
POR GERSON NOGUEIRA
Nenhum setor do time do PSC funcionou a contento no jogo com o Amazonas, domingo, no Mangueirão. Defesa, meio-de-campo e ataque colaboraram, cada um a seu modo, para a derrota. A zaga falhou, o meio não funcionou criativamente e o ataque desperdiçou várias chances de gol.
Nada disso escapou às observações do técnico Hélio dos Anjos, que admitiu que foi a pior atuação do Papão no quadrangular da Série C. Um ponto fora da curva, diriam os otimistas. Um desempenho que não pode se repetir em Volta Redonda, diriam os realistas.
Como ataque e defesa dependem muito do desempenho dos homens de meio-de-campo, ponto de equilíbrio e eixo criativo do time, é fundamental entender como Hélio pretende montar o setor. Mas, por óbvio, que ninguém imagine que ele tem dúvidas. No máximo, faz suspense.
Optaria por quatro homens – Jacy Maranhão, João Vieira, Alencar e Robinho –, a fim de “fechar a casinha” e garantir pelo menos o empate? Ou lançaria um trio fisicamente mais fortalecido, com Jacy, Alencar (João Vieira) e Robinho?
Difícil imaginar o PSC congestionado no meio, formando as famosas duas linhas de marcação. Não é o estilo de Hélio, que prefere sair para o jogo ao invés de esperar em seu campo. As próprias características do Volta Redonda, cujo meio-campo não é conhecido pela velocidade, reforçam a ideia de que o Papão vai manter três homens no setor.
É preciso considerar ainda que o atacante Vinícius Leite costuma contribuir com a marcação, voltando sempre para recompor quando o PSC não tem a posse da bola. Por essa razão, é bem mais provável que a escalação de domingo se repita no sábado.
No quadrangular, o PSC venceu todas jogando fora de casa, contra Amazonas e Botafogo-PB, sempre com atuações objetivas e bem encaixadas, e três homens no meio. Hélio, de opiniões fortes e ideias consolidadas, dificilmente mudaria de ideia a essa altura. (Foto: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)
Chance para a dupla Lúcio Flávio-Joel Carli
Com o desligamento de Bruno Lage, definido anteontem à noite, o Botafogo não levou muito tempo para decidir por Lúcio Flávio, ex-jogador e atual auxiliar técnico. Ele terá como colaborador direto o ex-capitão Joel Carli, que assume a função a partir de um pedido dos próprios jogadores ao investidor John Textor.
Meia-armador de bons recursos nos tempos de jogador, Lúcio Flávio acumula experiência à beira do campo. Auxiliou Luís Castro, deu suporte a Cláudio Caçapa e Bruno Lage e agora tem a missão de fazer o Botafogo voltar à disputa, quebrando a sequência de três derrotas e um empate.
Não podia haver um nome mais adequado para trabalhar com Lúcio Flávio. O argentino Carli é um ídolo da torcida, condição alcançada pela liderança em campo e a valentia típica dos grandes xerifes. A escolha de ambos foi aplaudida com entusiasmo pela torcida, que já via em Lage um sabotador da campanha em busca do título brasileiro.

No passado, até o final dos anos 80, o Botafogo foi comandado por muitos ex-jogadores. Zagallo é o mais óbvio dos exemplos, mas o time teve também Sebastião Leônidas, Joel Martins, Carlos Roberto e vários outros como técnicos, alguns com sucesso.
Um dos segredos para tirar o Botafogo da fase negativa é resgatar o bom ambiente entre os jogadores. Lage caiu em função dos erros na definição de um modelo de jogo e também em função do clima pesado nos vestiários.
A gota d’água foi a opção de descartar o artilheiro e ídolo Tiquinho Soares da equipe que iniciou a partida com o Goiás. A surpresa entre os jogadores com a comunicação feita na preleção ganhou eco nas arquibancadas. Lage foi vaiado praticamente o jogo todo pela estapafúrdia decisão.
Tiquinho entrou no intervalo e salvou o time de uma nova derrota, marcando um golaço logo aos 6 minutos. Ali, naquele momento, o técnico português começou a ser desligado. O próprio Textor teria se irritado com a inexplicável barração do artilheiro.
Lúcio Flávio será o técnico interino contra o Fluminense, domingo. É um jogo-chave para o Botafogo e para a efetivação do auxiliar no cargo definitivo. Depois do clássico, haverá uma pausa no campeonato (data Fifa) e o Alvinegro só volta a campo contra o Goiás, no dia 18 de outubro.
A base, sempre esquecida e maltratada
Em comentário enviado à coluna, o delegado e desportista Armando Mourão critica a falta de zelo com as divisões de base, um dos mais enraizados e crônicos problemas do futebol paraense.
“Abandonar divisões de base em todos os segmentos do esporte, sem dúvida é uma prática de burrice, e, que assim se comporta, pede a Deus que o mate e o diabo que carregue. O que fazem com a garotada, ávida por espaços, que se mata sob sol e chuva em busca de uma oportunidade para mostrar seu real valor, revela intensa covardia, expondo claramente o interesse nas desastradas contratações, diga-se.
Às federações, salvo melhor entendimento cabe a obrigação de integrar ao seu estatuto maior títulos ou capítulos destinados em priorizar as bases, assim como, limitando em percentual mínimo a importação de atletas, considerando que alguns se limitam em roubar espaços de verdadeiros craques, estes, solenemente abandonados por dirigentes e comissões técnicas duvidosas.
A atual condição da Tuna, por exemplo, nos lembra com muita saudade o passado glorioso da nossa Águia Guerreira, bicampeã brasileira, hoje condicionada a fazer das tripas coração para, ao menos, disputar o medíocre campeonato paraense”, conclui Mourão.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 5)