Ancelotti mais longe da Seleção

POR GERSON NOGUEIRA

Um fiapo da conversa mantida entre o técnico Carlo Ancelotti e o brasileiro Endrick, em visita ao Real Madrid neste fim de semana, revela o que quase todo mundo já desconfiava: o suposto acordo entre Ancelotti e a CBF para treinar a Seleção a partir do segundo semestre de 2024 não existe mais, se é que chegou mesmo a existir.

Em gozo de férias no Palmeiras após o Campeonato Brasileiro, Endrick foi convidado pelo futuro clube para visitar as instalações do Santiago Bernabéu e visitar os vestiários, para conhecer os jogadores. Ele se apresentará ao Real em julho de 2024, na primeira janela europeia após completar 18 anos. Instalado nas tribunas, ao lado da família, ele viu o time merengue bater o Villarreal por 4 a 1.

O momento crucial, tema deste comentário, ocorreu quando Endrick foi cumprimentar os futuros colegas e o técnico. Segundo a ESPN, o atacante foi abraçado por Ancelotti e este foi objetivo: “Conto com você aqui a partir de julho”. Se está contando com Endrick em Madrid, o italiano não vem mesmo assumir a Seleção.

Desde que um pré-acordo entre CBF e Ancelotti foi ventilado no final do ano passado pelo então presidente Ednaldo Rodrigues ficou no ar um clima de ceticismo. Todos sabem o quanto os técnicos de ponta na Europa preferem clubes a seleções, mas o cartola insistiu.

Por restrições contratuais, Ancelotti nunca fez qualquer menção ao entendimento com a CBF. No Brasil, a coisa foi levada a sério e um técnico temporário foi escolhido. Fernando Diniz assumiu sabendo que seria substituído no segundo semestre de 2024.

É possível que realmente haja um substituto, mas dificilmente será Ancelotti. Em entrevista recente, ele concordou com a famosa frase de José Mourinho, para quem só um maluco recusa proposta do Real Madrid.

As recentes turbulências políticas na entidade brasileira também não contribuem para que um profissional em situação estável no maior clube de futebol do mundo resolva trocar de emprego.

Ednaldo perdeu o cargo, a CBF está sob intervenção até janeiro e uma nova eleição vai acontecer. Fantasmas do passado voltam a assombrar os corredores da confederação, ameaçando retomar as rédeas através de apaniguados e laranjas.

Convenhamos, não é um ambiente convidativo para ninguém. A frase de Ancelotti para Endrick foi, mesmo de forma indireta, uma declaração sobre suas intenções em relação à Seleção.

Leão acerta com possível substituto de Vinícius

O Remo deve anunciar, nos próximos dias, o goleiro Marcelo Rangel, de 35 anos, como o 12º contratado do clube para a temporada de 2024. O arqueiro era reserva de Tadeu no Goiás nas últimas três temporadas. Ficou no clube alviverde por sete anos.

Rangel vem com credenciais para ser o sucessor do ídolo Vinícius, que estaria disposto a se aposentar após o encerramento de contrato com o Remo no próximo mês de março. Vinícius não oficializou essa decisão, mas no clube são fortes os comentários nesse sentido.

Parte da torcida olha para o veterano com certa desconfiança, depois de falhas na Série C 2022. A maioria, porém, admira e confia no potencial do goleiro, um dos mais longevos da história moderna do Remo. E não esquece as inúmeras ocasiões em que salvou o Leão.

Reconhecido como grande profissional, pelo comprometimento e disciplina, Vinícius tem história consolidada no clube. Rangel, se confirmada a contratação, terá uma dura missão pela frente: substituir uma lenda no gol azulino.

Para aumentar faturamento, Fifa inventa mais 2 torneios

No afã de garantir mais receita e abarrotar ainda mais os cofres, a Fifa confirmou ontem o que já havia anunciado em Doha, no ano passado. A criação de um novo torneio anual de clubes que reunirá campeões continentais. Não se tratará mais do Mundial, que passa a ser jogado de quatro em quatro anos, com 32 times.

Nenhuma garantia de que a disputa será mais democrática e vantajosa para os clubes brasileiros. A partir de 2024, a competição passa a se chamar Copa Intercontinental. Ao contrário do formato atual, apenas o campeão europeu entra depois na disputa, direto na final.

Os demais campeões continentais, incluindo o da Conmebol, terá que disputar um playoff para definir o outro finalista. Antigamente, a Copa Intercontinental, reconhecida como o embrião do Mundial de Clubes, reunia apenas o campeão da América do Sul e da Europa.

O playoff intercontinental terá duas fases. A primeira será entre os campeões da Ásia e da África, que se alternarão para enfrentar, em casa, o campeão da Oceania. Quem passar, pega a equipe da Ásia ou da África.

A 2ª etapa envolve o campeão da Libertadores, que vai enfrentar o campeão da Concacaf em jogo único na casa de um dos dois clubes. Para definir o finalista para encarar o campeão europeu, os vencedores das duas fases se enfrentam em jogo único.

Já o Super Mundial de Clubes acontecerá daqui a dois anos, entre 15 de junho e 13 de julho, tendo os EUA como país-sede. Por conta disso, Flamengo, Fluminense e Palmeiras podem ficar ausentes do calendário brasileiro por até 29 dias. O novo formato da competição terá 32 times envolvidos, incluindo os três do Brasil.

Dona Fifa, obviamente, depois de praticamente esgotar as possibilidades de faturamento com a Copa de seleções, parte agora para explorar a popularidade crescente dos clubes. Com isso, inventou um novo torneio intercontinental e um Mundial de clubes a cada quatro anos. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 18)

Um comentário em “Ancelotti mais longe da Seleção

  1. José Mourinho, técnico da Roma disse, em entrevista à rádio italiana RAI, que “só um louco deixaria o Real Madrid“, ao expor sua opinião sobre a possível saída de Carlo Ancelotti do time merengue para comandar a seleção brasileira. Também acho isso.

    Fazer o campeão da Libertadores jogar uma espécie de eliminatória para chegar a disputar o título do mundial de clubes só coloca o futebol sul-americano no seu devido lugar hoje. Apesar do título mundial de seleções da Argentina, o futebol sul-americano vem descendo a ladeira no quesito prestígio.

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