O monitoramento ilegal da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL) incluiu políticos, magistrados e jornalistas, segundo as investigações da Polícia Federal. A chamada “Abin paralela” também produzia dossiês e disseminava notícias falsas contra adversários. Na decisão que autorizou a Operação Última Milha da PF, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes diz que as investigações mostraram que a “utilização dos recursos da Abin” teve o objetivo de “obter vantagens políticas”.
Entre as autoridades monitoradas estão o próprio Moraes, Arthur Lira (PP-AL), que preside a Câmara dos Deputados, e o senador Renan Calheiros (MDB-AL), assim como as jornalistas Mônica Bergamo e Vera Magalhães. A Abin utilizou um programa chamado FirstMile para monitorar a localização de alvos pré-determinados por meio dos aparelhos celulares. (Globo)
E a PF encontrou o áudio de uma reunião em que Bolsonaro, o general Augusto Heleno, então chefe do Gabinete de Segurança Institucional, ao qual a Abin é subordinada, e o ex-chefe da Abin Alexandre Ramagem discutem um plano para anular o inquérito das “rachadinhas” contra o senador Flávio Bolsonaro. Segundo aliados, o ex-presidente está furioso por Ramagem ter mantido no celular um áudio tão comprometedor. (Estadão e Globo)
A estrutura da “Abin paralela”, segundo a PF, mandava marcar o vereador Carlos Bolsonaro em postagens nas redes sociais com fake news que miravam adversários políticos. Também foi utilizada para produzir provas a favor de Jair Renan, que era alvo de um inquérito pela suspeita de tráfico de influência. (Globo)
Os detalhes do caso foram divulgados depois que Moraes levantou o sigilo da quarta fase da Operação Última Milha, realizada ontem. A PF cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão em Brasília, Curitiba, Juiz de Fora, Salvador e São Paulo. (UOL)
Durante três anos de Bolsonaro, esta coluna o chamou de corruptor. De corruptor, não de corrupto. Embora fosse evidente sua prática de comprar o Exército para costurar o regime de força que viria no segundo mandato, não se sabia que roubasse além da prática familiar da rachadinha, que lhe rendeu mais de 50 imóveis. Só quase no quarto ano percebi o óbvio: não existe corruptor sem corrupção. Bolsonaro não estava usando seu dinheiro para subornar os militares. Estava usando dinheiro do Estado, e isso é corrupção.
Alguns dirão que, diante das facilidades da Presidência, Bolsonaro viu a oportunidade de meter a mão, como no caso das joias. É a velha ideia de que a ocasião faz o ladrão. Mas Machado de Assis, em seu romance “Esaú e Jacó” (1904), já corrigiu esse equívoco: “A ocasião faz o furto. O ladrão já nasce feito”. A prova é que, manipulando os bilhões do Orçamento à sua vontade, Bolsonaro foi apanhado pungando objetos que poderia muito bem comprar, e até com dinheiro vivo, como de praxe nos Bolsonaros.
Bolsonaro reduziu o Palácio da Alvorada a uma caverna de Ali Babá, com suas arcas de relógios, brincos, colares, anéis, braceletes, pingentes, canetas e abotoaduras de ouro e diamantes, e fez de seus auxiliares, civis e militares, a horda dos 40 ladrões — pelo menos 11 até agora. Em seguida, transformou o Alvorada num camelódromo, para vender esses bens que não lhe pertenciam. Vendidos, tiveram de ser vergonhosamente recomprados quando a Justiça deu por falta deles. Raro um contrabandista tão desastrado.
O Houaiss dá várias definições para o ato de se apossar do que é alheio: afanar, agafanhar, assaltar, defraldar, desfalcar, despojar, empalmar, furtar, gatunar, larapiar, pilhar, piratear, rapinar, subtrair, usurpar — em suma, roubar. Há vários nomes para quem se dedica a essas práticas.
Mas há um bem simples e que resume Bolsonaro: ladrão.
(*) Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues, é membro da Academia Brasileira de Letras.
Presença assídua no programa “Late Show”, de David Letterman, no Ed Sullivan Theatre (Nova York), o Pearl Jam tocou em 2006 um set exclusivo das 10 canções do álbum Pearl Jam, o famoso “álbum do abacate” (a capa traz a imagem do fruto partido ao meio), lançado em 2 de maio daquele ano. “Marker in the Sand”(Marcador na areia) era uma delas. Foi o oitavo disco da banda, o primeiro pela gravadora J Records, após quatro anos sabáticos.
A simplicidade melódica é a marca do disco, que soou despretensioso no começo, mas virou uma obra decente com o passar do tempo. A ideia era diferenciar de tudo o que a banda havia mostrado antes, objetivo plenamente alcançado. Uma das viradas de rota típicas do Pearl Jam. O trabalho não está entre os mais badalados do grupo, mas impressiona pela maturidade musical dos integrantes. Destaque nesta canção para a bateria de Matt Cameron.
O esforço para romper com as amarras do grunge (“o som de Seattle”) fez bem ao PJ, que é a grande exceção de longevidade entre os expoentes do gênero, com 33 anos de estrada. Honra plenamente o refrão de seu primeiro hit, Alive: “I’m still alive”(ainda estou vivo).
Neste clipe, uma das marcas registradas do grupo: as performances sempre impecáveis, com o capricho nos detalhes combinando com o imenso repertório. Os críticos da Rolling Stone dizem há tempos que não há notícia ou lembrança de um show ruim do PJ.
A letra de “Marker in the Sand” é puro suco de Pearl Jam (e de Eddie Vedder), com altas doses de desesperança e misticismo:
Há um marcador, ninguém o vê pois a areia Cobriu todas as mensagens que sobraram Distorcendo a verdade original E a ampliando, com crença, mas não com amor
O que deu errado?
Andando na corda bamba sobre uma base moral Tendo visões de estar caindo, de qualquer jeito Oh, desça
Com os vivos, deixe o que é vivo amar Tão implacável, ainda que precisando primeiro de perdão Deus, o que você diz?
Esses indecisos não precisam de fé para serem livres E esses desencaminhados, havia um plano para eles viverem Agora você tem ambos os lados reivindicando assassinatos em nome de Deus Mas Deus está em lugar algum pra ser achado, de forma bem conveniente