Com vaias da torcida, Leão derrota o Boto no Baenão

Como visitante no estádio Baenão, o Remo venceu o Tapajós de virada por 3 a 1, nesta quarta-feira, 14, pelo jogo adiado da 3ª rodada do Campeonato Paraense. O resultado recoloca o Leão na segunda posição, com 10 pontos. A partida foi equilibrada no primeiro tempo, com boa atuação do Tapajós na organização de jogadas e explorando erros do setor defensivo azulino.

O primeiro gol foi do Boto, com o zagueiro Elizeu Araújo aproveitando falha da zaga remista em cobrança de escanteio, aos 20 minutos. O Leão virou ainda no primeiro tempo, com Ytalo aos 25′ e Camilo aos 37′. Na etapa final, logo aos 10 minutos, Marco Antônio fez 3 a 1 arrematando um contra-ataque de almanaque, que começou com Camilo, passou por Felipinho e Ytalo, que deu uma assistência preciosa.

Renda R$ 89.250,00, com 4.012 pagantes (2.174 não pagantes). Público total: 5.186.

NÚMEROS DO CAMPEONATO

Jogos realizados – 30
Gols Marcados – 67

Artilheiros
Nícolas (Paysandu) e Chula (Tuna) – 5 gols
Gilleard (Bragantino) – 4 gols
Dedé (Tuna) – 3 gols
Echaporã, Ytalo, Camilo e Marco Antônio (Remo), Filipe Eduardo (Cametá), Mariano (Tapajós), Petti (Caeté) e João Victor e Gedoz (Castanhal) – 2 gols
Jáderson (Remo), Bryan Borges e Juninho (Paysandu), Raylson, Alê, Maranhão e Fidélis (Caeté), Pedrão, Balotelli, Magnum e Luan Batoré(Cametá), Matheus e Paulinho(Castanhal), Braga, Kaike e Davi Cruz(Águia), Nilson Gomes e Elizeu(Tapajós), Wesley e Gabriel(Tuna), Edicleber e Charles(Bragantino), André Rosa, John Kennedy e Ruan Café(São Francisco), Felipe Vigia e Flávio(Santa Rosa), Marudá, Joel e Derlan(Canaã), Pietro-contra(Canaã) e Marlon-contra(Tuna) – 1 gol cada

Classificação
Paysandu – 13
Remo – 10
Tuna – 9
Caeté – 8
Bragantino, Cametá e Águia – 6
Santa Rosa e Tapajós – 5
São Francisco – 4
Canaã – 3
Castanhal – 2

Sobre Ivete, Baby e a Teologia do Domínio.

Por Joscimar Silva, no Twitter

Vocês conhecem Ivete e Baby como cantoras até melhor que eu. Mas a cena deste carnaval que recolocou Baby em evidência diz muito sobre outra coisa da qual precisamos falar: a teologia do domínio. Baby não é mais a “Baby do Brasil”, mas a “Baby das Nações”, como disse seu líder apostólico Renê Terra Nova (um Malafaia menos conhecido) há alguns anos.

Baby agora é parte de uma coalizão apostólica global.
Mas de que se trata? A coalizão apostólica global é um movimento que busca “restaurar” o governo apostólico, considerando todos os outros “chamados” ministeriais (pastor, profeta, mestre, evangelista) subjugados a um/a apóstolo/a.

Parece até inclusivo, já que as mulheres podem ser “apóstolas” (se comparado a outros segmentos evangélicos que não aceitam que as mulheres possam ao menos ensinar. Mas não. A “restauração” ou criação de rede de apóstolos trata-se um projeto maior de domínio.

Primeiro um domínio sobre outros segmentos cristãos, com o alvo de colocar todos os cristãos sob a hierarquia dos “manto” apostólico. Há também um projeto de governo (mas não só político institucional), mas também de governo religioso, cultural, econômico, social.

Baby, ou melhor, Apóstola Baby das Nações, agora trabalha no projeto de expandir a cultura gospel para os espaços não alcançados. Inclusive ela declarou isso em entrevistas quando voltou aos palcos, anos depois da sua conversão.

Na perspectiva da Teologia do Domínio, à qual baby e a coalizão apostólica internacional se filia, a sociedade é constituída por “montes” sob os quais o conservadorismo cristão deve governar: igreja, educação e ciência, economia e negócios, governo, cultura e entretenimento

O carnaval, sendo a maior festa popular do Brasil, não iria ficar de fora dessa. A Teologia do Domínio diz que as igrejas não devem mais fazer retiros, mas devem ficar e ocupar as cidades lutando contra os deuses carnavalescos.

Quem acompanha o carnaval em Salvador e outras cidades de festas mais intensas já deve ter visto os “blocos gospel”. Eles não querem aceitar a cultura brasileira, eles querem impor a “cultura gospel”.

Foi exatamente isso que vimos em Campina Grande, na Paraíba, onde um grande evento gospel conservador é realizado todos os anos na cidade (inclusive esse ano queriam trazer um pregador estadunidense defensor da escravidão). Aí, o prefeito gospel tentou proibir o carnaval

Baby não é uma chapada no puro suco de sincretismo no carnaval do Brasil. Aquilo foi programado. E se repetirá muito por aí, não só nas festas.

(*) Professor da UnB , cientista político e sociólogo

Crise da democracia no Brasil

Há fortes indícios de que se tramou, de forma organizada e em momentos sequenciais orquestrados, a derrubada do regime democrático no Brasil. Desde 1964, o país não enfrentava a ameaça de um novo golpe vitimando a democracia

Por Lúcio Rennó (*)

Os eventos desvendados na semana passada pelas investigações da Polícia Federal apontam para fatos extremamente graves que ocorreram no Brasil nos dois últimos anos, ao menos, da gestão do presidente Jair Bolsonaro. Há fortes indícios de que se tramou, de forma organizada e em momentos sequenciais orquestrados, a derrubada do regime democrático no Brasil. Desde 1964, o país não enfrentava a ameaça de um novo golpe vitimando a democracia. Após o processo de redemocratização, as elites e a população, embora de forma reticente e inconstante, como mostram dados de opinião pública, abraçaram o regime democrático.

Isso mudou dramaticamente de 2013 em diante, chegando ao seu ápice no governo Bolsonaro. É fato que o país viveu intenso processo de desgaste do regime, com um recrudescimento de enclaves autoritários na sociedade e nas elites políticas. A retórica autoritária voltou a ser bradada. Os violentos protestos de rua em 2013, os primeiros em sua magnitude após décadas, desencadearam um processo acentuado de queda do apoio popular aos políticos no poder e de insatisfação com o funcionamento das instituições democráticas. O humor da população azedou.

Foram vários os episódios subsequentes que pioraram a situação, incluindo crises políticas e econômicas simultâneas e continuadas, imensa instabilidade política que culminou no governo interrompido de Dilma Rousseff e fracassado de Michel Temer, o qual passou mais tempo se defendendo de tentativas de remoção do cargo do que aprovando propostas legislativas.

A turbulência política resultou na eleição de um governo de inclinação populista, antissistêmico, que, claramente, se distanciava dos partidos políticos que governaram o Brasil, e que oferecia um forasteiro (outsider) como alternativa de mudança profunda. No poder, Bolsonaro seguiu sua estratégia de ecoar as críticas às instituições democráticas, respaldado por dados de opinião pública que apontam enorme insatisfação popular com o Congresso, com partidos políticos e, crescentemente, com o Judiciário. O primeiro alvo foi o Congresso e o dito toma lá dá cá, do presidencialismo de coalizão.

Quando o risco de um impeachment se impôs, mudou de estratégia e abraçou o Centrão. Voltou, então, seus canhões para o vizinho na Praça dos Três Poderes, o Supremo Tribunal Federal. Sempre apoiado por um séquito político cada vez maior, que Bolsonaro ajudaria a eleger em 2022. Seu partido, o Liberal, tem hoje a maior bancada na Câmara e a segunda no Senado. Vários governadores militam em seu campo. Trata-se de um movimento nacional.

Os enclaves autoritários ganharam as ruas e voz. A participação do ex-presidente em protestos contra as políticas de enfrentamento da pandemia de covid-19, quando apoiadores pediam golpe militar com Bolsonaro no poder, é um exemplo. Outro é a invasão de Brasília por caminhoneiros defendendo golpe no 7 de setembro de 2021, minuciosamente organizada.

O risco iminente de perder a eleição aumentou a tentação do golpe, como mostram as falas de diversos atores do governo passado. As eleições de 2022 foram marcadas pelo esforço de deslegitimação do processo de apuração e contagem de votos no Brasil, promovido por Bolsonaro. Algo que custou sua elegibilidade em 2026.

Após uma derrota apertada nas eleições, a menor margem de diferença para o vencedor em nossa história recente, as ameaças à democracia se intensificaram. Pessoas fecharam estradas, acamparam em frente a quartéis militares, depredaram o Plano Piloto duas vezes, falharam em atentado terrorista no aeroporto da capital. Estopins para o caos, justificando a necessidade de intervenção militar. Bolsonaro não entregou a faixa presidencial a Lula.

Claramente, a sucessão de eventos não foi devaneio de alguns. As instituições democráticas no Brasil sofreram forte atentado porque uma parte relevante da população não crê nelas há muito tempo. As crises políticas e econômicas de 2013 em diante, acentuaram esse quadro. Ambientes assim são propícios para o recrudescimento de enclaves autoritários. Pior, a polarização atual leva apoiadores de Bolsonaro a defenderem o ex-presidente incondicionalmente. Para esses, ele é vítima de perseguição. Bolsonaristas alegam o uso político da ação policial para prejudicá-los nas eleições municipais.

A narrativa está posta e não é favorável às instituições democráticas, que para essa parcela grande da população não funcionam bem, muito pelo contrário. Os elementos para a continuidade da crise da democracia no Brasil seguem presentes e seguimos sendo terreno fértil para aventuras golpistas. A ilusão de que as instituições funcionam é ledo engano e, mais, perigosa.

(*) Professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB)

Rock na madrugada – Pearl Jam, “Dark Matter”

Pearl Jam volta à cena e com data marcada para lançar o novo álbum. Descrito pelo frontman Eddie Vedder como o “melhor trabalho” da banda, Dark Matter chegará às lojas e plataformas digitais em 19 de abril. O primeiro single saiu de surpresa nesta terça-feira, 13, com a música que dá nome ao disco, que é o 12º da banda, sucedendo ao elogiado Gigaton, de 2020.

O lançamento se confirma após uma festa de audição no final de janeiro no Troubadour Club, em Los Angeles, na qual Vedder antecipou detalhes do novo trabalho. O novo álbum tem 11 faixas e foi gravado no lendário estúdio de Rick Rubin, em Malibu.

A julgar pelo novo single, o PJ vem com um disco pesado e cru, no melhor estilo do grunge. O período de gravação foi de apenas três semanas. Queridinho das grandes bandas, o produtor Andrew Watt trabalhou com Vedder, em “Earthling”, trabalho solo do vocalista, e foi o responsável por “Hackney Diamonds”, o último dos Stones.