A frase do dia

“Não há maior política de proteção ambiental do que gerar emprego, trabalho, renda e garantir acesso aos direitos fundamentais ao povo da Amazônia. É preciso enfrentar os desequilíbrios regionais. Onde morreu mais gente na pandemia? Na Amazônia!”.

Flávio Dino, ministro da Justiça, discursando na abertura dos Diálogos Amazônicos, em Belém.

Rock na madrugada – Beatles, “I Feel Fine”

John canta, George se encarrega dos solos de guitarra, Paul auxilia nos vocais e Ringo arrebenta na bateria. Inspirada canção, de 1964, que atesta nível alcançado pelos Beatles ainda no começo da caminhada, bem como o grau de perfeccionismo da produção, a cargo do maestro George Martin.

Tramoia de Zambelli também expõe as Forças Armadas

Por Rodrigo Martins, na CartaCapital

A deputada federal Carla Zambelli, do PL paulista, precisou entregar o passaporte e todas as suas armas à Polícia Federal. A medida cautelar não tem relação com o fato de a parlamentar ter perseguido um homem negro pelas ruas dos Jardins, região paulistana de bairros abastados, com uma pistola em punho, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022. O que assombra a bolsonarista, alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos por agentes da PF na quarta-feira 2, é a exposição de suas tramoias golpistas.

Nesta mesma data, o hacker Walter Delgatti Neto, protagonista do escândalo da “Vaza Jato”, foi preso. Recentemente, ele confessou ter sido contratado pela parlamentar para invadir o sistema da Justiça Eleitoral, bem como o celular e o e-mail de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal e então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, durante as eleições de 2022. O objetivo era demonstrar a suposta fragilidade do sistema eleitoral, tese explorada à exaustão por Jair Bolsonaro para justificar a liderança de Lula nas pesquisas e, depois, a derrota nas urnas.

Em depoimento à PF, o hacker disse que a deputada o contratou em setembro passado, durante um encontro sigiloso às margens de uma rodovia. Delgatti não conseguiu acessar as urnas eletrônicas, sem conexão com a internet, nem o celular de Moraes. Teve, porém, acesso aos e-mails antigos do magistrado, mas não encontrou nada comprometedor. Agora surgem evidências de que ele também inseriu documentos falsos no Banco Nacional de Mandados de Prisão, sob a tutela do Conselho Nacional de Justiça. Entre as adulterações figuravam alvarás de soltura de indivíduos presos por motivos diversos e um mandado de prisão expedido contra Moraes.

Depois de ter desfilado na companhia de Delgatti por meses, Zambelli agora diz ter contratado o hacker apenas para fazer a integração de seus perfis nas redes sociais com o seu site oficial. Nega qualquer acerto para devassar a vida de Moraes, mas está cada vez mais difícil sustentar essa versão. 

Em julho, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, confirmou que a parlamentar apresentou o hacker à direção do partido durante a campanha de 2022. Segundo ele, Delgatti teria pedido um emprego, mas não foi atendido. O especialista em invadir sistemas também teria sido apresentado a Bolsonaro, com ideia fixa de que as urnas eletrônicas poderiam ser violadas. 

Não bastasse, Delgatti agora afirma à PF que o relatório das Forças Armadas sobre a fiscalização do processo eleitoral se baseou em suas “explicações”. De acordo com o advogado Ariovaldo Moreira, defensor do hacker, seu cliente esteve em reuniões no Ministério da Defesa. “Ele realmente esteve lá e prestou algum serviço, mas ele também recebeu propostas de invasões”, disse o advogado em entrevista à GloboNews.

Ao convocar uma coletiva de imprensa na Câmara dos Deputados, a parlamentar convidou colegas do PL e de outros partidos para acompanhá-la. Apenas meia dúzia de gatos-pingados compareceram. Pudera. Além das revelações feitas por Delgatti e Costa Neto, a PF identificou pagamentos feitos pelo staff da parlamentar ao hacker. “Verifica-se que, do montante de R$ 13.500,00, a quantia de R$ 10.500,00 foi enviada por RENAN CÉSAR SILVA GOULART, valendo-se de 3 transferências bancárias via PIX; e que o valor de R$ 3.000,00 foi enviado, numa única transferência bancária via PIX, por JEAN HERNANI GUIMARÃES VILELA”, informa a decisão do Supremo Tribunal Federal que autorizou os mandados contra Zambelli.

Goulart é assessor do deputado estadual Bruno Zambelli, do PL paulista, irmão de Carla. Já Vilela é funcionário do gabinete da parlamentar. Diante das evidências apresentadas pela PF, a deputada bolsonarista não teve como negar os pagamentos, mas insiste que eles correspondiam ao suposto trabalho executado por Delgatti em seus perfis nas redes sociais e site oficial. 

A participação do hacker na auditoria feita por oficiais do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, apontados como “especialistas em Tecnologia da Informação e defesa cibernética”, é mais uma nódoa na reputação das Forças Armadas. Depois de proteger os acampamentos golpistas na porta de quartéis, corretamente classificados como “incubadoras de terroristas” pelo ministro da Justiça, Flávio Dino, a cúpula militar agora busca, a todo custo, apagar as próprias digitais na intentona bolsonarista de 8 de janeiro. 

À frente de um Inquérito Policial Militar sobre o tema, o coronel Roberto Jullian da Silva Graça, chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Planalto, concluiu há pouco que as tropas responsáveis pela segurança do Palácio do Planalto não tiveram qualquer responsabilidade pela invasão dos golpistas. Se o governo recém-instalado tivesse feito um planejamento adequado, sustenta o coronel, teria sido possível reforçar o efetivo e evitar a entrada da horda bolsonarista ou, pelo menos, ter minimizado os estragos. 

Convenientemente, o inquérito ignora um fato decisivo para o desfecho da trama golpista. A PF tentou remover o acampamento dos extremistas em frente ao QG do Exército, em Brasília, ainda em dezembro, mas oficiais do Exército não permitiram a ação. “Quando nós fomos de novo lá, no dia 8 de janeiro, tinha tanque de guerra no meio da rua, impedindo que a polícia entrasse para retirar aquelas pessoas do acampamento. Então, isso é uma sequência”, lembrou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, no mesmo dia em que o relatório do coronel Graça foi revelado pela mídia.

Muito antes de os brasileiros comparecerem às urnas nas eleições de 2022, CartaCapital vinha alertando seus leitores sobre as tramoias golpistas de Bolsonaro e as movimentações de Zambelli com o hacker da “Vaza Jato”, além de apontar as frágeis alegações das Forças Armadas para colocar em dúvida a lisura do processo eleitoral. Uma a uma, as mentiras espalhadas pela extrema-direita durante a campanha de 2022 estão ruindo, sobretudo com o avanço das investigações da PF sob a supervisão da Suprema Corte. 

Ainda assim, parlamentares bolsonaristas continuam a propagar fake news sobre o 8 de janeiro, buscando responsabilizar o governo que seria golpeado, e não os golpistas que devastaram as sedes dos Três Poderes.

A frase do dia

“Ministério da Defesa usa hacker (cracker) criminoso. Ajudante de Ordens vira vendedor de jóias roubadas. As Forças precisam ser desArmadas urgentemente”.

José de Abreu, ator

Templo da culinária tapajônica hospeda Lula em Alter do Chão

Presidente se hospeda em bangalô às margens do rio Tapajós, no Pará; Casa do Saulo fecha atividades para turistas até domingo

Por Natashia Santana, da Folha de SP

O presidente Lula (PT) passará o fim de semana em Alter do Chão, distrito turístico de Santarém (PA), às margens do rio Tapajós ao lado da primeira-dama Janja. Lula chegou com a mulher e assessores nesta sexta-feira (4) à Casa do Saulo, hotel e restaurante na praia do Carapanari. Ele ficará em um dos dez bangalôs do local.

A hospedagem foi recém-criada anexa ao restaurante do chef Saulo Jennings, que cunhou a expressão “cozinha tapajônica”, em referência à culinária com peixes típicos da região. Além do restaurante em Alter do Chão, ele mantém filiais em Belém e no Rio de Janeiro.

Não será a primeira vez que Lula terá à disposição os serviços do chef. Saulo serviu bolinho de piracuí na recepção oferecida a convidados no dia da posse, em janeiro. O presidente também almoçou no restaurante dele em Belém, em junho, ao lado do governador Helder Barbalho (MDB) e do agora ministro Celso Sabino (União Brasil).

O custo médio da diária de um bangalô é de R$ 800. A Presidência da República e o hotel não informaram como e se a hospedagem foi cobrada.

Os dez bangalôs estão reservados para a comitiva presidencial. Guias de turismo foram informados de que o espaço estará fechado para visitantes até domingo (6), quando está prevista a saída de Lula do local.

Nesta sexta-feira, o presidente teve agenda no interior do Amazonas, em Parintins. Na segunda-feira (7), há previsão de visita do petista a um navio-escola em Santarém e a uma unidade da Universidade Federal do Oeste do Pará.

Obs.: a Casa do Saulo, onde Lula se hospeda, não fica em Alter do Chão, mas na praia do Carapanari, em Santarém.

Armados e insanos: PF prende e justiça solta terrorista que ameaçou dar um tiro em Lula

O fazendeiro chegou a tentar descobrir o hotel em que o presidente se hospedará em Santarém, para a Cúpula da Amazônia no Pará

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (3) um fazendeiro do Pará que ameaçou “dar um tiro” em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante a visita do presidente ao Estado, na semana que vem. A informação foi confirmada a CartaCapital pelo Ministério da Justiça.

Trata-se de André Luiz Teixeira, que chegou a tentar descobrir o hotel em que Lula se hospedará em Santarém, entre 4 e 7 de agosto, para a Cúpula da Amazônia no Pará. Ele responderá pelos crimes de ameaça e incitação de atentado contra autoridade por motivação política. 

O fazendeiro também é investigado por relação com grilagem de terras e garimpo na região. Nas redes sociais, o ministro Flávio Dino disse que a PF “seguirá aplicando a lei contra criminosos”:
“Mesmo após o fracasso dos atos golpistas de 8 de janeiro, ainda existem pessoas que ameaçam matar ou agredir fisicamente autoridades dos Poderes da República. Isso não é ‘liberdade de expressão’”.

O fazendeiro preso na tarde de quinta-feira (3) em Santarém, oeste do Pará, pela Polícia Federal, após denúncia de que teria ameaçado dar tiro na barriga do presidente Lula, conseguiu a liberdade provisória nesta sexta (4). Acompanhado pelo advogado Renato Martins, Arilson Strapasson (foto) participou de audiência de custódia na sede da Justiça Federal em Santarém. A juíza, Mônica Guimarães, que presidiu a audiência, determinou como medida cautelar que o fazendeiro não se aproxime de Alter do Chão, balneário distante cerca de 37km da zona urbana de Santarém pelos próximos 10 dias.

De acordo com o advogado Renato Martins, em Santarém, Arilson tem casa em Alter do Chão e na região do Chapadão e ambos os imóveis foram altos de busca e apreensão na manhã desta sexta. Arilson Strapasson mora no município de Novo Progresso, no sudoeste do Pará, mas não deve retornar para lá, por enquanto, segundo o advogado.

O advogado informou que estava aguardando a comunicação da justiça ao Centro de Recuperação Agrícola Silvio Hall de Moura, para que Arilson Strapasson seja solto.

VIGILANTE INVESTIGADO POR AMEAÇAS

A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão nesta sexta-feira (4) contra um vigilante de Belém (PA) suspeito de propagar imagens com ameaças ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em redes sociais.

Lula viaja para a região Norte nesta sexta e cumpre agenda pela manhã em Parintins (AM). No fim de semana, deve descansar em Alter do Chão, vila paradisíaca próxima a Santarém. Na próxima semana, o presidente se reúne com chefes de Estado de países vizinhos na Cúpula da Amazônia, em Belém.

Segundo divulgou a PF, as buscas tentam “evitar a possibilidade de atentado ao presidente, posto que o suspeito atua profissionalmente como vigilante e possui arma de fogo”. A GloboNews apurou que o suspeito foi levado para prestar depoimento. E que, como as postagens tinham sido feitas há mais tempo, não foi possível expedir uma prisão em flagrante.

Nas buscas, a PF apreendeu o celular do vigilante – mas não encontrou armas no endereço em que o mandato foi cumprido. A operação foi autorizada pela 3ª Vara Criminal da Justiça Federal do Pará. (Com informações de CartaCapital, UOL, Folha de SP)

A triste briga com a realidade

POR GERSON NOGUEIRA

No afã de se “reforçar” na reta final da etapa de classificação da Série C, não satisfeito com os incontáveis erros de planejamento e contratação, o Remo anunciou gloriosamente na terça-feira o atacante Thiaguinho, de 25 anos, e de passagem obscura pelo clube na temporada passada. É como se o jogador estivesse sendo premiado pelo que não fez da primeira vez.

Trata-se da 25ª contratação do Remo na temporada. Thiaguinho chega para jogar quatro partidas – Volta Redonda, Manaus, CSA e Altos –, caso esteja em plenas condições de ser escalado. Vai disputar um lugar pelos lados do ataque com Ronald, Renanzinho, Vítor Leque e Jean Silva. Tem chances de entrar no time, pois, com exceção de Ronald, os outros só fazem figuração.

A vinda de mais um jogador de ataque para dar a Ricardo Catalá a opção de explorar os lados do campo torna ainda mais incompreensível a liberação de Ricardinho, revelação da base azulina. Sem oportunidades com o treinador, ele foi cedido por empréstimo ao Santa Rosa para disputar a Segundinha do Parazão.

Ricardinho, apesar de iniciante, é muito superior a Leque e Renanzinho. Por incrível que pareça, ninguém teve coragem ou argumentos para mostrar a Catalá uma situação óbvia: com o jovem ponta no elenco, ele não precisaria ir atrás de jogadores em outros clubes. E jogadores de nível técnico questionável.

Baiano de Riachão, Thiaguinho defendeu Bahia, Vitória, ABC, Vila Nova, Taubaté e Jacuipense, onde estava jogando. Na Série C passada, ele entrou em apenas dois jogos, sem maior destaque.

Já o PSC, que se mostra imbatível em gastança na temporada, anunciou ontem o meia Ronaldo Mendes, 30 anos, para encarar os últimos quatro jogos da fase classificatória. O meio-campo é um dos setores mais frágeis do time nesta Série C, principalmente no setor de criação, onde apenas o veterano Robinho atua como armador.

Insaciável, o clube já sinaliza que ainda vai contratar mais nas próximas semanas. Caso se classifique para a fase dos quadrangulares, novos reforços serão anunciados. Os contatos já foram iniciados e a lista de contratações deve facilmente superar a casa dos 50 nomes.

É o Pará boleiro exportando visão estratégica e técnicas gerenciais revolucionárias sobre como gastar dinheiro a rodo sem ter o devido retorno. (Foto 1: Samara Miranda/Ascom Remo; foto 2: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)

Fiasco na Copa feminina não pode virar linchamento

Já se assanham os vorazes inimigos do futebol feminino para atirar pedras nas atletas da Seleção Brasileira, após a eliminação na primeira fase da Copa do Mundo. É injusto e hipócrita criticar os muitos problemas exibidos pelo time dirigido por Pia Sundhage.

Sob a desculpa de que a equipe teve apoio e infraestrutura do mesmo nível que é oferecido à seleção masculina, muita gente se sente no direito de reclamar do desempenho de Marta & cia. É pura ignorância.

Há uma questão histórica que não pode ser esquecida ou subestimada. O futebol feminino só passou a existir de verdade no Brasil nas últimas quatro décadas, mesmo assim se sustentando em torneios paupérrimos, sem apoio de ninguém, principalmente de dona CBF.

Não há como revelar grandes atletas sem a massificação do esporte. O Brasil corre na contramão de Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Dinamarca e Espanha, onde o futebol feminino é febre entre as meninas desde os primeiros anos de estudos.

A associação entre esporte e educação é um símbolo dos países mais evoluídos. No Brasil, prevalece a tese tacanha de que o talento irrompe naturalmente, como capim na rua. Por conta disso, fenômenos como Sissi, Formiga e Marta surgem só muito de vez em quando, quase por acidente.

É, portanto, um atentado à inteligência exigir conquistas e façanhas de uma seleção formada por jogadoras comuns e liderada por uma veterana de muito talento. Para piorar, a avassaladora campanha de marketing de uma rede de TV agravou a situação, criando uma falsa expectativa.

A partir daí, todos os pachecos e pachecas passaram a acreditar que Pia e suas atletas iriam atropelar as adversárias e rumar para o título. As matérias apelavam diariamente para o patriotismo de chuteiras, mesclando inverdades estatísticas com apelos libertários. Uma bobagem.

Futebol é, desde sempre, dominado por quem joga melhor, sabe trocar passes e faz gols mais que os adversários. Sem isso, não se chega a lugar nenhum, por mais que o barulho midiático indique o contrário.

Felipão, Hulk e outras ilusões perdidas

Desde aquele trágico 7 a 1, em 2014, Felipão perdeu o bonde. E não era para menos. Quase todo mundo imaginou que iria largar o ofício, mas ele teimosamente insistiu em continuar trabalhando. Um direito, obviamente, mas uma afronta ao estado natural das coisas.

Campeão do mundo com o Brasil em 2002, o melhor caminho a tomar era a aposentadoria honrosa, na esperança de que a surra histórica para os alemães fosse perdendo impacto com o passar do tempo.

Passou pelo Palmeiras, enganando com um título meio acidental, depois saiu de cena. Reapareceu como diretor técnico do Atlético-PR, mas não resistiu aos acenos (e à grana) do Atlético-MG para voltar a ser treinador.

Até podia dar certo. O elenco é um dos melhores e mais caros do Brasil, embora tenha como símbolo um jogador limitado, poucos degraus acima de um perna-de-pau. Hulk só joga no Brasil hoje. Não tem mais mercado na Europa, talvez nem na Ásia.

Vive das trombadas, empurrões e disparos lá de longe. É o tipo do jogador que deve ser deixado sozinho com a bola, pois ele mesmo se marca. Felipão e Hulk são a dupla face de um Galo que briga com a realidade e é fiel representante dos clubes gastadores que o Brasil gerou nos últimos anos.

A tranquila vitória palmeirense, ontem, apenas confirma o que muitos não querem ver. Felipão deixou de ser técnico e Hulk é um jogador caro e comum.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 03)

Empate com Jamaica elimina o Brasil da Copa do feminina na fase de grupos

O Brasil voltou a ser eliminado na fase de grupos da Copa do Mundo Feminina depois de 28 anos. Pela primeira vez desde 1995, a equipe caiu ainda na etapa inicial da disputa. A queda precoce veio depois do empate por 0 a 0 com a Jamaica, em Melbourne. É a terceira vez que a seleção brasileira, que disputou as nove edições de Copa, deixa a competição ainda na primeira fase. O time acabou eliminado também nas edições de 1991 e 1995.

Na primeira edição do Mundial, na China, quando apenas 12 seleções participavam, o Brasil ficou em terceiro lugar do Grupo B e não avançou. Estados Unidos liderou, seguido da Suécia e a única vitória brasileira foi em cima do Japão, lanterna do grupo, por 1 a 0, gol de Elane.

Em 1995, o Brasil caiu novamente em um grupo com Suécia e Japão e foi o lanterna com apenas uma vitória, justamente sobre a anfitriã sueca. O placar também foi de 1 a 0, e o gol foi de Roseli. Na última edição, na França, com 24 seleções, o Brasil terminou a fase de grupos na terceira colocação no grupo com Itália, Austrália e Jamaica, mas avançou às oitavas como melhor terceiro colocado.

Em 2023, diferente de outros anos, a eliminação precoce da seleção feminina na Copa do Mundo não entra na conta da falta de estrutura ou de apoio à modalidade. Mesmo que o cenário ainda esteja longe do ideal, os últimos quatro anos foram transformadores para a modalidade no país – clubes, campeonatos e seleção.

Hoje, podemos e devemos focar no que aconteceu nas quatro linhas – os treinamentos, as escolhas táticas, a escalação, as substituições… Essa nova realidade – trazer o olhar para dentro e não mais para fora de campo – talvez seja a melhor notícia de uma Copa aquém da expectativa. E a análise do que ocorreu nas quatro linhas é incontestável: a seleção brasileira fracassou e decepcionou na Austrália.

Em 2019, Marta proferiu o seu famoso discurso após a derrota para a França cobrando, mais uma vez e mais enfática do que nunca, que o futebol feminino acordasse para o fato de que ela não jogaria para sempre. Quatro anos depois, ela ainda estava lá, mas seu adeus ocorre em momento menos desalentador para a modalidade.

Nesta quarta, Marta estava triste na sua despedida das Copas, claro. Mas seus olhos marejados enxergam um caminho que, enfim, começou a ser pavimentado. Este ano, seu foco não foi cobrar mudanças, mas proteger um legado.

– Essas meninas têm um futuro muito longo aqui na seleção. A jornada delas está apenas começando. A Marta não vai jogar outra Copa, obviamente, mas elas vão – afirmou.

A base para os próximos desafios, a começar por Paris-2024, está feita, com nomes como Letícia (28 anos), Antônia (29), Kathellen (27), Ary Borges (23), Kerolin (23), Adriana (26), Geyse (25), Bia Zaneratto (29), Bruninha (21), Lauren (20), Duda Sampaio (22), e Angelina (23).

Mas isso é o futuro. Hoje, é preciso entender o que ocorreu para que um time com jovens talentosas e jogadoras experientes não conseguisse furar a previsível retranca jamaicana, dando adeus à Copa na fase de grupos, o que não acontecia havia 28 anos.

As duas análises, do amanhã que traz esperança e do pesadelo desta noite fria de quarta-feira no Estádio Retangular de Melbourne, passam pelo mesmo nome: Pia Sundhage.

Desde a chegada da treinadora, em agosto de 2019, a seleção feminina viveu uma renovação bem estruturada, gradual, com respeito a processos dentro e fora de campo. Mesmo após o tropeço nas Olimpíadas de Tóquio, também precoce, nas quartas de final, o Brasil não perdeu o rumo. Este ano, fez bons jogos contra Inglaterra e Alemanha.

Então, por que foi eliminada tão precocemente? Voltamos a Pia Sundhage. Será sobre seus ombros que recairá a maior carga de responsabilidade. Um pouco pela nossa tradição de apontar o dedo para treinadores nas derrotas. E também porque ela não contribuiu para que fosse diferente. Tirando a – hoje sabemos – ilusória goleada sobre o frágil Panamá, a seleção não encontrou seu futebol na Copa.

Exagero dizer que a culpa da eliminação é da treinadora sueca apenas. Atletas que eram fundamentais para fazer o jogo brasileiro fluir não tiveram boa atuação, como Debinha, Adriana, Ary Borges e Kerolin – algumas não só contra a Jamaica. O time, em geral, não soube colocar a bola no chão e os nervos no lugar.

TREINADORA ADMITE DEMORA NAS MUDANÇAS

Mas Pia, à beira do gramado, também parecia impotente para alterar um panorama que já soava preocupante no primeiro tempo nesta quarta. Após o jogo, a própria treinadora reconheceu que demorou a agir.

No intervalo, ela fez uma boa troca: Bia Zaneratto no lugar de Ary Borges. Mas esperou até os 35 do segundo tempo para voltar a mexer no time, lançando de uma só vez três novas jogadoras, em um movimento que soava mais a desespero do que planejamento. A demora para tomar decisões já tinha sido um problema contra a França, o resultado que abriu caminho para a eliminação.

– Essa é sempre uma pergunta que a gente se faz, quando a gente vê que não funcionou. Algumas das situações ali no segundo tempo poderiam ter sido melhores. Quando vemos o resultado, percebemos que foi um pouco tarde – admitiu Pia.

(Com informações de O Globo, UOL, ESPN e Lance)

Carla Zambelli é alvo de operação da PF e hacker da Vaza Jato é preso

A Polícia Federal prendeu na manhã de hoje, em Araraquara, Walter Delgatti Neto, conhecido como hacker da Vaza Jato. A deputada Carla Zambelli (PL) é alvo de busca e apreensão. A corporação cumpre determinação assinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.

A PF investiga a atuação de Zambelli e Delgatti na invasão aos sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e na inserção de documentos e alvarás de soltura falsos no BNMP (Banco Nacional de Mandados de Prisão). A PF cumpriu um mandado de prisão contra Delgatti em Araraquara, em São Paulo. Há mandados de busca e apreensão na casa e no gabinete de Zambelli. São dois mandados de busca em São Paulo e três no Distrito Federal.

Moraes determinou que a PF recolha armas, computadores, tablets e o passaporte de Carla Zambelli em todos os endereços relacionados à deputada. Na decisão, o ministro do STF pede para averiguar se há cômodos secretos nos locais.

Os fatos investigados configuram os crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. Em nota, a defesa de Carla Zambelli informou que a deputada nega cometimento de qualquer crime e que está disposta a cooperar com autoridades.

Advogado de Walter Delgatti, Ariovaldo Moreira, informou ao UOL que seu cliente está preso na PF de Araraquara, mas não deu detalhes sobre os próximos passos que a defesa tomará. É a terceira vez que o hacker é preso em operação da PF. As outras duas ocorreram em 2019, na Operação Spoofing. Solto em 2020 usando tornozeleira eletrônica, foi preso novamente em junho de 2023 por descumprir as medidas judiciais, já que afirmou que cuidava das redes sociais de Carla Zambelli, o que era proibido.

Delgatti estava sob uso de tornozeleira eletrônica desde 10 de julho por decisão da Justiça.

MANDADO DE PRISÃO FALSO CONTRA MORAES

Delgatti e Zambelli conseguiram invadir os sistemas do CNJ e BNMP usando credenciais falsas obtidas de forma ilícita entre 4 e 6 de janeiro de 2023. Foi inserido um mandado de prisão falso contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes, que dizia: “Expeça-se o mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes. Publique-se, intime-se e faz o L”.

Também foram inseridos 11 alvarás de soltura de presos por motivos diversos nos sistemas do CNJ e de outros tribunais do Brasil.

Delgatti já admitiu que ele foi o autor da invasão ao CNJ e do falso mandado de prisão contra Moraes a pedido de Carla Zambelli. A invasão seria uma espécie de prêmio de consolação para a deputada, que queria, na verdade, que ele hackeasse as urnas eletrônicas e as contas de Moraes.

O ministro Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública) comentou a operação nas redes sociais.

(Com informações do UOL)

Raça e coragem fazem a diferença

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo tem falhado muito, em diversos aspectos, no Brasileiro da Série C. A posição de risco na tabela, com longo período na zona de rebaixamento, é um atestado disso. Além de deficiências técnicas óbvias, com atuações pouco inspiradas e baixa competitividade, o time mostra falta de engajamento com o torcedor. São raras as ocasiões em que a torcida se viu correspondida em campo, observando raça e vontade de vencer.

Para o aficionado, garra e comprometimento são virtudes indispensáveis a um time que representa uma nação de torcedores. O Remo deste ano fracassou na Copa Verde e no Campeonato Paraense, expondo uma dificuldade imensa em decidir jogos importantes.

Ocorreu o mesmo na Copa do Brasil. Após uma atuação de gala no Mangueirão, quando envolveu e superou o Corinthians, a equipe sucumbiu à pressão no jogo da volta e acabou eliminada da competição, apesar de ficar demonstrado que era possível obter a classificação.

Recentemente, o zagueiro Diego Ivo afirmou que a eliminação na Copa do Brasil teve um forte impacto emocional no time, causando a derrocada no início da Série C, quando perdeu quatro partidas seguidas, ainda sob o comando do técnico Marcelo Cabo.

De repente, contra o Ypiranga, no sábado passado, a torcida se viu finalmente representada. Quando tudo parecia ir pelo ralo, com o time sem apresentar alternativas criativas para chegar ao gol da vitória, eis que um jogador emergiu como símbolo de valentia em campo.

O volante paraguaio Richard Franco, reserva de luxo desde que o técnico Ricardo Catalá assumiu o barco, foi o responsável direto pela vitória. Após um sururu dentro da área, que teve também a participação de Diego Ivo, a bola sobrou para ele e acabou indo parar no fundo do barbante.

Ele havia entrado aos 15 minutos do 2º tempo e em pouco tempo demonstrou aquele tipo de atitude que contagia a torcida, marcando em cima e disputando todas as divididas. Determinadas situações dentro de campo exigem atitude firme, esforço e coragem, principalmente quando falta recurso técnico para resolver um jogo.

Aliás, é incompreensível que Richard Franco fique no banco enquanto o Remo muitas vezes recorreu a Marcelo como segundo volante. O espírito guerreiro dentro da equipe, contagiando a todos, ajuda a superar dificuldades aparentemente intransponíveis. Pode ser o trunfo poderoso para o Remo na reta final desta etapa da competição. (Foto: Wagner Almeida/Diário do Pará)

Mancada no caso Paraíba desgasta a imagem do Papão  

O PSC é o único prejudicado nesse imbróglio Nino Paraíba. Sem ter nada a ver com o caso, o clube tem a imagem arranhada por manter em seu elenco um jogador que confessou manipulação de resultados, segundo investigações do Ministério Público de Goiás, encampadas pelo STJD. Ontem, por sinal, o tribunal determinou a suspensão preventiva de 12 jogadores de futebol, entre os quais o lateral-direito Nino Paraíba.

Eles serão afastados do futebol por 30 dias, até que o caso seja apreciado em definitivo pelo próprio STJD. A decisão praticamente afasta o jogador do restante da Série C. Em nota vazia, o PSC informou que o jurídico do clube está acompanhando o problema envolvendo seu atleta.

Para o presidente em exercício do STJD, Felipe Bevilacqua, “as violações e os prejuízos ao desporto, sua repercussão, são graves o suficiente para justificar a medida excepcional de suspensão preventiva dos denunciados”. Pois apesar da gravidade do caso, o PSC se aventurou a contratar um jogador veterano (37 anos) e encrencado com a Justiça.

Nino Paraíba estava no América-MG quando foi denunciado. Afastado no dia 9 de maio, ficou parado desde então, sem clube. Por indicação do técnico Hélio dos Anjos, o PSC decidiu contratá-lo e já o colocou até para jogar – estreou domingo contra o América-RN, em Natal.

Vale lembrar que o Papão conta com dois outros laterais direitos – Anilson e Edilson. Não havia necessidade de trazer outro, mas, como Hélio dos Anjos recomendou, a diretoria nem pestanejou em trazer o atleta. Situação típica do futebol paraense: dirigentes despreparados e técnicos poderosos, principalmente quando a fase é boa e as vitórias estão acontecendo.

Nino Paraíba confessou ao MP de Goiás que recebeu dinheiro da máfia das apostas para tomar cartão amarelo em três jogos do Ceará durante a Série A 2022 – contra Cuiabá, Flamengo e São Paulo. Pressionado, firmou acordo de delação premiada para colaborar com o inquérito e reduzir pena.

Os dirigentes precisam aprender de vez que a imagem da instituição deve ser preservada a todo custo. É de extrema irresponsabilidade permitir que isso ocorra sem motivo que se justifique. Técnicos e jogadores passam, mas o clube permanece.

Novo Mangueirão: o palco adequado para a Seleção

Quando o governador Helder Barbalho anunciou, na segunda-feira à noite, a confirmação de Belém como sede da estreia do Brasil nas eliminatórias sul-americanas para a Copa de 2026, realizava-se um sonho dele e de todos os desportistas paraenses: a volta do Estado do Pará como palco de uma partida oficial da Seleção, depois de 11 anos.

A partida será contra a Bolívia, no Estádio Olímpico do Pará Jornalista Edgar Proença, o Novo Mangueirão, no próximo dia 8 de setembro, às 21h30. Helder anunciou a boa nova com entusiasmo:

“Festejo que o investimento que fizemos no nosso Mangueirão permita que nós voltemos, depois de 11 anos, a receber a seleção brasileira em nosso Estado, com uma diferença: um jogo de eliminatória. O primeiro passo, o primeiro jogo já na Copa do Mundo, para que nós possamos conquistar o hexa. O paraense é pé quente, e nós vamos juntos com a seleção brasileira rumo ao hexa”, afirmou.

Não há hoje no Brasil palco mais indicado (e moderno) para um jogo da Seleção. O Mangueirão foi inaugurado em abril, com capacidade para 50 mil espectadores. Com rampas exclusivas para pessoas com deficiência (PcDs); placas de energia solar; sistema de coleta de água da chuva para utilização nos banheiros; salas multiuso e um novo gramado, compatível com o clima da região.

Os delegados da Conmebol que vistoriaram o estádio, em julho, aprovaram as instalações. A decisão pelo Mangueirão levou em conta o tempo de deslocamento da delegação e a infraestrutura necessária para acolher a Seleção pentacampeã do mundo.

Em 2026, a Copa do Mundo terá, pela primeira vez, três sedes oficiais: Canadá, Estados Unidos e México. Também reunirá 48 seleções. Com exceção de Japão e Coreia do Sul, em 2002, as demais edições do campeonato mundial de futebol foram disputadas em apenas um país.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 02)

Rock na madrugada – Led Zeppelin, “Immigrant Song”

Vídeo oficial de “Immigrant Song”, que estabelece uma ponte evocativa entre o Zeppelin inicial e discreto da era dos shows em teatro e a grandeza que suas apresentações assumiriam ao longo dos anos 70. É importante notar que o visual e a trilha sonora deste vídeo (autorizado pela banda) constituem um combo digitalizado de duas apresentações distintas: o filme tirado da apresentação da banda no Sydney Showground na Austrália, em fevereiro de 1972, e o áudio de um show na Long Beach Arena, em Los Angeles, no verão de 1972. “O quarto álbum tinha acabado de sair e estávamos no auge. Mesmo que o visual e a trilha sonora sejam de apresentações diferentes, a energia que transparece é palpável”, disse John Paul Jones sobre a impressionante versão, que tem hoje mais de 107 milhões de acessos no YouTube.

Surgido das cinzas do Yardbirds, em 1968, o Led se tornou um dos grupos mais influentes, inovadores e bem-sucedidos do rock moderno, com mais de 300 milhões de álbuns vendidos em todo o mundo. Jimmy Page, guitarrista e líder da banda, reuniu em torno de seu talento o endiabrado baterista John Bonham, o discreto baixista John Paul Jones e o cantor-galã Robert Plant, inicialmente com o nome de The New Yardbirds.

Um ano depois, saiu o primeiro álbum, “Led Zeppelin”, todo produzido por Page, que tomou conta de toda a parte criativa, produzindo também os discos subsequentes. Por 12 anos gloriosos, o Led reinou no rock mundial, servindo de modelo até para o clichê mais manjado do gênero: guitarrista genial, baterista ensandecido, baixista introvertido e vocalista sex-symbol.