Grande mídia faz campanha para desonerar folha, mas omite que setor é beneficiado

Por Chico Alves, no ICL Notícias

Desde que o presidente Lula anunciou, na sexta-feira (24), o veto à prorrogação da desoneração da folha de pagamentos de 17 setores da economia, que começou em 2012 e terminaria este ano, a imprensa abriu amplo espaço para políticos, empresários e especialistas contrários à decisão. O argumento do presidente e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é que o projeto é contrário ao interesse público, já que impede o governo de reduzir o déficit público, e é inconstitucional. No noticiário dos jornais, TVs e rádios a desoneração atinge “os setores que mais empregam no país” – algo que não corresponde à realidade.

O principal argumento dos empresários é justamente poder aumentar postos de trabalho. Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostra que esse pretexto não é verdadeiro: os nichos beneficiados reduziram a participação total no número de empregados de 20,1% para 18,9%, de 2012 a 2022. Já os trabalhadores com carteira assinada do setor privado registraram queda de 22,4% para 19,7%. Isso contraria a argumentação de figuras como a deputada Anny Ortiz (Cidadania-RS), que no Jornal Nacional de sexta-feira disse que a desoneração prejudica “milhões de empregos”.

Está oculto um importante aspecto que motiva a abertura de espaço desproporcional na mídia para todos os que são contra o veto do governo e para os políticos que prometem derrubá-lo antes do início do recesso parlamentar: entre os setores beneficiados pela desoneração da folha de pagamentos estão os próprios veículos de comunicação. Ou seja: sem que isso seja informado ao público, o setor faz campanha em causa própria.

Como as demais áreas produtivas beneficiadas pelo incentivo fiscal, também os veículos de imprensa reduziram o nível de emprego desde 2012, quando a desoneração começou a valer.

  • Edição e edição integrada a impressão (relativo a livros, jornais, revistas e outras publicações)  – desempregou no período 62 mil
  • Rádio e TV – desempregou 10 mil

Para Isac Falcão, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco), o estudo mostra que o principal argumento em favor desse benefício não se sustenta.

“Se a gente comparar os setores que foram desonerados com aqueles que não foram, ao contrário do que foi propagandeado quando foram decididas as desonerações, esses nichos não geraram mais empregos do que aqueles que mantiveram a cobrança regular da contribuição previdenciária. Pelo contrário, o estudo do Ipea mostra que o nível de emprego nesses setores caiu”, comenta.

As áreas que mais desempregaram foram

  • Construção e incorporação de edifícios  – Perdeu quase 600 mil postos de trabalho
  • Calçados – Perdeu 137 mil postos de trabalho
  • Têxteis – Perdeu mais de 100 mil postos de trabalho
  • Vestuário e acessórios – Perdeu mais de 100 mil postos de trabalho
  • Impressão e reprodução de gravações – Perdeu quase 70 mil

“A medição prova que esse não é um instrumento eficaz para a manutenção ou geração de empregos. Isso não é uma opinião minha, os números mostram isso”, afirma Isac Falcão..

O presidente do Sindifisco aponta outro efeito negativo da desoneração é a transferência do ônus para outros nichos da economia.

“Os benefícios previdenciários continuam sendo pagos, então acontece um deslocamento do custeio dos benefícios para outros setores da economia. Ou seja, outros nichos pagarão pelos que estão sendo desonerados”, diz ele. “Quando setores de alta capacidade deixam de pagar e setores de igual ou menor capacidade continuam a pagar, temos uma injustiça tributária”.

Negociação não avança e Mário Sérgio fica mais distante do PSC

Por Magno Fernandes

Principal destaque na temporada por ter sido o artilheiro da equipe com 22 gols marcados, e quem mais vestiu a camisa alviceleste com 44 jogos disputados, o Paysandu tem enfrentado dificuldades para conseguir definir a renovação do atacante Mário Sérgio.

E, como o contrato de empréstimo junto ao Mirassol-SP se encerrou no último dia 20 de novembro, as negociações ficaram difíceis para o lado azul celeste. Desde o fim da participação na Série C, no último 8 de outubro, os dirigentes do Papão buscam o acerto com o Mirassol.

“Mário Sérgio é um jogador que interessa e que teve regularidade nesse ano, só que ele tem um contrato com o Mirassol. Estamos aguardando um desfecho, já tivemos uma conversa e estamos negociando para ver se avança, pois o interesse do Mirassol é vender o percentual do atleta”, afirmou o vice-presidente do Paysandu, Roger Aguilera.

Como o Mirassol só negocia o atacante através da venda do seu percentual – ou seja, os direitos econômicos do atleta –, segundo apurado pela reportagem em conjunto com o jornalista Lucas Rossalfa, a pedida do time paulista é de R$ 600 mil.

O valor é considerado completamente fora da realidade financeira do Paysandu, que propõe aumento salarial ao atacante para permanência na Curuzu. Caso o Paysandu não consiga definir o acerto com Mário Sérgio, a diretoria do Mirassol deverá contar com o centroavante para a disputa do Campeonato Paulista.

Para não esquecer Pessoa

O Pastor Amoroso

(Alberto Caeiro)


O amor é uma companhia
O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

10-7-1930


“O Pastor Amoroso”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa.