestão de Fernando Collor. Mas, na verdade, o SNI não tinha acabado — só mudado de nome, alocado provisoriamente na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência.

Como escrevi numa reportagem do Intercept Brasil no final de 2023, enquanto estava na SAE, no primeiro mandato de FHC, a estrutura de espionagem seguia a todo vapor. Na ocasião, revelei que atividades partidárias do PT, viagens de Lula e movimentos como o MST eram alvo de uma arapongagem sistemática.

Se naquele período, mesmo democrático, a estrutura era instrumentalizada para fins políticos, com a criação da Abin as coisas pioraram. Muito pressionado, FHC admitiu que o serviço de inteligência voltasse ao guarda-chuva dos generais, vinculando a nova Abin à antiga Casa Militar, basicamente um escritório militar dentro da Presidência da República.

O cenário fica ainda pior com o golpe contra Dilma Rousseff. Em uma de suas primeiras ações, Michel Temer transformou a Casa Militar no Gabinete de Segurança Institucional, o GSI, e o elevou ao status de ministério. Como ministro-chefe, nomeou o general Sérgio Etchegoyen (foto), então chefe do Estado-Maior do Exército. O militar, então, passou a ter papel-chave no governo.

Com a caneta na mão, Etchegoyen semeou as condições ideais para um escândalo de espionagem. Uma de suas principais medidas foi um decreto que instituiu a Política Nacional de Segurança da Informação. O texto abriu espaço para contratações sem concorrência pública com base na “ameaça à segurança nacional”.

Dessa forma que a Abin pôde contratar, sem transparência ou licitação, o First Mile, software israelense utilizado para monitorar a localização de seus alvos – e usado de forma massiva no governo Bolsonaro. Mas não foi só esse o legado de Etchegoyen para a erosão democrática causada pela devassa na privacidade dos brasileiros.

Foi o general que levou ao GSI, ainda em 2017, um dos principais protagonistas do escândalo de espionagem bolsonarista: Giancarlo Gomes Rodrigues, sargento do Exército com quem havia trabalhado junto no Estado-Maior do Exército em 2015 e 2016.

Uma portaria publicada no Diário Oficial da União em agosto de 2017 mostra a autorização do então comandante do Exército, o general Eduardo Villas-Bôas, ao pedido de Etchegoyen para que Giancarlo passasse a integrar os quadros do GSI de Temer. Agora, como revelou a PF, sabemos que Giancarlo é peça-chave no escândalo de espionagem bolsonarista: foi quem sugeriu um tiro na cabeça de Alexandre de Moraes.

Longe dos holofotes, Etchegoyen não foi o único que passou longe das investigações da PF e do debate público sobre os crimes da Abin. Seu sucessor no GSI, o general Augusto Heleno, também não consta no relatório, não é investigado, tampouco foi incomodado nos últimos meses. Ele era, de fato e de direito, o chefe de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin.

Heleno era uma das pessoas presentes na reunião, também revelada pela PF, em que Bolsonaro e Ramagem discutem como usar a Abin para proteger o senador Flávio Bolsonaro, do PL, das investigações sobre os crimes de rachadinha, em 2019. Em uma das reuniões golpistas de 2022, Heleno sugeriu colocar a Abin a serviço do golpe de estado.

Como os generais que têm escapado da PF, a estrutura de inteligência das Forças Armadas também segue protegida, longe do escrutínio público. Ainda que nunca tenham largado a Abin, os militares não deixaram de investir nos seus próprios centros de inteligência no Exército, na Marinha, na Aeronáutica e no Comando de Defesa Cibernética, que reúne membros das três forças.

É fato: para Bolsonaro, o cerco está fechando. Mas, para os generais que lhe abriram espaço e criaram as condições para um golpe, isso ainda está muito longe de acontecer.

Rock na madrugada – The Rolling Stones, “I’m Free”

POR GERSON NOGUEIRA

Icônica apresentação dos Stones, no Hyde Park (Londres), em 6 de julho de 1969. O show virou um tributo a Brian Jones, que havia morrido dois dias antes. Brian, um dos fundadores do grupo, havia sido demitido meses antes por Mick Jagger e Keith Richards por comportamento inadequado, faltando seguidamente a ensaios e gravações.

Quando subiram ao palco para tributar Brian, os Stones já tinham um novo integrante: Mick Taylor, jovem virtuose da guitarra. Foi a primeira aparição pública dele com a banda e os solos inspirados provaram que a escolha havia sido acertada.

“I’m Free”, composta por Jagger e Richards, foi lançada inicialmente como faixa de encerramento da versão britânica do álbum “Out Of Our Heads”, em 1965, o terceiro na discografia da banda.

“Sou livre pra fazer o que quero a qualquer hora/Sou livre pra fazer o que quero a qualquer hora/Então me ame, Me abrace, Me ame, Me abrace/Sou livre pra fazer o que quero a qualquer hora/Sou livre pra cantar a minha música sabendo que está ultrapassada”. Uma típica letra do período assumidamente rebelde do grupo, buscando marcar diferenças em relação aos Beatles.

Vitória com golaço no final

POR GERSON NOGUEIRA

O início foi animador. Passe de Edilson para o estreante Juan Cazares, que cruzou da linha de fundo para a pedalada de Nicolas, sem chances para o goleiro Richard. Um gol logo aos 2 minutos era tudo o que o PSC queria para dar início a uma jornada vitoriosa. Bons presságios na Curuzu lotada.

A jogada foi inicialmente anulada por impedimento, mas, após alguns minutos de suspense, a revisão do VAR confirmou o gol de Nicolas. O confronto então começou de verdade, com duelos acirrados pela posse da bola, mas com o Papão bem mais tranquilo em função da vantagem.

O Ceará tentou com Erick Pulga duas vezes, mas o meia-atacante errou no controle e saiu pelo fundo. O PSC se posicionava no meio, fechando espaços com Leandro Vilela e João Vieira. Mas, aos 35 minutos, em lance surpreendente, o Alvinegro alcançou o empate.

Rafael Ramos acertou um chute de fora da área. Ele recebeu passe de Erick Pulga, avançou dois passos e disparou uma bomba, em curva, que entrou no ângulo de Diogo Silva. Animado com o gol, o Ceará avançou suas linhas e, aos 39’, quase desempatou em chute de Jean Irmer.

Ainda no embalo da reta final do 1º tempo, o Ceará voltou melhor e mais organizado para a segunda etapa. Aylon arriscou da entrada da área, mas Diogo Silva defendeu bem. A luta ficou ainda mais intensa no meio-campo, tornando o jogo muito feio e faltoso.

Aylon voltou a ameaçar aos 7 minutos. Junto à linha da grande área, aplicou um drible em Edilson, sendo atingido quando ia entrar com a bola dominada. A falta não foi marcada, para sorte de Edilson, que poderia ter sido expulso por ser o último da linha de zagueiros.

Um rebote da zaga, aos 19’, deu boa chance a Erick Pulga, mas o arremate saiu torto, longe do gol. O Ceará insistia no ataque e empurrava o PSC para seu campo. Aylon arriscou de longe, aos 21’, mas por cima do gol.

Quando a situação parecia incontornável no ataque, eis que o técnico Guilherme Santos lançou Val Soares, que virou uma espécie de talismã pelo talento nos chutes de longa distância.

Com ele e Netinho em campo, o Papão voltou a ter chances de obter a vitória. Já que o ataque não criava situações claras e Cazares já havia deixado a partida, o triunfo teria que vir dos pés de um dos meio-campistas.

Aos 40’, quando a impaciência já dominava a torcida, Val Soares recebeu a bola na intermediária e disparou um chute de esquerda, acertando o ângulo esquerdo da trave de Richard. Um repeteco do golaço marcado contra o América-MG, na primeira vitória bicolor na Série B.  

Com o gol, Val provou sua capacidade de decidir jogos difíceis. O Papão conquistou uma vitória importante, indo à 12ª colocação, com 20 pontos, agora a 3 pontos do G4.

Entre a Euro e a Copa América, um abismo financeiro

Eurocopa e Copa América chegam ao final neste domingo, para escolher campeões que tecnicamente não têm muita diferença técnica. Se a Espanha tem Yamal, a Inglaterra tem Bellingham. Por outro lado, se a Argentina conta com Lionel Messi, a Colômbia conta com Luis Díaz.

Quanto o assunto é grana, porém, não há comparação. A Espanha, caso vença a Inglaterra na decisão em Berlim, receberá da Uefa 71,1% a mais do que Argentina ou Colômbia, finalistas do torneio da Conmebol – ou seja, 30,8 milhões de dólares contra 18 milhões de dólares.

A desvalorização é ainda mais séria quando se observa que a Copa América não premiará o campeão com mais dinheiro do que a Eurocopa vai contemplar holandeses e franceses, que foram alijados da final, mas saem com cheques mais robustos em relação a argentinos e colombianos.

Quem ficar em 2º lugar no confronto em Miami ganha 9 milhões de dólares, valor inferior à menor premiação paga pela Uefa na Euro: só por participar do torneio, todas as seleções receberam 10 milhões de dólares.

O título de campeão, dependendo de cada campanha, pode render mais ou menos na Euro. A Uefa criou um bônus por vitória e empate na primeira fase para todas as seleções, como forma de estimular o jogo ofensivo. Como venceu os três jogos da fase de grupos, a Espanha (30,8 milhões de dólares) terá um bônus maior que o da Inglaterra (29,7 milhões), que teve uma vitória e dois empates.

A diferença na premiação impacta todas as seleções. O Brasil, eliminado nas quartas de final da Copa América, receberá 4 milhões de dólares. Tchecoslováquia, Polônia, Albânia e Escócia, também eliminadas na Euro, receberam 10,6 milhões de dólares.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 22h, na RBATV, com participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, as campanhas de PSC e Remo no Brasileiro. A edição é de Lourdes Cezar.

Joapa movimenta 524 atletas na Regional Marajó II

A 13ª edição dos Jogos Abertos do Pará (Joapa), promovida pelo governo do Pará, por meio da Secretaria de Esporte e Lazer (Seel), começou, na quarta-feira (10), com a 2ª fase da regional Marajó II, em Soure.

A regional engloba 524 atletas dos municípios de Soure, Salvaterra, Santa Cruz do Arari, Cachoeira do Arari, Ponta de Pedras e Muaná, e abrange as modalidades de vôlei, futsal, futebol de areia, handebol e tênis de mesa.

Os Jogos Abertos do Pará buscam incentivar o esporte amador entre os jovens. Em 2023, foram realizadas oito etapas, reunindo mais de 750 atletas em cada fase, e 6.960 atletas na etapa estadual, em Belém.

(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 13/14)

‘Abin paralela’ espionou autoridades e beneficiou filhos de Bolsonaro, diz PF

O monitoramento ilegal da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL) incluiu políticos, magistrados e jornalistas, segundo as investigações da Polícia Federal. A chamada “Abin paralela” também produzia dossiês e disseminava notícias falsas contra adversários. Na decisão que autorizou a Operação Última Milha da PF, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes diz que as investigações mostraram que a “utilização dos recursos da Abin” teve o objetivo de “obter vantagens políticas”.

Entre as autoridades monitoradas estão o próprio Moraes, Arthur Lira (PP-AL), que preside a Câmara dos Deputados, e o senador Renan Calheiros (MDB-AL), assim como as jornalistas Mônica Bergamo e Vera Magalhães. A Abin utilizou um programa chamado FirstMile para monitorar a localização de alvos pré-determinados por meio dos aparelhos celulares. (Globo)

Veja a lista de pessoas espionadas. (CNN Brasil)

E a PF encontrou o áudio de uma reunião em que Bolsonaro, o general Augusto Heleno, então chefe do Gabinete de Segurança Institucional, ao qual a Abin é subordinada, e o ex-chefe da Abin Alexandre Ramagem discutem um plano para anular o inquérito das “rachadinhas” contra o senador Flávio Bolsonaro. Segundo aliados, o ex-presidente está furioso por Ramagem ter mantido no celular um áudio tão comprometedor. (Estadão e Globo)

A estrutura da “Abin paralela”, segundo a PF, mandava marcar o vereador Carlos Bolsonaro em postagens nas redes sociais com fake news que miravam adversários políticos. Também foi utilizada para produzir provas a favor de Jair Renan, que era alvo de um inquérito pela suspeita de tráfico de influência. (Globo)

Os detalhes do caso foram divulgados depois que Moraes levantou o sigilo da quarta fase da Operação Última Milha, realizada ontem. A PF cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão em Brasília, Curitiba, Juiz de Fora, Salvador e São Paulo. (UOL)

(Com informações do canal Meio)

Pega ladrão!

Por Ruy Castro (*)

Durante três anos de Bolsonaro, esta coluna o chamou de corruptor. De corruptor, não de corrupto. Embora fosse evidente sua prática de comprar o Exército para costurar o regime de força que viria no segundo mandato, não se sabia que roubasse além da prática familiar da rachadinha, que lhe rendeu mais de 50 imóveis. Só quase no quarto ano percebi o óbvio: não existe corruptor sem corrupção. Bolsonaro não estava usando seu dinheiro para subornar os militares. Estava usando dinheiro do Estado, e isso é corrupção.

Alguns dirão que, diante das facilidades da Presidência, Bolsonaro viu a oportunidade de meter a mão, como no caso das joias. É a velha ideia de que a ocasião faz o ladrão. Mas Machado de Assis, em seu romance “Esaú e Jacó” (1904), já corrigiu esse equívoco: “A ocasião faz o furto. O ladrão já nasce feito”. A prova é que, manipulando os bilhões do Orçamento à sua vontade, Bolsonaro foi apanhado pungando objetos que poderia muito bem comprar, e até com dinheiro vivo, como de praxe nos Bolsonaros.

Bolsonaro reduziu o Palácio da Alvorada a uma caverna de Ali Babá, com suas arcas de relógios, brincos, colares, anéis, braceletes, pingentes, canetas e abotoaduras de ouro e diamantes, e fez de seus auxiliares, civis e militares, a horda dos 40 ladrões — pelo menos 11 até agora. Em seguida, transformou o Alvorada num camelódromo, para vender esses bens que não lhe pertenciam. Vendidos, tiveram de ser vergonhosamente recomprados quando a Justiça deu por falta deles. Raro um contrabandista tão desastrado.

O Houaiss dá várias definições para o ato de se apossar do que é alheio: afanar, agafanhar, assaltar, defraldar, desfalcar, despojar, empalmar, furtar, gatunar, larapiar, pilhar, piratear, rapinar, subtrair, usurpar — em suma, roubar. Há vários nomes para quem se dedica a essas práticas.

Mas há um bem simples e que resume Bolsonaro: ladrão.

(*) Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues, é membro da Academia Brasileira de Letras.

(Publicado na Folha de S. Paulo, edição de 10.07)

Rock na madrugada – Pearl Jam, “Marker in the Sand”

POR GERSON NOGUEIRA

Presença assídua no programa “Late Show”, de David Letterman, no Ed Sullivan Theatre (Nova York), o Pearl Jam tocou em 2006 um set exclusivo das 10 canções do álbum Pearl Jam, o famoso “álbum do abacate” (a capa traz a imagem do fruto partido ao meio), lançado em 2 de maio daquele ano. “Marker in the Sand” (Marcador na areia) era uma delas. Foi o oitavo disco da banda, o primeiro pela gravadora J Records, após quatro anos sabáticos.

A simplicidade melódica é a marca do disco, que soou despretensioso no começo, mas virou uma obra decente com o passar do tempo. A ideia era diferenciar de tudo o que a banda havia mostrado antes, objetivo plenamente alcançado. Uma das viradas de rota típicas do Pearl Jam. O trabalho não está entre os mais badalados do grupo, mas impressiona pela maturidade musical dos integrantes. Destaque nesta canção para a bateria de Matt Cameron.

O esforço para romper com as amarras do grunge (“o som de Seattle”) fez bem ao PJ, que é a grande exceção de longevidade entre os expoentes do gênero, com 33 anos de estrada. Honra plenamente o refrão de seu primeiro hit, Alive“I’m still alive” (ainda estou vivo).

Neste clipe, uma das marcas registradas do grupo: as performances sempre impecáveis, com o capricho nos detalhes combinando com o imenso repertório. Os críticos da Rolling Stone dizem há tempos que não há notícia ou lembrança de um show ruim do PJ.

A letra de “Marker in the Sand” é puro suco de Pearl Jam (e de Eddie Vedder), com altas doses de desesperança e misticismo:

Há um marcador, ninguém o vê pois a areia
Cobriu todas as mensagens que sobraram
Distorcendo a verdade original
E a ampliando, com crença, mas não com amor

O que deu errado?

Andando na corda bamba sobre uma base moral
Tendo visões de estar caindo, de qualquer jeito
Oh, desça

Com os vivos, deixe o que é vivo amar
Tão implacável, ainda que precisando primeiro de perdão
Deus, o que você diz?

Esses indecisos não precisam de fé para serem livres
E esses desencaminhados, havia um plano para eles viverem
Agora você tem ambos os lados reivindicando assassinatos em nome de Deus
Mas Deus está em lugar algum pra ser achado, de forma bem conveniente