Artilheiro é prioridade máxima

POR GERSON NOGUEIRA

Mário Sérgio, com 22 gols anotados na temporada, foi o principal artilheiro do futebol paraense em 2023. Titular do PSC, o centroavante fez nove gols na Série C, embora caindo de rendimento no quadrangular decisivo em função das mudanças de posicionamento no ataque bicolor.

De qualquer forma, Mário Sérgio é o principal nome do setor ofensivo, e ninguém discute isso. Peça fundamental na estruturação técnica que conduziu à conquista do acesso, a regularidade é uma das características mais fortes do atacante.

Mesmo quando a equipe oscilava, ainda sob o comando de Marquinhos Santos, o artilheiro era uma exceção, sempre representando uma solução em jogos complicados, principalmente dentro de casa.

Com a mudança da comissão técnica, Mário perdeu parte do protagonismo e passou a dividir responsabilidades na área inimiga com Nicolas Careca, um jogador mais brigador e menos técnico.

Em alguns poucos momentos, a parceria até deu certo, mas no geral funcionou como um fator de limitação para a movimentação de Mário Sérgio, que antes era o jogador de referência.

Apesar do baixo aproveitamento nos jogos finais do quadrangular, contra Amazonas e Volta Redonda, coincidentemente as duas derrotas do Papão nesta fase, Mário fechou a campanha com um dos nomes mais representativos do time e do campeonato.

Por tudo isso, renovar o contrato com o artilheiro para a disputa da Série B deve ser a maior preocupação da diretoria bicolor. Pelo que se informa, existem negociações já em andamento. Mário tem vínculo com o Mirassol (SP), mas demonstra interesse em permanecer.

No meio da fase de classificação, surgiram especulações sobre sondagens de outros clubes da Série B, mas o jogador foi firme em dizer que estava focado na luta do PSC para conseguir o acesso.

Além dos seis jogadores já confirmados para 2024 – Matheus Nogueira, Paulão, Robinho, João Vieira, Vinícius Leite e Roger –, caberá ao PSC lutar para preservar seu principal atacante, a fim de garantir uma espinha dorsal para a formação do elenco que vai encarar a Segunda Divisão.

Exemplos de clubes que não tiveram o necessário cuidado na formação de elenco para a Série B estão aí mesmo para servir de alerta. Equívocos na escolha dos jogadores costumam resultar em problemas na competição, principalmente para equipes que acabaram de subir da Série C.

Pelos próximos dois meses, passado o período de festejos pelo acesso, o PSC terá que planejar a campanha. Ao mesmo tempo, terá que ir ao mercado para iniciar a busca por reforços, que não pode ser retardada até o início de 2024, sob pena de perda de opções para contratar.

Venezuela joga bem e expõe limites da Seleção

O 1º tempo de Brasil x Venezuela, ontem, na Arena Pantanal, foi uma das piores apresentações da Seleção nos últimos tempos. Surpreendentemente, foram cinco finalizações para cada lado nos 45 minutos iniciais, com mais perigo por parte dos venezuelanos. O empate final, com direito a um golaço dos visitantes, foi inteiramente justo.

Desde o início, Neymar, Vini Jr., Rodrygo e Richarlyson se perdiam em jogadas confusas. Tentativas de chutes paravam nos zagueiros e apenas um lance agudo aconteceu: um disparo de Casemiro da entrada da área.

O mais estranho é que a Venezuela passou a acreditar e criou de forma insistente incômodos lances junto à área. Fazia muito tempo que o Brasil não se aperreava com uma das piores seleções do continente.

Para o 2º tempo, diante do baixo rendimento da equipe, Fernando Diniz surpreendeu prestigiando a mesma formação. O time já estava com o jovem Ian Couto no lugar do improdutivo Danilo, que saiu lesionado.

Apesar dos erros nas tentativas de aproximação e de passes comprometidos pelo mau estado do gramado da Arena Pantanal, o Brasil acabou achando o gol do mesmo jeito que saiu do zero contra o Peru, em Lima.

Escanteio cobrado por Neymar, logo aos 4 minutos, encontrou o zagueiro Gabriel Magalhães na área. Ele se antecipou à defesa e o desvio de cabeça foi mortal, sem chances para o goleiro Romo.

Mesmo com a vantagem no placar, o jogo não ficou tranquilo. Vini Jr. e Neymar seguiram pecando muito nas jogadas individuais. Em alguns momentos, parecia simples desleixo; em outras, era pura dificuldade para superar a marcação venezuelana.   

Aos 16’, em cruzamento de Soteldo, quase o empate. Angel cabeceou para baixo e obrigou Ederson a uma grande defesa. O jogo se arrastava, com tentativas frustradas dos dois lados e frustrantes para a torcida presente.

As movimentações de Savarino e Soteldo mudaram a configuração do ataque da Venezuela e resultaram no golaço de Belo, batendo de meia-bicicleta, aos 39 minutos. O Brasil, desarticulado, ainda enfrentou uma pressão final, algo inédito nos confrontos entre as duas seleções.  

Campanha azulina põe na berlinda a gestão do futebol

Lançadas quatro candidaturas à eleição para a presidência do Remo, marcadas para 12 de novembro, o clube começa a viver o ambiente de campanha e de exposição das propostas de cada chapa.

Pelas entrevistas concedidas pelos candidatos à Rádio Clube do Pará nos últimos dias, fica evidente a preocupação com o futebol profissional. Nada mais natural diante do êxito do rival PSC na conquista do acesso.

Por mais que os planos de trabalho revelem atenção com a saúde financeira e os investimentos em infraestrutura, todos são coerentes com os anseios da torcida azulina: disputar a Série C para buscar classificação à Série B.

É uma imposição que vai se tornar ainda mais concreta a partir da posse do novo presidente. Os vacilos deste ano serão cobrados com mais contundência já a partir do Parazão e irão se acentuar no Brasileiro. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 13)

A casta dos intocáveis

POR GERSON NOGUEIRA

Houve um tempo no Brasil em que o futebol tinha grandes jogadores semanalmente envolvidos em polêmicas. Era Romário pulando o muro da concentração da Seleção durante a Copa do Mundo de 1994, nos EUA. Ronaldo Fenômeno envolvido com travestis. Renato Gaúcho às voltas com as musas da Playboy, e peraltices do gênero.

De repente, em plena estiagem de títulos mundiais, eis que o jogo mudou por aqui. Quem brilha, põe banca e arrota poder são os técnicos. Tome-se o caso de Abel Ferreira, do Palmeiras, cujas grosserias e coices são aceitos com normalidade por boa parte da mídia esportiva paulista.

Depois da eliminação para o Boca Juniors na Copa Libertadores, Abel voltou suas baterias contra a arbitragem, dedicando-se também a uma prática que virou marca registrada: peitar grosseiramente repórteres por perguntas que considera desagradáveis. O questionamento da escalação, por exemplo, virou uma espécie de ofensa.

Essa inversão completa de valores na relação entre técnicos e imprensa ganha fôlego no Brasil. Nem é de agora, vide as célebres patadas de Muricy Ramalho há alguns anos. Cultuar excessivamente profissionais comuns, sem talento especial, é um precedente perigoso.

O exemplo do técnico palmeirense é revelador de um período estranho, onde treinadores são colocados num altar, como entidades intocáveis. Constituem quase uma casta especial. Se o time perde, a culpa é sempre atribuída a terceiros (árbitros e VAR, quase sempre) ou a problemas aleatórios – gramado ruim, chuva, calor excessivo, granizo etc.

Ganham muito bem, principalmente os técnicos mais conhecidos e experientes, o que é excelente notícia no aspecto profissional, embora sem apresentar evolução quanto a conhecimentos táticos. Rugem alto, cobram muito e abusam da arrogância, mas entregam pouco.

Há alguns anos, foi lançado um programa de TV chamado Super Técnicos, uma clara tentativa de glorificar uma categoria que sempre foi muito bajulada no Brasil. Era um desfile de egolatrias por parte de figuras como Zagallo, Luxemburgo, Felipão, Cuca, Parreira, Leão e outros.

Germinava ali a fogueira das vaidades que, com o tempo, adquiriu proporções galácticas no Brasil atual. A importância desmedida se revelou mais uma vez no ruidoso anúncio da contratação de Tite pelo Flamengo, ontem. Um técnico que mostrou na Seleção, em dois Mundiais desperdiçados, que só mostra resultado em clubes que desfrutam de forte suporte midiático, como Corinthians e Flamengo.  

Em segundos, como que por milagre, as parlapatices de Tite na Rússia e no Qatar foram esquecidas. Um esforço para fazer com que o torcedor também apague da memória o aborrecimento que o trabalho confuso do gaúcho causou a todos, principalmente na última Copa.

Outra presepada recente foi de Renato, que simplesmente deixou de lado a entrevista coletiva após o Gre-Nal e saiu às pressas rumo ao aeroporto – e às praias do Rio. Não ligou a mínima para a proibição dos dirigentes e deixou o torcedor sem explicação mínima para a derrota.

Sem esquecer que todo esse empoderamento gera poderes ilimitados a auxiliares diretos, como o que agrediu Pedro no Flamengo depois de um jogo contra o Atlético-MG, em Belo Horizonte. Ou o debochado subalterno de Abel Ferreira que pôs em dúvida a lisura do Campeonato Brasileiro.

Foi-se o tempo em que técnicos se destacavam pela conduta irretocável na busca pelo êxito de seus times. É o caso, no contexto local, de Givanildo Oliveira e Joubert Meira. Falavam pouco, trabalhavam muito. Nada de amuos, chiliques ou fricotes. Com eles, a soberba não tinha vez. (Foto: Marcelo Cortes/Flamengo)

Direto do Twitter

“Não falo da qualidade como técnico. O fato é que Bruno Lage foi um encosto no Botafogo. Um espírito obsessor. Ficava na beira do campo com aquela pinta de Conde Drácula, dando declarações apocalípticas, inventando pra dar um toque pessoal no time. A saída dele foi um exorcismo”.

Luiz Antônio Simas, escritor

Papão já tem seis nomes confirmados para a Série B

Matheus Nogueira, Paulão, João Vieira, Robinho, Roger e Vinícius Leite. São os cinco atletas que participaram da vitoriosa campanha na Série C já garantidos na próxima temporada. O primeiro a ter a permanência confirmada foi o meia Robinho, que tinha uma cláusula contratual assegurando a renovação automática em caso de acesso.

Um dos principais jogadores do time, Robinho teve um começo claudicante, mas depois se estabilizou. Atuou em 18 partidas, marcando dois gols e dando sete assistências. Aos 35 anos, tornou-se peça fundamental na equipe que conquistou o acesso à Série B.

Outro que vai continuar na Curuzu é o goleiro Matheus Nogueira, que se sobressaiu após estrear contra o Amazonas, em Manaus, na fase de classificação. Virou titular absoluto, barrando Thiago Coelho. Cedido por empréstimo ao PSC pelo Portimonense, de Portugal, ele tem contrato com o clube até o fim de julho.

O volante João Vieira e o atacante Vinícius Leite também estão na lista dos que permanecem no Papão para a disputa da Série B. Eles têm contrato firmado até dezembro de 2024. Além deles, o jovem Roger é outro na lista dos que irão continuar. Por fim, o zagueiro Paulão, que se recupera de uma lesão, terá acordo contratual renovado automaticamente.

A prioridade dos dirigentes do PSC agora é assegurar a renovação do artilheiro Mário Sérgio, que marcou 22 gols nesta temporada. Ele é jogador do Mirassol e está sob empréstimo.

Fontes do clube revelam que poucos jogadores, além dos citados, serão procurados para continuar no elenco. Edilson, Alencar e Nicolas Careca têm chances de permanecer.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 11)

Rock na madrugada – John Lennon, “New York City”

“New York City…Que pasa, New York?”, canta John Lennon no refrão deste rock clássico que faz uma homenagem irônica, carinhosa e nostálgica à cidade que ele havia escolhido para viver ao lado de Yoko Ono em setembro de 1971, após a separação dos Beatles. “Some Time in New York City” (1972), quarto álbum de estúdio de Lennon, é um disco assumidamente contestador, atirando para todos os lados – referências a Angela Davis, à guerra na Irlanda, críticas à política norte-americana e ao papel reservado à mulher no mundo. Com apoio da Plastic Ono Band no estúdio, Lennon teve a companhia luxuosa de Phil Spector (ainda lúcido) na produção.

A maldição da guerra

Por Delegado Mourão

É difícil neste momento não voltar olhos e corações para o oriente médio. Difícil aceitar tantas mortes absurdas em nome de uma religião que prega a violência desmedida, a cólera má e não pensar no sacrifício de vida inocentes, famílias inteiras que perderam entes queridos de forma cruel e sanguinária, destruídas no melhor sentido literal do termo. Difícil não pensar que os imbecis contendores estão sangrando, com os corações partidos num luto desumano.

Nosso intuito não se manifesta sobre o certo ou errado, afinal em uma guerra estúpida como a que testemunhamos jamais existirá vencedores ou vencidos, independente da brutal e desumana matança indiscriminada, irracional e imbecil, indubitavelmente. Nossa oração se curva no sentido de um mundo melhor, mais justo e fraterno, onde prevaleça a união dos povos, independente da condição de fortuna e ambiciosos desejos.

Urge o arrependimento por tanto sofrimento, angustia, tensão e incerteza. Nosso sonho que se eleva no plano mais alto implora a Deus Nosso Senhor por misericórdia desse povo sofrido, humilhado, independente de cor, raça ou religião, crianças, idosos, dependentes de sentimentos de fé e piedade cristã. Que Deus possa proteger e abençoar tantas famílias que perderam seus entes nos horrores de uma guerra injusta e imbecil, vítimas de covardes explosões, tiros e toda sorte de crueldade possível e imaginável.

Neste momento de total angústia e sofrimento imploramos a Deus que faça com que os homens demonstrem, pelo menos resquícios de dignidade e respeito pelo semelhante, permitindo que o ser humano possa conviver em harmonia e que as divergências de qualquer natureza sejam resolvidas através do dialogo, semeado pela paz e harmonia, binômio capaz de superar os horrores de uma guerra maldita e amaldiçoada. Delegado Mourão.

Cinco clássicos da literatura de humor

Do site de André Forastieri

Pelo colunista especialmente convidado, Edson Aran

Acima, P.G. Wodehouse, o inventor da sitcom (!). Este artigo abaixo foi escrito pelo camarada Edson Aran, humorista, cartunista, roteirista, jornalista. Você deve visitar o Aran e se inscrever na newsletter dele imediatamente, aqui.

A narrativa longa de humor é das coisas mais complicadas da literatura. O problema é manter o fôlego e a graça. Na crônica, é fácil. É set up, desenvolvimento e punch line, como se fosse uma anedota mais elaborada.

No livro, no romance, tudo muda. O primeiro risco é que a “piada” perca a graça. O segundo é que a estrutura da história acabe comprometida para encaixar episódios cômicos. Apesar dessas dificuldades, a narrativa longa de humor inclui gente de peso como Rabelais, Swift e Cervantes, entre dezenas de outros.

Listar apenas cinco livros foi difícil. Deixei propositalmente de fora “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, de Douglas Adams, que se encaixa melhor em outra categoria, a das “narrativas fantásticos de humor”. Mas isso é conversa pra outra hora. 

Furo!, de Evelyn Waugh

O editor do jornal inglês “The Daily Beast” confunde um repórter de guerra chamado William Boot com um cronista provinciano chamado John Boot e envia o homem errado para cobrir a guerra civil da Ismaélia, na África Central. John Boot não tem a mínima ideia do que está fazendo, mas ele não é o único. Os outros correspondentes de guerra passam o dia inteiro no hotel, inventando conflitos que não existem. O governo do país mente o tempo todo e os supostos guerrilheiros estão tão embrenhados na selva que ninguém sabe se eles são reais. Apesar de todos os desacertos, Boot consegue o que ninguém tem: um furo de reportagem. Waugh, que também foi jornalista, trata a profissão com o sarcasmo e a ironia que ela merece. 

Obrigado, Jeeves – P.G. Wodehouse

So sorry, mas o segundo escritor também é inglês. Os nativos da Pérfida Albion são muito bons em narrativas cômicas e Wodehouse é um dos mais divertidos entre eles.

Ele escreveu 14 livros com o aristocrata decadente Bertie Wooster e seu mordomo Jeeves, um faz-tudo que vive resolvendo as confusões que o patrão cria. As tramas se passam sempre em casas de campo enormes, com casais se desentendo por motivos bestas e velhas tias endinheiradas se metendo em tudo.

Todos os livros são divertidos e esquecíveis, mas muito bons para tardes preguiçosas. “Obrigado, Jeeves” é igual a todos os outros, mas tem Bertie Wooster com uma barbicha insolente e um banjo insuportável, o que irrita o mordomo de tal maneira que ele é obrigado a pedir demissão. É uma sitcom em forma de literatura. Breve e leve como um episódio de Seinfeld.

The mouse that roared – Leonard Wibberley

O americano Wibberley escreveu mais de cinquenta livros para adultos e crianças, mas sua série do “rato”, uma sátira à Guerra Fria, é a mais popular. Esse romance de 1955 se passa no ducado de Grand Fenwick, um minúsculo país europeu próximo aos Alpes.

A economia local depende de um único produto, o vinho Pinot Grand Fenwick. Tudo vai bem até que os americanos da Califórnia roubam o mercado com uma versão “pirata”, o Pinot Grand Enwick, levando o país à bancarrota. Sem alternativa, o condado declara guerra aos Estados Unidos com a intenção de ser derrotado, para que um “Plano Marshall” o salve da recessão.

O problema é que o pequeno exército de 20 arqueiros vence a guerra. Pior ainda: Grand Fenwick se torna uma potência nuclear, ao lado dos Estados Unidos e da União Soviética. Wibberley escreveu cinco livros dessa série, nenhum deles traduzido para o português. Em 1959, o livro virou filme com Peter Sellers em vários papéis. 

O Púcaro Búlgaro – Campos de Carvalho 

Depois de ver um púcaro búlgaro num museu da Filadélfia, o obstinado narrador anônimo decide organizar uma expedição à Bulgária, para comprovar se o país de fato existe.

Ele coloca um anúncio no jornal e fica à espera de que os desbravadores se apresentem, o que acaba acontecendo. O livro não tem exatamente uma trama, mas é um diário pormenorizado dos preparativos para a viagem, que só começa no último capítulo.

Nada disso importa, porque o humor de Campos de Carvalho é baseado no nonsense, em especulações filosóficas e no mais puro besteirol. Ele é um dos nossos maiores escritores, mas nós somos sérios demais para admitir isso.  

Ardil 22 – Joseph Heller

Joseph Heller divide com Kurt Vonnegut o título de “Melhor Satirista Antibelicista do Século 20”. Mas Vonnegut quase sempre desliza para a depressão, enquanto Heller mantém o humor mesmo sob tiroteio.

“Ardil 22” conta a história de Yossarian, um completo maluco que é tripulante de um avião bombardeiro durante a Segunda Guerra Mundial. A trama circular vai crescendo em horror e absurdo até que a própria guerra se transforma num subproduto do mercado negro administrado pelos oficiais americanos.

“Ardil 22” foi leitura obrigatória entre os ativistas que protestavam contra a guerra do Vietnã e é considerado um dos livros mais subversivos da literatura americana. O que, aliás, guarda uma lição importante: humor ou é subversivo ou não serve pra nada. 

Rock na madrugada – Yes, “Roundabout”

“Roundabout” é um clássico do Yes, banda icônica do rock progressivo, gênero que marcou a virada dos anos 1970/80 e que acabou por provocar a reação criativa geradora do punk rock. Essa versão é do álbum triplo Yessongs (1973), o primeiro disco ao vivo da banda. A formação tinha vários integrantes do Yes original, com o vocalista Jon Anderson, o baixista Chris Squire, o guitarrista Steve Howe, o multitecladista Rick Wakeman e o baterista Alan White. Todos músicos excepcionais, de formação erudita. O virtuosismo das gravações e o rigor na execução ao vivo fizeram do Yes uma banda cultuada por um imenso público e, ao mesmo tempo, menosprezada pelos apreciadores do rock puro, básico e sem firulas.

Os méritos da torcida Fiel

POR GERSON NOGUEIRA

Quando o PSC patinava na fase de classificação, muita gente colocou em dúvida a própria permanência na Série C. Ali pela 10ª rodada, após a derrota para o Botafogo-PB, a situação era realmente periclitante, e não havia perspectiva de uma reação. O que viria a seguir, com a troca de treinador e a entrada em cena de uma nova comissão técnica, faria com que o time se reinventasse dentro da competição.

Essa reinvenção levou à arrancada rumo à classificação, que ganhou fôlego a partir da vitória no clássico Re-Pa. A torcida entrou em cena com apoio e incentivo em todos os jogos. A confiança no desempenho foi imediata, provando uma vez mais que a massa torcedora pode sempre fazer a diferença.

Mesmo quando veio a punição de dois jogos sem mando de campo, depois flexibilizada para um público formado por mulheres, adolescentes e crianças, não faltou a presença intensa e vibrante na Curuzu.

Nas partidas do quadrangular, veio a gigantesca demonstração de força com 100 mil torcedores no estádio Jornalista Edgar Proença em dois jogos – Botafogo e Amazonas. Uma presença de público tão avassaladora acabaria por empurrar naturalmente o time ao acesso.

Aliás, seria uma crueldade do destino se o PSC não obtivesse o passaporte para disputar a Série B em 2024. Sem o mesmo quantitativo, logicamente, a torcida também se fez presente em todos os jogos fora de casa. Em número expressivo e com a mesma pegada de vibração e entusiasmo.

No sábado à noite, em Volta Redonda, mesmo distante de sua torcida, o PSC jogou com a aplicação necessária para fazer o placar que lhe interessava. Marcou muitíssimo bem no primeiro tempo, conseguindo travar o jogo do adversário, mesmo que por conta disso tenha sacrificado a parte ofensiva.

Ocorre que o objetivo a ser alcançado era o acesso, não necessariamente vencer a partida. Nesse sentido, a estratégia foi a mais adequada e contou para o êxito a entrega e a disciplina tática de todos os jogadores, inclusive dos que entraram na parte final, como o zagueiro Naylhor.

A maneira pragmática de atuar deixou certamente muita gente com o coração na mão, vendo o jogo pela TV, principalmente quando o Voltaço fez o gol aos 17 minutos do segundo tempo, com Bruno Barra, e com a bola na trave a 8 minutos do fim.

Para felicidade geral da nação bicolor, a derrota pelo placar mínimo foi suficiente para garantir a impressionante festa pelo acesso, iniciada no estádio Raulino de Oliveira e se estendendo por todo o Estado do Pará.

Foram cinco anos de muito esforço e dinheiro desperdiçados. Nesta temporada mesmo, o clube investiu pesado em contratações (50 no total) que em grande parte não vingaram. Da insistência, porém, veio o êxito.

O Papão está na Série B e, com isso, passa a ter um orçamento muito mais robusto para investir no futebol e na estrutura interna, incluindo o CT. O presidente Maurício Ettinger, ao final da partida, disse que a meta é conduzir o PSC à Série A em 2025. Pensar grande é fundamental.

Recuperação do Fogão expõe o risco de manter técnicos arrogantes

A atuação encaixada e convincente do Botafogo sobre o Fluminense, por 2 a 0, ontem, deixa evidente mais uma vez o mal que certos técnicos podem causar a um time de futebol. Bruno Lage, o breve, deixou um rastro de terra arrasada no clube após tentar reinventar a roda.

Disposto a impor uma assinatura autoral a todo custo, meteu os pés pelas mãos, trocando jogador de posição e – pecado maior – barrando simplesmente o artilheiro do time, Tiquinho Soares, contra o Goiás.

Foi justamente o tropeço diante do Goiás, completando quatro jogos sem vitória, que determinaram a demissão do português. Para tanto, a direção da SAF precisou ser pressionada pelos representantes do elenco.

Os jogadores foram até a cúpula cobrar providências diante da visível queda de rendimento do time, causada pelas amalucadas mudanças promovidas por Bruno Lage. Não se tratou de motim, mas de tomada de providências pelo bem do próprio Botafogo.

No clássico com o Fluminense, o comandante foi Lúcio Flávio, que trabalhou como auxiliar de Luís Castro e de Lage, e os efeitos da troca já puderam ser observados. O time voltou a jogar com alegria e, acima de tudo, com a mesma confiança dos melhores momentos da campanha.

Tiquinho voltou a marcar, alcançou 15 gols na tabela de artilheiros, e Junior Santos confirmou a excelente fase – é o maior driblador do campeonato –, jogando sempre de forma vertical e marcando o gol que abriu caminho para a grande e redentora vitória.

Que sirva de exemplo para o Botafogo e para outros clubes, que muitas vezes se deixam enredar pelas ideias mirabolantes de técnicos que pautam seu trabalho exclusivamente pela régua da vaidade, da soberba e da arrogância.

O perigo ronda sempre os clubes, pois muitos gestores de futebol não se julgam capacitados para contestar decisões tomadas aleatoriamente, sem qualquer razão lógica. Por cerca de seis rodadas, o Glorioso colocou em risco uma campanha fantástica por força de um Professor Pardal mequetrefe.

Técnicos não podem ter poderes excessivos e absolutos, que não comportem a crítica correta, justa e responsável. No futebol paraense mesmo é possível observar aqui e ali arroubos de egocentrismo que ferem de morte bons e vitoriosos trabalhos. Olho vivo. 

(Foto: Adrielly Araújo/Ascom PSC)

Papão perde jogo, mas conquista o acesso à Série B 2024

Depois de tentar seguidamente o acesso nos últimos anos, o PSC conquistou na noite deste sábado a classificação para a Série B 2024. O time de Hélio dos Anjos perdeu por 1 a 0, mas se garantiu pelo melhor saldo de gols em relação ao Volta Redonda, que também chegou aos 10 pontos. O jogo foi travado no primeiro tempo, com poucas chances de gol. A marcação forte do Papão no meio-campo prevaleceu sobre as tentativas de saída do Voltaço.

Na etapa final, o time do Volta Redonda colocou o artilheiro Ítalo Carvalho em campo e passou a explorar mais os lados do campo, aproveitando o cansaço do setor de marcação bicolor. Robinho foi expulso, mas depois que a substituição já havia sido feita, o que não trouxe prejuízo ao time bicolor. Ronaldo Mendes substituiu Robinho.

Aos 17 minutos, em cruzamento na área, Ítalo Carvalho desviou de cabeça e Bruno Barra completou para o fundo das redes. Após o gol, a partida foi interrompida devido a uma briga dos torcedores alvicelestes e do Volta Redonda nas arquibancadas. O árbitro Wilton Pereira Sampaio esperou 9 minutos para reiniciar a partida.

Os minutos finais foram de pressão do Voltaço, mas sem muita objetividade, enquanto o PSC se defendia como era possível. Com esforço e raça, conseguiu segurar o placar até o final. Após o apito final, parte da torcida bicolor entrou em campo para festejar com os jogadores a conquista do acesso à Série B.

Na outra partida do grupo C, o Amazonas derrotou o Botafogo-PB por 2 a 0, em Manaus, assegurando o acesso à Série B. A Onça-Pintada garantiu presença na final do campeonato contra o Brusque-SC, líder do grupo D.