Assange foi inspiração para investigar a espionagem dos EUA contra Lula

Fernando Moraes conta que o presidente Lula, que estava preso injustamente em Curitiba, assinou “16 folhas em branco” para requerer os dados ao governo dos EUA

Em posse de pelo menos 819 documentos, que somam 3,3 mil páginas de registros comprovando o monitoramento do presidente Lula (PT) pelo governo dos Estados Unidos por mais de meio século, o jornalista e escritor Fernando Morais detalhou sua pesquisa ao jornal O Globo. Ele revela que a ideia de solicitar o conteúdo às autoridades norte-americanas surgiu durante uma conversa com Julian Assange, criador do site WikiLeaks.

Morais relembra sua visita a Londres em 2017 para entrevistar Assange. Durante o encontro, que discutiu diversos documentos sigilosos revelados pela equipe do ativista, o jornalista passou a suspeitar da existência de material substancial sobre o ex-líder sindical. Foi então que ele descobriu a possibilidade de requerer esses documentos por meio da Lei de Acesso à Informação dos EUA.

Com a ajuda de seus advogados, Morais solicitou relatórios, levantamentos, e-mails, cartas, minutas de reuniões, registros telefônicos e outros documentos produzidos por todos os órgãos de inteligência americanos. “Precisava de uma procuração, e Lula estava preso à época. Fui a Curitiba e o convenci a assinar 16 folhas em branco (número total de agências). Arrisquei esperar mais tempo, o que de fato aconteceu, mas quis me certificar de que não escondessem nada”, narra Fernando Morais.

A CIA produziu a maior parte dos levantamentos sobre Lula. Os documentos incluem planos militares brasileiros, informações sobre a produção da Petrobras e detalhes sobre as relações de Lula com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e com autoridades do Oriente Médio e da China.

Os dados obtidos por Morais serão utilizados na segunda parte da biografia de Lula, ainda sem data de lançamento. O primeiro volume, lançado em 2021 pela Companhia das Letras, já foi traduzido para o chinês, inglês e espanhol. Morais planeja divulgar o material obtido na íntegra.

Morais contou que o final do novo livro já está montado. Pessoas próximas a ele asseguram que seus escritos sobre Lula já foram vendidos para o cinema e em breve ganharão as telonas. “O mote deste segundo volume começa com a derrota de Lula para o Montoro e vai até a eleição dele contra Bolsonaro, passando pelo golpe contra Dilma e a prisão.

A cena final é dele abraçando a Janja na sala do hotel de São Paulo, quando o Bonner diz: “atenção, senhoras e senhores, o Tribunal Superior Eleitoral acaba de anunciar que Luiz Inácio Lula da Silva é o novo presidente do Brasil”, revela o biógrafo, que testemunhou o momento.

Promiscuidade embala a relação entre jornalismo econômico e os arautos do “deus mercado”

Informação foi divulgada por Luís Costa Pinto, que desnuda o conluio da mídia neoliberal. “BTG, Empiricus, XP, C6 Bank, Ágora etc, têm sites, blogs e outros veículos por meio dos quais impactam diretamente o mercado”

Demitida da Record por especular com o dólar distorcendo trechos da entrevista que fez com Lula, a jornalista Renata Varandas tem como analista em sua empresa, a Capital Advice – uma consultoria que presta serviços a investidores -, a também jornalista Mariana Londres, que atua como analista de “economia/energia/legislação” no portal Uol, do grupo Folha.

A informação foi revelada na rede X pelo jornalista Luis Costa Pinto e confirmada pela Fórum por meio das redes sociais. Na plataforma profissional LinkedIn, Mariana se descreve como “analista político sênior, mapeando riscos e oportunidades para investidores e gestores de ativos no Brasil”.

No portal, a jornalista direciona suas análises em consonância com o “mercado”, como no caso das contas pública com um artigo de 20 de junho que diz que “Lula vai ter que escolher onde dói menos cortar”. A analista ainda aposta na defesa de Roberto Campos Neto e na “autonomia” do Banco Central no embate contra Lula. 

“A Comissão de Valores Mobiliários não teria de regular e vigiar as ações, as colunas e a vida financeira dos sócios dessas consultorias e dos jornalistas que escrevem sobre temas sensíveis ao mercado? Nos EUA a SEC fica responsável pelas aplicações de colunistas como elas”, diz Costa Pinto. Em sua publicação na rede X, Costa Pinto revela ainda o conluio da mídia liberal com consultorias, bancos e atores do sistema financeiro.

“Aqui, BTG, Empiricus, XP, C6 Bank, Ágora etc, têm sites, revistas eletrônicas, blogs e outros veículos por meio dos quais impactam diretamente o mercado. Usados por esses “advisors”, pagos ou não por eles, sócios ou não deles, jornalistas ajudam a manipular o mercado. Escândalo”, emenda.

Sócia da Capital Advice, Renata Varandas foi demitida nesta quinta-feira (18) pela direção da TV Record por antecipar ao mercado trechos descontextualizados da entrevista com Lula, que foi ao ar no Jornal da Record, na noite de terça-feira (16).

A Fórum apurou que o caso provocou irritação extrema na direção da emissora porque encobriu o que seria a principal pauta jornalística da emissora na semana.

ESPECULAÇÃO

No final da manhã, a informação de que Lula havia afirmado na entrevista que “ainda precisava ser convencido sobre a necessidade de cortes de gastos” já circulava entre especuladores do mercado financeiro, sendo que a Record TV só começou a divulgar trechos da entrevista no início da tarde e a íntegra foi veiculada na parte da noite. 

A especulação gerou forte alta no dólar e fez com que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se pronunciasse, revelando a forma descontextualizada como foi feita a divulgação da fala de Lula. Em documento, a Capital Advice, que tem Renata como sócia e fornece “informação e análise política para investidores” antecipou um trecho da entrevista.

“Em entrevista à Record TV, que será veiculada hoje ao longo dia, o presidente Lula disse que é preciso convencê-lo de que será mesmo preciso cortar entre R$ 15 bi e [R$] 20 bi no relatório de 22 de julho. Disse ainda que se precisar modificar a meta, ele não se opõe”, diz o relatório, gerando a especulação.

Haddad, então, afirmou que a frase foi descontextualizada e que Lula referia-se à margem de tolerância estabelecida pelo arcabouço fiscal para a meta de resultado primário, com 0,25 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país), para cima ou para baixo.

“Ele falou que pode ser -0,1% do PIB, que pode ser 0%, que pode ser 0,1%, entendeu? Isso está inclusive dentro da banda do arcabouço fiscal”, pontuou o ministro. Além disso, o Ministério da Fazenda, logo na sequência, divulgou um trecho da fala de Lula à Record TV em que o presidente se compromete com o cumprimento do arcabouço fiscal 

“Vamos fazer o que for necessário para cumprir o arcabouço fiscal. Eu dizia na campanha que íamos criar um país com estabilidade política, jurídica, fiscal, econômica e social. Essa responsabilidade, esse compromisso – posso dizer para você como se tivesse dizendo para um filho meu, para a minha mulher – responsabilidade fiscal eu não aprendi na faculdade, eu trago do berço”, disse o presidente. 

Em nota, a Record informou que não sabia da ligação de sua repórter com o mercado financeiro e que vai “apurar os fatos” para tomar “medidas cabíveis”. 

“A Record esclarece que soube da ligação da repórter Renata Varandas com a Capital Advice somente após a divulgação do release pela agência. A emissora deixa claro que condena qualquer vazamento de informações, principalmente com recorte parcial do que é apurado em entrevistas feitas por nossas equipes. Medidas cabíveis serão tomadas com a apuração dos fatos”, diz o comunicado da emissora.  

(Com informações da Revista Fórum)

Haddad é alvo de ação coordenada da extrema direita nas redes sociais

Por Leonardo Fernandes

Nos últimos dias, a extrema direita tem inundado as redes sociais com conteúdos para colar a imagem de “taxador dos pobres” ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. “Taxad”, “Margareth Taxxer” e “Zé do Taxão”, são alguns dos memes que têm viralizado na internet com críticas ao titular da Fazenda e a medidas econômicas do governo federal.

Uma das medidas mais atacadas é a chamada “taxa das blusinhas”, uma emenda ao relatório do Programa de Mobilidade Verde e Inovação (Mover) que estabeleceu uma alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que antes eram isentas de pagamento de imposto sobre importação.

A proposta, entretanto, era objeto de críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas foi aprovada por ampla maioria no Congresso Nacional pois era defendida pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) e setores da direita, em favor de grandes varejistas brasileiras que pressionaram pela medida.

O cientista político João Feres, pesquisador do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp-Uerj), afirma que essa é uma estratégia recorrente da extrema direita nas redes sociais para colocar na conta do governo atual os efeitos de medidas impopulares defendidas por eles próprios.

Feres, que é coordenador do Laboratório de Estudos da Mídia e Esfera Pública (Lemep), afirma que essas ações coordenadas buscam, muitas vezes, explorar as contradições do próprio governo, como ter cedido às pressões da Câmara para a inclusão da chamada “taxa das blusinhas” no texto que criou o Mover, mesmo sob a oposição do presidente da República.

“A capacidade da esquerda enfrentar a direita nas redes sociais varia de assunto a assunto. Particularmente nesse caso, os perfis mais influentes da esquerda não vão entrar [no debate] defendendo, porque o tópico em si é impopular”, avalia Feres. 

A ação coordenada desses grupos tem conquistado aderência de setores progressistas, inclusive entre grupos que apoiaram o atual governo nas últimas eleições. Para a cientista política Camila Rocha, pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e autora do livro As Direitas nas redes e nas ruas, isso é produto da própria realidade das pessoas e da incapacidade do Estado em responder às necessidades da população com serviços públicos de qualidade.

“Isso se dissemina para além da direita ou para além dos antipetistas. De fato, as pessoas, sobretudo as pessoas mais pobres, não sentem que esses serviços públicos estão chegando de forma eficaz, eficiente. Boa parte delas tem algum tipo de frustração em relação à entrega de serviços públicos”, afirma. 

Papel da mídia comercial   

Para Rocha, além de aproveitar eventuais vacilos da gestão de governo e da ineficiência do Estado, a extrema direita joga com a opinião pública a partir de estigmas criados sobre governos de esquerda, sempre os associando, ainda que inveridicamente, a uma suposta defesa do aumento de impostos. “Esses grupos podem fazer diversas ações coordenadas, mas se não tiver crenças anteriores que sustentem a adesão aos conteúdos, esses conteúdos não vão pegar”, afirma. 

É o que Feres chama de “retroalimentação” entre a mídia comercial e os grupos da extrema direita que atuam nas redes sociais. “A imprensa tradicional também faz uma campanha acusando o governo de gastador e tudo mais, então [a extrema direita] entra numa narrativa que se retroalimenta da mídia tradicional”, avalia o professor.  

A relação da imprensa comercial com o discurso liberal é patente. Nesta quinta-feira (17), o jornal Folha de S. Paulo revelou que trechos de uma entrevista exclusiva do presidente Lula à TV Record, gravada na terça-feira (16), foram antecipados a agentes do mercado financeiro. Segundo a reportagem, o texto foi atribuído à empresa Capital Advice, que tem como uma das sócias, a jornalista Renata Varandas, que conduziu a entrevista com o presidente da República.  

Record divulgou a íntegra da entrevista com o presidente na noite de terça, mas os mercados já haviam reagido à informação recebida. A emissora divulgou nota em que afirma que condena qualquer vazamento de informações e que tomará medidas cabíveis para a apuração dos fatos.   

Ministro comenta estratégia

Durante o 19º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, que ocorreu entre 11 e 14 de julho em São Paulo, o ministro da Fazenda comentou o que chamou de campanha de “desinformação” e apontou os grupos de extrema direita como responsáveis por essas ações coordenadas.  

“O que eu vejo em rede social é um negócio avassalador, de desinformação. E isso não está partindo dos meios de comunicação, não está partindo dos jornais, não está partindo das TVs, não está partindo das rádios”, afirmou.  

Haddad afirmou ainda que existe no Brasil uma “oposição de tipo novo” que “atua para minar a credibilidade das instituições, dos dados oficiais e do Estado brasileiro”.  

“Eles atuam diuturnamente nas redes sociais, eu nunca vi um negócio desses. É uma prática protofascista mesmo, não tem outra palavra”, disse o ministro. “As últimas investigações dão testemunho de que tipo de quadrilha que estava no poder, e nós temos que lidar hoje com essa bandidagem”, declarou. 

O que fazer? 

Para João Feres, a comunicação do governo ainda não encontrou uma estratégia efetiva para fazer o enfrentamento à disseminação de desinformação e às ofensivas da extrema direita contra as medidas do governo. Ele defende que é preciso mais investimento em pessoal qualificado e recursos, além de uma estratégia que dê conta da complexidade da atuação desses grupos.  

“Ele [o governo] precisa ter uma estratégia de comunicação complexa porque o mundo da comunicação hoje em dia é muito complexo. Tem as mídias tradicionais, que ainda formam muita opinião; tem agora os influenciadores, as redes sociais, o debate propriamente entre usuários no Facebook e no Instagram. Esse ecossistema da comunicação é bem complexo. Isso demanda do governo uma política também complexa e eu acho que até agora ele não se mostrou muito efetivo em fazer esse enfrentamento”, critica.

Respostas

Diante da campanha de desinformação, a presidenta do Partido dos Trabalhadores e deputada federal Gleisi Hoffmann saiu em defesa do ministro da Fazenda. 

“A verdade é que a carga tributária no Governo Lula não aumentou. Em 2023, a carga tributária bruta foi 32,4% do PIB. Até 2022 ela era 33,7%. Ou seja, a carga tributária não só não aumentou como também diminuiu”, disse a deputada, em nota.  

Gleisi ainda afirmou que, com a reforma tributária aprovada no Congresso, o governo cortou “pela metade a carga tributária dos mais pobres” e aumentou “em 20% a taxa de impostos dos mais ricos”. 

Brasil de Fato também enviou questionamentos à Secretaria de Comunicação Social do governo federal (Secom) sobre a estratégia da pasta para o enfrentamento à desinformação, especialmente no caso mencionado nesta reportagem, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto para posicionamentos.

Edição: Felipe Mendes

Desafios na rota do Leão

POR GERSON NOGUEIRA

Não há muito o que contestar no sistema adotado pelo técnico Rodrigo Santana desde sua chegada ao Remo, na 5ª rodada da Série C. Em termos de resultados, foram conquistados 12 pontos, afastando o time das últimas posições. Ocorre que a ambição vai além disso. Pelos investimentos feitos, a meta é a classificação, a essa altura extremamente difícil.

Para ingressar no G8 e passar à próxima fase, o Remo precisa conquistar 13 pontos nos seis jogos que serão disputados até o final desta etapa a fim de alcançar 29 pontos. Sob a gestão de Santana, a equipe mostrou em várias ocasiões potencial para ir além do que foi mostrado. Terá que jogar muito mais para obter os pontos necessários para classificar.

Três jogos serão em Belém – contra CSA, Aparecidense e Londrina – e o Leão tem a obrigação de ganhar todos. Os quatro pontos que ficam faltando para a classificação terão que ser obtidos em confrontos fora de casa.

O ajuste do time em torno do 3-4-3 só revelou fragilidades quando o Remo precisou sustentar resultados, como na segunda-feira, contra a Ferroviária. Vencia por 1 a 0 até os minutos finais do 2º tempo, mas se mostrou pouco resistente à pressão imposta pelo adversário.

A defesa saiu como vilã, mas o fato é que o time todo contribuiu para a reação da Ferroviária ao recuar excessivamente, permanecendo no campo de defesa e abrindo mão de tentativas ofensivas.

Para somar os pontos necessários à classificação, o Remo não pode incorrer nos mesmos erros. É verdade que o 3-4-3 fortaleceu o ataque, através do avanço dos alas, mas deve ser executado de forma mais eficiente e segura. Erros bobos na troca de passes comprometem a segurança defensiva e enfraquecem a movimentação ofensiva.

A concentração em torno do resultado deve ser permanente. Momentos de distração tornam qualquer jogo perigoso. Disciplinar esse processo muitas vezes tem mais a ver com a questão anímica do que com condicionamento físico. O lado mental pode compensar eventuais quedas de intensidade.

Por fim, Rodrigo Santana deveria atentar para as demais peças do limitado elenco azulino. Jogadores velocistas, que exploram o drible para superar as linhas de marcação, devem ser priorizados. Nesse sentido, Ronald e Felipinho deveriam estar sempre entre as opções preferenciais.

Nos últimos jogos, eles foram deixados de lado enquanto o time ganhava a presença de Cachoeira, um atacante que não se firmou ao longo de toda a campanha – e não por falta de oportunidades.

A necessidade de reforçar o elenco tem esbarrado na previsível falta de jogadores disponíveis no mercado. Para o ataque, o clube tenta buscar Rodrigo Alves, que disputa a Série D pelo Cascavel (PR).

Como o risco sempre ronda a pressa, surgem preocupantes especulações em torno de Bruno Silva, veterano (37 anos) volante que se tornou um andarilho do futebol. Não é reforço para o Remo atual.   

Afinal, Romário ganhou o tetra sozinho?

A Seleção Brasileira treinada por Carlos Alberto Parreira conquistou, em 1994, o pentacampeonato mundial na Copa do Mundo dos Estados Unidos. Sempre foi um time olhado meio de soslaio pelos fãs do futebol-espetáculo, e talvez por isso mesmo seus heróis costumam reagir com azedume aos críticos de sempre.

A verdade é que a conquista merece aplausos pela importância e pelo rendimento do time montado por Parreira. Centrado na dupla Romário-Bebeto, o esquema se sustentava na forte marcação a partir do meio-de-campo, onde Mazinho e Dunga se destacavam.

Por conta do sucesso e dos gols decisivos, Romário virou o grande protagonista daquele time. É inegável que carrega boa parte do mérito pela conquista, mas é injusto não perceber que a grandeza daquela seleção estava na força coletiva.

Ao mesmo tempo, é legítimo duvidar se o time chegaria ao título mundial sem a genial presença de área do camisa 11. Cinco gols marcados, dois deles contra Holanda e Suécia; e uma assistência espetacular para Bebeto nas oitavas de final contra os norte-americanos.

O documentário “O Tetra pelo Tetra”, disponível no canal Disney+, traz depoimentos interessantes dos principais jogadores do escrete. Romário admite que foi “o cara” ao longo da campanha e que estava no auge da forma, mas reconhece que o êxito só foi possível pelo trabalho de todos.

Segundo ele, o grupo assimilou que, para levantar a taça, era preciso correr mais para permitir que Romário e Bebeto ficassem livres para decidir os jogos, dispensados da missão de marcar. 

“Eu fui o cara daquela Copa? Fui. Foi o meu melhor momento. Mas tudo aquilo aconteceu porque o grupo estava disposto a se sacrificar. Cada um por si e um pouco por cada um”, afirma Romário.

Copa do Brasil: boas chances para as zebras

A definição dos confrontos das oitavas de final da Copa do Brasil reserva pelo menos um clássico de alto quilate – Palmeiras x Flamengo – e dois jogos muito parelhos, Botafogo x Bahia e Grêmio x Corinthians. Como de costume, há espaço para surpresas.

Enquanto Flamengo e Palmeiras irão protagonizar o duelo mais esperado desta fase, o Atlético-MG vai enfrentar o modesto CRB, o campeão São Paulo pega o Goiás e o Fluminense encara o Juventude.

É justamente nesses três confrontos que estão as melhores oportunidades para que as zebras da competição possam brilhar.

O Juventude vive um momento muito positivo na Série A e o Flu amarga a lanterna da competição. O Galo, recheado de jogadores caros, terá que passar pelo CRB, vice-campeão da Copa do Nordeste. E o São Paulo, atual detentor do título do torneio, enfrenta o Goiás, que é apenas o 9º colocado na Série B. 

Arrisco dizer que um dos três azarões passa à próxima fase.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 19)

Coletivo de mulheres jornalistas lança manifesto em solidariedade a Juliana Dal Piva

Repórter do ICL Notícias vem sendo atacada pelo criminoso e foragido da Justiça Allan dos Santos

O coletivo Mulheres Jornalistas pela Democracia soltou manifesto em solidariedade à repórter do ICL, Juliana Dal Piva, que vem sendo atacada pelo bolsonarista Allan do Santos e seus seguidores. Criminoso e foragido da Justiça brasileira, Allan do Santos afirmou nas suas redes sociais que a jornalista forjou imagens com ofensas de cunho misógino, com o intuito de difamá-la como profissional.

O trabalho investigativo de Juliana Dal Piva revelou os esquemas de enriquecimento de Jair e de toda família Bolsonaro. Abaixo, a íntegra do manifesto:

“Nós, do Coletivo Mulheres Jornalistas pela Democracia, manifestamos total solidariedade à jornalista Juliana Dal Piva, do ICL Notícias, que vem sendo alvo de uma onda de ataques e ameaças em redes digitais da extrema direita.

Juliana faz um notável trabalho jornalístico ao investigar e mostrar como a família Bolsonaro enriqueceu depois de entrar na política. Seu excelente livro, ‘O Negócio do Jair’, foi finalista do Prêmio Jabuti, em 2023.

A onda de ataques começou com o extremista Alan dos Santos, foragido da justiça brasileira nos Estados Unidos. Cobramos das autoridades que os perpetradores dessas agressões sejam punidos e que sejam tomadas as devidas providências para que cessem as ameaças à Juliana Dal Piva.

O assédio contra ela é também um ataque ao ICL Notícias e visa intimidar o trabalho da imprensa brasileira comprometida com a democracia e com o jornalismo de qualidade. Não podemos aceitar tal nível de agressão contra jornalistas, especialmente mulheres, alvo preferencial da direita extremista e violenta representada, no Brasil, pelo bolsonarismo.”

Coletivo Mulheres Jornalistas pela Democracia:

Andrea Penna
Cláudia Noronha
Conceição Lemes
Cristina Serra
Denise Assis
Eliara Santana
Fátima Belchior
Graça Caldas
Inês Castilho
Kátia Brasil
Letícia Nunes
Lívia Ferrari
Lourdes Nassif
Lucila Soares
Marcelle Chagas
Nina Valente
Simone Romero
Teresa Garcia
Vera Durão
Vera Perfeito