Por Luis Nassif, no Jornal GGN
Israel planeja tomar Gaza desde os tempos iniciais do sionismo de David Ben-Gurion. Ben-Gurion foi um dos fundadores do Estado de Israel e o seu primeiro primeiro-ministro. No início da década de 1950, Ben-Gurion começou a considerar a construção de um porto em Gaza. Ele acreditava que o porto poderia ajudar a promover o comércio entre Israel e Gaza. Mas temia que pudesse ser usado para o contrabando de armas e mercadorias para o Egito.
O Egito era um inimigo de Israel na época, e Ben Gurion acreditava que o porto poderia ser usado pelo Egito para apoiar grupos terroristas palestinos. No final, Ben-Gurion decidiu construir o porto, mas com fortes medidas de segurança.
O porto foi inaugurado em 1957 e foi administrado por uma empresa israelense. As mercadorias que entravam e saíam do porto eram sujeitas a rigorosos controles de segurança.
O controle de Israel sobre o porto sempre impediu o desenvolvimento de Gaza e a melhoria de vida dos palestinos.
Um relatório do FMI, de maio de 1998, já identificava esses problemas. Dizia o relatório:
“De 1967 até ao início de 1994 – um período essencialmente de ocupação militar – a Cisjordânia e a Faixa de Gaza estiveram numa união aduaneira com Israel, e o padrão comercial da Cisjordânia e da Faixa de Gaza tornou-se altamente orientado para Israel. O Protocolo de Relações Económicas de Abril de 1994 entre a OLP e Israel produziu um quadro para o regime comercial da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, proporcionando à Autoridade Palestiniana algumas opções para modificar a união aduaneira prevalecente. Contudo, este regime comercial previsto não se tornou realidade; os obstáculos ao comércio intensificaram-se, principalmente devido aos procedimentos de segurança israelitas. Estes procedimentos resultaram em pesadas barreiras comerciais administrativas e logísticas e em tentativas da Autoridade Palestiniana de ultrapassar algumas destas barreiras através de políticas que podem, elas próprias, ter consequências adversas na alocação de recursos para a economia palestiniana”.
Israel poderia definir o que entraria, se apropriar de toda a receita aduaneira, e praticamente impedia políticas comerciais autônomas da Cisjordância e Faixa de Gaza com outros países.
Mais:
“A maior influência nos padrões e volumes comerciais da Cisjordânia e da Faixa de Gaza foram as restrições impostas pelos Israelitas em relação a considerações de segurança, que aumentaram os custos e abrandaram substancialmente o fluxo de mercadorias, minando assim consideravelmente a competitividade da Palestina. economia. Estas restrições tiveram impacto não só no comércio entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza e Israel, entre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, e por vezes até entre cidades palestinianas na Cisjordânia, mas também o acesso da Faixa de Gaza a países terceiros porque, sob a Acordo Provisório Israel está autorizado a controlar todas as passagens internacionais”.
Em 1997, o então primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu apresentou um mapa à Organização das Nações Unidas (ONU) que propunha um plano para o futuro de Israel e da Palestina.
O mapa, conhecido como o “Mapa de Bibi”, incluía uma série de propostas controversas:
– A manutenção de todas as colônias israelenses na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
– A criação de um estado palestino com fronteiras reduzidas.
– A ligação entre Israel e a Cisjordânia através de um corredor de terra.
- O mapa foi rejeitado pela comunidade internacional e pela Autoridade Nacional Palestina (ANP).
Em relação ao Porto de Gaza, o mapa de Bibi propunha que fosse controlado por Israel e que as mercadorias importadas e exportadas através do porto fossem sujeitas a inspeção israelense.
Esta proposta foi criticada pela ANP, que argumentou que seria uma violação da soberania palestina.
O mapa de Bibi nunca foi implementado, mas continua a ser um ponto de referência nas negociações de paz entre Israel e a Palestina.
O maior projeto de Israel para a região é o Gaza MEZ, que prevê a construção do porto marítimo e uma rodovia na região costeira de Gaza. O porto seria usado para exportar mercadorias produzidas em Gaza, e a rodovia seria usada para transportar mercadorias entre Gaza e Israel.
Não por coincidência, as cidades mais atingidas pelo bombardeio israelense são aquelas localizadas na região costeira de Gaza, as cidades de Gaza, Khan Younis, Rafah e Jabalia.
Gaza é a capital do enclave de Gaza e a maior cidade da região. Khan Younis é a segunda maior cidade de Gaza e está localizada a cerca de 20 quilômetros ao sul de Gaza. Rafah é a cidade mais ao sul de Gaza e faz fronteira com o Egito.
Jabalia é uma cidade no norte de Gaza e está localizada a cerca de 10 quilômetros da fronteira com Israel. Essas cidades estão localizadas ao longo da costa do Mar Mediterrâneo, que banha a Faixa de Gaza.
A afirmação do Ministro do Likud, Avi Dichter, de que “estamos lançando a Nabka 2023” é a comprovação clara de que o genocídio palestino obedece a uma lógica geopolítica.






