Goleiro abre a lista de reforços

POR GERSON NOGUEIRA

Diogo Silva é o primeiro nome confirmado pela diretoria do PSC para a temporada de 2024. Vem para ser titular, levando em conta que acabou de sair de um trabalho muito elogiado no CRB-AL na Série B. Estava no clube alagoano desde 2021, sempre com muita segurança e desempenho de alto nível.

Apesar de não ter sido um nome muito especulado no clube, Diogo tinha contrato assinado com o Papão, aguardando apenas o final da Série B e o anúncio oficial da diretoria alviceleste.

Aos 37 anos, o goleiro tem um histórico de poucas lesões. Atuou 58 vezes pelo CRB na temporada, sempre como titular inquestionável. Antes, atuou no Vasco da Gama, XV de Piracicaba, Luverdense e Ceará.

O acerto com o PSC tem duração de um ano e, apesar de não haver garantia tácita de que será o titular, é óbvio que a experiência de Série B deve garantir a ele a camisa número 1, mesmo com a presença de Matheus Nogueira, que teve um desempenho impecável na Série C.

Ao mesmo tempo, os dirigentes negaram ter interesse na aquisição do lateral-esquerdo Evandro, que defendeu o Remo neste ano, e garantiram que o também ex-azulino Brenner está fora dos planos. O atacante, que defendeu o Remo em 2021, está no Sporting Cristal, do Peru.

É claro que negativas de dirigentes às vezes são estratégias para despistar ou mesmo evitar a supervalorização de determinados atletas. Independentemente disso, Brenner seria uma grande contratação, até porque o PSC segue sem nomes para o ataque depois que as negociações com Mário Sérgio não avançaram.

A fim de saciar a expectativa da torcida, o clube deve soltar até sábado novos nomes da extensa lista de reforços para 2024.

Dirigente vaza negociação do Leão com artilheiro

No Remo, as coisas estão no terreno das especulações, embora algumas com fortes indícios de verdade. É o caso de uma negociação encaminhada com o atacante Ítalo, que disputou a Série B pelo Sampaio Corrêa e terminou a competição como vice-artilheiro, com 13 gols.

Veterano, 35 anos, com passagens por vários clubes, Ítalo teve uma temporada primorosa. Foi o principal destaque do time maranhense, com gols importantes na Série B, mas insuficientes para impedir a queda.  

Meio por acidente, a negociação entre o Remo e o jogador veio à tona através de uma declaração do presidente do Sampaio, Sérgio Frota, em entrevista à TV do clube. Ao comentar a reformulação no elenco, ele afirmou que uma saída certa é a de Ítalo.

“Seis clubes estavam interessados em Ítalo. Eu fui até onde podia para renovar e ele é muito grato ao Sampaio, mas o Remo ofereceu R$ 100 mil”, informou Sérgio Frota. Óbvio que a diretoria azulina não confirma a negociação, muito menos a proposta citada.

Comenta-se no clube que, com base na influência de Sérgio Papellin junto ao Fortaleza, pode haver um acordo entre os dois clubes para que atletas do elenco tricolor sejam cedidos ao Remo em sistema de salários divididos. É uma alternativa que pode ser interessante para os dois lados.

Um futebol à beira da falência completa

Em comentário enviado à coluna, o amigo Armando Mourão critica o atual estágio do futebol no Brasil, expresso na pífia participação da Seleção Brasileira nas Eliminatórias Sul-Americanas. Segundo ele, a história recente do futebol brasileiros ocupou-se apenas em revelar um turbilhão de talentos, contudo, relegando a plano secundário a questão tática, partindo da certeza de que jogadores talentosos, invariavelmente, decidiriam jogos.

“O talento segue operando a diferença desde os tempos em que nossos treinadores eram tratados como ‘distribuidores de camisas’, ‘árbitros de treinos’, a partir da mística de que técnico não ganha jogo. Contudo, se percebe de forma límpida que nosso celeiro de craques se esvazia ao longo do tempo decorrente das importações, aliada ao abandono das bases de onde são originários”, afirma.

“A atual Seleção, por exemplo, carece dos craques que a consagraram, na mesma proporção em que nossos treinadores não evoluíram, relegando a plano inferior o aporte de conhecimentos, assim como, dispensaram a necessidade básica de aprimorar conhecimentos táticos. A partir da década de 1990 apenas um fator marcou a evolução dos treinadores: o aumento da conta bancária, assim como, a preocupação em disputar com os jogadores a auréola de estrelas do espetáculo embora satisfeitos com a simples penumbra”.

“Hoje, o que se vislumbra, respeitadas raríssimas exceções são demonstrações de arrogância e prepotência, perceptíveis com assustadora frequência, associada a alta dose de vaidade e subserviência. Presentemente a seleção brasileira depende da boa vontade de um determinado treinador, especulado para assumir seu destino, todavia, afeito ao exterior, onde vive cercado de bajulação e paparico, enquanto saboreamos a convivência grosseira e inóspita com Fernando Diniz, comprovadamente treinador de clube onde dispõe do tempo necessário para treinamento, diferentemente da seleção que reúne jogadores por tempo determinado, inexistindo dessa forma qualquer possibilidade em alterar características ou posicionamento de cada jogador”, complementa Mourão.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 30)

Kissinger morreu. O mundo que criou continua fazendo vítimas

Por André Forastieri

Morreu Henry Kissinger, rico e festejado, aos cem anos. Chovem homenagens de líderes mundiais e intelligentsia mainstream. Era um bosta e sobram provas. Christopher Hitchens eviscerou o criminoso de guerra número um dos EUA em “O Julgamento de Kissinger”, que você pode comprar por dez reais aqui. Li uns pedaços, nunca inteiro. Fiz igual com seus livros esculhambando Madre Tereza de Calcutá e Deus. Tenho opinião bem formada sobre os pecados dos três personagens. Tristemente não há inferno para Kissinger passar lá a eternidade, expurgando seus infinitos crimes.

A influência de Kissinger segue poderosa e nociva. Vivemos sob sua sombra, especialmente no terceiro mundo. Jamais terá perdão – não que isso ajude suas vítimas em alguma coisa. A antologia “The Quotable Hitchens” coleciona algumas citações inspiradas de Hitch sobre Kissinger.

Hitchens brindaria à autópsia conduzida por Spencer Ackerman em seu obituário do vilão, publicado na Rolling Stone. Porque Spencer não caricatura Kissinger como monstro, mesmo evidenciando seu mau-caráter, mentiras e subserviência abjeta.

O ponto de Ackerman é que Kissinger foi e é útil. Era a personificação pura do pragmatismo excepcionalista, onde crueldade sem limites se justifica pela boa taxa de retorno sobre o investimento. Especialmente quando as vítimas não são “gente como a gente”, latinos, africanos, árabes, asiáticos, escurinhos em geral.

Spencer é um premiado e combativo jornalista e autor americano, com passagens por Wired, Daily Beast, Guardian e mais. O texto está na íntegra aqui. Spencer tem uma newsletter no Substack, “Forever Wars”, e você pode assinar aqui.

Alguns trechos, rapidamente pinçados e traduzidos:

“Todas as pessoas que morreram no Vietnam entre o outono de 1968 e a queda de Saigon – e todas as que morreram no Laos e no Camboja, onde Nixon e Kissinger expandiram secretamente a guerra poucos meses após tomarem posse, bem como todas as que morreram na sequência, tal como o genocídio cambojano, a sua desestabilização foi desencadeada – morreram por causa de Henry Kissinger.”

No Chile, Kissinger ajudou a construir um modelo para o mundo em que vivemos atualmente. “Henry via Allende como uma ameaça muito mais séria do que Castro”, disse Morris, funcionário de Kissinger, a Seymour Hersh. “Allende foi um exemplo vivo de reforma social democrática na América Latina.” Kissinger e a CIA decidiram derrubar Allende poucos dias após a eleição de Allende.

As câmaras de tortura de Pinochet foram a maternidade do neoliberalismo, um bebê parido por Kissinger, sangrento e gritando. Esta foi a “ordem mundial justa e liberal” , que Hillary Clinton considerou a grande obra da vida de Kissinger.

Kissinger não foi menos fundamental na expansão das fronteiras onde o poder militar americano poderia operar. Descobriu-se que o bombardeamento secreto do Camboja e do Laos, que durou anos, representou um modelo.

O consenso Cambridge-Washington não estava preparado em 1970 para aceitar que os EUA tinham o direito de destruir o “porto seguro” de um grupo inimigo num país com qual não estava em guerra. Nem fazer isso em segredo, protegendo assim uma guerra do escrutínio público.

Depois do 11 de Setembro, essas premissas foram aceitas, e se tornaram pilares fundamentais de uma Guerra ao Terror que permitiu a quatro presidentes bombardear, durante 20 anos, paquistaneses, iemenitas, somalis, líbios, sírios e outros.

O homem que reposicionou a política externa dos EUA como uma barreira entre a Rússia e a China viveu o suficiente para ver a Declaração de 4 de Fevereiro unindo Moscou e Pequim. As forças reacionárias que ele incentivou a nível interno e externo estão provando ao mundo que a ordem internacional baseada em regras tem tudo a ver com o capitalismo e não com a democracia.

Nem uma só vez, no meio século que se seguiu à saída de Kissinger do poder, os milhões que os Estados Unidos mataram tiveram importância para a sua reputação, exceto para confirmar uma crueldade que os especialistas às vezes consideram excitante. A América, como qualquer império, defende os seus assassinos de Estado.”

Henry Kissinger recriou a política internacional em benefício do império e seus acólitos, uma côrte de criminosos. Por eles foi e é festejado. Seguem por aí, perpetuando o mundo que ele tanto ajudou a construir, e faturando firme. Roguemos a praga: que não tenham a morte tranquila de Henry Kissinger.

Mudança com responsabilidade

POR GERSON NOGUEIRA

Da apresentação do novo executivo de futebol do Remo, Sérgio Papellin, ficou a certeza de que a diretoria recém-empossada tem absoluta noção da responsabilidade perante o torcedor. A busca pelo acesso é prioridade máxima, mas o clube não está disposto a fazer loucuras, meter os pés pelas mãos, para alcançar esse objetivo.

A contratação de Papellin expõe essa mentalidade. Ao invés de tentar contratar um profissional sem conhecimento maior sobre o Remo e suas particularidades, a diretoria foi atrás de um nome consagrado na área e que sabe onde está pisando.

O estilo despojado e sem rodeios de Papellin já se faz notar desde as primeiras entrevistas. Tem consciência do grau de dificuldade que enfrentará no processo de recuperação do futebol azulino.

Comentou que, quando chegou no Fortaleza, em 2017, o cenário era muito mais complicado que o do Remo atual: “Lá estava pior do que aqui. Oito anos de Série C, três meses de salários atrasados, de jogadores e funcionários. Dificuldades e uma pressão muito grande da torcida. Era muito difícil assumir o Fortaleza naquele momento”.

Quis, dessa forma, deixar claro que a evolução administrativa do Remo nos últimos cinco anos é um fator de estabilização, que facilita o trabalho a ser desenvolvido. O clube tem hoje credibilidade no mercado e passou a ser alvo do interesse de atletas de outras divisões.

Papellin confirma que havia sido nomeado pelo presidente do Fortaleza para assumir um cargo importante na SAF do clube, a partir de 2024. Ocorre que falou mais alto o desafio pessoal de retornar ao clube onde praticamente começou a carreira.

Alega que precisava se “remotivar” e esse estado de espírito coincidiu com o convite do presidente Antônio Carlos Teixeira para assumir o futebol do Leão. É inegável que num processo que revela ampla satisfação de todas as partes envolvidas a possibilidade de êxito é muito maior.

Papellin terá três anos para ajudar o Remo a deixar a Série A e se recolocar na Série B, livre da turbulência e dos muitos erros que sacrificaram o acesso de 2021. Desta vez, há planejamento e responsabilidade, aspectos que fazem muita diferença.

Não é só futebol, tem muita maracutaia também

Um peixe grande entrou na mira do Ministério Público de Goiás na 3ª fase da Operação Penalidade Máxima. Ações policiais são empreendidas para apurar possíveis fraudes em resultados de partidas de futebol. Um dos jogos sob investigação é Flamengo x Avaí válido pela 38ª rodada do Brasileiro 2022, no qual o time rubro-negro perdeu por 2 a 1, no Maracanã.

Não há informação sobre o fato que está sob observação dos responsáveis pela operação. Outras duas partidas da Série B 2022 e mais quatro de campeonatos estaduais estão na mira do Ministério Público.

Náutico 1 x 3 Sampaio Corrêa e Criciúma 2 x 1 Náutico, pela Série B. Dos certames estaduais, os jogos suspeitos são Goiânia 2 x 1 Aparecidense e Goiás 2 x 0 Goiânia, pelo Campeonato Goiano de 2023; Nacional 2 x 1 Auto Esporte e Sousa 4 x 0, pelo Campeonato Paraibano deste ano.

Para chegar ao jogo Flamengo x Avaí, o MP goiano resgatou uma conversa por aplicativo entre apostadores, na terceira fase da operação Penalidade Máxima. O homem foi identificado como Romário Hugo dos Santos.

Nas mensagens contidas no celular apreendido, ele revela que o esquema consistia de aliciar “2 zagueiros e 1 goleiro” para o Avaí “tomar cinco gols”. O placar final de 2 a 1 aparentemente descarta o êxito do esquema, mas o gol contra marcado pelo zagueiro Wellington, de cabeça, aos 42 minutos do 1º tempo, despertou suspeita.

A operação desfechada pelo MP pode chegar a outras falcatruas, incluindo jogos desta temporada das séries A e B, alguns suspeitíssimos. Desde que as apostas passaram a fazer parte do cardápio futebolístico todo e qualquer jogo deve ser cuidadosamente observado.

STJD queima os últimos vestígios de credibilidade

Os torcedores (baderneiros) do Cruzeiro invadiram o campo, saíram no tapa e interromperam a partida contra o Coritiba. O clube teve apenas um jogo de portões fechados, diante do Vasco, semana passada. Começa aí um comparativo que não deixa dúvida quanto às preferências do STJD.

O Vasco, por muito menos do que ocorreu em Curitiba, teve o estádio de São Januário interditado e jogou quatro rodadas sem público. O procurador do tribunal ainda recorreu da decisão. Queria pena mais rigorosa ainda.

Além do afrouxamento em relação ao Cruzeiro, há o caso do Santos, que foi punido com dois jogos de portões fechados, mas cujo processo aguarda julgamento desde setembro.

O Cruzeiro pode ser apenado com mais jogos, mas o julgamento foi adiado e não tem data para acontecer. Por essa razão, o Cruzeiro conseguiu liberação e vai contar com a sua torcida contra o Athletico-PR, amanhã.

É natural que os vascaínos, em luta direta com o Cruzeiro contra o rebaixamento, protestem contra a diferença de tratamento. O clube foi prejudicado por ficar sem torcida em quatro partidas. 

Não é a primeira e certamente não será a última que o STJD fica na berlinda em meio a exigência de paridade em suas decisões. A triste realidade é que a corte suprema do desporto no país tem sido pródiga em fazer com que a justiça que rege o futebol seja vista como piada.

A diferença brutal entre a Seleção e os clubes

Acompanhei dois jogos de Raphinha pelo Barcelona nos últimos dias. No fim de semana, entrou no segundo tempo contra o Rayo Vallecano e contribuiu para evitar a derrota do time de Xavi. Jogou com desembaraço, driblou sem medo e botou até uma bola na trave.

Ontem, pela Champions League, foi novamente figura de destaque diante do Porto. Saiu aplaudido pela torcida. Bem diferente do jogador tímido e pouco contundente dos jogos da Seleção Brasileira. Alguma coisa está funcionando às avessas com o escrete canarinho. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 29)

Rock na madrugada – Bob Dylan, “Masters of War”

Deixe-me fazer uma pergunta
Seu dinheiro é tão bom?
Isso vai te comprar perdão?
Você acha que poderia?
Eu acho que você vai encontrar
Quando sua morte cobra seu preço
Todo o dinheiro que você ganhou
Nunca comprará de volta sua alma”.

Tão poderosa quanto a letra pacifista de Masters of War é a presença de Mick Taylor nesta apresentação (de julho de 1984, no estádio de Wembley) e ao longo de toda a turnê que reapresentou Bob Dylan ao mundo. E o bardo se cercou de um timaço – Mick Taylor (guitarra), Collin Allen (bateria), Ian McLagen (piano) e Greg Sutton (baixo). Produção de Glyn Johns.

Os afiados solos do jovem Mick Taylor, que havia deixado os Rolling Stones, tornaram a excursão europeia ainda mais consagradora pelo surpreendente entrosamento dele com Bob Dylan.

Masters of War é de 1963 quando Dylan namorava Suze Rotolo e alternava canções poéticas com comentários ácidos sobre a indústria armamentista norte-americana em plena Guerra Fria. O poeta diz que os mestres da guerra se escondiam em suas mesas de trabalho, mas era possível vê-los “através de suas máscaras”. Era um tempo em que o rock se levava a sério.

Assim como fez em Girl From North Country, Boots of Spanish Leather e Blowin’ in the Wind Dylan tomou emprestado a melodia de uma canção tradicional. Em Masters of War a música de referência é a inglesa Nottamus Town.

Grande mídia faz campanha para desonerar folha, mas omite que setor é beneficiado

Por Chico Alves, no ICL Notícias

Desde que o presidente Lula anunciou, na sexta-feira (24), o veto à prorrogação da desoneração da folha de pagamentos de 17 setores da economia, que começou em 2012 e terminaria este ano, a imprensa abriu amplo espaço para políticos, empresários e especialistas contrários à decisão. O argumento do presidente e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é que o projeto é contrário ao interesse público, já que impede o governo de reduzir o déficit público, e é inconstitucional. No noticiário dos jornais, TVs e rádios a desoneração atinge “os setores que mais empregam no país” – algo que não corresponde à realidade.

O principal argumento dos empresários é justamente poder aumentar postos de trabalho. Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostra que esse pretexto não é verdadeiro: os nichos beneficiados reduziram a participação total no número de empregados de 20,1% para 18,9%, de 2012 a 2022. Já os trabalhadores com carteira assinada do setor privado registraram queda de 22,4% para 19,7%. Isso contraria a argumentação de figuras como a deputada Anny Ortiz (Cidadania-RS), que no Jornal Nacional de sexta-feira disse que a desoneração prejudica “milhões de empregos”.

Está oculto um importante aspecto que motiva a abertura de espaço desproporcional na mídia para todos os que são contra o veto do governo e para os políticos que prometem derrubá-lo antes do início do recesso parlamentar: entre os setores beneficiados pela desoneração da folha de pagamentos estão os próprios veículos de comunicação. Ou seja: sem que isso seja informado ao público, o setor faz campanha em causa própria.

Como as demais áreas produtivas beneficiadas pelo incentivo fiscal, também os veículos de imprensa reduziram o nível de emprego desde 2012, quando a desoneração começou a valer.

  • Edição e edição integrada a impressão (relativo a livros, jornais, revistas e outras publicações)  – desempregou no período 62 mil
  • Rádio e TV – desempregou 10 mil

Para Isac Falcão, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco), o estudo mostra que o principal argumento em favor desse benefício não se sustenta.

“Se a gente comparar os setores que foram desonerados com aqueles que não foram, ao contrário do que foi propagandeado quando foram decididas as desonerações, esses nichos não geraram mais empregos do que aqueles que mantiveram a cobrança regular da contribuição previdenciária. Pelo contrário, o estudo do Ipea mostra que o nível de emprego nesses setores caiu”, comenta.

As áreas que mais desempregaram foram

  • Construção e incorporação de edifícios  – Perdeu quase 600 mil postos de trabalho
  • Calçados – Perdeu 137 mil postos de trabalho
  • Têxteis – Perdeu mais de 100 mil postos de trabalho
  • Vestuário e acessórios – Perdeu mais de 100 mil postos de trabalho
  • Impressão e reprodução de gravações – Perdeu quase 70 mil

“A medição prova que esse não é um instrumento eficaz para a manutenção ou geração de empregos. Isso não é uma opinião minha, os números mostram isso”, afirma Isac Falcão..

O presidente do Sindifisco aponta outro efeito negativo da desoneração é a transferência do ônus para outros nichos da economia.

“Os benefícios previdenciários continuam sendo pagos, então acontece um deslocamento do custeio dos benefícios para outros setores da economia. Ou seja, outros nichos pagarão pelos que estão sendo desonerados”, diz ele. “Quando setores de alta capacidade deixam de pagar e setores de igual ou menor capacidade continuam a pagar, temos uma injustiça tributária”.

Negociação não avança e Mário Sérgio fica mais distante do PSC

Por Magno Fernandes

Principal destaque na temporada por ter sido o artilheiro da equipe com 22 gols marcados, e quem mais vestiu a camisa alviceleste com 44 jogos disputados, o Paysandu tem enfrentado dificuldades para conseguir definir a renovação do atacante Mário Sérgio.

E, como o contrato de empréstimo junto ao Mirassol-SP se encerrou no último dia 20 de novembro, as negociações ficaram difíceis para o lado azul celeste. Desde o fim da participação na Série C, no último 8 de outubro, os dirigentes do Papão buscam o acerto com o Mirassol.

“Mário Sérgio é um jogador que interessa e que teve regularidade nesse ano, só que ele tem um contrato com o Mirassol. Estamos aguardando um desfecho, já tivemos uma conversa e estamos negociando para ver se avança, pois o interesse do Mirassol é vender o percentual do atleta”, afirmou o vice-presidente do Paysandu, Roger Aguilera.

Como o Mirassol só negocia o atacante através da venda do seu percentual – ou seja, os direitos econômicos do atleta –, segundo apurado pela reportagem em conjunto com o jornalista Lucas Rossalfa, a pedida do time paulista é de R$ 600 mil.

O valor é considerado completamente fora da realidade financeira do Paysandu, que propõe aumento salarial ao atacante para permanência na Curuzu. Caso o Paysandu não consiga definir o acerto com Mário Sérgio, a diretoria do Mirassol deverá contar com o centroavante para a disputa do Campeonato Paulista.

Para não esquecer Pessoa

O Pastor Amoroso

(Alberto Caeiro)


O amor é uma companhia
O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

10-7-1930


“O Pastor Amoroso”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa.

Lula indica Flávio Dino para o STF e Paulo Gonet para a PGR

Demorou mais de 60 dias a espera, mas as apostas se confirmaram: o presidente Lula da Silva (PT) confirmou há pouco o nome do senador licenciado Flávio Dino (PSB-MA) para a vaga de Rosa Weber, no Supremo Tribunal Federal. (Veja nota do Palácio do Planalto logo abaixo). A indicação estava sendo prevista desde o final de semana e se confirmou após uma reunião entre o presidente e o ministro da Justiça e Segurança Pública.

Há pouco, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) disse que a indicação deve ser analisada e votada até o dia 15 de dezembro. Dino será sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça e depois seu nome segue para análise do plenário do Senado Federal.

O mesmo rito será seguido com a indicação de Paulo Gonet para a Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele também conversou com Lula da Silva hoje e teve seu nome confirmado.

As indicações devem ter maioria na CCJ e 41 votos no plenário do Senado. Para o jornalista e colunista do UOL, Tales Farias, Flávio Dino funcionará como uma liderança do governo Lula da Silva dentro do STF, embora, de maneira geral, a maioria tenha sempre votado de forma alinhada com posicionamentos do governo.

Segundo Tales, Dino vai funcionar como uma espécie de líder do governo no STF, da mesma forma como Nelson Jobim no governo FHC. Ele era considerado um nome forte, com conhecimento jurídico e muita proximidade com o presidente, exatamente como Dino é. Não existem restrições ao nome dele no Supremo. Seguramente, será um nome forte nesse novo desenho do Supremo.

Quanto a Paulo Gonet, havia especulação crescente quanto à sua escolha, mas sempre foi um nome que dividiu opiniões dentro do governo e principalmente no PT. Suas ligações com figuras radicais do bolsonarismo, como a deputada Bia Kicis, dificultam sua aceitação pelos setores mais ortodoxos da esquerda.

NOTA OFICIAL

“O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, encaminhou, nesta segunda-feira, 27 de novembro, ao presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, as indicações de Flávio Dino ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal e de Paulo Gonet ao cargo de procurador-geral da República”.

Embate STF x Senado: cientista político vê grande risco institucional para o país

Por Rudolfo Lago, no Correio da Manhã

E se o Supremo agora dissesse que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), não pode mais monocraticamente decidir se arquiva ou encaminha um pedido de impeachment? Para o cientista político e presidente do Instituto de Pesquisa Sociais Políticas e Econômicas (Ipespe), Antonio Lavareda, esse é o problema da escalada na briga entre os poderes que se instalou na semana passada com a aprovação pelo Senado da PEC que limita as decisões monocráticas dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). “É importante para a convivência democrática que cada aja somente no seu quadrado”, avaliou Lavareda ao Conselho Político “Os regimentos de todos os poderes preveem casos de decisões solitárias dos seus integrantes”.

Para Lavareda, parece evidente que a motivação do Senado ao aprovar a PEC foi política. “Quem acredita de fato que se tratou de algo que tinha realmente o objetivo de aperfeiçoamento das leis e da Constituição?”, provoca o cientista político. “Foi um troco da oposição ao STF”.

“Gostaria muito de encontrar alguma crítica dos que agora defenderam a PEC quando monocraticamente o ministro Gilmar Mendes impediu que a então presidente Dilma Rousseff tornasse Lula seu ministro”, continua provocando Antonio Lavareda.

Unidade dos poderes pós-8 de janeiro ficou abalada

De qualquer modo, o ano termina com um clima forte de tensão entre os poderes que não se via no primeiro semestre, marcado pela forte cena em que todos desceram juntos a rampa do Palácio do Planalto após as invasões e depredações do dia 8 de janeiro. “Agora, sem dúvida, ficou uma rusga entre o Executivo e o Judiciário que não havia”, comenta Lavareda, a respeito do voto favorável do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). “Lula já tratou de conversar com os ministros do STF, e é provável que esse episódio seja superado”, acredita o cientista político. O problema passa a ser o Senado, longe da docilidade de outrora.

Ferramenta de medição da atuação dos parlamentares, o Radar do Congresso, do site Congresso em Foco, mostra com clareza essa mudança de comportamento. Governismo do PP e Republicanos aumentou na Câmara e despencou no Senado desde outubro.

Após emplacarem dois ministros na Esplanada, PP e Republicanos têm um índice de governismo na Câmara de 74% e 77%, respectivamente. Já no Senado, o PP caiu de 61% para 59%, e o Republicanos caiu de 62% para 57%. Verdade que sempre foram mais oposicionistas.

Lavareda observa que todo esse clima está diretamente relacionado aos planos do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Davi Alcolumbre, que se uniu à oposição para tentar voltar à presidência do Senado em 2025, puxando também Pacheco.

No Senado, os dois partidos têm nomes mais hostis ao governo, com figuras como Ciro Nogueira (PP-PI), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Damares Alves (Republicanos-DF). Mas a queda reflete a atual escalada oposicionista do Senado, vista ultimamente.

A cruel arte da autossabotagem

POR GERSON NOGUEIRA

Um dos piores exercícios de crueldade a que um time pode submeter o seu torcedor é o que o Botafogo faz presentemente no Campeonato Brasileiro. Depois da campanha empolgante no turno, o time caiu verticalmente de rendimento, após sucessivas trocas de comando. A torcida, que não festeja o título nacional desde 1995, foi levada a acreditar que seria desta vez. A caminhada errática no returno indica que não.

Jogo após jogo, tudo fazia crer que ninguém impediria a chegada do Botafogo. Como ninguém impediu, o próprio Botafogo decidiu se autossabotar, caprichando na arte de se atrapalhar em jogos fáceis.

O mais recente capítulo dessa ópera se desenrolou ontem à tarde. Depois de sustentar um placar de 1 a 0 sobre o Santos, perdendo várias chances de gols e com o jogo controlado, o Botafogo recaiu no mesmo erro de outras partidas recentes. Descuidou e terminou entregando o ouro nos minutos finais.

É claro que a questão emocional é determinante para a debacle. Nenhum time desidrata tão rapidamente como ocorreu com o Botafogo. Da mesma forma, nenhum jogador desaprende de uma hora para outra, mas é fato que atletas que encantavam anteriormente – Tiquinho, Adryelson, Cuesta, Eduardo – ficaram irreconhecíveis.

As mudanças de direção tampouco ajudaram. Saiu Luís Castro, o construtor do time, e entrou Bruno Lage, com direito a um curto e vitorioso período com Cláudio Caçapa. Lage caiu após resultados ruins e o elenco apoiou a efetivação de Lúcio Flávio. Não deu certo. Veio Tiago Nunes, e continua a não dar certo.

Fica óbvio que o problema não está exatamente no comando, mas no processo de execução do planejamento de campo. A competência com que o Botafogo envolvia seus adversários, com velocidade e compactação do meio para frente, deixou de existir.

Cabe observar que um time que dispara na liderança passa a ser mais observado, mapeado nos mínimos detalhes. Não deve ter passado despercebido aos outros técnicos que a jogada mortal do Botafogo nascia de lançamentos longos de Eduardo para Tiquinho. De um momento para outro, o meia não encontrou mais brechas para lançar e seu futebol minguou.

O ataque se movimentava com velocidade pelas pontas, através de Victor Sá e Junior Santos. Ambos passaram a receber marcação dobrada e deixaram de ter espaço para explorar pelos lados.

Inconscientemente, o Botafogo passou a entrar em campo com a confiança abalada e duvidando de suas forças. O oposto do que ocorria antes, quando as seguidas vitórias funcionavam como fator de reforço emocional.

Para se reencontrar e evitar apagões como ocorreu diante de Palmeiras e Grêmio, o Botafogo terá que cuidar da cabeça. O problema, mais do que nunca, está na própria capacidade de se achar capaz de voltar a vencer.

Palmeiras lidera, mas a disputa segue embolada

A três rodadas do fim da competição, ninguém arrisca a cravar com segurança quem será o campeão brasileiro. A imprevisibilidade é a marca desta Série A. Palmeiras e Flamengo têm 63 pontos, sendo que a equipe paulista lidera por ter maior quantidade de gols marcados, uma vantagem que ainda pode ser superada.

Em terceiro lugar, o Botafogo soma 62 pontos e ainda sonha com a taça, apesar do longo jejum de vitórias. O Atlético-MG é o quarto, com 60 pontos, seguido pelo Grêmio, quinto colocado com 59, e pelo Bragantino, o sexto, também com 59.

São maiores as probabilidades de título para os quatro primeiros, embora Grêmio e Bragantino não possam ser descartados. Vai depender muito da próxima rodada, que tem o Palmeiras enfrentando o rebaixado América-MG, o Flamengo contra o Atlético no Maracanã e o Botafogo encarando o também rebaixado Coritiba.

A sequência palmeirense é claramente a mais favorável. Terá nas últimas rodadas o Fluminense e o Cruzeiro como adversários. O Flu vai poupar os titulares, em função da preparação para o Mundial de Clubes. Fecha a campanha diante do Cruzeiro, que pode chegar ao jogo já rebaixado.

Além do Galo, o Flamengo joga com o Cuiabá (em casa) e com o São Paulo (fora). Dois adversários que já não correm nenhum risco e não aspiram mais nada na competição. Os dois últimos compromissos do Botafogo são contra o Cruzeiro (casa), lutando contra o rebaixamento, e Internacional (fora).

A rota do Atlético-MG não é das mais difíceis. Recebe o São Paulo e encerra participação contra o Goiás, praticamente rebaixado.

Com tantas oscilações registradas ao longo da disputa, é pouco provável que não ocorram novas surpresas até a 38ª rodada. Por ora, nenhum dos seis primeiros pode jogar a toalha.

Série B: rodada final gera emoção e alguma estranheza

A Chapecoense conseguiu se livrar no confronto final, derrotando o campeão Vitória. Já o Sampaio Corrêa não teve a mesma sorte, caindo na derrota para o Sport, que também saiu frustrado por não alcançar o acesso. Festa mesmo quem fez foi o Atlético-GO, com o acesso obtido em vitória categórica sobre o Guarani.  

Já o Vila Nova foi a nova vítima do turbinado ABC, que de uma hora para outra começou a ganhar jogos improváveis. Cheiro forte de mala no ar. Da mesma forma que pareceu estranho o ocorrido em Fortaleza, onde o Juventude subiu ao derrotar o Ceará de virada.

Um jogo dos mais esquisitos. No primeiro gol dos gaúchos, o goleiro do Ceará soltou a bola nos pés do atacante. Quando a partida estava empatada, foi desmarcado o penal legítimo em favor do Ceará. Os instantes finais mostraram uma acomodação exagerada dos donos da casa. Detalhe: o Juventude teve um jogador expulso no 1º tempo. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 27)

Rock na madrugada – Kansas, “Carry On Wayward Son”

Grande sucesso do Kansas, super banda de rock formada em 1973, nos Estados Unidos. Época apropriada para grupos que seguiam um estilo grandioso, mesclando o rock clássico com experiências progressivas. O Kansas foi produtivo e arrebanhou uma legião de fãs ao longo da década de 70. Steve Walsh, Kerry Livgren, Robbie Steinhardt, Dave Hope, John Elefante, Steve Morse e Greg Robert foram alguns dos vários músicos que integraram o grupo entre a fundação e a separação final, em 2002.

As desavenças que levaram ao término da banda foram curiosamente causadas pela conversão ao cristianismo de vários dos músicos, como Walsh, Livgren e Hope. A orientação religiosa passou a determinar o perfil das composições, afastando o Kansas de seu público original e fazendo o grupo perder a identidade.

A Série A mais imprevisível

POR GERSON NOGUEIRA

Fazia muito tempo que um Campeonato Brasileiro da Série A não chegava às últimas rodadas com tantas incertezas quanto ao título máximo. O que até a 25ª rodada parecia liquidado, com o Botafogo com boa vantagem sobre os demais, virou de repente uma competição inteiramente aberta.

A razão maior para esse equilíbrio entre os concorrentes deriva da espantosa queda de rendimento do Botafogo, que cumpriu uma trajetória espetacular no turno, mas despencou após a virada. Sucumbiu a uma série de problemas acumulados, tendo hoje a terceira pior campanha do returno.

Com o quase campeão abrindo a guarda, cinco times se aproximaram ao longo das últimas rodadas, resultando na troca de liderança há duas rodadas. O Palmeiras assumiu a ponta, com 62 pontos, e demonstra apetite para manter a pequena vantagem até a rodada final.

O Botafogo é o segundo, com 61 pontos, um a mais que o Flamengo, com 60. O Grêmio vem em 4º lugar, com 59, mesma pontuação do surpreendente Bragantino. Ligeiramente mais desgarrado, aparece o Atlético-MG, com 57 pontos, na sexta colocação.

A rigor, restando quatro jogos para todos, os seis clubes da parte de cima da tabela têm chances de conquistar o título. É evidente, porém, que o Palmeiras de Abel Ferreira é quem parece mais próximo dessa meta, pois depende exclusivamente de suas forças para ser campeão.

A caminhada é razoavelmente tranquila. Precisa vencer o Fortaleza, hoje, e em seguida superar América-MG, Fluminense e Cruzeiro. Determinado e experiente, o time já é apontado por muitos como favorito.

Depois de derrotas traumáticas (e de virada) para o próprio Palmeiras e o Grêmio, dentro do Rio de Janeiro, o Botafogo patinou em definitivo, trocou novamente de comando e mergulhou nas brumas da incerteza. Enfrenta o Santos, hoje, no Nilton Santos, em busca de uma vitória redentora.

Para os que se acostumaram a ver no Glorioso um time fadado a situações inusitadas, as oscilações da atual campanha é um prato cheio. Nunca na história da competição, um time que chegou a abrir 15 pontos de diferença deixou o título escapar. O Botafogo corre o risco de quebrar essa escrita.

As chances ainda são boas, mas o time precisa, além de torcer por tropeços do Palmeiras, reencontrar o caminho das vitórias, depois de sete jogos sem vencer. Tiago Nunes, o novo técnico, tem pouquíssimo tempo para providenciar mudanças e restituir a confiança perdida. Convive ainda com a carência de opções para tornar o time mais competitivo.

Inicialmente correndo por fora, padecendo de muita instabilidade quando esteve sob a direção de Jorge Sampaoli, o Flamengo aproveitou a derrocada do Botafogo para entrar na briga direta pelo título.

Os últimos resultados trouxeram ao time e à torcida o otimismo que não existia no final do turno. A chegada de Tite é responsável direta pela transformação. Diante do Bragantino, na quinta-feira, em jogo atrasado, a equipe alcançou a vitória por placar mínimo, em gol de Arrascaeta.

Em confronto equilibrado, o Flamengo teve dificuldades, levou bola na trave, mas reapresentou a velha força da tradição e do peso da torcida, fundamental em todas as conquistas do clube. Hoje, contra o América-MG, rebaixado, o time entra como franco favorito.

Os três primeiros colocados mostram disposição para transformar as últimas quatro rodadas em um torneio particular, mas Grêmio, Bragantino e Atlético-MG não podem ser descartados, principalmente porque este é o campeonato mais imprevisível de todos os tempos.   

Suspense domina a zona de rebaixamento

A parte inferior da tabela também vive momentos de extrema inquietude e suspense, que tornam as últimas rodadas extremamente emocionantes. América-MG e Coritiba já estão rebaixados, mas as duas vagas que restam têm vários candidatos, incluindo campeões nacionais.

O Goiás, com 35 pontos, parece mais próximo da queda, mas Cruzeiro, Vasco e Bahia, todos com 41 pontos, estão ameaçadíssimos. Santos, 42, e Internacional, 43, também correm perigo.

Mais acima, com 44, Corinthians e Fortaleza não estão a salvo. A inesperada peia de 5 a 1 que o Bahia aplicou no Corinthians na sexta-feira deixou ainda mais incerta a situação entre os que lutam para não cair.

Vale lembrar que Vasco e Cruzeiro têm a rota mais complicada até o final do campeonato, com jogos potencialmente mais difíceis que os demais.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração, a partir das 22h, com a participação de Valmir Rodrigues e deste escriba baionense. Em discussão, as movimentações de PSC e Remo para reforçar os elencos para a próxima temporada. A edição é de Lino Machado.

Papão investe em qualificação e experiência

Embora o torcedor concentre suas atenções nos jogadores a serem contratados, a diretoria do Papão faz um movimento importante no sentido de qualificar a estrutura do futebol profissional. Pelo menos oito profissionais com experiência em clubes das Séries A e B serão incorporados à comissão técnica e à área de gestão.

Será uma comissão técnica diferente da que trabalhou na Série C. As exigências que a Série B impõe fizeram com que os dirigentes se apressassem em encorpar a estrutura interna, agregando conhecimento e experiência em competições de alto nível.

Os nomes devem ser divulgados ao longo da próxima semana, juntamente com os primeiros reforços para o elenco.  

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 26)