Silvio Luiz, Apolinho e Antero: luto no jornalismo esportivo brasileiro

Uma coincidência triste para o jornalismo esportivo nesta quinta-feira, 16: as mortes de Silvio Luiz, Washington Rodrigues (Apolinho) e Antero Greco

O jornalista esportivo Antero Greco morreu nesta quinta-feira (16), aos 69 anos, em decorrência de um tumor cerebral. O Hospital Beneficência Portuguesa informou que o comentarista da ESPN faleceu às 3h (de Brasília), em decorrência de complicações de um meningioma. Antero estava hospitalizado e “em seus dias finais”, conforme relato feito pelo amigo Paulo Soares no último sábado, 11. Ele estava no Mirante da Beneficência Portuguesa, em São Paulo, já não respondia mais e se alimentava por sonda.

O jornalista vinha enfrentando a doença desde junho de 2022, tendo realizado cirurgias e sessões de radioterapia nos últimos anos. Ele foi internado algumas vezes e foi submetido a procedimentos para tratar do “corpo estranho” na cabeça, como costumava chamar a doença.

A notícia da morte foi confirmada nesta manhã pela ESPN. Ele era comentarista da casa e tinha uma bem-sucedida parceria com Paulo Soares, o Amigão, no SportsCenter. jornalista trabalhou na ESPN por 30 anos — era o mais antigo na casa e chegou antes mesmo de a emissora ter o atual nome. Ele entrou na empresa no início de 1994, quando ainda se chamava TVA Esportes e ficou até os seus últimos dias, mas estava afastado da grade de programação devido ao seu estado de saúde.

Antero fez parceria de sucesso com Paulo Soares, o Amigão, no comando do SportsCenter. Tinha o equilíbrio entre bom humor e seriedade jornalística como característica marcante e contribuiu para a formação de diferentes gerações de fãs do esporte. A explosão de risadas de ambos no programa se tornaram lendárias. Abaixo, uma pequena seleção desses momentos irreverentes.

Começou a carreira no jornal “Estado de S. Paulo”, em meados da década de 1970. Também teve passagens por Popular da Tarde, Folha de S. Paulo, Diário de São Paulo e TV Bandeirantes, além de ter sido colunista do UOL entre 2019 e 2020. Cobriu 9 Copas do Mundo e diversos grandes eventos esportivos.

Era apaixonado por literatura e escreveu dois livros: ‘Seleção Nunca Vista’ e ‘A Goleada’. Chegou a começar a cursar Letras, mas abandonou a graduação e focou no jornalismo. Possuía uma coleção de livros com mais de dez mil exemplares.

Antero Greco teve um susto ao vivo na bancada do Sportscenter em setembro de 2022. Na madrugada do dia 9, ele passou mal no meio de um comentário e não conseguiu concluir o raciocínio. O apresentador Felipe Motta precisou chamar o intervalo às pressas.

Antero foi encaminhado a um hospital, submetido a uma cirurgia e ficou oito dias internado. Ele voltou a trabalhar cerca de um mês depois, mas de forma remota. Após um período, o jornalista ficou novamente afastado, dessa vez para realizar sessões de radioterapia.

“PELO AMOR DOS MEUS FILHINHOS”

Silvio Luiz morreu nesta quinta-feira (16), aos 89 anos, por falência múltipla de órgãos. Ele estava internado na UTI do Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, desde o dia 8 de maio. O narrador sofreu um derrame enquanto trabalhava na transmissão digital da Record em Palmeiras x Santos, final do Campeonato Paulista, há mais de um mês.

Ainda segundo o comunicado assinado pelos médicos Roberto Betti e Haggeas da Silveira Fernandes, diretores do Hospital Oswaldo Cruz, Silvio Luiz morreu às 9h40, desta quinta-feira, em decorrência de falência múltipla de órgãos.

Desde a final do Paulistão, o narrador foi internado duas vezes. Ele foi hospitalizado no dia da decisão do Estadual, se recuperou e voltou para casa poucos dias depois. Depois de um mal estar em casa, voltou a ser internado. O quadro piorou na semana passada e ele estava na UTI desde a última quarta-feira.

Ex-árbitro de futebol, Silvio Luiz era um dos narradores mais famosos do Brasil e fez história com bordões inesquecíveis como “olho no lance”, “no paauuuu”, “pelo amor dos meus filhinhos” e “pelas barbas do profeta”. Virou um ícone dos fãs de futebol no país.

Desde 2022, o narrador vinha sendo a voz das transmissões digitais do Paulistão da Record no portal R7 e no PlayPlus, ao lado dos humoristas Bola e Carioca. Silvio começou como repórter de campo, mas ganhou notoriedade nas narrações de estilo irreverente e único. Ele trabalhou no SBT, na Band, na RedeTV! e na Record TV.

APOLINHO: LÍNGUA FERINA E AMOR PELO FLA

O radialista, repórter, jornalista esportivo e comentarista Washington Rodrigues morreu nesta quarta-feira (15) aos 87 anos, no Rio de Janeiro. Também conhecido como Apolinho ou Velho Apolo, ele lutava contra um câncer agressivo. Um dos principais repórteres da história do rádio, Washington comandava o “Show do Apolinho” na Rádio Tupi. No ar desde fevereiro de 1999, o programa era líder absoluto de audiência no segmento há mais de 20 anos.

O radialista era também comentarista titular da equipe de esportes da rádio e tinha a coluna “Geraldinos e Arquibaldos” no Jornal Meia Hora, de conteúdo leve e bem-humorado.

Carismático, criou várias expressões populares como “Geraldinos e Arquibaldos”, “Pau com formiga”, “Pinto no lixo”, “Briga de cachorro grande”, entre muitas outras. Apaixonado pelo Flamengo, teve duas passagens pelo clube:

  • em 1995, como treinador, onde conquistou o vice-campeonato da Supercopa Libertadores;
  • em 1998, como diretor de futebol.

“Eu não sou técnico e nunca fui, mas o Flamengo não me convidou, me convocou. E todas as vezes que ele me convocar eu vou, pelo Flamengo eu faço qualquer coisa, se o goleiro se machucar e precisar de mim no gol eu vou lá e jogo, pelo Flamengo eu faço qualquer negócio, chamou eu tô dentro, qualquer coisa que quiserem eu vou”, chegou a dizer sobre a experiência.

A Rádio Tupi, onde Apolinho trabalhava, publicou uma homenagem ao radialista nas redes sociais. Carioca do Engenho Novo, Washington Rodrigues nasceu no dia 1º de setembro de 1936.

Começou sua carreira em 1962 na Rádio Guanabara, atual Rádio Bandeirantes, no programa “Beque Parado”, que falava sobre futebol de salão. Trabalhou em todas as grandes emissoras de televisão e rádio da cidade, entre elas, Globo e Nacional.

Conhecido pela imparcialidade, foi um dos poucos comentaristas com grande aceitação pelas quatro grandes torcidas cariocas. Era também reconhecido na profissão, tendo recebido todos os prêmios já criados para homenagear um jornalista esportivo.

O apelido Apolinho surgiu por usar, quando repórter da Rádio Globo, um microfone sem fio que era utilizado pelos astronautas da Missão Apollo 11, de 1969. Ele deixa três filhos.

(Com informações de O Dia, Placar, Folha SP, O Globo, ESPN)

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