POR GERSON NOGUEIRA
Presença assídua no programa “Late Show”, de David Letterman, no Ed Sullivan Theatre (Nova York), o Pearl Jam tocou em 2006 um set exclusivo das 10 canções do álbum Pearl Jam, o famoso “álbum do abacate” (a capa traz a imagem do fruto partido ao meio), lançado em 2 de maio daquele ano. “Marker in the Sand” (Marcador na areia) era uma delas. Foi o oitavo disco da banda, o primeiro pela gravadora J Records, após quatro anos sabáticos.
A simplicidade melódica é a marca do disco, que soou despretensioso no começo, mas virou uma obra decente com o passar do tempo. A ideia era diferenciar de tudo o que a banda havia mostrado antes, objetivo plenamente alcançado. Uma das viradas de rota típicas do Pearl Jam. O trabalho não está entre os mais badalados do grupo, mas impressiona pela maturidade musical dos integrantes. Destaque nesta canção para a bateria de Matt Cameron.
O esforço para romper com as amarras do grunge (“o som de Seattle”) fez bem ao PJ, que é a grande exceção de longevidade entre os expoentes do gênero, com 33 anos de estrada. Honra plenamente o refrão de seu primeiro hit, Alive: “I’m still alive” (ainda estou vivo).
Neste clipe, uma das marcas registradas do grupo: as performances sempre impecáveis, com o capricho nos detalhes combinando com o imenso repertório. Os críticos da Rolling Stone dizem há tempos que não há notícia ou lembrança de um show ruim do PJ.
A letra de “Marker in the Sand” é puro suco de Pearl Jam (e de Eddie Vedder), com altas doses de desesperança e misticismo:
Há um marcador, ninguém o vê pois a areia
Cobriu todas as mensagens que sobraram
Distorcendo a verdade original
E a ampliando, com crença, mas não com amor
O que deu errado?
Andando na corda bamba sobre uma base moral
Tendo visões de estar caindo, de qualquer jeito
Oh, desça
Com os vivos, deixe o que é vivo amar
Tão implacável, ainda que precisando primeiro de perdão
Deus, o que você diz?
Esses indecisos não precisam de fé para serem livres
E esses desencaminhados, havia um plano para eles viverem
Agora você tem ambos os lados reivindicando assassinatos em nome de Deus
Mas Deus está em lugar algum pra ser achado, de forma bem conveniente