Segredo para controlar o jogo

POR GERSON NOGUEIRA

Mesmo na era da informação abundante, do conhecimento acessível a todos, o futebol guarda lá seus caprichos e armadilhas, sendo que raramente premia times mentalmente fracos. As grandes decisões consagram os fortes de espírito, capazes de resistir a situações desfavoráveis e de superar adversidades que se impõem ao longo de 90 minutos.

É claro que estou me referindo a times que têm a mesma envergadura e se igualam em poderio técnico. Nesse aspecto, leva a melhor quem for mais capacitado a reagir a desafios que surgem inesperadamente. Nesse sentido, acostumar-se a uma situação nova – como a expulsão de jogadores do próprio time ou do adversário – requer preparo e condicionamento.

Nos últimos dias, os exemplos foram até didáticos, em meio a essa emocionante sequência de clássicos válidos por duas competições. Foi possível ver como as equipes se comportam quando sofrem duas expulsões e também quando se beneficiam disso.

Um PSC obstinado e organizado soube aproveitar a vantagem numérica no Re-Pa que abriu a decisão do Parazão, domingo passado. Diante de um Remo sem dois jogadores no 2º tempo, o time bicolor se impôs e conseguiu ampliar a vantagem no placar, chegando ao segundo gol.

Pela Copa Verde, na quarta-feira, foi a vez de o Remo desfrutar da mesma vantagem por cerca de 10 minutos. Atarantado, perdeu-se perdeu em movimentos erráticos, sem conseguir executar nem mesmo o primitivo recurso de avançar e sufocar o adversário. Tenso e inseguro, aceitou ser atacado e quase sofreu um gol no minuto final.

A rigor, não havia diferença entre os dois cenários. O único diferencial foi a capacidade de ser frio e objetivo na busca do resultado, demonstrada pelos bicolores. Essa condição plena só é possível atingir com muito treino, que torna as reações automáticas. Era como se o time esperasse por aquele momento, daí responder normalmente a ele.

Já os remistas não sabiam o que fazer, a não ser trocar passes sem objetivo. Não surgiu ninguém – em campo ou ali ao lado – para organizar as coisas, dar sentido às ações e indicar o caminho a ser seguido. Diante disso, a confusão se estabeleceu em passes errados. Aos poucos, a vantagem desapareceu, virou fumaça.

Está provado que o futebol não depende apenas do físico. Há espaço também para a elaboração mental. Não só no planejamento tático, mas na preparação dos atletas. Reações rápidas constituem a essência do jogo, qualquer jogo, mas devem ser estudadas e planejadas para que se tornem benéficas para o time, seja no ataque ou na defesa.

O paciente leitor deve ter observado que a coluna mergulhou em teorias, talvez até excessivamente. A questão é que o comportamento dos times é algo fascinante e decisivo demais para merecer tão pouca atenção de técnicos e preparadores. Anos atrás, Johan Cruyff escreveu a respeito da natureza anímica do futebol, tema mais sério (e atual) do que se pensa.

Desfalques podem fazer a diferença na final

Quando os times entrarem em campo, hoje, às 17h, quatro jogadores titulares estarão ausentes: Lucas Maia e Leandro Vilela, pelo PSC; e Paulinho Curuá e Nathan, pelo Remo. Os substitutos talvez não executem as mesmas tarefas, o que pode mexer bastante na estrutura e no desenvolvimento de jogo dos times.

No Papão, Leandro Vilela é o volante com maior capacidade de passe e construção de jogadas. É normalmente quem ajuda o meia Robinho no processo de transição e de abertura de espaços no campo adversário. O zagueiro Lucas Maia – que ainda é dúvida – deve ser substituído por Carlão, sem maiores problemas.

Do lado azulino, a ausência de Paulinho Curuá enfraquece a linha de marcação e combate à frente da zaga. O substituto natural é Henrique Vigia, que não tem atuado bem nas partidas recentes. A lateral esquerda deve ter Raimar no lugar de Nathan. É uma troca automática.

Dono de um conjunto mais afinado, o PSC conta com a vantagem de dois gols para ser campeão. O Remo, com baixa produtividade no ataque, precisa ser bastante ofensivo. Nos três clássicos disputados, só marcou uma vez. Hoje terá que marcar pelo menos dois gols, sem sofrer nenhum.  

O provável trio ofensivo, com Kelvin, Ribamar e Sillas, tem boa movimentação, mas peca pelo excesso de erros na definição das jogadas. Ytalo, que entra no decorrer das partidas, é mais certeiro, mas não tem a desenvoltura e a capacidade de briga que Ribamar entrega.

Gustavo Morínigo vive esse dilema, que só será esclarecido uma hora antes do clássico decisivo. Marco Antônio, Kanu e Echaporã são alternativas para robustecer e tornar mais rápido o ataque. A conferir.  

Bola na Torre

O programa começa às 22h, na RBATV, com apresentação de Guilherme Guerreiro e participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Cobertura ampla da festa do título paraense da temporada, com entrevistas e análises da grande decisão. A edição é de Lourdes Cezar.  

Uma conquista que engrandece a Tuna

A Tuna conquistou a I Copa Grão Pará na noite de quinta-feira, no Mangueirão. Para muita gente, parece um feito menor. Afinal, o torneio é uma espécie de filhote do Campeonato Estadual. Para a Lusa, porém, uma taça tem muito valor. E esta garante vaga na Copa do Brasil 2025.

Quando virou o marcador sobre o S. Francisco, tendo um homem a menos (o volante Renan foi expulso aos 5 minutos do 2º tempo), a Águia Guerreira fez a alegria de uma torcida que se espalha por toda a Amazônia. O feito também coroou a excelente campanha no Parazão.

De quebra, uma caprichada homenagem póstuma a um grande baluarte cruzmaltino: o médico e ex-presidente do clube Reinaldo Barros, falecido na terça-feira. Ele foi o presidente campeão brasileiro com a Lusa no ano da graça de 1985. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste sábado/domingo, 13/14)

Rock na madrugada – The Beatles, “Sargent Pepper’s Lonely Hearts Club Band”

POR GERSON NOGUEIRA

O disco mais revolucionário da história do rock foi todo pensado e produzido por um compositor que tinha somente 27 anos naquela época: Paul McCartney. Foi dele a inspiração para fazer “Sgt. Pepper’s”. A concepção era tão inovadora que deixou todos impressionados. Os engenheiros de gravação não acreditavam nos princípios básicos defendidos por Macca para o álbum conceitual, ideias que ele vinha amadurecendo há tempos desde que os Beatles estouraram nas paradas.

Regras sagradas foram derrubadas naqueles dias de gravação nos estúdios Apple. O disco virou tudo pelo avesso: arte da capa, encarte com letras impressas, arranjos nunca vistos. Lançado em 1 de junho de 1967, Sgt Peppers trazia 13 faixas, com um refinamento técnico e criativo jamais experimentado. A capa foi criada pelo artista plástico e pintor Peter Blake, com uma montagem de imagens de personalidades do século XX. 

Era uma ruptura radical com tudo o que havia sido feito até então, em pleno alvorecer do Verão do Amor. Os orgasmos orquestrais incrustados na música final do lado B (sim, o vinil tinha essa divisão clássica) são como detonadores da consciência crítica e cultural da época.

E há alguns pontos fundamentais a mencionar: quem ouve o LP no fone de ouvido da vitrola percebe a sutil transposição de som, principalmente a parte vocal, como a viajar da esquerda para a direita, ajudando a fincar o som nos corações e mentes.

Ouvi “Sgt. Pepper’s” em Baião, em julho de 1970, três anos depois de seu lançamento oficial, utilizando minha velha e simpática eletrola portátil Phillips, alaranjada, fácil de manejar e carregar de um lado a outro.

Ela custou uns 200 cruzados, verba que consegui juntar aos poucos com as comissões que avó Alice me dava pela venda de doces nas ruas da cidade. Tempos bons, principalmente para quem amava música. Soube do disco pelo rádio (PRC-5, claro) e não sosseguei enquanto não mandei comprar na capital. Valeu cada centavo.

Lembro até hoje do cheiro único do álbum sendo aberto, libertado do plástico, com aquele encarte em papel especial e fotos, muitas fotos. Um espetáculo visual feito sob medida para um moleque de 12 anos se extasiar. Minha irmã Sônia me contou, há meses, que o disco e todos os encartes seguem bem guardados num velho baú de lembranças, como aliás toda relíquia deve ser tratada.

Sobre a canção-título, guitarras flamejantes tecem a parede sonora inicial, com Paul pilotando a guitarra solo e o baixo de sempre. John cuidou da guitarra base, George sequenciou a linha de guitarra de Paul. Ringo fez estragos na bateria, um monstro. Curioso é que apenas alguns dias após o lançamento, outro gênio, Jimi Hendrix, executou a música em Londres diante de um Macca boquiaberto.

Era a história do rock sendo escrita em letras gigantes.

Primeira taça do novo Mangueirão é da Águia Guerreira

Com uma vitória de virada sobre o São Francisco por 2 a 1, na noite desta quinta-feira (11), no estádio Mangueirão, a Tuna conquistou a I Copa Grão Pará e ganhou o direito de participar da Copa do Brasil do próximo ano. O Leão Santareno abriu o placar com Edgo, cobrando pênalti cometido pelo volante Renan. A Águia Guerreira reagiu ainda no primeiro tempo e empatou com Jayme, desviando um cruzamento de Gabriel Furtado.

Na segunda etapa, a Tuna ficou com um jogador a menos: Renan, o mesmo que cometeu o pênalti, aplicou um carrinho violento no lateral Camilo e foi expulso de campo. Apesar de inferiorizada em campo, a Lusa continuou buscando o segundo gol, que veio aos 19 minutos. Tiago Bagagem cobrou falta e o zagueiro Dedé apareceu livre para cabecear para as redes.

A Tuna administrou o jogo, sem cair na armadilha do recuo excessivo, e conseguiu garantir a vitória. Depois da partida, os jogadores, comissão técnica e dirigentes fizeram uma grande comemoração em torno da taça conquistada, a primeira do novo Mangueirão.

Rock na madrugada – Eric Clapton, “Tearin’ Us Apart”

POR GERSON NOGUEIRA

Nascido em Ripley, Inglaterra, em 30 de março de 1945, Eric Clapton acaba de fazer 79 anos. Em plena atividade, fazendo excursões e shows pelo mundo, é um dos maiores guitarristas de todos os tempos com uma obra extensa e influências portentosas – Robert Johnson, Howlin’ Wolf, Elmore James, Muddy Waters, Freddie King e BB King.

Desde que começou nos Yardbirds, de 1963 a 1965, não parou mais. Já amadurecido, em julho de 1966, se uniu a Jack Bruce e Ginger Baker no Cream, um power trio dos melhores que o rock já viu. Enquanto consolidava o nome entre os maiores, Clapton tentava conviver com os egos gigantescos dos companheiros de banda.

A experiência no Cream durou apenas dois anos e quatro meses, mas foi o bastante para produzirem trabalhos inesquecíveis e vender milhões de discos. O próximo projeto foi o Blind Faith ao lado de seu amigo Steve Winwood, em 1969. Um ano depois formou sua própria banda, Derek & The Dominos. Eles trabalhavam na Flórida quando decidiu ver um show dos Allman Brothers em Miami.

Eric e Duane Allman se deram bem imediatamente. Dessa conexão sairiam as sessões de gravações históricas do álbum “Layla and Other Assorted Love Songs”. Em sua alentada autobiografia, Clapton revelou que ele e Duane eram inseparáveis ​​em Miami, e que Duane era “o irmão musical que eu nunca tive, mas gostaria de ter”.

Único músico homenageado três vezes no Rock & Roll Hall of Fame, é também 18 vezes vencedor do Grammy e um dos músicos de blues e rock mais importantes da história da música. Mr. Slowhand tem muitas outras histórias interessantes que darei um jeito de contar aqui no blog. A de hoje foi apenas para registrar seu aniversário. E “Tearin’ Us Apart“, do disco August (1986), foi escolhida porque é um rock alto astral, a partir de um riff contagiante.

A sorte socorre os valentes

POR GERSON NOGUEIRA

O Re-Pa não é para amadores. É um jogo especial, diferente de tudo. A história mostra isso. Em função da alta emoção, alguns jogadores sentem o impacto e não rendem o que deles se espera. Outros se inflamam e jogam muito mais do que poderiam. Na semifinal da Copa Verde, ontem, no Mangueirão, essas reações se mostraram mais vivas e expostas do que nunca. E o Papão mostrou-se forte e preparado mentalmente para superar duas expulsões e garantir classificação nas penalidades.

No tempo normal, em partida eletrizante e com dois expulsos (ambos do PSC), o placar terminou 1 a 1. Na série extra de penalidades, o Papão triunfou (4 a 3) porque teve mais gana. Se os 90 minutos já são calibrados pelo lado anímico, a cobrança de tiros livres da marca do pênalti potencializa mais essa combustão emocional. Nos tiros livres, ficou claro que os bicolores estavam mais preparados, inclusive mentalmente.

Mas, primeiro vamos falar do jogo, que foi bonito de ver ao longo dos 90 minutos. Depois de muito equilíbrio nos minutos iniciais, sem chances claras de gol, as redes balançaram quase em sequência, aos 33 e 35 minutos. Bryan Borges aproveitou o sururu na área e marcou para o Papão. Dois minutos depois, Paulinho Curuá tocou para Bruno Bispo empatar.

A primeira parte terminou com a promessa de fortes emoções no período final. E foi o que aconteceu. Os times retornaram jogando em alta velocidade. Ronald entrou no lugar de Marco Antônio e o Remo se tornou mais agudo pela esquerda.

O PSC trocou Robinho e Leandro Vilela por Biel e Val Soares. E foi o primeiro a ameaçar de verdade. Aos 2 minutos, em escanteio cobrado por Jean Dias, Nicolas errou o cabeceio embaixo da trave. A bola saiu por cima.

Aos 4’, resposta azulina: Ronald chutou, a bola desviou e o goleiro Diogo Silva espalmou. Kelvin pegou o rebote de cabeça e o goleiro salvou outra vez. Aos 8’, foi a vez de Matheus Anjos bater forte para nova defesa de Diogo.

Depois dessa volúpia inicial, o clássico esfriou um pouco e a marcação passou a prevalecer, com Paulinho Curuá de um lado e João Vieira do outro. Novas emoções apenas depois dos 30 minutos. Felipinho entrou no lugar de Kelvin e Sillas substituiu Ribamar, dando mais mobilidade ao ataque.

Aos 37’, Felipinho lançou Sillas, que deu um passe na medida para Ronald, que estava livre na área. O ponta se precipitou e bateu rasteiro à esquerda da trave, desperdiçando a melhor chance remista no jogo. Poderia ter dominado a bola e escolhido o canto.

Aos 38’, Wanderson foi expulso por falta violenta em Ronald. O PSC perderia ainda Biel, que atingiu Nathan com um pontapé. Apesar de inferiorizado, o Papão foi mais aguerrido e conseguiu criar mais chances de gol, inclusive com uma bola na trave, salva milagrosamente por Nathan.

Sem iniciativa, o Remo teve oito minutos para aproveitar a vantagem numérica e não deu um chute a gol. Nos penais, onde sorte e competência andam de mãos dadas, deu PSC por 4 a 3. Classificação merecida.

Mentalidade vitoriosa fez toda a diferença no fim

Dois momentos evidenciaram a diferença entre um time mentalmente preparado e outro ainda em fase de arrumação. O PSC tinha tudo para sair do Mangueirão ontem com uma derrota: perdeu dois jogadores na reta final da partida. O Remo teve oito minutos para conseguir a vitória, mas se perdeu em passes improdutivos na meia-cancha e indecisão na hora de arriscar tudo em busca do segundo gol.

Ao contrário, mesmo com dois jogadores a menos, o Papão não se acomodou naquela velha e surrada prática de recuar todo mundo para se resguardar. Com valentia, brigou pela bola no meio e saiu em vantagem, conseguindo duas faltas e ainda criar um ataque que quase resultou em gol.

Aos 49 minutos, com três jogadores na área do Remo, o PSC quase chegou ao gol. Marcelo Rangel soltou a bola e Ruan Ribeiro chutou na trave esquerda. Quando ia entrar no gol, Nathan conseguiu afastar.

Na cobrança dos tiros livres da marca do pênalti, o Papão começou mal. O artilheiro Nicolas perdeu a primeira. Só que o Remo falhou também logo em seguida, com Sillas. Quando a contagem poderia ser empatada de novo, Jaderson cobrou, o goleiro Diogo Silva tocou na bola, que bateu caprichosamente no travessão e saiu.

Sorte? Os simplistas diriam que sim, mas o futebol tem outros fatores capazes de influir numa disputa. As chances que o Remo teve para definir, no tempo normal e nos pênaltis, não poderiam ser desperdiçadas. O PSC teve frieza e confiança na dose certa para reverter e sair vencedor.

Enfim, um Re-Pa com arbitragem séria e impecável

Arthur Gomes Rebelo, árbitro do Espírito Santo, deu um show à parte. Apitou sobriamente, sem espalhafato e com presença sempre próxima aos lances. Não deu brecha para reclamações, expulsou quando foi preciso, amarelou na medida certa, inclusive o técnico Hélio dos Anjos (PSC).

Ficou claro que, ao contrário de Bráulio da Silva Machado, o desastrado apitador catarinense do clássico de domingo (7), que as coisas seriam bem diferentes. Sem pestanejar, Arthur Rebelo deu logo cartão amarelo para Robinho, Leandro Vilela e Paulinho Curuá.

Controlou o jogo, afastou os reclamantes e tratou de deixar o clássico fluir, como deveriam fazer todos os árbitros. Quando a partida terminou no tempo normal, só os mais afoitos ousariam protestar contra a atuação irretocável do capixaba. E ele não teve o VAR para servir de escudo e desculpa. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 11)

Xadrez da guerra mundial de Elon Musk contra o Brasil

Por Luis Nassf, no Jornal GGN

PEÇA1 – A GEOPOLÍTICA E OS NEGÓCIOS

O que Musk faz com o Twitter é o mesmo que Rupert Murdoch fez com a Fox News e Roberto Civita com a revista Veja, arrastando boa parte da imprensa brasileira consigo. Trata-se de transformar seus veículos em atores políticos principais e, com o poder conquistado, barrar a entrada de competidores e alavancar os negócios. 

No meu livro “O caso Veja: o naufrágio do jornalismo brasileiro”, narro em detalhes como se misturavam jogadas políticas e interesses empresariais.

Agora, o que ocorre é um jogo de poder mundial.

As nações são parte relevante na estratégia de negócios de suas empresas. É só conferir o papel dos Estados Unidos – inclusive na desestabilização do governo Dilma Rousseff após a descoberta do pré-sal -, e a China, apoiando suas multinacionais.

Além disso, as últimas décadas de ultraliberalismo, criaram um novo ator político: os bilionários atuando politicamente e, se for necessário, alavancando a ultradireita e participando de processos de desestabilização de países que jogam no seu time. Está aí o impeachment da Dilma Rousseff para comprovar.

Há duas maneiras do partido dos bilionários atuarem: uma light e outra de parceria direta com a ultradireita.

PEÇA 2 – O ESTILO DE INFLUENCIAR

O que a Transparência Internacional e a Fundação Lemann tem em comum? O mesmo modus operandi e o mesmo diretor Joaquim Falcão.

modus operandi consiste em se apresentar como uma fundação sem fins lucrativos e sem remuneração, interessada apenas em fornecer assessoria técnica ao governo. Mas, na condição de “assessor técnico”, poder opinar sobre verbas públicas.

Foi o que a Fundação Lemann tentou fazer com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), assinando um convênio para assessorar o programa de banda larga nas escolas. O presidente da Anatel era Leonardo Morais. Bastou a troca de presidência para a nova diretoria denunciar o acordo e pular fora.

A Fundação Lemann concentrou-se, então, no Ministério da Educação, no mesmo papel de assessorar no programa de banda larga das escolas.

Depois do golpe das Americanas, a revelação das relações com Elon Musk terá bastante impacto sobre os negócios e a imagem de Lemann. Monta-se o mesmo jogo de desestabilização política presente na Lava Jato – que tinha na TI seu braço internacional.

PEÇA 3 – O ENFRENTAMENTO DOS ESTADOS NACIONAIS

Por outro lado, esse poder descomunal do Partido dos Bilionários e das big techs criou pontos de conflito com as nações organizadas.

No início, tentaram se sobrepor aos estados nacionais. Perderam quando Mark Zukenberg, da Meta, teve que prestar contas ao Congresso americano. Depois, esse conflito se arrastou para outros países:

– Combate à desinformação e notícias falsas:

– Alemanha: Multa de até €50 milhões para plataformas que não removem conteúdo ilegal prontamente.

– França: Lei que exige que as plataformas identifiquem e removam conteúdo de ódio dentro de 24 horas.

– Proteção da privacidade dos usuários:

– União Europeia: Lei Geral de Proteção de Dados (GDPR), que impõe regras rígidas sobre como as empresas podem coletar e usar dados pessoais.

– Brasil: Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), com regras semelhantes à GDPR.

– Promoção da concorrência:

 Estados Unidos: Investigações antitruste contra empresas como Facebook e Google.

– Austrália: Lei que obriga as plataformas a pagarem por conteúdo de notícias.

Alguns exemplos específicos de países que enquadraram as redes sociais:

– China: O governo chinês impõe um controle rígido sobre a internet, incluindo o bloqueio de sites e redes sociais estrangeiras.

– Rússia: Lei que exige que as plataformas armazenem dados de usuários na Rússia e que removam conteúdo considerado “extremista”.

– Índia: Lei que exige que as plataformas identifiquem a origem de mensagens encaminhadas e que removam conteúdo que possa incitar violência.

PEÇA 4 – A PARCERIA COM A ULTRADIREITA

A saída encontrada foi a participação em processos de desestabilização de países e nas parcerias com a ultradireita.

As investidas de Elon Musk no Brasil não se limitaram aos contatos com Jair Bolsonaro. Aproximou-se também das Forças Armadas, a ponto de ser condecorado pelo então Ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, com a medalha da Ordem dos Mérito da Defesa, para civis e militares que prestaram “relevantes serviços às Forças Armadas”.

Essa aproximação com a ultradireita e com o poder militar garantiu bons negócios a Elon Musk e à Starllink.

Conforme reportagem do Teletime, os sites de compras públicas mostram contratações de conectividade Starlink pelo Exército, pela Marinha, Tribunais de Justiça, Tribunais de Contas Eleitorais e até mesmo por Tribunais Regionais Eleitorais. Como as Forças Armadas são especializadas, também, nas chamadas guerras híbridas, só se entende essa preferência pela Starlink no plano das afinidades políticas. Ainda mais sabendo-se que a empresa é sustentada por grandes contratos com o governo norte-americano. Musk nao abre o capital da Starlink, porque a empresa não se paga até agora e não dá pra saber os detalhes financeiros.

O argumento de que a empresa tem gateways no Brasil (estações terrenas por meio das quais os satélites se conectam entre si e com a Internet) não basta para justificar as compras. Segundo o Teletime, 

“São estações bastante simples, que abrigam apenas um conjunto de antenas, e muitas delas não estão ativadas ou sequer mostram, pelas imagens de satélite, quaisquer sinais de edificação. Esses gateways estão ligados à rede brasileira de telecomunicações e, no limite, podem ser objeto de uma intervenção direta, seja por uma ação Judicial, da fiscalização da Anatel (uma ação de bloqueio) ou até mesmo, em casos extremos, de órgãos de Defesa”.

Com a entrada de uma nova tecnologia – a comunicação por laser entre satélites -, a rede de satélites fugirá completamente do controle das autoridades nacionais. Mais que isso, como lembra o Teletime:

“Com um apertar de botão, o controlador do serviço de satélite poderia cortar o sinal de todos os usuários no Brasil, incluindo Marinha, Exército, TREs etc. Como, aliás, Elon Musk fez na Ucrânia em 2023”.

É por isso que a Europa trabalha em um modelo próprio de tecnologia, o Canadá investe na constelação Lightspeed, a China trabalha na Constelação Guowang, a Rússia no projeto Esfera, além de vários outros países europeus.

Daí a necessidade premente de Musk, de se aliar a governos de ultradireita. Por aí, pode-se entender sua ofensiva contra Alexandre de Moraes e o governo brasileiro.

PEÇA 5 – A GUERRA DA DÉCADA

Por muitas razões, o Brasil é peça chave para os negócios de Musk.

Seu principal produto, a Tesla, está sendo ameaçada pela BYD, da China, que mostrou mais velocidade que ele na entrada no Brasil: montou uma fábrica aqui e já adquiriu minas de lítio, matéria prima essencial para as baterias. Aliás, o lítio é uma das matérias primas estratégicas para a nova etapa tecnológica, e tem chamado a atenção as muitas descobertas de jazidas no Brasil. A Starlink é outro produto com enorme potencial de ampliação no Brasil.

Esses três mercados – carro elétrico, lítio e Internet – estariam escancarados para Musk na eventualidade da volta da ultradireita ao poder. Por aí se entende sua tentativa de  desestabilização das instituições brasileiras.

A parte mais relevante dessa disputa é que a guerra Musk x Supremo Tribunal Federal será histórica e ajudará a mudar os rumos das big techs no mundo. Musk é um Bolsonaro das big techs, sem limites, mostrando de forma explícita os riscos embutidos no setor.

Por isso mesmo, a disputa será acompanhada de perto por todas as nações democráticas do planeta. 

Democracia em Portugal e no Brasil, tema de colóquio na UFPA em celebração aos 50 anos da Revolução dos Cravos

Na última quinta-feira, 4 abril, foi realizado, no Centro de Eventos Benedito Nunes da UFPA, o Colóquio “Democracia Conquistada: 50 Anos da Revolução dos Cravos”, em alusão ao dia 25 de abril de 1974, data que marcou o fim de uma ditadura que se estendeu por mais de quarenta anos em Portugal. O evento homenageou também a memória do Professor Eduardo Lourenço, intelectual português, filósofo, crítico e ensaísta literário, falecido em 2020, aos 97 anos.

Promovido pela Reitoria da UFPA, pelo Vice-Consulado de Portugal em Belém, pelo Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Pará e pela Cátedra João Lúcio de Azevedo, parceria entre o Instituto Camões e a UFPA, o colóquio foi aberto com uma apresentação musical dos professores da Escola de Música da UFPA, Marcos Cohen, na clarineta, e Carlos Pires, no piano digital.

Na sequência, participaram da mesa de abertura o reitor da UFPA, Emmanuel Zagury Tourinho, o embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos, a vice-cônsul de Portugal em Belém, Maria Fernanda Gonçalves Pinheiro, o representante do Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Pará, Vitor Manuel Jesus Mateus; e a professora Nazaré Sarges, diretora da Cátedra João Lúcio de Azevedo (parceria do Instituto Camões e UFPA).

Os componentes da mesa lembraram a importância da Revolução dos Cravos para a construção da democracia em Portugal e como inspiração para outros países. O embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos, registrou que 2024, além da celebração dos 50 anos da Revolução dos Cravos, é um ano particularmente especial para a comunidade portuguesa, pois também são comemorados os 500 anos do nascimento do poeta Luís Vaz de Camões e o Centenário do intelectual Eduardo Lourenço.

Também ressaltou que a memória dessas datas ajuda a fortalecer a defesa da democracia. “Quem nasceu após 25 de abril de 1974, nunca soube o que era viver sem liberdade. Hoje, cinquenta anos depois, quando vemos o surgimento de populismos, totalitarismos e extremismos, devemos lembrar a todos que essa conquista não é eterna. Nós é que temos que fazer com que ela dure”, declarou o embaixador.

O reitor da UFPA, Emmanuel Tourinho, por sua vez, fez um paralelo entre Brasil e Portugal. “Temos muitas lições a tirar, portugueses e brasileiros, de nossas histórias políticas. A principal é nunca pensar que a democracia é uma conquista acabada e permanente. A democracia se constrói, se conquista, a cada dia, a cada disputa na sociedade, a cada esforço para garantir a cidadania. Por isso se há maneira de torná-la mais resiliente e perene, mais capaz de enfrentar as frequentes ameaças autoritárias, essa possibilidade inclui o investimento em educação, ciência, arte e cultura. Celebramos a democracia com os ouvidos atentos e o olhar apreensivo de quem vê ameaças autoritárias rondando as sociedades de todos os continentes. As eleições recentes em Portugal e no Brasil nos são um alerta. Neste momento, são as nossas lutas pela democracia que nos aproximam e são as nossas histórias que formam os nossos presentes”, refletiu o reitor.

Participando remotamente, a jornalista e presidenta da Fundação José Saramago, Pilar del Río, falou sobre o legado e a memória de Eduardo Lourenço. Assista à mensagem na íntegra abaixo.

Conferências – Compondo a programação do colóquio, três conferências abordaram a história e os desdobramentos de 1974 em Portugal e além-mar. Ainda durante a manhã, o jurista e ex-ministro da Cultura de Portugal, José António de Melo Pinto Ribeiro, proferiu a conferência “O 25 de Abril em 1974 e em 2024, sem Trompetes nem Trombones”.

“O 25 de abril é muito antes e muito depois do 25 de abril”, falou José António Ribeiro para explicar os movimentos que desencadearam a deposição do então presidente Marcello Caetano e que se sucederam à data histórica. O intelectual também explanou que a Revolução não se concentrou em Lisboa, mas ocorreu essencialmente também nas então colônias, não sendo possível pensar em uma solução democrática para o país que não estivesse atrelada à independência imediata das colônias e à busca de condições para convivência de brancos e negros sem escravidão.

No período da tarde, a jornalista Anabela Mota Ribeiro, proferiu a conferência “Como casa limpa / Como chão varrido / Como porta aberta: os habitantes de uma casa chamada Liberdade”. Com título inspirado em versos da poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen, Anabela apresentou uma série de personagens mulheres entrevistadas que tinham em comum o fato de terem nascido após 25 de abril de 1974. A partir de perfis e histórias distintas, Anabela reflete sobre o significado e a importância da Revolução dos Cravos para chamados “Filhos da Madrugada”, uma geração que, como disse o embaixador Luís Faro Ramos, “não soube o que é viver em um país sem liberdade”. “Filhos da Liberdade” é o título também de um programa de TV apresentado, entre 2021 e 2022, por Anabela Mota Ribeiro em Portugal e de um livro escrito pela jornalista.

Finalizando a programação do Colóquio, o filósofo, ex-ministro da Educação no Brasil e atual presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Renato Janine Ribeiro, falou sobre “A conquista da democracia em Portugal e no Brasil”. Ao fazer o comparativo entre a história dos dois países, o intelectual destacou que para entender as dificuldades que o Brasil tem para lidar com a memória das ditaduras, diferentemente de outros países como Portugal, é que os principais movimentos que levaram a mudanças políticas significativas foram orquestrados de “cima para baixo”.

Citou como exemplos a Independência do Brasil deflagrada por um monarca, o imperador Dom Pedro I; a República proclamada por um marechal do Império, Deodoro da Fonseca; a Revolução de 1930 feita por oligarcas; a deposição de Getúlio Vargas em 1945 conduzida por generais; e o fim da ditadura militar em 1984 que levou à presidência do Brasil um ex-presidente do partido da ditadura, José Sarney. “Isso explica, em parte, porque é tão difícil para o país fazer um ajuste de contas com o passado”.

Renato Janine também falou da preocupação, entre brasileiros e portugueses, com a nova ascensão da extrema direita hoje. “A direita foi fagocitada pela extrema direita. Temos o dever de lutar pela democracia com duas linhas políticas em disputas, esquerda e direita, que mesmo com métodos diferentes, possuam como linhas comuns erradicar a pobreza, manter a paz com os países vizinhos, garantir a liberdade. A democracia é um work in progress, que precisa continuar, não só no âmbito político. Nas relações sociais, de trabalho e afetivas ainda há muito a se fazer”, concluiu.

(Transcrito do site da UFPA)

Rock na madrugada – Jimi Hendrix, “Like A Rolling Stone”

POR GERSON NOGUEIRA

Quando tocou esse cover de Bob Dylan em 1967, James Marshall Hendrix, mais conhecido como Jimi Hendrix, tinha apenas 24 anos. Atingia o ápice de sua brilhante e curtíssima carreira, personificando para sempre a figura do herói da guitarra. Foi o primeiro a merecer essa definição. Era um instrumentista excepcional e um compositor inspirado. E tinha uma voz sensacional, pouco valorizada diante das diabruras que saíam de sua guitarra. Foi sempre inseguro quanto ao talento vocal. Precisou ser incentivado por amigos como John Lennon e Mick Jagger a soltar o vozeirão.

The Hall of Rock’n’Roll Fame o descreve como “Inquestionavelmente um dos maiores músicos da história do rock”. Ninguém tem dúvida quanto a isso. Quando comecei a ouvir música compulsivamente, a partir dos 10 anos, eu não entendia Jimi Hendrix porque não entendia distorções e ruídos na música. Achava tudo confuso, sem um ritmo claro. Uma reação normal para um garoto fissurado nas melodias dos Beatles.

O vídeo acima flagra o despertar de um gigante. Era o início de tudo. Jimi era um desconhecido ainda. Há um filme desse período mostrando ele relaxando na plateia, curtindo outros músicos. Quando subiu ao palco, não havia pressão porque não existia expectativa.

Jimi faz uma releitura original desta canção clássica de Bob Dylan, talvez porque fosse um fã declarado do bardo de Minnesota. E que banda o acompanhava! Noel Redding no baixo e Mitch Mitchell na bateria, garantindo a tessitura necessária para os solos de Jimi.

Quando você não tem nada, não tem nada a perder/ Você é invisível agora, não tem segredos a esconder

A letra de “Like A Rolling Stone” (Como uma pedra rolante) é rascante, sem travas, puro Dylan. Combina com o destemor das notas que Jimi extrai do instrumento. É o melhor de dois mundos. Felizes os que viveram para apreciar dois gênios da mesma geração.

Ex-PM que matou torcedor no Mangueirão se entrega após se livrar do flagrante

Policial da reserva foi preso pela autoria do disparo que matou torcedor durante uma briga entre torcidas organizadas do Remo, no estacionamento do Mangueirão, no último domingo, 7

Foi preso nesta terça-feira, 9, o policial militar da reserva Cristóvão Augusto Alcântara Evangelista, suspeito de atirar e matar o torcedor Paulo Alexandre Silva. O crime ocorreu durante uma briga entre torcidas organizadas do Clube do Remo, logo após o clássico Re-Pa válido pela decisão do Campeonato Paraense 2024, no último domingo, 7.

A prisão temporária realizada pela Delegacia de Proteção ao Torcedor e de Grandes Eventos (DPTGE) foi expedida pela 1ª Vara de Inquéritos de Medidas Cautelares, após investigações da Polícia Civil, que analisaram as imagens da câmeras de segurança e ouviu depoimentos apontando o sargento como o autor do disparo que matou o torcedor. O ex-PM se apresentou à delegacia, dois dias depois do homicídio.

“A partir de agora, nós iremos pegar todas as provas produzidas e ouvir também o investigado para que ele possa esclarecer alguns pontos que são necessários para elucidação do crime e do próprio inquérito policial, com isso a gente possa concluir o caso e encaminhar à Justiça”, destacou o secretário de Segurança Pública, Ualame Machado. “Após os fatos, a Polícia Civil agiu rapidamente na identificação do suspeito, trazendo uma rápida resposta à sociedade”, informou o delegado-geral, Walter Resende.

Relembre o caso – No último domingo, 7, ao final da partida entre Remo e Paysandu, pelo Campeonato Paraense 2024, um tumulto se formou no estacionamento do Estádio Olímpico Jornalista Edgar Proença, o Mangueirão, envolvendo torcidas organizadas do Clube do Remo. Nesse momento, disparos de arma de fogo foram feitos pelo ex-PM Cristóvão Evangelista, vindo a atingir mortalmente o torcedor Paulo Alexandre, de 29 anos.

Seis torcidas organizadas foram punidas preventivamente, sendo proibidas de comparecer aos próximos seis jogos de Remo e Paysandu em Belém. A decisão foi tomada durante uma reunião do Conselho de Segurança Pública, nesta segunda-feira, 8.

Times reforçam as defesas

POR GERSON NOGUEIRA

O primeiro a se movimentar em busca de reforço para o setor defensivo foi o PSC. Contratou o zagueiro Quintana, que se destacou no recente Campeonato Paulista, defendendo a Portuguesa de Desportos. Neste fim de semana, o Remo anunciou também a contratação de um defensor: Sheldon. Os representantes paraenses nas Séries B e C perceberam a tempo que é preciso cuidar da cozinha.

A sequência de clássicos pela Copa Verde e Parazão serviu de teste e de alerta. Ninguém pode alegar desconhecimento da realidade dos times. Tanto PSC quanto Remo precisam de zagas mais firmes e confiáveis. O Papão, por sinal, não satisfeito em trazer Quintana, anunciou ontem a contratação de Pedro Romano.

Os jogos realizados até agora, pela CV e pelo Parazão, registraram problemas apenas do lado azulino, que tomou dois gols no clássico do último domingo. E, para se juntar a Ícaro, Bruno Bispo, Jonilson e Ligger, o Remo trouxe Sheldon, de 24 anos, que fez um bom Campeonato Carioca defendendo o Boavista.

Mineiro, ele foi titular em 13 dos 15 jogos do Boavista no Carioca. Participou da decisão da Taça Rio contra o Botafogo, que foi o campeão. Com passagens por clubes medianos – Portuguesa-RJ, Camboriú, América-RJ –, o zagueiro terá sua primeira experiência num clube de massa.

O PSC, cuja defesa passou maus bocados no primeiro Re-Pa, mas não sofreu gols, venceu a disputa pelo valorizado zagueiro Yeferson Quintana, 27 anos, que estava na Lusa paulista. Oriundo do Peñarol, por onde atuou em algumas temporadas, ganhou fama de xerife por puxar briga com Felipe Melo, então no Palmeiras, na Libertadores 2017.

Além de Quintana, o clube contratou Pedro Romano, zagueiro de 23 anos, que disputou o Campeonato Brasiliense pelo Gama.

Com base nas contratações, fica evidente que a preocupação com as defesas parece ter se tornado a prioridade dos clubes a cerca de 10 dias da estreia no Brasileiro.

Violência ameaça maior paixão do povo paraense

As circunstâncias seguem obscuras, mal explicadas, mas o fato é que a violência fez outra vítima fatal no futebol do Pará. Não foi a primeira e desgraçadamente não será a última. De tempos em tempos, a criminalidade emerge das brumas para assombrar o ambiente do esporte.

As ditas ‘organizadas’ seguem livres e impunes há décadas. Quando foram se disseminando, no final dos anos 80, os primeiros problemas também apareceram, mas muita gente fingia não ver o grande monstro a se criar.

Com os novos tempos, as mazelas se instalaram e as facções se tornaram antros de baderneiros e criminosos. Existem relatos, mas não se sabe ao certo se houve o envolvimento direto de ‘organizadas’ na morte ocorrida domingo à noite, no entorno do Mangueirão.

O Re-Pa disputado em fevereiro teve desdobramentos sangrentos com duas mortes em confrontos de facções rivais, na periferia de Belém. Desta vez, o torcedor Paulo Alexandre Silva Dias foi alvejado por um policial da reserva da PM no lado azulino do estacionamento do Mangueirão.

Além da cena intolerável de um sujeito armado num evento com 30 mil pessoas, há outro fato agravante: muitas pessoas testemunharam o crime e até agora ninguém sabe se o homicida foi preso ou não.

Grande desportista e incentivador do futebol no Pará, o governador Helder Barbalho lamentou a perda, informou sobre providências e manifestou indignação com o ocorrido: “O Mangueirão é um local de celebração do esporte e esporte é vida. Vamos seguir lutando contra quem insiste em praticar a violência. Vocês não são bem-vindos!!”.

Em meio às discussões sobre o tema, já há quem apressadamente defenda a adoção de torcida única, como em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. A tomar como exemplo o ocorrido, nem isso evitaria a tragédia, pois o crime envolveu apenas aficionados do Clube do Remo.

O Ministério Público decidiu barrar o acesso das cinco principais ‘organizadas’ dos próximos 6 jogos de Remo e PSC no Campeonato Paraense e na Copa Verde. Não é o ideal, mas é uma tomada de atitude.

De todo modo, a situação é triste e inaceitável.

E o “sistema” mais uma vez salvou o Palmeiras

Do inacreditável Caio Ribeiro, passando pano para a parceria Rafael Claus e VAR na decisão do Paulista: “Defesa não pode dar mole dentro de um estádio cheio de palmeirenses, em clima de decisão…”.

Hein? Significa que está instaurado o vale-tudo? Pênalti mandrake, cavado de forma acintosa, garantiu o título do Palmeiras de D. Leila (e da Crefisa). E o John Textor é que anda inventando coisas? Sei.

Jogos da Usipaz Padre Bruno reúne mil alunos

Começou ontem, 8, a programação dos Jogos Olímpicos da Usina da Paz Padre Bruno Sechi, no bairro do Bengui, em Belém. A coordenação é da Secretaria de Estado de Articulação da Cidadania (Seac) e a abertura reuniu professores e jovens atletas de diversas modalidades esportivas praticadas na UsiPaz. Ao longo da semana, cerca de mil alunos participam de competições de futsal, vôlei, boxe e natação.

O objetivo é estimular a prática esportiva e chamar a atenção da comunidade para os valores olímpicos. Os primeiros jogos internos da Usipaz são uma homenagem aos Jogos de Paris, que acontecem este ano.

Os Jogos da Usina da Paz Bengui terminam na próxima sexta-feira (12), quando serão entregues as medalhas aos alunos participantes. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 08)

Rock na madrugada – Pearl Jam, “Save You”

POR GERSON NOGUEIRA

Era noite de 15 de novembro de 2002 e o Pearl Jam fez uma de suas melhores performances como convidado do “Late Show” de David Letterman, na rede norte-americana CBS. Em plena Boadway, em Nova York, o teatro Ed Sullivan entregava o melhor das apresentações ao vivo de grandes bandas. O PJ talvez tenha sido o mais assíduo frequentador da “casa”, criando identidade tão forte com Letterman que acabou retribuindo, convidando-o para fazer o discurso de introdução no Hall of Fame, anos depois.

“Save You” é uma das grandes canções do discaço Rio Act (2002), sétimo da carreira do grupo. Apresenta o Pearl Jam em plena forma e atravessando uma fase de amadurecimento musical, incluindo a evolução dos integrantes da banda. O guitarrista Stone Gossard faz brilhante participação cuidando do riff da canção, um rock de pegada raivosa. O começo do vídeo traz um trecho do mini show que a banda do programa fazia antes da atração principal.

Resultado das tristezas e frustrações acumuladas pela tragédia do festival de Roskilde (Dinamarca), em 2000, com nove fãs mortos na plateia, o disco virou um desafogo emocional para o PJ, que também sofria os efeitos do atentado de 11 de setembro. Politizado, o grupo expressa nas músicas os sentimentos daqueles dias turvos.

Foi durante as sessões de estúdio que Eddie Vedder alterou sua rotina de composição. Em discos anteriores, ele passava o dia ouvindo os companheiros executando as faixas instrumentais e levava fitas para casa, onde à noite começava a escrever as letras. Agora, ele sentava num canto do estúdio com a máquina de escrever e datilografava ideias ali mesmo.

Um ponto importante em Riot Act foi a presença do tecladista Kenneth “Boom” Gaspar. O havaiano conheceu Vedder surfando e foi convidado para uma jam informal com a banda, gerando “Love Boat Captain”. Desde então, se juntou ao grupo em apresentações ao vivo.

A frase do dia

“Ele é um bilionário, um menino mimado que usa o Twitter como um brinquedinho dele. Mas isso seria um problema dele se não estivesse mexendo com a soberania nacional, com outros países, guerra, democracia e com a vida das pessoas. É um problema nosso”.

Andréa Sadi, jornalista