A jornalista Julia Duailibi, apresentadora da GloboNews, disse em entrevista exclusiva ao jornalista Luis Nassif, do GGN, que não acredita que haverá punição para militares envolvidos no atentado à democracia que ocorreu no dia 8 de janeiro de 2023. Segundo Julia, as instituições estão inclinadas ao “apaziguamento” com as Forças Armadas. Por outro lado, na visão da jornalista, há um “empenho” em encontrar os financiadores e mentores por trás da tentativa de golpe de Estado.
“A minha impressão – e eu posso estar errada – mas as conversas que tive e tenho até hoje me mostram que há uma tentativa e apaziguamento. O que eu sinto é que está todo mundo meio ‘não vamos mexer nisso, não’, [é o que dizem] em off. ‘Vamos esperar um pouco, foi muito estresse. As instituições passaram por momento muito crítico, vamos esperar’. Agora, sinto que há um empenho muito grande na questão dos financiadores e mentores. Se vai andar a investigação para além dos executores que já estão presos, acho que vai ser na direção dos financiadores e mentores.”
Julia concedeu entrevista exclusiva ao programa TVGGN 20 Horas, do canal TVGGN [assista abaixo] na noite de segunda (8), para comentar a estreia na GloboNews do documentário “8/1 – A democracia resiste”.
A produção, que tem Julia Duailibi e Rafael Norton na direção, conta os bastidores da reação do poder civil na tarde do domingo, 8 de janeiro de 2023, quando uma horda bolsonarista invadiu os prédios dos Três Poderes, em Brasília, pedindo intervenção militar contra a posse de Lula, e deixando um rastro de destruição sem precedentes.
Para compor o documentário, Julia teve acesso a mais de 500 horas de gravação de imagens de câmeras de segurança, que foram casadas com entrevistas exclusivas. O documentário “8/1 – A democracia resiste” será exibido na próxima quarta-feira (10), na Rede Globo (canal aberto), após o programa Big Brother Brasil – BBB24.
BASTIDORES DA CRISE
Uma das histórias resgatadas no documentário de Duailibi foi o papel de protagonista do secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Cappelli, que mesmo sendo um civil assumiu o comando da tropa que guardava a segurança da sede do MJ, de onde trabalhavam os ministros Flávio Dino, Gonçalves Dias (exonerado meses após o atentado) e José Múcio, em meio à crise. O documentário também mostra como e por que Capelli foi nomeado interventor federal na segurança do Distrito Federal naquela mesma noite.
A produção mostra ainda a curiosa história de dois funcionários da equipe de segurança do governo Lula, que tomaram as medidas necessárias para impedir que o gabinete presidencial fosse invadido pelos bolsonaristas. No documentário, um deles explica que seu objetivo era impedir que um golpista sentasse na cadeira hoje ocupada por Lula, pois seria uma imagem chocante para a opinião pública. Por isso, tiveram essa preocupação de resguardar o gabinete a qualquer custo.
Na análise de Julia Duailibi, o golpe não teve êxito por uma série de fatores combinados, desde o papel dúbio de Jair Bolsonaro – que deixou o País em 31 de dezembro de 2022, antes da posse de Lula – como também pela falta de consenso entre as Forças Armadas sobre a ruptura democrática.
“Há militares que reconhecem que se o golpe fosse bem sucedido, o Brasil ficaria isolado no cenário internacional, havia essa reflexão. [Entre os militares] Há conservadores que são legalistas. Houve falta de organização e comando do Bolsonaro, que foi embora. Tudo isso levou a, de fato, não ter um apoio majoritário para que virassem o jogo“, pontuou Dualibi.
Ainda sobre os militares, Julia comentou na entrevista ao canal TVGGN sobre a resistência que o comando militar impôs à entrada da polícia no acampamento dos bolsonaristas na capital federal. Os militares alegaram que se os policias entrassem para cumprir a ordem de desmobilizar o acampamento e prender os golpistas, haveria risco de violência e morte. Com isso, Lula aceitou a ideia de cercar o acampamento e prender todos os manifestantes na manhã do dia seguinte.
Apesar da hipótese de violência ter sido a justificativa oficial dos militares para resistir à entrada da polícia no acampamento no dia 8/1, há informações de bastidor dando conta de que, na verdade, o que os militares queriam era “ganhar tempo” para remover seus familiares do acampamento e impedir que fossem presos.
“Está na cara que eles ganharam tempo para sair. Tinha familiar de gente importante que ia, frequentava [esse acampamento]. O presidente chegou a mencionar em uma das entrevistas que a mulher ou filha do Villas Boas frequentava acampamentos [golpistas]. Então, eram parentes de gente de importância e relevância das Forças Armadas [ali dentro]. É uma teoria que se tem, mas não temos as imagens para comprovar.”
Grupo de comunicação endossa o genocídio do povo palestino em Gaza e dispara contra o governo brasileiro
A decisão do governo brasileiro de endossar a acusação liderada pela África do Sul contra o genocídio promovido pelo estado de Israel contra o povo palestino em Gaza fez com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse atacado pelo grupo de comunicação Globo. Em editorial publicado nesta sexta-feira, o jornal diz que o presidente faz “agressão injusta” a Israel.
“Foi lastimável a adesão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à petição apresentada pela África do Sul à Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia, acusando Israel de ações e omissões de ‘caráter genocida’ na guerra contra o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza. Ao atender ao pedido do embaixador palestino no Brasil, Lula viola a tradição de equilíbrio da diplomacia brasileira, banaliza uma acusação que só deveria ser feita com a maior parcimônia, em atitude que fortalece a vertente mais insidiosa do antissemitismo contemporâneo”, escreve o editorialista do Globo, grupo de comunicação que tem endossado o genocídio em curso na Palestina.
O jornal defende que a ação sul-africana seja derrotada e insinua, de forma completamente equivocada, que Lula estimula o antissemitismo – quando o fenômeno tem sido estimulado justamente pela agressão do estado de Israel ao povo palestino.
“As acusações deverão ser refutadas em seu tempo. Ainda que a CIJ ordene medidas emergenciais, é difícil haver efeito na guerra. O caso em nada ajudará a luta justa — apoiada pelo Brasil — em favor de um Estado palestino ao lado de Israel. Sua única contribuição, ao associar as palavras ‘genocídio’ a Israel, será avivar o paralelo ofensivo entre nazistas e o Estado judeu, obsessão do antissemitismo contemporâneo. Com o aval de Lula”, aponta o editorialista.
Por Gabriel Máximo (texto); Thiago Domenici (edição)
“Invocando, como nunca antes, a proteção divina, declaro aberta esta sessão”. Foi assim, entre risos dos colegas, que o senador Otto Alencar (PSD-BA) iniciou em 13 de dezembro a reunião de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará no Senado a extração de sal-gema em Maceió (AL) pela petroquímica Braskem. Por ser o integrante mais velho, com 76 anos, coube ao parlamentar baiano a presidência da sessão inaugural do colegiado.
A brincadeira não foi em vão. O afundamento de bairros da capital alagoana é considerado por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) como o maior desastre ambiental urbano do país. Em março de 2018, foram registrados os primeiros tremores de terra causados pela atividade da Braskem. A empresa operava, desde 1970, 35 poços de extração de sal-gema, mas teve sua atuação suspensa em 2019 por causa dos abalos. Segundo o Ministério Público Federal, mais de 14 mil imóveis foram afetados e mais de 60 mil pessoas foram retiradas de suas casas.
Em razão dos danos ambientais causados pela mineração, em 5 de dezembro, a Braskem foi multada em mais de R$ 72 milhões pelo Instituto do Meio Ambiente de Alagoas. Em julho, a petroquímica já havia feito um acordo que estabelece o pagamento de R$ 1,7 bilhão à prefeitura de Maceió, em contrapartida às indenizações e exclusão de cobranças de impostos sobre os imóveis afetados. Com esse acordo, a empresa passa a ser proprietária dos terrenos abandonados pelos moradores. A prefeitura avalia pedir nova indenização.
O caso também é alvo de embates entre adversários ferrenhos da política alagoana. De um lado, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), ex-presidente do Senado e autor do requerimento de CPI, e seu aliado, o governador do estado, Paulo Dantas (MDB), questionam o acordo e querem a ampliação das indenizações. Já o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), apadrinhado do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defende a manutenção do tratado.
É com esse pano de fundo, e depois de uma reunião sem solução mediada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em dezembro, que reuniu todos os políticos envolvidos, que a CPI foi instalada. Por aclamação, os senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Jorge Kajuru (PSB-GO) foram eleitos presidente e vice-presidente da comissão, respectivamente. O primeiro, inclusive, já presidiu outro colegiado de grande repercussão: o que investigou, em 2021, os crimes da pandemia de Covid-19. Os trabalhos da CPI da Braskem, como foi denominada, no entanto, só começarão em fevereiro de 2024, após o recesso parlamentar. O relator ainda não foi escolhido. Essa é a sétima CPI instalada no Congresso em 2023.
Por que isso importa?
Uma CPI, ou Comissão Parlamentar de Inquérito, é uma ferramenta importante em sistemas parlamentares para investigar questões de relevância pública e que servem ao aprimoramento da democracia
Levantamento da Agência Pública mostra que apesar da grande pressão política, algumas das CPIs do ano passado terminaram sem indicar culpados mesmo após meses de investigação ou sequer tiveram seus relatórios finais votados
A Câmarafoi responsável por 4 das 7 comissões de inquérito do Congresso no ano passado. Desse total, duas terminaram sem apreciação do relatório final, a das Apostas Esportivas e a do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Também em 2023, além das sete CPIs instaladas, os deputados coletaram o número mínimo de assinaturas, 171, para a criação de outras sete comissões. Entretanto, todas ainda aguardam a leitura do requerimento de instalação pelo presidente da Casa, passo obrigatório para o início dos trabalhos. Além disso, a instalação desses colegiados depende também da articulação política dos parlamentares, principalmente dos líderes partidários, e da percepção de que há clima favorável na Casa para o início dos trabalhos.
CPIs em compasso de espera para 2024
Investigação sobre supostas irregularidades envolvendo empresas que “comercializam passagens promocionais, hospedagens e serviços similares”, de autoria do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS);
O deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) propôs uma investigação, em 120 dias, sobre “o aumento de uso de crack, tráfico e crimes conexos no país desde o ano de 2016”;
O tráfico infantil e a exploração de crianças e adolescentes no Brasil também pode ser alvo de investigação na Câmara. O requerimento, de autoria do deputado Fernando Rodolfo (PL-PE) conta com o apoio majoritário de parlamentares da oposição, mas também de alguns integrantes da base governista;
Outra aposta da oposição é a instalação de um colegiado para investigar a “violação de direitos e garantias fundamentais, a prática de condutas arbitrárias sem a observância do devido processo legal, inclusive a adoção de censura e atos de abuso de autoridade, por membros do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal”. O requerimento é de autoria do deputado Marcel van Hattem (NOVO-RS);
Ainda na área de segurança pública, o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) também propôs investigar “o crime organizado e sua relação com o crescimento do número de homicídios e atos de violência” no país;
E duas têm relação com o setor energético. O deputado Lafayette de Andrada (Republicanos-MG) propôs investigar possíveis violações de preceitos legais “por Concessionárias de Distribuição de Energia Elétrica, para indeferir pedidos de conexão de Micro e Minigeração Distribuída (MMGD)”. Já o deputado Ícaro de Valmir (PL-SE) requer um colegiado para investigar a renovação do contrato de fornecimento de energia das empresas Âmbar Energia e a Karpowership no Brasil.
Relembre cada uma das CPIs de 2023 e seu desfecho
CPI das Pirâmides Financeiras
A comissão foi instalada em 13 de junho e buscava investigar o mercado de criptomoedas, já que 11 empresas eram acusadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de realizar fraudes com moedas digitais, além de divulgar informações falsas para atrair suas vítimas. O colegiado foi presidido pelo deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) e teve relatoria do deputado Ricardo Silva (PSD-SP). Durante os 118 dias de funcionamento, foram ouvidos o Ministério Público Federal (MPF) e representantes das empresas, como o sócio da GAS Consultoria & Tecnologia, Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “faraó dos bitcoins”.
O colegiado encerrou seus trabalhos em 9 de outubro com aprovação unânime do relatório final. O parecer recomendou o indiciamento de 45 pessoas por “fortes indícios” de participação em esquemas de pirâmides financeiras, dentre elas o ex-jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho, garoto-propaganda da 18K Ronaldinho, e de sócios da 123milhas. Além disso, o documento também sugere 4 projetos de lei, como o que especifica o crime de pirâmides financeiras e outro que regulamenta a publicidade de criptoativos. Depois da conclusão dos trabalhos, o relatório foi entregue ao Ministério da Justiça e Segurança Pública em 17 de outubro.
Audiência pública da CPI sobre as Pirâmides Financeiras, em 5 de setembro de 2023
CPI da Americanas
Criada com o objetivo de investigar o rombo de 20 bilhões na varejista, a comissão foi instalada em 17 de maio e teve seu encerramento em 26 de setembro. Os trabalhos foram presididos pelo deputado Gustinho Ribeiro (Republicanos-SE) enquanto a relatoria ficou sob responsabilidade do deputado Carlos Chiodini (MDB-SC).
O colegiado terminou sem indicar responsáveis pela fraude financeira. Segundo o próprio relatório final, as provas obtidas “não se mostraram suficientes para a formação de um juízo de valor seguro o bastante para atribuir a autoria e para fundamentar eventual indiciamento”. Assim, o parecer não sugeriu indiciamento da antiga direção da Americanas ou ao seu trio de acionistas principais, os empresários Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, que não foram ouvidos, assim como Miguel Gutierrez, que ficou à frente da companhia por 20 anos.
Chiodini também sugeriu em seu parecer quatro projetos de lei com o objetivo de combater crimes na gestão empresarial e aperfeiçoar o mercado de capitais no país. O relatório final da CPI foi encaminhado à Polícia Federal (PF), ao Ministério Público Federal (MPF) e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Votação do relatório da CPI das Americanas, em setembro de 2023
CPI das apostas esportivas
Em 14 de fevereiro, o Ministério Público de Goiás deflagrou a Operação Penalidade Máxima, para investigar um esquema de manipulação em jogos da Série B do Campeonato Brasileiro de Futebol de 2022 para favorecer apostadores esportivos. Mesmo com a investigação do MPGO em curso, deputados decidiram instaurar uma CPI para apurar o caso. O colegiado foi instalado em 17 de maio com prazo inicial de 120 dias. O deputado Julio Arcoverde (PP-PI) foi escolhido como presidente da comissão, enquanto a relatoria ficou a cargo do deputado Felipe Carreras (PSB-PE).
Em agosto, os deputados aprovaram um requerimento para que o prazo para conclusão dos trabalhos fosse estendido em 60 dias, mas o pedido foi negado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que só permitiu o funcionamento por mais 12 dias. Em todo o período, a comissão ouviu jogadores investigados pelo esquema, representantes das casas de apostas e de empresas ligadas ao marketing esportivo, além de dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Em seu relatório final, Carreras apontou que a CPI “não vislumbrou a existência de indícios suficientes de autoria e de materialidade de ilícitos que justificassem novos indiciamentos, seja por ação ou omissão”. Assim, sem coletar provas suficientes para propor a responsabilização de envolvidos no caso, o documento sugeriu quatro projetos de lei visando combater a manipulação dos jogos e a corrupção no esporte. Entretanto, o parecer sequer chegou a ser analisado. Um pedido de vistas coletiva (mais tempo para análise) de integrantes do colegiado impediu que a votação do relatório acontecesse antes do prazo para encerrar os trabalhos da CPI.
Audiência pública da CPI das apostas esportivas
CPI do MST
Outra comissão criada na Câmara e que teve o mesmo fim foi a que propunha investigar “a atuação do grupo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), do seu real propósito, assim como dos seus financiadores”. A criação foi motivada por ocupações do movimento a fazendas no Sul da Bahia no começo do ano. O colegiado foi presidido pelo deputado Zucco (Republicanos-RS) e teve relatoria do deputado Ricardo Salles (PL-SP), ex-ministro do Meio Ambiente do governo Jair Bolsonaro (PL). À época de sua instalação, em 17 de maio, a CPI era vista como uma aposta da oposição para dar dor de cabeça à administração petista e teve forte pressão da bancada ruralista, como mostrou a Pública.
Durante seus 132 dias de funcionamento, o colegiado ouviu representantes do MST, como o líder João Pedro Stédile, ex-assentados, especialistas em reforma agrária, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro.
Integrantes da comissão também fizeram diligências no interior de São Paulo e no Sul da Bahia. As reuniões tinham embates acalorados e deputados da oposição chegaram a ser maioria na CPI. Entretanto, o que parecia caminhar para uma derrota para o movimento social acabou sendo neutralizado. Partidos da base do governo Lula trocaram membros do colegiado, fazendo com que governistas tivessem maioria.
Assim, o relatório de Salles também não chegou a ser votado. O parecer pedia o indiciamento de 11 pessoas, dentre elas sete integrantes do MST, e sugeria projetos de lei para tentar criminalizar o movimento e alterar regras sobre porte de armas. Integrantes da comissão pediram vista coletiva e, com isso, o documento não foi votado a tempo do encerramento da CPI, que não teve seus trabalhos prorrogados por Lira. Em entrevista à Pública, Stédile já havia antecipado que esse seria o resultado da comissão.
Discussão e votação do relatório da CPI do MST
CPI das ONGs
Até a comissão que investigará a Braskem, a única CPI que havia sido instalada no Senado, em 14 de junho, teve o objetivo de investigar a destinação de recursos públicos e financiadores de Organizações Não Governamentais com atuação na Amazônia, esta comissão foi presidida pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM) e teve relatoria do senador Marcio Bittar (União Brasil-AC). O colegiado era formado majoritariamente por parlamentares conservadores e ouviu desde representantes de ONGs a autoridades, como a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho. Os senadores também realizaram diligências nos estados do Amazonas, Acre, Pará e Mato Grosso.
Mas o que se viu no relatório final difere bastante da finalidade da CPI. Bittar sugeriu seis projetos de lei com o objetivo de fazer avançar a mineração em terras indígenas, mudar as regras ambientais e a relação de forças entre os Poderes Executivo e Legislativo. Uma das propostas sugere regulamentar “a pesquisa e a lavra de recursos minerais em terras indígenas”, o que é proibido, tem relação com o próprio presidente da comissão, como revelou a Pública.
Um dos instrumentos mais utilizados em CPIs, a quebra de sigilo bancário e telemático, sequer foi utilizado. Segundo o relator, isso não aconteceu, porque não havia o objetivo de “espetacularizar” os trabalhos da comissão. O relatório também pede o indiciamento de apenas uma pessoa, o presidente do ICMBio, Mauro Oliveira. Mesmo divergindo de seu escopo inicial e não tendo encontrado provas concretas do que se propunha investigar, o parecer final foi aprovado na terça-feira (12) por cinco votos favoráveis e três contrários.
Apreciação do relatório final da CPI das ONGs
CPMI dos Atos Golpistas
A única comissão mista do Congresso, formada por deputados e senadores, foi instalada em 25 de maio depois de uma disputa intensa nos bastidores e buscava investigar a invasão e os ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro por apoiadores do ex-presidente Bolsonaro. A princípio, o governo Lula não queria a criação do colegiado temendo desgastes no início da nova administração petista, mas a possibilidade de que a oposição conseguisse a instalação e impusesse ainda mais derrotas ao governo fez com que o Planalto mudasse de posição.
Assim, os integrantes da CPMI foram indicados pelos partidos, com maioria governista. A presidência dos trabalhos coube ao deputado Arthur Maia (União Brasil-BA) enquanto a relatoria ficou a cargo da senadora Eliziane Gama (PSD-MA). Ao todo foram 146 dias de trabalho, em que foram ouvidos militares, policiais e presos envolvidos com o caso. Como mostrou a Pública, a comissão também recolheu documentos sigilosos para investigar possíveis financiadores dos ataques em Brasília. Era comum durante as reuniões os embates entre parlamentares da oposição e governistas pelo controle da narrativa sobre o 8 de janeiro. Enquanto o primeiro grupo defendia a tese de que o governo Lula teria se omitido no dia dos ataques, o segundo tentava provar a responsabilidade da extrema-direita na incitação à depredação.
Votação do relatório final da CPMI do 8 de janeiro
O relatório, de quase duas mil páginas, foi aprovado em 18 de outubro, por 20 votos favoráveis e 11 contrários e propôs o indiciamento de 61 pessoas, dentre elas Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, por associação criminosa e crimes contra o Estado Democrático de Direito. O documento foi entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR), ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Uma letra bem no estilo do Pearl Jam, crítica e questionadora, amparada pelas guitarras distorcidas do grunge e o vocal de Eddie Vedder. Assim é “Education”, um dos hits do álbum duplo Lost Dogs (2003), uma compilação de sobras de estúdio da banda de Seattle (EUA). E que sobras… Mesclando canções inspiradas com outras mais despretensiosas, o disco virou um presentaço para os fãs da banda. Um de meus preferidos.
O disco inclui covers e trilhas sonoras, fechando o compromisso contratual da banda com a gravadora Epic. O livrinho que acompanha o CD disseca cada música com comentários dos próprios músicos da banda.
“Education” (letra e música de Vedder) é uma sobra do álbum Binaural (2000). O cantor conta que “(baterista) Matt Cameron, a sua família e eu, uma vez fomos para um lugar distante para tirar férias. Nos 02 primeiros dias em que estávamos compondo e gravando 01 música por dia, só depois que nos lembramos que estávamos de férias… Uma parte da letra diz: ‘Sou uma semente / Imaginando por que cresce?’ Isto me resume”.
Com a participação de grandes nomes, como Sara Lomax Reese, Dennis de Oliveira (USP), Rosane Borges e Steven Youngblood (Park University), o curso visa mostrar a importância de se evitar estereótipos e preconceitos no jornalismo para a construção de um mercado mais inclusivo
A Rede de Jornalistas Pretos Pela Diversidade na Comunicação – Rede JP, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, por meio do Pontão de Cultura Digital da ECO/UFRJ, anuncia a abertura das inscrições para o curso internacional “Diversidade, Inclusão e Novos Formatos no Jornalismo Pós-Cultura Digital”. Com vagas limitadas, os interessados de todo o Brasil já podem fazer suas inscrições por meio do link https://docs.google.com/forms/d/1rQjF-kRwx_122amDYXKcakEO3Km0KlzKDixwUfJ2QiQ/edit.
“Iniciamos o ano da forma mais positiva possível, proporcionando conhecimento e informação de alta qualidade à população. Elevamos a discussão sobre a importância da excelência na produção de informações a um novo patamar e buscamos criar um ambiente de troca de aprendizado que tem alcançado êxito no mercado dos Estados Unidos e no Brasil”, destaca Marcelle Chagas, coordenadora geral e fundadora da Rede JP.
O curso “Diversidade, Inclusão e Novos Formatos no Jornalismo Pós-Cultura Digital”, será desenvolvido em dois formatos: presencial, com aulas no auditório da Escola de Comunicação da UFRJ, às sextas-feiras. Já a versão remota será transmitida no canal oficial da instituição no YouTube do Pontão da Eco. Patrocinado pelo Consulado dos Estados Unidos, com a parceria da Cátedra de comunicação da Unesco, Universidade Metodista e a Universidade Federal do Rio de Janeiro, o curso se destaca por apresentar visões de especialistas com atuação nacional e internacional.
“Este curso está aberto a todos, não apenas aos profissionais de comunicação. Desenvolvemos e planejamos o cronograma para toda a sociedade, mas vamos priorizar as populações sub-representadas entre os inscritos, com o intuito de aprimorar a qualidade da informação digital. Para os jornalistas, essa oportunidade é crucial, destacando aspectos essenciais para o desenvolvimento sustentável e social do setor”, afirma Marcelle.
Durante o curso os especialistas convidados falarão sobre temas como importância de evitar estereótipos e preconceitos no jornalismo, os desafios do mercado da comunicação para profissionais pretos, além de comentar evolução do segmento e o que ainda é necessário ser feito para termos um mercado de comunicação que busque ampliar a representatividade, promover uma cobertura equilibrada de questões sociais e combater a desinformação, atendendo de maneira justa todos os seus integrantes.
Ao explorar os impactos do ambiente digital, o curso também abordará pontos como as agressões online e as ameaças à democracia, além de promover uma discussão sobre as estratégias de mitigação para fomentar um ambiente informacional com espaço para a apresentação de diversas narrativas.
Serão 36 horas de treinamento distribuídas em 18 aulas semanais, com duração de aproximadamente 2 horas cada. Com início no dia 08 de março de 2024, os encontros devem acontecer até julho. A previsão dos organizadores é que mais de 200 pessoas participem.
O curso tem a coordenação das professoras Marcelle Chagas (UFF), Ivana Bentes (ECO/UFRJ) e Sara Lomax Reese (URL Media), rede descentralizada e multiplataforma que inclui organizações de notícias de destaque de comunidades negras e pardas nos Estados Unidos.
Sobre a Rede JP
A Rede de Jornalistas Pretos Pela Diversidade na Comunicação, é uma organização não governamental que tem como propósito reforçar a importância da participação de jornalistas negros no mercado da comunicação no Brasil e no mundo. O objetivo da rede e de seus colaboradores é causar um impacto positivo na sociedade civil e contribuir para a construção de uma comunicação mais inclusiva e justa.
Fundada em 2018, por Marcelle Chagas, jornalista com MBA em marketing e comunicação online e especialista em comunicação, processos de desinformação, diversidade, equidade e direitos humanos, a Rede JP busca soluções para problemas sociais por meio da democratização do processo de comunicação se baseando em três pilares fundamentais: educação, representatividade e oportunidade.
Hoje, a Rede JP é reconhecida como uma organização comprometida com o desenvolvimento do jornalismo produzido por comunidades negras, indígenas, quilombolas e periféricas em todo território nacional, atuando em parceria com mais de 200 veículos independentes afrocentrados, grandes mídias, empreendedores da comunicação, estudantes e comunicadores populares de diversas regiões do país. No exterior, a Rede JP é parceria e representa o Brasil na Caucus Of Journalism, coalizão internacional de jornalistas da diáspora africana.
Mesmo sem conquistar nenhuma taça em 2023, o Flamengo é o único time não europeu a conseguir estar no top 10 times com mais interações no X, antigo Twitter. O Rubro-Negro alcançou 45 milhões de interações na plataforma e fechou o top 10 no Ranking Digital anual desenvolvido pela Samba Digital, agência internacional de marketing esportivo e de iGaming com ampla atuação globalmente.
O destaque da plataforma se deu pelo Galatasaray, da Turquia, que terminou o ano como o clube que mais interações angariou no X. Com 131 milhões de interações, o clube turco desbancou a dupla Real Madrid e FC Barcelona, que, no Instagram, lideraram com ampla vantagem.
O top 10 ainda é formado por cinco clubes ingleses (Manchester United, Chelsea FC, Arsenal FC, Liverpool FC e Manchester City) e o rival do Galatasaray: o turco Fenerbahçe.
No engajamento, o Fluminense reeditou a segunda posição de 2022 e voltou a ser o segundo clube com maior engajamento no X. O Tricolor ficou atrás apenas do Al Nassr FC, clube de Cristiano Ronaldo e que, em 2023, viveu seu ápice de investimento com diversas contratações de peso.
O Botafogo é o outro brasileiro que aparece nos top 10 de 2023. Tido como o principal candidato ao título do Campeonato Brasileiro, o Botafogo teve o quinto maior engajamento da plataforma apesar de ter perdido o título de forma inesperada.
Flamengo: queda apesar de top10
A falta de títulos não passou impune ao clube do Rio de Janeiro e o Rubro-Negro fechou 2023 com 20,9 milhões de interações a menos do que a temporada 2022, quando o clube conquistou sua terceira Copa Libertadores da América. A queda do Flamengo no antigo Twitter foi de 32% em relação ao ano anterior.
Ainda assim, o Flamengo foi o único clube brasileiro a aparecer no top20 clubes com maior crescimento de seguidores no X. Em 2023, essa marca foi de 605 mil novos seguidores. Em 2022, a marca foi maior do que o dobro: 1,3 milhão.
Fluminense volta a brilhar Muitas coisas funcionaram bem nas Laranjeiras em 2023 e, uma delas, foi o trabalho digital. O Fluminense foi o 2º clube com maior engajamento no X. Se, por um lado, ficou atrás do time de Cristiano Ronaldo, por outro, o Tricolor ficou na frente do Inter Miami CF de Lionel Messi.
O Fluminense, a propósito, aumentou seu engajamento em relação a 2022 mesmo com aumento de base de seguidores. Se em 2022 o engajamento foi de 4% – ficando atrás do Rangers, da Escócia – em 2023 a taxa foi de 5,5% puxada muito pela inédita conquista da Copa Libertadores da América.
O clássico “Black Dog” executado durante apresentação do Led Zeppelin, em 2012, na Arena 02, com Jimmy Page, Robert Plant e John Paul Jones. Era um tributo ao produtor Ahmet Ertegun que virou o filme-concerto “Celebration Day”. Foi uma rara e vibrante aparição do grupo após a separação oficial, em 1980, anunciada após a morte do baterista John Bonham.
Page, líder e fundador do Led, aniversariou nesta terça-feira, 9 de janeiro. Entra para o seleto grupo dos roqueiros que chegam aos 80 anos ainda em plena atividade.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso histórico durante o evento “Democracia Inabalada”, realizado pelas autoridades dos Três Poderes da República, nesta segunda-feira (8), com o intuito de celebrar a preservação da democracia no contexto de um ano dos atos golpistas promovidos por seguidores radicais de Bolsonaro em Brasília em 8 de janeiro de 2023.
Em dado momento de sua fala, o chefe de Estado fez menção aos planos dos seguidores de Bolsonaro de realizar enforcamentos públicos de autoridades constituídas, a exemplo do relato recente do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), um dos principais alvos dos golpistas. Além disso, o presidente responsabilizou de maneira direta o ex-presidente Jair Bolsonaro pelos crimes cometidos em 8 de janeiro.
DISCURSO DE LULA
“Senhoras e senhores, meus amigos e minhas amigas.
Quero em primeiro lugar saudar todos os brasileiros e as brasileiras que se colocaram acima das divergências para dizer um eloquente NÃO ao fascismo. Porque somente na democracia as divergências podem coexistir em paz.
Quero fazer uma saudação especial a todas e todos que no dia seguinte à tentativa de golpe caminharam de braços dados do Palácio do Planalto ao Supremo Tribunal Federal, em defesa da democracia.
Nunca uma caminhada tão curta teve alcance histórico tão grande.
A coragem de parlamentares, governadores e governadoras, ministros e ministras da Suprema Corte, ministros e ministras de Estado, militares legalistas e, sobretudo, da maioria do povo brasileiro garantiu que nós estivéssemos aqui hoje celebrando a vitória da democracia sobre o autoritarismo.
Aproveito para saudar os trabalhadores e as trabalhadoras das forças de segurança – em especial a Polícia Legislativa – que, mesmo em minoria, se recusaram a aderir ao golpe e arriscaram suas vidas no cumprimento do dever.
Se a tentativa de golpe fosse bem-sucedida, muito mais do que vidraças, móveis, obras de arte e objetos históricos teriam sido roubados ou destruídos.
A vontade soberana do povo brasileiro, expressa nas urnas, teria sido roubada. E a democracia, destruída.
A esta altura, o Brasil estaria mergulhado no caos econômico e social. O combate à fome e às desigualdades teria voltado à estaca zero.
Nosso país estaria novamente isolado do mundo, e a Amazônia em pouco tempo reduzida a cinzas para a boiada e o garimpo ilegal passarem.
Adversários políticos e autoridades constituídas poderiam ser fuzilados ou enforcados em praça pública – a julgar por aquilo que o ex-presidente golpista pregou em campanha, e seus seguidores tramaram nas redes sociais.
Todos aqueles que financiaram, planejaram e executaram a tentativa de golpe devem ser exemplarmente punidos.
Não há perdão para quem atenta contra a democracia, contra seu país e contra o seu próprio povo.
O perdão soaria como impunidade. E a impunidade, como salvo conduto para novos atos terroristas.
Salvamos a democracia. Mas a democracia nunca está pronta, precisa ser construída e cuidada todos os dias.
A democracia é imperfeita, porque somos humanos – e, portanto, imperfeitos.
Mas temos, todas e todos, o dever de unir esforços para aperfeiçoá-la.
Meus amigos, e minhas amigas.
A fome é inimiga da democracia.
Não haverá democracia plena enquanto persistirem as desigualdades – seja de renda, raça, gênero, orientação sexual, acesso à saúde, educação e demais serviços públicos.
Uma criança sem acesso à educação não aprenderá o significado da palavra democracia.
Um pai ou uma mãe de família no semáforo, empunhando um cartaz escrito “Me ajudem pelo amor de Deus”, tampouco saberá o que é democracia.
Aperfeiçoar a democracia é reconhecer que democracia para poucos não é democracia.
Se fomos capazes de deixar as divergências de lado para defendermos o regime democrático, somos também capazes de nos unirmos para construir um país mais justo e menos desigual.
Minhas amigas e meus amigos.
Não há democracia sem liberdade.
Mas que ninguém confunda liberdade com permissão para atentar contra a democracia.
Liberdade não é uma autorização para espalhar mentiras sobre as vacinas nas redes sociais, o que pode ter levado centenas de milhares de brasileiros à morte por Covid.
Liberdade não é o direito de pregar a instalação de um regime autoritário e o assassinato de adversários.
As mentiras, a desinformação e os discursos de ódio foram o combustível para o 8 de janeiro.
Nossa democracia estará sob constante ameaça, enquanto não formos firmes na regulação das redes sociais.
Nos dias, semanas e meses que se seguiram à tentativa de golpe, reformamos as sedes dos Três Poderes. Trocamos vidraças, removemos a sujeira, restauramos obras de arte, recuperamos objetos históricos.
E, acima de tudo, reafirmamos o valor da democracia para o Brasil e para o mundo.
Agora é preciso avançar cada vez mais na construção de uma democracia plena.
Uma democracia que se traduza em igualdade de direitos e oportunidades. Que promova a melhoria da qualidade de vida, sobretudo para quem mais precisa.
Estamos nessa caminhada, e chegaremos mais longe se caminharmos de braços dados.
Quero terminar renovando o que disse no meu discurso de posse, neste Congresso Nacional:
Do presidente da Câmara, Arthur Lira, aos governadores bolsonaristas, as ausências na solenidade que lembrou um ano da tentativa de golpe em 8 de janeiro, nesta segunda-feira, são uso partidário de um evento que deveria ser apenas defesa da democracia. Lira avisou em cima da hora que ficaria em Alagoas, devido a problemas de saúde na família. Sua ausência, no entanto, foi comemorada pela bancada bolsonarista, que boicotou o evento.
O principal objetivo de Lira este ano é eleger seu sucessor na presidência da Câmara, o que implica ter apoio do governo e da oposição, inclusive da bancada bolsonarista. Assim, não aparecer no evento que os bolsonaristas consideram ser favorável ao PT, é um afago que confere pontos a Lira entre os opositores. Para agravar ainda mais o gesto, Lira teve encontro pela manhã com o ex-presidente Jair Bolsonaro, inelegível, em Maceió.
Em posição oposta, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, não só foi ao evento, como anunciou a retirada de grades que protegem o Congresso, colocadas justamente no dia 8 de janeiro passado. Ganhou holofotes.
Como Lira, Pacheco também corteja os bolsonaristas para eleger seu sucessor na presidência do Senado no ano que vem. Mas jogou pela estratégia inversa de Lira, de defender a democracia ao vivo e em evento convocado por Lula.
Os governadores que não compareceram seguiram a mesma lógica da política partidária. Não repararam que o eleitorado brasileiro condena maciçamente a barbárie de 8 de janeiro e a tentativa de tomar o poder fora da democracia.
Num caso extremo, o governador de Minas, Romeu Zema, disse que iria ao evento e voltou atrás em seguida, após críticas da oposição bolsonarista. Ele estava em Brasília, mas alegou graciosamente que o evento era um ato político – óbvio que era, mas apartidário também. Vacilar entre duas posições não faz bem a políticos. Lá na frente saberemos o preço que será cobrado dos ausentes.