Em memória de Soledad

Hoje, 8 de janeiro, um dos mais brutais crimes políticos cometidos no Brasil completa 51 anos. Trata-se do monstruoso assassinato da poetisa e intelectual paraguaia Soledad Barrett Viedma, que depois de traída por seu companheiro (o “cachorro” infiltrado, Cabo Anselmo), foi cruelmente torturada e morta pela Ditadura Militar em Pernambuco. Soledad estava grávida de quatro meses, e mesmo assim não foi poupada.

Soledad foi encontrada nua, dentro de um barril numa poça de sangue, tendo aos pés o feto de 4 meses, expelido provavelmente durante as sessões de torturas. Este foi um dos mais hediondos crimes cometidos nos anos de chumbo da Ditadura Militar, no Brasil. Soledad recebeu quatro tiros na cabeça e apresentava marcas de algemas nos pulsos e equimoses no olho direito.

Camarada Soledad, presente!

(Por Edmundo Aguiar)

Para não esquecer o dia da Infâmia

Manifestação pela democracia na tarde desta segunda-feira, 8, na Cinelândia (Rio de Janeiro).

Lenda do futebol, Franz Beckenbauer morre aos 78 anos

Campeão como jogador e treinador, o Kaiser entrou para a história da seleção alemã e do futebol mundial

Franz Beckenbauer, considerado o maior nome da história do futebol alemão, morreu na noite de domingo, dia 07, aos 78 anos. Um comunicado da família foi divulgado pela imprensa alemã, sem detalhes sobre a causa da morte, apenas indicando que o ex-atleta morreu dormindo.

– É com profunda tristeza que anunciamos que meu marido e nosso pai, Franz Beckenbauer, faleceu pacificamente enquanto dormia ontem, domingo, cercado por sua família. Pedimos que possamos lamentar em silêncio e nos abster de qualquer pergunta – diz a nota.

Segundo o jornal Bild, Beckenbauer enfrentava muitos problemas de saúde nos últimos anos. Ele sofreu muito com a morte de seu filho Stephan (46), em 2015, e as acusações de corrupção no processo de escolha da Copa do Mundo de 2006.

O veículo indica que o Kaiser teve um Infarto ocular, passou por operações cardíacas e tinha demência associada à doença de Parkinson.

“Quem foi?”: Franz Beckenbauer, o imperador

Beckenbauer é um dos grandes ídolos da história do futebol alemão, campeão mundial com a seleção do país em 1974, dois anos depois de conquistar a Eurocopa. Como jogador, era referência histórica do Bayern de Munique, onde atuou por 13 anos e conquistou uma série de títulos.

O ex-zagueiro também entrou para a história das Copas do Mundo ao conquistar o Mundial de 1990 como treinador. Desta forma, está em um seleto grupo que conta apenas com Zagallo, morto na sexta-feira, aos 92 anos, e Didier Deschamps, atual comandante da seleção francesa.

Os títulos do lendário Kaiser

  • 1 Copa do Mundo
  • 1 Eurocopa
  • 3 Ligas dos Campeões
  • 5 Campeonatos Alemães
  • 1 Mundial de Clubes
  • 4 Copas da Alemanha
  • 1 Recopa da Europa
  • 3 da NASL (EUA

Títulos como técnico

  • 1 Copa do Mundo
  • 1 Copa da Uefa (atual Liga Europa)
  • 1 Campeonato Alemão
  • 1 Campeonato Francês

Franz Beckenbauer nasceu no dia 11 de setembro de 1945, em Munique, dias após o fim da II Guerra Mundial. Sua família trabalhou na reconstrução da cidade, arrasada pela guerra, mas ele logo mostrou sua paixão pelo futebol.

Beckenbauer começou como atacante na base, no SC Munique 06. Mas no Bayern de Munique, o clube de sua vida, se descobriu como líbero e revolucionou a posição e a história do clube. Antes dele, o time bávaro havia conquistado o Campeonato Alemão apenas uma vez.

Ele conquistou o torneio quatro vezes com a camisa da equipe, além de quatro títulos da Copa da Alemanha e o tricampeonato seguido da Copa dos Campeões Europeus (atual Champions League), entre 1973 e 1976. Com 76 gols marcados, o ex-líbero é o quinto jogador com mais jogos pelo Bayern, 584.

Na estreia na seleção alemã foi em 1965 e, no ano seguinte, veio a primeira Copa do Mundo. No Mundial da Inglaterra, Beckenbauer quatro de seus cinco gols em Copas. A Alemanha seria vice-campeã para a Inglaterra.

No México, em 1970, o ex-zagueiro viveu um dos episódios que marcaram sua carreira: jogou com a clavícula quebrada na semifinal contra a Itália e não evitou a derrota por 4 a 3. No entanto, quatro anos mais tarde, veio a redenção. Beckenbauer viveria, nos anos seguintes, o seu auge como jogador.

Em 1974, após a conquista da Eurocopa de 1972, a Alemanha conquistou seu segundo título da Copa do Mundo com o Kaiser de protagonista e vitória por 2 a 1 sobre a Holanda de Johan Cruyff na final. Franz Beckenbauer foi Bola de Ouro em 1972 e 1976. Ele e Rummenigge são os dois únicos alemães a conquistarem o prêmio mais de uma vez.

Beckenbauer teria mais dois clubes em sua carreira além do Bayern. Campeão de tudo com o time bávaro e da Euro e da Copa do Mundo com a Alemanha, ele optou por um final de carreira nos Estados Unidos. No New York Cosmos, se juntou a Pelé para e outros grandes nomes do futebol da época.

Na equipe, eles conquistaram três títulos da NASL, a liga disputada pelo Cosmos. O líbero alemão ainda voltou a jogar no seu país natal, em duas temporadas pelo Hamburgo, mas voltou aos Estados Unidos em 1983, no seu último ano como jogador, novamente na equipe de Nova York.

Em 1984, Beckenbauer assumiu a seleção da Alemanha e iniciou sua carreira como técnico. Na sua primeira Copa do Mundo como comandante, chegou à final e perdeu para a Argentina de Maradona, em 1986. Em 1990, a história foi diferente.

Em uma grande campanha, Beckenbauer levou a Alemanha ao seu terceiro título mundial ao superar o rival de quatro anos antes: a Argentina. Depois de Zagallo, ele se tornava ali o segundo da história do futebol a erguer a Copa do Mundo como jogador e técnico.

A carreira de treinador durou apenas mais alguns anos. Ele comandou o Olympique de Marselha e treinou o Bayern de Munique por duas temporadas, onde conquistou os títulos da Bundesliga e da Copa da Uefa – atual Liga Europa.

eckenbauer foi chefe do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2006, sediada na Alemanha. Em 2016, uma investigação da Procuradoria-Geral da Suíça (OAG) acusou o ídolo alemão e outros três dirigentes de quatro crimes, dos quais incluíam fraude e lavagem de dinheiro.

A investigação apurava também se a Alemanha havia comprado o direito de ser sede daquele Mundial. O processo foi encerrado em 2020, após prescrever. As acusações levaram o dirigente a abandonar o cargo que mantinha no Comitê Executivo da Fifa. Ele chegou a admitir “erros” na organização daquela Copa do Mundo, mas negou que o país tenha comprado votos para ser sede.

(Com informações do GE e da ESPN)

Rock na madrugada – Tom Petty & Heartbreakers, “Refugee”

Um grande sucesso de Tom Petty e os Heartbreakers, incluso no álbum Damn the Torpedoes (1979). A banda foi criada três anos antes, em Gainesville, na Flórida, por Petty, Mike Campbell (guitarra), Benmont Tench (piano), Ron Blair (baixo) e Steve Ferrone (bateria). “Refugee” é um rock cadenciado, mas com o peso necessário para o grupo abrir caminho no cenário pop, conquistando respeito e prestígio – acompanhou Bob Dylan em várias turnês. Campbell, um guitarrista tão genial quanto subestimado, brilha com o fraseado de guitarra ao longo de toda a canção. A morte de Petty, em outubro de 2017, interrompeu bruscamente a caminhada dos Heartbreakers.

Dorival aceita convite da CBF e desafio de reerguer a Seleção Brasileira

Técnico trocou um contrato vantajoso para ficar no São Paulo aceitando os riscos de substituir Fernando Diniz (demitido) e comandar a Seleção em meio a uma CBF em crise

Dorival Júnior é o novo técnico da seleção brasileira. O São Paulo oficializou a saída do comandante neste domingo (7). Em post publicado pelo perfil tricolor nas redes sociais, o treinador afirma que está deixando o clube para realizar o seu desejo profissional.

“É a realização de um sonho pessoal, que só foi possível porque tive o reconhecimento do trabalho desenvolvido no São Paulo. Por isso tenho de agradecer por ter feito parte desse importante período de reconstrução, liderado com competência pela presidência e pela diretoria. Com o investimento na infraestrutura e o planejamento dos últimos anos, o clube está preparado para receber os mais qualificados profissionais do mercado. Agradeço também à torcida por todo o carinho e apoio”, disse Dorival Júnior.

Presidente do São Paulo, Julio Casares revelou que chegou a oferecer aumento salarial e um vínculo até 2026 a Dorival Júnior, que recusou e decidiu ir para a seleção.

“O convite feito ao Dorival é mais uma prova de que estamos no caminho certo. Em 2021, a CBF já havia chamado Muricy Ramalho, que seguirá no São Paulo até o fim da minha gestão. Agora, foi a vez do Dorival, que tinha uma proposta de reajuste e ampliação do contrato com o São Paulo também até o fim da minha gestão, em 2026, com todas as garantias para uma estabilidade. Resta desejar boa sorte em seu novo desafio”, disse Casares.

Dorival Júnior tinha vínculo com o São Paulo até o fim de 2024. Com o rompimento, a CBF vai pagar cerca de R$ 4,5 milhões de multa rescisória. Com a saída do treinador, Lucas Silvestre, filho de Dorival, e Pedro Soreto vão comandar os treinos da equipe até que um novo comandante seja anunciado pelo clube.

Dorival chegou ao São Paulo em abril de 2023 para a sua segunda passagem no time do Morumbi. Ele deixa o Morumbi com o título inédito da Copa do Brasil.

Veja abaixo a nota oficial na íntegra:

”O São Paulo Futebol Clube comunica a saída do técnico Dorival Júnior, que solicitou o desligamento para assumir o comando da seleção brasileira.

“É a realização de um sonho pessoal, que só foi possível porque tive o reconhecimento do trabalho desenvolvido no São Paulo. Por isso tenho de agradecer por ter feito parte desse importante período de reconstrução, liderado com competência pela presidência e pela diretoria. Com o investimento na infraestrutura e o planejamento dos últimos anos, o Clube está preparado para receber os mais qualificados profissionais do mercado. Agradeço também à torcida por todo o carinho e apoio”, disse Dorival Júnior, campeão da Copa do Brasil pelo São Paulo em 2023.

“O convite feito ao Dorival é mais uma prova de que estamos no caminho certo. Em 2021, a CBF já havia chamado Muricy Ramalho, que seguirá no São Paulo até o fim da minha gestão. Agora, foi a vez do Dorival, que tinha uma proposta de reajuste e ampliação do contrato com o São Paulo também até o fim da minha gestão, em 2026, com todas as garantias para uma estabilidade. Resta desejar boa sorte em seu novo desafio”, disse o presidente do São Paulo Futebol Clube Julio Casares”.

(Com informações da ESPN e da Folha SP)

Exército conclui que não houve crime de militares no ataque golpista de 8 de janeiro

Duas punições disciplinares foram dadas aos militares envolvidos em transgressões e procedimentos adotados durante o ato golpista

O Exército Brasileiro informou, nesta sexta-feira (5), que as sindicâncias internas realizadas sobre os atos golpistas de 8 de janeiro concluíram que não houve indícios de crime nos casos investigados. Também afirmou que, após a apuração, duas punições disciplinares foram dadas aos militares envolvidos. As punições ocorreram por transgressões disciplinares na conduta e procedimentos adotados durante a ação no Palácio do Planalto.

O Exército diz ainda que instaurou quatro inquéritos policiais militares e outros quatro processos administrativos para apurar crimes ou desvios de condutas de militares. Concluídos os inquéritos, foram encaminhados à justiça militar, que condenou, até o momento, um coronel da reserva do Exército.

Já a Marinha informou que instaurou procedimentos administrativos contra três militares: sendo um oficial reformado, após registro fotográfico em frente ao Congresso; um praça reformado, que tinha sido preso pela Polícia Militar do Distrito Federal, mas que a justiça militar arquivou a denúncia; e uma praça da reserva, presa também pela PM, e que responde em liberdade provisória como ré em ação no Supremo Tribunal Federal.

O Exército destacou seu compromisso com a legalidade e transparência na prestação de informação à sociedade e no combate a desinformação. A Marinha afirmou que pauta sua conduta pela fiel observância da legislação, valores éticos e transparência.

Procurada, a Força Aérea não respondeu sobre o assunto até o fechamento desta reportagem.

(Da Agência Brasil)

Rock na madrugada – R.E.M., “I Took Your Name”

Faixa do álbum Monster (1994) do R.E.M., “I Took Your Name” é um rockão no estilo característico da banda, sem excessos ou firulas, guitarra sinuosa pontuando a música do início ao fim com direito a um generoso solo de Peter Buck pelo meio do caminho. Banda nascida em Athens, Geórgia (EUA) em 1980, o R.E.M. amealhou prestígio no circuito alternativo e partiu para conquistar o mundo. Reinou por três décadas como um sopro permanente de inquietude e criatividade, transitando com desenvoltura entre o indie, o grunge e o pós-punk.

Além do já citado Buck na guitarra, o R.E.M. tinha Michael Stipe nos vocais, Mike Mills no baixo e Bill Berry na bateria. Em 2011, o grupo decidiu encerrar atividades por iniciativa de Stipe, que entendeu não haver mais nada de novo a apresentar. Um exemplo de dignidade até o fim.