O endiabrado Donald Sutherland

Não virou ícone. Foi coisa melhor

Por André Forastieri

Donald Sutherland talvez seja o melhor ator de sua geração que não teve um papel definitivo. Submergia nos papéis e os servia brilhantemente, da comédia ao drama e tudo no meio. Nada “icônico”, nosso favorito.

O que vão mostrar na retrospectiva do Oscar, ele como Hawkeye em M.A.S.H.? Os portais usaram como gancho para o obituário seu papel em “Jogos Vorazes”, a única chance de caçar alguns cliques com o velho ator, 88. Prefiro ele acima, como o professor provocador, sacana de um filme memorável e antiquado, “Clube dos Cafajestes”.

Fez um bocado de filme bom, daqueles que serão vistos enquanto pessoas assistirem filmes. E esteve ótimo em muitos filmes nem tanto.

Vi um assim semanas atrás, pelo qual ganhou o Emmy, “Citizen X”. Faz um coronel atrás de um assassino serial na URSS. É baseado numa história horrível e real. Você nunca fica confortável com as escolhas de Sutherland como esse tira ambíguo, político, um tanto assustador. Olhos satânicos, tinha Donald.

Me ocorre agora que é um ator mais completo que ícones como DeNiro, Pacino ou Nicholson, que me dizes?

Para o velório, vamos tocar essa linda música da Kate Bush, com ele fazendo o papel de… Wilhelm Reich. A letra combina. Quando Donald entra em cena, você já sabe: someting good is gonna happen.

Deixe uma resposta