Torcida cobra mais ousadia

POR GERSON NOGUEIRA

Nas redes sociais, espécie de tribuna pública desses tempos modernos, a torcida do PSC tem reagido com um misto de esperança e apreensão diante do anúncio dos primeiros reforços do clube para a próxima temporada. De maneira geral, reina uma ansiedade muito grande em face do acesso conquistado à Série B do Campeonato Brasileiro.

Em primeiro lugar, é preciso que se conceda um voto de confiança nos esforços da diretoria e do executivo de futebol, Ari Barros. O mercado está cada vez mais restrito, os bons jogadores são muito cobiçados e os custos dos salários estão inflacionados.

A preocupação em trazer jogadores que tenham nível de Série B até agora foi razoavelmente cumprida, mas falta ainda um grande nome, alguém que tenha passado pelo crivo técnico da Série A, como prometeu a diretoria. Por ora, a ousadia prometida não se concretizou.

É provável que na próxima semana os nomes mais badalados sejam divulgados, para alívio do torcedor mais exigente. Por ora, as aquisições não chegam a empolgar a torcida. São atletas destinados a compor elenco, salvo uma ou outra exceção.

Depois de Diogo Silva, goleiro que estava no CRB e jogou no Vasco, ficou a expectativa de que o nível seria dali para cima, mas os demais jogadores contratados são pouco conhecidos, sem destaque maior na carreira.

Ontem, surgiram os nomes do volante Gabriel Bispo e do lateral-direito Bryan Borges, jogadores indicados pelo técnico Hélio dos Anjos. Bryan teve boa temporada no Náutico, há três anos, quando Hélio treinou o time pernambucano e Ari Barros era o executivo.

O problema é que Bryan, 27 anos, estava emprestado ao Novorizontino, onde fez apenas um jogo. Já o meio-campista Gabriel Bispo, 26, defendia o Kups, da Finlândia, desde 2022. Antes, passou por Juventude e Vitória.

Antes, foram anunciados o lateral-esquerdo Geferson, 29, que estava na Bulgária há sete anos, e o volante Netinho, de 25 anos, ex-Botafogo da Paraíba. Bons jogadores, mas sem o potencial de encher os olhos da torcida, que segue esperando notícias mais palpitantes.

Remo avança e já tem quase um time contratado

Até agora são nove jogadores anunciados. Os últimos foram o goleiro Léo Lang, os zagueiros Reniê e Ícaro, os volantes Daniel e Renato Alves, o meia Giovanni Pavani. Antes, o clube fechou com o artilheiro Ytalo e o meia Camilo, os nomes mais conhecidos entre os reforços.

As escolhas têm agradado a torcida, mesmo com restrições à faixa etária de Camilo e Ytalo, mas a qualidade de ambos, evidenciada pelos bons desempenhos na Série B 2023, torna a aceitação mais tranquila.

Sergio Papellin, o novo executivo de futebol, tem ido ao mercado com cautela e objetividade. Desfez boatos recentes sobre Mário Sérgio (ex-PSC) e Romarinho, do Fortaleza. Argumenta que o Remo não está interessado em fazer loucuras.

É certo que até o próximo dia 15 o Remo deve fechar a etapa de contratações, para que o técnico Ricardo Catalá possa iniciar os trabalhos preparatórios para a estreia no Parazão, em janeiro.

Lambança na CBF estraga festa do campeonato

O título nacional do Palmeiras nem havia completado 24 horas quando a notícia pegou todo mundo de surpresa: a Justiça do Rio destituiu Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF. Será substituído, interinamente, pelo presidente do STJD, José Perdiz. Uma nova eleição será realizada em 30 dias.

A 21ª Vara de Direito Privado do TJ-RJ julgou a legalidade de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a CBF e o Ministério Público do Rio em março de 2022, que garantiu o cargo de presidente da CBF a Ednaldo Rodrigues por um período de quatro anos.

De repente, assim meio de supetão, um caso de seis anos atrás serviu de base para que a Justiça decidisse intervir na confederação que comanda o futebol brasileiro. Como consequência imediata, nos próximos dias Fifa e Conmebol irão analisar a decisão, a fim de descobrir se houve ou não interferência externa – o que é proibido pelos estatutos da Fifa.

O risco de punição esportiva ao Fluminense, que vai disputar o Mundial de Clubes na Arábia Saudita, entre 12 e 22 de dezembro, está afastado. Ao mesmo tempo, não há possibilidade de sanção contra as seleções brasileiras de futebol e clubes que participem de outros torneios internacionais.

É possível, porém, que Conmebol e Fifa determinem uma punição no campo administrativo, como ocorreu com a com a Argentina, em 2016. Em meio a uma crise política, a Fifa fez uma intervenção na AFA (a CBF de lá) e nomeou um comitê para comandar a entidade. Só em 2017 a situação se normalizou com a eleição de novo presidente.

Em meio a tudo isso, há uma nuvem assombrando perigosamente a CBF e o futebol brasileiro. Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero, ex-presidentes da entidade e banidos do futebol por decisão da Fifa, resolveram reaparecer nos últimos dias.

Teixeira é o caso mais inusitado. Longe das câmeras e dos holofotes, não era visto em público desde o escândalo que abalou a Fifa na gestão de Joseph Blatter. Só não foi preso à época porque estava no Brasil.

Encorajado pela possibilidade de turbulências na CBF, ele tem se encontrado com Del Nero. O ex-dirigente paulista chegou a criticar Ednaldo Rodrigues por “má gestão”, num caso clássico de cara-de-pau explícita. É o roto falando do esfarrapado.

Resta saber se a dupla tem pretensões de voltar a manobrar os destinos da CBF, agora que o caminho está aparentemente livre de novo. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 08)

Rádio Clube do Pará, 95 anos de glória e sucesso

Documentário exibido pela RBATV nesta semana, em comemoração aos 95 anos da Rádio Clube do Pará, completados em abril de 2023.

Noventa e quatro jornalistas foram assassinados em 2023, informa a IFJ; em Gaza, morre um jornalista por dia

A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) documentou a morte de 94 jornalistas e trabalhadores da comunicação social em 2023, incluindo nove mulheres. Desde 7 de outubro, mais de um jornalista foi morto por dia na guerra de Gaza, numa escala e num ritmo sem precedentes de mortes nos meios de comunicação social.

Na véspera do Dia Internacional dos Direitos Humanos, que é comemorado em 10 de dezembro, a FIJ insiste que é necessária uma ação mais forte por parte da comunidade internacional para salvaguardar as vidas dos jornalistas e responsabilizar os seus agressores.

Este ano, tal como 2022, foi marcado pela morte de jornalistas na guerra. Em 2023, jornalistas palestinianos na Faixa de Gaza foram vítimas de bombardeios indiscriminados por parte do exército israelense. A FIJ apela às autoridades internacionais para que garantam o cumprimento do direito internacional e ponham fim ao massacre de jornalistas em Gaza. 

“A comunidade internacional, e mais especificamente o Tribunal Penal Internacional, deve assumir as suas responsabilidades e investigar minuciosamente e, quando apropriado, processar aqueles que ordenaram e executaram ataques contra jornalistas”, afirmou a FIJ.

A guerra de Gaza tem sido mais mortífera para os jornalistas do que qualquer outro conflito desde que a FIJ começou a registar as mortes de jornalistas no cumprimento do dever em 1990. Desde o ataque do Hamas em 7 de outubro, a FIJ contabilizou pelo menos 68 jornalistas assassinados .“Até agora, este ano, 72% dos jornalistas assassinados em todo o mundo morreram no conflito de Gaza ”, relata a Federação.

Sessenta e um jornalistas palestinos foram massacrados na Faixa de Gaza. Quatro jornalistas israelenses foram mortos nas primeiras horas do ataque do Hamas em 7 de outubro: dois durante o festival de música Supernova e outros dois nos kibutzim Nahal Oz e Kfar Aza. Três jornalistas libaneses foram mortos em bombardeios israelenses nos dias 13 de outubro e 21 de novembro, enquanto filmavam uma reportagem na fronteira entre os dois países.

Noutros países do Médio Oriente, a FIJ contabiliza 3 trabalhadores da comunicação social assassinados na Síria. 

Na Europa, a Ucrânia continua a ser um país perigoso para os jornalistas. Este ano, três jornalistas e profissionais da comunicação social – ucraniano (1), russo (1) e francês (1) – morreram na guerra na Ucrânia. 

Na região Ásia-Pacífico, os assassinatos de jornalistas estão concentrados nos mesmos países dos anos anteriores. Embora o número de jornalistas falecidos ainda seja inferior ao de 2022, a FIJ está preocupada com a segurança dos jornalistas no continente. Seja no Afeganistão (2), nas Filipinas (2), na Índia (1), na China (1) ou em Bangladesh (1), a Federação denuncia a falta de responsabilização daqueles que cometem crimes. A FIJ apela aos governos da região para que investiguem estes assassinatos e implementem medidas para garantir a segurança dos jornalistas. 

A FIJ observa uma diminuição real no número de jornalistas assassinados na região das Américas: 29 jornalistas perderam a vida em 2022, em comparação com sete em 2023. Três mexicanos, um paraguaio, um guatemalteco, um colombiano e um americano morreram enquanto investigavam grupos armados ou apropriação indébita de fundos públicos. Muitos outros crimes contra jornalistas permanecem impunes na região, alerta a Federação, por exemplo, 95% dos ataques a jornalistas no México não terminam em processos judiciais .

Na África , a FIJ condena quatro assassinatos particularmente escandalosos em Camarões (2), no Sudão (1) e no Lesoto (1), que até à data não foram totalmente investigados. 

A presidente da FIJ, Dominique Pradalié, disse: “Até agora, em 2023, 94 jornalistas foram assassinados. A FIJ exige medidas globais urgentes para parar este derramamento de sangue. O aumento do número de mortes, especialmente em Gaza, requer ação imediata. A FIJ insiste na necessidade de cumprir com o direito internacional, especialmente na guerra de Gaza, onde os jornalistas foram alvo do exército israelense. Dado que 72% das mortes de jornalistas no mundo ocorreram na guerra de Gaza, é urgente tomar medidas decisivas. O imperativo de um novo padrão internacional eficaz para a proteção de jornalistas nunca foi tão grande”.

393 jornalistas e profissionais da comunicação social presos

Em 2023, a lista de jornalistas presos da FIJ reflete a persistência da repressão política em países como a China, a Bielorrússia, o Egito, Mianmar, a Turquia e a Rússia, entre outros, com um aumento significativo de jornalistas presos registado nos últimos três anos. Este assédio judicial visa claramente silenciar os meios de comunicação social e reprimir os protestos pró-liberdade. Os jornalistas continuam a estar entre as primeiras vítimas desta repressão, com um número recorde de 393 jornalistas e trabalhadores dos meios de comunicação social atualmente atrás das grades. 

China e Hong Kong lideram a lista com 80 jornalistas presos, seguidos por Mianmar (54), Turquia (41), Rússia e Crimeia ocupada (40), Bielorrússia (35), Egito (23), Vietnam (18), Arábia Saudita ( 11), Índia (10) e Síria (9).

Textor encaminha ao STJD denúncia de manipulação no Brasileiro em favor do Palmeiras

John Textor, dono da SAF do Botafogo, segue tentando provar que houve manipulação de resultados no Campeonato Brasileiro de 2023 no STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva). Em contato exclusivo com a ESPN, o empresário afirmou já ter entregue “evidências” ao tribunal esportivo. Na terça-feira (5), o GE chegou a noticiar que Textor poderia levar o caso à Justiça comum, mas o norte-americano afirmou que seguirá cobrando investigação na esfera esportiva.

 ofício foi entregue ao STJD às 12h45 (de Brasília) desta quarta-feira (6), dia da última rodada da Série A. O Botafogo quer um inquérito investigativo sobre os erros de arbitragem, que, na visão da SAF que comanda o futebol alvinegro, não foram “homogêneos a todos os clubes” e “causaram desequilíbrio completo no Campeonato Brasileiro”, influenciando na briga pelo título e contra o rebaixamento.

John Textor é dono de 90% da SAF do Botafogo. (Vito Silva / Botafogo)

ESPN também conversou com Thairo Arruda, CEO da SAF, que foi outro a descartar o caminho da Justiça comum – ao menos por enquanto. “Nós solicitamos ao STJD, seguindo o rito correto de levar a questão primeiro para a Justiça Desportiva. Não vamos à Justiça comum enquanto não esgotarem os recursos no âmbito esportivo”, ressaltou.

A base para as reclamações de Textor e do Botafogo é um estudo contratado junto à empresa Good Game!, que utilizou um método próprio para avaliar os erros de arbitragem durante o Brasileirão e como eles impactaram na classificação final. O levantamento apontou que o Botafogo deveria ter vantagem sobre o Palmeiras.

No duelo específico entre as equipes, virada do Palmeiras sobre o Botafogo por 4 a 3, após sair perdendo por 3 a 0, Textor contesta a expulsão do zagueiro Adryelson, quando a partida estava 3 a 1. O atleta tocou na bola antes de acertar o atacante palmeirense. As imagens comprovam isso.

Recentemente, o STJD absolveu o jogador e questionou a decisão do árbitro Bráulio da Silva Machado e do VAR em revisar o lance e aplicar o cartão vermelho.

“Nós perguntamos à CBF, por escrito, para explicar porque o juiz do VAR não mostrou os ângulos corretos de câmera para o árbitro de campo, que nós acreditamos que poderiam ter evitado o vermelho. Os juízes do STJD viram esses ângulos de câmera e rapidamente perceberam que o cartão vermelho foi incorreto. Podemos dizer, então, que a ‘virada’ de seis pontos do Palmeiras foi incorreta”, disse Textor.

O norte-americano cita também outros erros apontados no relatório contratado junto à Good Game!. A empresa destaca especificamente uma partida do Palmeiras como “suspeita” de manipulação: a vitória por 1 a 0 sobre o Bahia, no Allianz Parque, no dia 28 de outubro.

O método da empresa consiste em avaliar, com ajuda de inteligência artificial, todas as decisões da arbitragem, se corretas ou equivocadas, e ponderá-las de acordo com o peso no resultado final. Nessa partida, especificamente, o relatório aponta 80% dos erros a favor do Palmeiras.

“É potencialmente uma distribuição anormal em uma partida de futebol profissional e necessitaria de investigações à arbitragem em relação a manipulação”, escreveu a Good Game!. Textor afirmou ainda não ter divulgado publicamente as “evidências” de manipulação de resultados, mas diz já ter as entregue às “autoridades do STJD”.

“Especialistas externos confiáveis prepararam relatórios demonstrando sua desconfiança, com 99% de certeza, que manipulação de resultados aconteceu em outros jogos importantes. Nós esperamos que o STJD vá avaliar essas alegações e decidir que uma investigação deve ocorrer”, disse o dono da SAF alvinegra.

Quando concluiu o estudo, o relatório apontou que o Botafogo deveria ter 68 pontos na classificação, enquanto o Palmeiras, 50. O Palmeiras conquistou o título ao empatar com o Cruzeiro, na última rodada. O Botafogo terminou com 64 pontos, na 5ª colocação.

Ronaldo Piacente, procurador-geral do STJD, prometeu avaliar o pedido do Botafogo. “Chegando este documento até nós, nos cabe analisar e ver se procede ou não procede, se é da esfera da Justiça Esportiva ou não. Tudo isso será analisado”, afirmou.

LEILA CRITICA TEXTOR

A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, criticou o acionista da SAF do Botafogo, John Textor, após as notícias de que o Glorioso entrou no STJD pedindo apuração sobre decisões equivocadas da arbitragem que impactaram no resultado do Campeonato Brasileiro de 2022 e 2023. Nas duas edições o Alviverde ficou com o troféu.

– Me causa estranheza porque eu acho que o proprietário do Botafogo deve estar meio desequilibrado. Realmente foi difícil, o Botafogo liderando por tanto tempo o campeonato, dá todo esse problema, essa turbulência, e perder esse campeonato, acho que o Textor ficou desequilibrado – falou Leila, em entrevista ao “GE” no gramado do Mineirão, completando:

– Chega até a ser ridículo. Essa atitude dele, ele colocando em dúvida o campeonato, ele desprestigia, ele desvaloriza esse produto tão importante que é o futebol, que são os clubes também. Desvaloriza todos os clubes. Ele deveria ter mais serenidade. O Palmeiras mesmo… Nós não perdemos a Libertadores? Sabe… Continuamos trabalhando, acreditando no trabalho. No futebol acontece, você tem que estar preparado para ganhar e para perder. Acho que é mais uma parte de desequilíbrio do senhor John Textor – completou.

O Palmeiras terminou o Brasileirão-2023 com o título com 70 pontos, seis à frente do Botafogo, quinto colocado.

Rock na madrugada – Liam Gallagher, “Some Might Say”

Interessante versão acústica de Liam Gallagher para este clássico do Oasis. Diante de um público intimista, formado por fãs e convidados, no terraço da Rádio X, em Londres, ele cantou vários hits de seu antigo grupo. Foi uma das primeiras apresentações de Liam depois de lançar seu disco solo, As You Were, há cinco anos.

Sub-40 em alta no Pará

POR GERSON NOGUEIRA

Talvez não haja nada mais imprevisível em futebol do que a política de contratações. Escolhas consideradas certeiras muitas vezes resultam em fracasso retumbante. Por outro lado, algumas apostas aleatórias se revelam bem sucedidas, sem que se consiga ter explicações lógicas.

No ano passado, por exemplo, o Amazonas contratou o atacante Sassá, que era considerado carta fora do baralho, com histórico ruim nos últimos anos. Parecia uma escolha desastrosa. De repente, Sassá desandou a fazer gols, virou artilheiro e melhor jogador da Série C 2023, desmentindo todas as previsões.

O problema de fenômenos como o de Sassá é que terminam por virar case de sucesso, passando a ser imitado pelos demais clubes. É claro que o êxito do atacante foi absolutamente casual. As probabilidades de sucesso eram mínimas. Deu certo por uma saudável coincidência de fatores, incluindo um time que se fechou em torno do goleador.

A dupla Re-Pa tem dado tiros a esmo nos últimos anos, quase sempre gerando fracassos e decepções. Neste ano, o PSC teve a ventura de reagir a partir da 13ª rodada do Brasileiro e dali caminhar para o acesso. Tinha feito um festival de bobagens nas contratações (50), com jogadores em fim de carreira e alguns que nem chegaram a atuar.

O Remo seguiu o mesmo fluxo. Contratou um pouco menos (27) que o rival, mas caprichou na ruindade das escolhas. Pior: trouxe oito jogadores acima dos 33 anos, média muito alta até para os padrões da Terceira Divisão. Quando todos buscam rejuvenescer, o Leão enveredou pelo caminho oposto. Óbvio que não daria certo.

Desta vez, impulsionado pelo desejo de mudança e o entusiasmo de uma nova diretoria, o clube começou trazendo um atacante e um zagueiro de 35 anos e um meia de 37. Já é muito, mas deveria ser o limite máximo de aquisições na faixa etária sub-40.

Camilo, meia-armador com passagem por vários clubes de ponta, fez uma Série B de bom nível pelo Mirassol. Tem bom histórico disciplinar extracampo. Tecnicamente, terá o papel de organizador do time, além de ser uma espécie de líder em campo.

O período no Botafogo, nas temporadas de 2016 e 2017, foi o mais brilhante da carreira. Em 57 jogos, marcou sete gols, alguns de bela feitura. Graças ao desempenho, foi convocado por Tite e jogou 15 minutos no amistoso da Seleção Brasileira contra a Colômbia, em janeiro daquele ano.

A questão é que, além do custo da contratação, ele pode ter problemas numa campanha que será marcada pela cobrança da torcida e as exigências do acesso. Para que funcione, precisará de um time com base mais jovem, capaz de marcar e correr por ele.

No PSC, Robinho foi o jogador escalado para essa função na Série C. No começo, oscilou muito, mas aos poucos foi melhorando e virou peça fundamental na conquista do acesso. Sua arma foi o aproveitamento em assistências na bola parada. Camilo, especialista em cobranças de falta, pode ser o Robinho azulino na temporada.

De qualquer forma, o Remo não pode se dar ao luxo de cometer os erros recentes. Simplesmente não pode errar mais. Neste ano, abusou de meio-campistas cansados, desestimulados e tecnicamente ineficientes. A exceção foi Pablo Roberto, mas deixou o clube na fase crítica da Série C.

Desta vez, além de Camilo, Daniel e Renato Alves (anunciados antes), espera-se que o clube traga jogadores mais jovens para o meio e as laterais. Além disso, a base tem atletas em condições de disputar um espaço no time. Mas, para aproveitar os de casa, vale a velha receita: é preciso ter a mesma paciência dedicada aos importados.

Textor em conflito com o submundo do futebol no Brasil

Não vai ser tarefa simples fazer John Textor entender como funcionam as coisas no futebol brasileiro. Chocado com a quantidade erros de arbitragem cometidos em jogos do Botafogo nesta temporada, ele poderia ir aos arquivos para pesquisar garfadas até mais escandalosas contra o clube nos últimos anos.

Um relatório encomendado à consultoria é a base documental de Textor para levar a denúncia à Justiça. Se a intenção é expor uma realidade, o investidor faz a coisa certa. Mas, se pretende uma reparação ou reconhecimento pelas falhas de apitadores e do VAR, pode esquecer.

Algumas das irregularidades apontadas, como a expulsão de Adryelson no jogo-chave diante do Palmeiras, foram consideradas “legais” pelos comentaristas da emissora que manda e desmanda no campeonato. Isso funciona como um aval definitivo pelos tribunais desportivos.

De mais a mais, o senso comum está contra as pretensões do dirigente. Afinal, o Botafogo entregou os pontos nas últimas 10 rodadas, sendo ou não operado pelos árbitros. Até o botafoguense mais passional reconhece que o time teve todas as chances de chegar ao título, mesmo contra a máfia do apito.

Precisará tomar cuidado para que seus protestos não se transformem em retaliações futuras ao próprio Botafogo. 

Rodada final de um Brasileiro marcado pela inconstância

O Palmeiras, campeão nacional antecipado, entra em campo hoje por mera formalidade. Vai levantar a taça pela 12ª vez no estádio Mineirão, depois do jogo com o Cruzeiro. Pode até perder que não corre risco de ficar sem o título. Fez por onde. Soube reagir ao momento de baixa na competição e esperou a queda do Botafogo para assumir o protagonismo.

Liderou por apenas quatro rodadas, mas foi o suficiente para assegurar a conquista. Quase nada tem a ver com a derrocada inexplicável do então líder, que dominou o campeonato por 30 rodadas.

Saber vencer é uma atribuição natural e óbvia dos times campeões. Como ninguém foi mais persistente na luta por este título do que o Palmeiras, é justo que toda a glória seja concedida a ele. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 06)

Tragédia na educação: Brasil está nas últimas posições do Pisa 2022

Embora tenha ficado estável em relação a 2018, sem grandes perdas, Brasil apresenta dados preocupantes: está bem abaixo da média da OCDE nas três disciplinas

Brasil está nas últimas posições no Pisa 2022. Na imagem, uma criança na escola escreve em seu caderno.  — Foto: Pillar Pedreira/Agência Senado

O Brasil ocupa as últimas posições no Pisa 2022. Foto: Pillar Pedreira/Agência Senado

Entre 2018 e 2022, o Brasil apresentou um desempenho estável no Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), prova aplicada em 81 países para avaliar o desempenho de alunos de 15 anos em matemática, leitura e ciências. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (5); veja o ranking mundial abaixo.

Apesar de não ter havido queda mesmo após todas as dificuldades impostas pela pandemia (como fechamento das escolas e desigualdade digital no ensino remoto), os índices são preocupantes: o país continuou na parte inferior da tabela, com notas muito abaixo das médias registradas pelos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

O Pisa é aplicado a cada 3 anos, mas a edição de 2021 foi adiada para 2022 por causa das restrições impostas na pandemia. China, Japão, Coreia, Suíça, Estônia e Canadá destacaram-se nas três áreas de conhecimento e ocuparam o topo da tabela.

Entre os 81 participantes, o Brasil subiu, de 2018 a 2022:

  • 6 posições em matemática (de 71º para 65º), ficando próximo a nações como Jamaica, Argentina e Colômbia;
  • 5 posições em leitura (de 57º para 52º), perto de Costa Rica, Peru, Colômbia e México;
  • 2 posições em ciências (de 64º para 62º), empatando com Peru e Argentina.

O impacto da pandemia foi maior entre países que registravam índices mais altos de desempenho nas três disciplinas. Em matemática, por exemplo, apenas 31 participantes conseguiram ao menos manter a mesma nota de 2018, como Austrália, Japão, Coreia do Sul e Suíça. (Com informações do g1 e da Folha SP)

Leão anuncia meia Camilo e lateral-direito Vidal

Camilo, meia-armador de 37 anos, foi anunciado nesta terça-feira como novo reforço do Remo para a próxima temporada. Ele já defendeu vários clubes do Brasil e do exterior, incluindo América-RJ, Ceará, Avaí, Chapecoense, Botafogo, Internacional, Ponte Preta e Mirassol, além de passagens pelo Nanchang FC (China) e Al-Shabab, da Arábia Saudita. Ele estava no Mirassol, onde disputou a Série B 2023, tendo cumprido mais de 100 jogos pelo clube.

Em declaração ao site oficial do Leão, o meia saudou a torcida: “Uma honra e uma grande motivação vestir a camisa do Maior do Norte. Espero dar muitas alegrias para o torcedor azulino e que seja uma temporada de grandes conquistas para o Leão”, afirmou.

Outro nome anunciado foi o do lateral-direito Vidal, de 27 anos. Com passagens pelo Juventude, Goiás, Brasil de Pelotas, Ferroviária e Botafogo-SP, ele despertou o interesse do Remo pelas boas atuações na Série B.

“A escolha pelo Remo se deu pela grandeza do clube e o projeto que me foi apresentado. O Remo em 2024 virá forte, visando a melhor campanha possível nas competições e especialmente o acesso para a Série B. Quero fazer história no clube”, disse Vidal ao site azulino.

Na segunda-feira, o Remo anunciou os volantes Daniel e Renato Alves.

O título vai para quem merece

POR GERSON NOGUEIRA

O Palmeiras passou bem pelo Fluminense, como era de prever, e encaminhou a conquista de seu 12° título brasileiro. Mais um para a galeria palestrina e este com um gosto especial, pois a equipe de Abel Ferreira não fez uma campanha consistente no turno e começou o returno tropeçando. O próprio técnico disse, em rara admissão de inferioridade, que o campeão era o Botafogo.

Não contava certamente com a destrambelhada caminhada do Botafogo no returno, conseguindo fazer uma campanha de time rebaixado. A gangorra vivida pelo Fogão nesta Série A, sem explicação lógica, deu aos demais clubes a oportunidade de queimar etapas e chegar às rodadas finais em condições de levantar a taça.

Mas, apesar da aproximação de Flamengo e Atlético-MG, foi o Palmeiras quem melhor soube capitalizar a derrocada botafoguense. Com um time que joga junto há pelo menos três anos, primando pela determinação e a disciplina tática, o Verdão pegou a oportunidade, se agarrou a ela e não deixou mais ninguém chegar junto.

Vai para o jogo final na quarta-feira, diante do Cruzeiro, no Mineirão, com 99,9% de chances e uma vantagem gigantesca em relação ao Atlético e ao próprio Flamengo. Só perde a taça se tomar uma goleada histórica, absolutamente improvável em qualquer cenário, ainda mais contra um adversário limitado.

Aliás, o Cruzeiro conseguiu se salvar da ameaça de rebaixamento com um empate em 0 a 0 com o inacreditável Botafogo, cuja apatia denota problemas internos muito mais sérios. Para quem ainda poderia sonhar com alguma coisa, em caso de vitória, Tiquinho e seus companheiros pareciam completamente sem vontade.

Fazer esforço seguramente não é prioridade para o desfigurado Botafogo, sob o comando de Tiago Nunes. Aliás, para ter um treinador que não fede e nem cheira à beira do campo, melhor teria sido ficar com Lúcio Flávio, um aprendiz que nunca escondeu a paixão botafoguense.

No outro extremo, embalado pelas vitórias na fase final do campeonato, o Palmeiras cumpriu à risca o manual de quem luta pelo título. Marcou 1 a 0 sobre o Fluminense, no Allianz Parque, lotado, sem se arriscar jamais. Fez o básico, e venceu. Como tem feito desde que aplicou a virada épica sobre o Botafogo, no estádio Nilton Santos.

A vantagem que os palmeirenses têm na briga pelo título – que pode ser o 12º de sua história – inclui a possibilidade do empate e até mesmo da derrota. Com 31 gols de saldo, bem acima do que tem o Galo (23) e Flamengo (15), só um desastre impediria a conquista.

Para tropeçar na rodada final, o Palmeiras teria que perder para o Cruzeiro por 4 a 0 e o Galo meter 5 a 0 no Bahia. Combinações absurdas demais para virar realidade. Palmeiras campeão, de novo.

Troca de técnicos não explica tombo botafoguense

A classificação final só virá na quarta-feira, mas já é possível avaliar a situação dos clubes quanto à presença na Libertadores do ano que vem. O Botafogo contrariou todas as previsões e não conseguiu uma das quatro vagas diretas. Caiu para o 5º lugar na classificação, posição que terá que defender diante do Internacional, em Porto Alegre.

Caso faltassem mais algumas rodadas, o Botafogo poderia cravar a façanha de perder vaga até na Sul-Americana. A campanha que foi da glória ao fracasso exige do clube uma avaliação rigorosa, que leve a mudanças viscerais. Não é apenas o fator sorte ou o excesso de trocas de técnicos que justifica o tombo histórico.

Há muito mais que isso. As atuações recentes revelam um time cansado mentalmente e pouco aplicado no aspecto tático. A troca de Lúcio Flávio por Tiago Nunes não representou rigorosamente nenhum avanço. As limitações, agora expostas, foram superadas com entusiasmo e aplicação no turno.

Significa que na segunda parte da competição veio o relaxamento. Normal até certo ponto, a oscilação técnica não poderia ser absoluta, a ponto de deixar o time sem vencer por 10 jogos. Duas vitórias em meio a isso teriam assegurado a vantagem necessária para o título. E oportunidades não faltaram.

O lado emocional responde em boa parte por tudo que aconteceu, mas alguns atletas revelaram uma excessiva fragilidade anímica, comprometendo por completo o rendimento em campo. 

Óbvio que a SAF vai impor mudanças, mas tem que olhar para os próprios atos, pois também tem parte nesse desastre vergonhoso que marca o Botafogo de 2023.

Parazão tem supercopa como grande novidade

A Supercopa Grão Pará, cuja criação foi anunciada no encontro promovido pela Federação Paraense de Futebol para lançar o Campeonato Estadual de 2024, é a grande novidade da competição. Seis clubes (quatro eliminados das oitavas de final e dois que sobrarem das semifinais) irão se enfrentar durante a disputa, sendo que o vencedor ganha uma vaga na Copa do Brasil.

Uma grande sacada, que valoriza ainda mais o Parazão e diminui o prejuízo dos clubes eliminados das fases mais importantes da disputa. A criação do torneio acabou superando a própria razão maior do evento, que era a definição da tabela de jogos.

Além disso, há o investimento na formação de atletas, com a previsão de 1.000 jogos entre equipes das divisões de base de 120 municípios paraenses. Com patrocínio assegurado, a janela para a garotada é desde já um golaço da atual gestão da FPF.

A conferir agora a fiscalização em cima dos estádios definidos para o Parazão, que deve começar com problemas em Bragança, Castanhal e Canaã dos Carajás. As condições dos gramados são fundamentais para que o torneio tenha a qualidade mínima esperada. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 04)

Rock na madrugada – Bad Religion, “Punk Rock Song”

Com 40 anos de estrada, o Bad Religion mantém a veia pós-punk e transforma seus shows numa celebração de rock puro e básico. “Punk Rock Song”, hino lançado em 1996 (álbum The Gray Race), aparece aqui em registro ao vivo, no festival Rock am Ring de 2004. A banda foi fundada em 1979, na Califórnia, por Greg Graffin, Jay Bentley, Brett Gurewitz e Jay Ziskrout. Foi responsável por uma frente de resgate do punk nos anos 80, influenciando muitos outros grupos surgidos à época, incluindo Nirvana, Green Day, Offspring e Alice in Chains.

Neste fim de semana, o Bad Religion foi uma das atrações do festival Primavera Sound, em São Paulo, fazendo um show sólido e impecável.

Helder diz que Pará vai chegar na COP 30 como exemplo de transformação

governador celebrou a redução de cerca de 50% do desmatamento no Pará, alcançado nos 11 primeiros meses do ano em comparação ao mesmo período do ano passado

O governador Helder Barbalho participou, neste domingo (3), em Dubai, do evento “Unindo Líderes, Direcionando a Transformação”, durante a abertura da Assembleia Geral da Coalizão Under 2. O grupo une governos regionais de todo mundo em torno de soluções para combater as mudanças climáticas e o aquecimento global.

Durante o painel “Abordando a tripla crise de crescimento, equidade e clima”, o governador, que vai receber a COP 30 em 2025, falou dos programas paraenses que ajudam a combater o desmatamento, diminuir a emissão de gases e sobre a criação de uma bioeconomia sustentável.

“O Pará, que nas últimas décadas representou o maior desafio para a imagem do Brasil, será, em 2025, um grande exemplo de transformação da sua história”, enfatizou Helder Barbalho.

O governador celebrou a redução de cerca de 50% do desmatamento no Pará, alcançado nos 11 primeiros meses do ano em comparação ao mesmo período do ano passado. Ele lembrou ainda que é preciso conciliar a redução do desmatamento com as vocações econômicas do Estado, cuidando das 9 milhões de pessoas que vivem no Pará.

O Plano de Recuperação da Vegetação Nativa, lançado ontem na COP 28, foi citado no painel pela Thekla Walker, ministra de meio ambiente, proteção do clima e energia de Baden-Wuttemberg, na Alemanha. Ela disse acreditar que, para a transformação ecológica necessária, a restauração é o principal caminho.

Faltando dois anos para o Estado receber o maior evento climático do mundo, o governador ressaltou que “Fazer a COP na floresta será um momento especial, quando todas as nações poderão lançar novas ambições de redução diante das urgências climáticas. Será Paris mais 10”, comentou, fazendo referência ao balanço do acordo de Paris, que será feito na COP 30 em Belém. “Se em Dubai estão avaliando qual entrega foi realizada, em Belém será a oportunidade de lançar novos desafios e certamente, ampliando nossas obrigações”, finalizou. (Com informações da Agência Pará)

Entre oportunidades e armadilhas

POR GERSON NOGUEIRA

A dupla de gigantes do futebol paraense está naquela fase febril de pesquisa no mercado à procura de peças para os respectivos elencos. Não é uma tarefa simples. As imposições econômicas se contrapõem às necessidades de cada clube. Dirigentes fritam os miolos buscando fazer render o orçamento em relação às ofertas de atletas. O desafio é ainda maior devido às dificuldades impostas pelo calendário. Certames estaduais – como o Paulista e o Carioca – são vistos como prioridade por muitos jogadores.

Resta exercitar a paciência e a habilidade para negociar. A condição de participante da Série B em 2024 dá ao PSC um poder de atração maior. Os jogadores valorizam a competição, sabem de sua importância como porta de entrada para a Série A. A transmissão de todos os jogos faz do torneio ainda mais interessante como vitrine.

Nada disso impede que as ofertas sejam inflacionadas, causando também os costumeiros leilões, tão ao gosto de empresários espertos. Bem fez o Remo em se adiantar e contratar o vice-artilheiro da Série B deste ano, o alagoano Ytalo, que defendeu o Sampaio Corrêa na temporada.

A faixa salarial, em torno de R$ 100 mil, é salgada para a Série C, mas para um clube que tem ambições de acesso não é possível barganhar muito. Se há possibilidade de negócio, ela deve ser aproveitada de imediato. Qualquer demora significa lutar com valores ainda maiores.

O Papão começou a ter dificuldades dentro do próprio elenco remanescente do acesso. O artilheiro Mário Sérgio, fundamental na campanha, foi procurado para renovar, mas apresentou proposta acima do esperado, mesmo levando em consideração a valorização natural que fazedores de gol costumam ter.

Diante dos obstáculos para renovação, o clube sai em busca de outras alternativas, tendo como um dos alvos o ex-ídolo Nicolas, atualmente no banco de reservas do Ceará Sporting. Especulado desde o mês passado, a volta do atacante agrada boa parte da torcida, mas gera desconfiança também.

Além disso, a condição para retornar à Curuzu foi considerada acima do orçamento do clube para a Série B, mesmo levando em conta a observação do vice-presidente Roger Aguilera, que admitiu pagar um ágio de até 30% para contar com os jogadores que fortaleçam o time e tornem possível o sonho de chegar à Primeira Divisão.

Por ora, os problemas envolvem os jogadores de ataque, sempre mais visados e cobiçados. Nicolas, apesar de atravessar um momento de baixa, tem condições de reeditar em 2024 o desempenho apresentado quando vestiu a camisa alviceleste. Sua contratação certamente merece atenção e persistência dos dirigentes.

O meio-campo vem logo a seguir na lista de urgências, pela dificuldade em encontrar jogadores de qualidade e experiência. Nesta temporada, o Remo sofreu com o excesso de peças pouco confiáveis. Rodriguinho, Richard Franco, Galdezani, Gustavo Buchecha, Álvaro, Laranjeira, Marcelo, Claudinei e Pablo Roberto foram contratados e não responderam positivamente às carências da equipe.

No PSC, o acesso obtido com a espetacular reação a partir da 13ª rodada deixou em segundo plano os muitos equívocos na formação de elenco. Desta vez, com mais tempo (e recursos) para trabalhar, errar nas escolhas será um pecado imperdoável.

Bola na Torre

O programa começa às 22h, na RBATV, com apresentação de Guilherme Guerreiro e participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. A movimentação da dupla Re-Pa em busca de reforços é um dos temas em debate. A edição é de Lino Machado.

A incredulidade e a esperança cabem na mesma frase

“Ser botafoguense é uma emoção única. Depois dos últimos inacreditáveis jogos, resta sorrir e seguir. Penso nas dissertações e teses acadêmicas que o nosso Glorioso, em sua campanha de 2023, propiciará. E ainda temos duas partidas em que, realmente, tudo pode acontecer”.

Flávio Dino, ministro da Justiça e alvinegro juramentado

CBF talvez precise alterar planos quanto a Ancelotti

Carlo Ancelotti, que a CBF anunciou como técnico da Seleção Brasileira a partir do ano que vem, continua enigmático quanto a aceitar o cargo. No começo, parecia mera preocupação em não ferir cláusulas contratuais com o Real Madrid. Agora, porém, outros aspectos entram em cena e podem melar o acordo.

Depois que José Mourinho definiu como maluco o profissional que recusa uma oferta do Real, em entrevista citada aqui na coluna, Ancelotti fez questão de concordar com ele. Pode ter sido mero fraseado, mas soou também como um recado direto aos dirigentes da CBF.

Os riscos de uma punição à entidade, após os selvagens episódios da partida com a Argentina no Maracanã, também podem afastar ainda mais o treinador italiano. Sem esquecer, é claro, que a Seleção está a perigo nas Eliminatórias e terá que fazer uma campanha de recuperação em 2024, a fim de evitar o vexame de não ir à Copa pela primeira vez.

Engraçado é que Mourinho, que soltou aquela frase sobre o Real, é apontado pelo tabloide fofoqueiro Daily Mirror como interessado em treinar o Brasil. Atualmente na Roma, o Special One estaria acompanhando a situação e admitiu recusar propostas milionárias da Arábia Saudita pelo desejo de assumir a Seleção canarinho.

Mourinho tem contrato com a Roma até junho do próximo ano, e é dado como certo que não deve renovar. Depois de passar pelo Tottenham sem destaque maior, ele deu a volta por cima após levar a Roma a conquistar a Liga Conferência, o primeiro título continental do clube italiano.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 03)