A nova batalha contra o Náutico

POR GERSON NOGUEIRA

Para o torcedor, é praticamente impossível dissociar a ideia de revanche na partida deste domingo contra o Náutico, na Curuzu. Está viva na memória a traumática eliminação do PSC em 2019 no estádio dos Aflitos, por obra e graça de um erro do árbitro Leandro Vuaden, que assinalou um pênalti no minuto final da partida, forçando a decisão nos pênaltis, que propiciou a vitória do Timbu. O acesso estava quase garantido quando Vuaden assinalou o fatídico e inexistente pênalti.

Cabe entender que o torcedor tem todos os motivos para dirigir ao Náutico sua mágoa pelo acesso que foi surrupiado do Papão. Aos jogadores e à comissão técnica não cabe pensar dessa forma. O correto a fazer é encarar a partida como algo completamente desvinculado daquele episódio de quatro anos atrás.

O técnico Hélio dos Anjos, acostumado a tourear problemas do tipo, adotou logo o discurso de que aquele episódio ocorrido nos Aflitos é coisa do passado. O que importa, reforçou, é o que o PSC fará a partir de agora na luta para garantir o acesso à Série B.

Hélio, por coincidência, era o comandante do PSC naquela partida e foi um dos que mais protestaram contra a desastrosa arbitragem de Vuaden. Mas, da mesma forma que anos depois foi trabalhar no Náutico, agora ele entende que o espírito revanchista não convém ao time.

O PSC tem que jogar com a seriedade e o foco mostrados desde a vitória sobre o Amazonas. Repetir a garra exibida no clássico Re-Pa e contra o CSA. Deve, porém, evitar as hesitações demonstradas nos jogos contra América-RN e Altos. A ausência de intensidade atrapalhou o time nas duas partidas e é justamente o que precisa ser resgatado hoje.

Com a Curuzu lotada, a equipe tem plenas condições de sufocar o Náutico desde o começo, buscando abrir uma vantagem nos minutos iniciais. A meia-cancha formada por João Vieira, Giovanni e Robinho é a melhor que o PSC pode ter e, curiosamente, nunca tinha utilizado. Começa pela movimentação e criatividade do trio a construção de um grande resultado.

Leão joga para continuar sonhando alto

Há três rodadas, o Remo estava preso à zona de rebaixamento e tinha um horizonte sombrio pela frente. Precisava de uma sequência vitoriosa para se afastar do perigo. As vitórias sobre Ypiranga e Volta Redonda garantiram a sequência esperada. O time alcançou 20 pontos, afastando-se do Z4 e imediatamente passando a olhar mais à frente.

Ainda que as chances de classificação permaneçam vivas, o Remo terá que superar sua média ruim na competição para conquistar as vitórias que necessita para entrar no bolo dos aspirantes ao G8 final.

Serão três jogos que equivalem a três finais, com exigência de erro zero por parte da equipe. A série começa hoje contra o Manaus, na capital amazonense. Depois, virão o CSA (fora) e o Altos, em Belém.

Todo o sonho de uma arrancada final triunfante está assentado no confronto desta tarde. Caso passe pelo Manaus, o Remo começa a desenhar um cenário mais concreto de busca pela vaga. Para isso, o técnico Ricardo Catalá treinou a equipe incessantemente ao longo da semana.

Fez a opção pelo trio Claudinei, Paulinho Curuá e Richard Franco no meio, com Jean Silva, Muriqui e Renanzinho na frente. Basicamente, é a mesma formação que derrotou – atuando bem – o Voltaço no sábado passado e também o melhor caminho para superar o Gavião.

A frase da semana

“Jorge Sampaoli é o fracassado mais bem sucedido do futebol”.

Bruno Vicari, apresentador

Bola na Torre

Giuseppe Tommaso apresenta o programa, a partir das 22h, na RBATV, com participação de Saulo Zaire e deste escriba de Baião. Em pauta, a rodada da Série C do Campeonato Brasileiro. A edição é de Lourdes Cezar.

CBF rompe silêncio e se posiciona sobre máfia das apostas

Depois de longo período de silêncio, a CBF finalmente se manifestou sobre o escândalo da manipulação de apostas. Na sexta-feira, em nota oficial, a entidade informou que, “assim que o STJD decidiu pelas primeiras punições de atletas envolvidos em esquemas de apostas esportivas no Brasil, enviou solicitação à Fifa para que essas punições fossem estendidas para além do território nacional e contemplassem as 211 federações membros da entidade máxima do futebol”.

Com isso, os jogadores que foram punidos pelo STJD ficaram impedidos de atuar em clubes no exterior. O grupo de atletas condenados em julho recebeu punição definitiva, ou seja, sem direito a recurso no âmbito desportivo nacional. Com a decisão, os 15 jogadores de condenação definitiva foram bloqueados no Sistema de Registro e Transferências.

A Diretoria de Registro e Transferência da CBF, seguindo os regulamentos da Fifa, notificou as federações estrangeiras diretamente e por meio da plataforma Fifa TMS, acerca da decisão final do STJD, assim como foram abertos procedimentos junto ao Comitê Disciplinar da Fifa.  

Quanto ao recente julgamento do STJD, ocorrido na última quarta-feira (09/08), ocorreu a decisão em primeira instância, que resultou em punições que variam de 360 a 720 dias de suspensão aos jogadores condenados.

Por fim, a palavra que faltava. O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, garante que a entidade não irá recuar. “Não há a possibilidade de a nossa gestão, em qualquer instância, compactuar com qualquer tipo de crime. Todos os casos estão sendo encaminhados para a FIFA e os envolvidos vão responder onde quer que estejam”, afirmou. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 13)

Leão é líder geral de público na Série C, apesar de estar fora do G8

Com média acima de quase 12 mil torcedores, o Remo é líder disparado no ranking de público, mas ocupa o 15º lugar na classificação; Botafogo-PB e Náutico são os únicos que figuram no G-8 de público e pontos. O Paysandu é o 7º no ranking de público

Mesmo com participação de clubes tradicionais e de grandes torcidas, a Série C vem mostrando que nem sempre o apoio nas arquibancadas se reflete em campo. Isso porque, do oito clubes com maiores médias de público pagante da competição, apenas três fazem parte atualmente do G-8 na classificação da primeira fase (até a 16ª rodada).

A disparidade começa com o Remo, clube que possui a maior média de público da Série C, com 11.843 pagantes por jogo, de acordo com o Blog Ranking da CBF. Na classificação do campeonato, o Leão ocupa apenas o 14º lugar, com 20 pontos.

Em 2º lugar no ranking de público da Série C está o América-RN, com 7.685 torcedores em média, mas que aparece na 18ª posição na tabela, com 15 pontos. Fechando o “pódio” da média de público pagante está o Náutico, com 5.672 torcedores por jogo nos Aflitos. O Timbu se mantém no grupo de classificação à segunda fase, na 6ª posição, com 25 pontos.

Completam as oito primeiras posições na média de público da competição: Figueirense, Botafogo-PB, CSA, Paysandu e Pouso Alegre. Desses, só o clube paraibano está atualmente também dentro do grupo dos classificados para a segunda fase, na 3ª posição.

No outro extremo, o líder Amazonas está entre os clubes com a menor média de pagantes por jogo, com apenas 429 torcedores. Também no G-8, o São José é o lanterna no ranking de público, com apenas 97 pagantes por partida.

MÉDIAS DE PÚBLICO PAGANTE NA SÉRIE C

  1. Remo – 11.843 torcedores (15º colocado na classificação da 1ª fase)
  2. América-RN – 7.685 torcedores (18º colocado na classificação da 1ª fase)
  3. Náutico – 5.672 torcedores (6º colocado na classificação da 1ª fase)
  4. Figueirense – 4.849 torcedores (14º colocado na classificação da 1ª fase)
  5. Botafogo-PB – 3.832 torcedores (3º colocado na classificação da 1ª fase)
  6. CSA – 3.502 torcedores (12º colocado na classificação da 1ª fase)
  7. Paysandu – 3.412 torcedores (9º colocado na classificação da 1ª fase)
  8. Pouso Alegre – 2.902 torcedores (20º colocado na classificação da 1ª fase))
  9. Operário – 2.359 torcedores (1º colocado na classificação da 1ª fase)
  10. Confiança – 2.020 torcedores (11º colocado na classificação da 1ª fase)
  11. São Bernardo – 1.464 torcedores (7º colocado na classificação da 1ª fase)
  12. Manaus – 1.356 torcedores (16º colocado na classificação da 1ª fase)
  13. Brusque – 1.181 torcedores (4º colocado na classificação da 1ª fase)
  14. Amazonas – 429 torcedores (2º colocado na classificação da 1ª fase)
  15. Aparecidense – 343 torcedores (13º colocado na classificação da 1ª fase)
  16. Altos – 335 torcedores (19º colocado na classificação da 1ª fase)
  17. Ypiranga-RS – 267 torcedores (10º colocado na classificação da 1ª fase)
  18. Volta Redonda – 189 torcedores (5º colocado na classificação da 1ª fase)
  19. Floresta – 112 torcedores (17º colocado na classificação da 1ª fase)
  20. São José – 97 – (8º colocado na classificação da 1ª fase)

Fonte: site Ranking da CBF

E-mails de Mauro Cid: Bolsonaro tentou roubar mais de 180 pedras de diamante

Nos e-mails de Mauro Cid, obtidos com exclusividade pelo Blog O Cafezinho, estão quatro certificados de autenticidade das joias que Bolsonaro e seus capangas militares tentavam vender ilegalmente. São quatro documentos. Em todos, vê-se uma lista de pedras preciosas (diamantes, safiras), relógios de marca, joias femininas.

Num dos documentos, vemos uma lista de 110 diamantes; em outro, de 48 diamantes; num terceiro, 24 diamantes. Apenas de diamantes, portanto, temos mais de 180 pedras!

A data desses emails de Mauro Cid coincide com o seu esforço desesperado, no dia 28 de dezembro de 2022, de confiscar as joias que haviam sido apreendidas pela Receita, no aeroporto de Guarulhos.

Os certificados tratam de objetos que, ao que tudo indica, somam milhões de reais.

Segundo inquérito da Polícia Federal, há indícios fortes de que Bolsonaro usou Mauro Cid e pai para vender esses objetos e embolsar o dinheiro.

A PF também divulgou que Bolsonaro teria levado a maioria desses objetos para Miami, quando para lá fugiu ao final de dezembro de 2022.

A incrível quadrilha dos milicos muambeiros

Nunca dantes na história deste país, nem mesmo naqueles anos movediços de 1964, as Forças Armadas tiveram a imagem tão avacalhada quanto agora. Um presidente da República, ex-capitão de armas com passado sujo, é o motivo da execração pública das FAs brasileiras. Traficou influência à vontade, agiu em proveito próprio (e também dos filhos, cupinchas. amigos etc.), destruiu órgãos públicos de fiscalização, aparelhou outros e emporcalhou publicamente a imagem das instituições militares.

A gota d’água é o escândalo das joias, ora em apuração pela Polícia Federal. A maneira como essas operações de venda, intermediação e recompra de peças valiosas faz crer que o Palácio do Planalto virou um imenso mercado persa de negociatas rasteiras e truques de biscateiros. Ao invés de se preocupar com assuntos de governo, Bolsonaro e auxiliares se comportavam como reles marreteiros, empenhados em obter o máximo de lucro possível, após a derrota nas urnas.

Peças recebidas como presentes ou pagamento de propinas passaram a ser negociadas como muamba, com o uso do avião presidencial para transporte e o emprego do ajudante de ordens Mauro Cid como ‘mula’ e do pai deste (um general de 4 estrelas) como intermediário. Métodos que lembram em tudo a prática dos muambeiros e cambalacheiros mais ordinários.

Aliás, o avião presidencial já tinha sido palco de outra escaramuça pesada, até hoje mal explicada: o transporte de 32 quilos de cocaína, apreendidos no aeroporto de Madri. Um oficial militar foi preso como responsável pelo tráfico, embora a situação – sob o olhar de hoje – possa ter envolvido gente de patente bem mais graúda.

A Polícia Federal deflagrou na sexta-feira (11) uma operação para apurar a suposta tentativa de vender ilegalmente presentes dados ao governo por delegações de outros países. O esquema teria sido capitaneado por militares e advogados ligados ao então presidente Jair Bolsonaro.

A decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes indica que Bolsonaro usou a estrutura do governo brasileiro para se beneficiar da venda dos itens recebidos como presentes.

TRAMBIQUEIROS

Quatro aliados do ex-presidente foram alvo da operação: o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, tenente-coronel do Exército Mauro Cesar Barbosa Cid; o pai dele, o general do Exército Mauro Cesar Lorena Cid; o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e tenente do Exército Osmar Crivelatti; o advogado Frederick Wassef, que já defendeu Bolsonaro e familiares em diversos processos na Justiça.

(Wassef é o mesmo que cedeu a casa para esconder o foragido Queiroz das rachadinhas, lembram?)

De acordo com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro teria usado a estrutura do governo brasileiro para se beneficiar da venda de itens recebidos como presentes para a União.

Ex-integrantes do governo Bolsonaro, além de amigos e parças do presidente, são suspeitos de participar do esquema. Um dos itens que foi vendido ilegalmente é um riquíssimo relógio Rolex em ouro branco cravejado em diamantes e com mostrador em madrepérola branca, também cravejado em diamantes.

O relógio foi vendido por cerca de R$ 300 mil para uma loja chamada Precision Watches, na Pensilvânia, Estados Unidos. O item de luxo deixou o Brasil, segundo a investigação, em um avião da Força Aérea Brasileira junto com uma comitiva do ex-presidente.

CRONOLOGIA DO CAMBALACHO

  • 19/10/2019 – Bolsonaro viaja ao Oriente Médio. O objetivo era intensificar relações com países da região e divulgar oportunidades de investimentos no Brasil.
  • 30/10/2019 – Em visita a Riad, na Arábia Saudita, Bolsonaro recebeu o Rolex de presente. Conforme apurado pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, o ex-presidente participou de um almoço oferecido pelo rei saudita, Salman Bin Abdulaziz al Saud, momento em que ganhou um conjunto de joias, incluindo o relógio.
  • 11/11/2019 – O Rolex recebido foi protocolado como presente no “Acervo Privado” após ordem de Bolsonaro.
  • 06/06/2022 – O Rolex é liberado do “Acervo Privado”, tendo como destino o gabinete de Bolsonaro. O tenente Osmar Crivelatti assinou a retirada do Rolex.
  • 06/06/2022 – Mauro Cid (filho) troca e-mails para tratar da possível venda do Rolex. Os e-mails não deixam claro quem estava negociando com o então ajudante de ordens de Bolsonaro.
  • jun/22 – Com Mauro Cid (filho) e comitiva, Bolsonaro viaja aos EUA para participar da Cúpula das Américas. Cid (filho) não retorna ao Brasil junto com a comitiva. A PF suspeita que o Rolex deixou o país neste mês.
  • 12/06/2022 – Mauro Cid (filho) e Marcelo Camara trocam mensagens sobre o “Kit Ouro Branco”, que inclui o Rolex. Os registros foram feitos por Mauro Cid (filho), enquanto ele ainda estava nos EUA.
  • 13/06/2022 – Cid (filho) vai até Pensilvânia (EUA) vender o Rolex. O endereço refere-se a um Shopping Center, que abriga uma loja especializada em vendas de relógios novos e usados.
  • 13/06/2022 – O Rolex presenteado pela Árabia Saudita é vendido na Pensilvânia. Segundo a PF, o item de luxo foi repassado à loja Precision Watches por R$ 346.983,60. O valor foi depositado na conta bancária de Mauro Cesar Lourena Cid, pai de Mauro Cid, e amigo de longa data de Bolsonaro.
  • 30/12/2022 – Novos itens do conjunto “Ouro Branco” são retirados do Brasil. As peças foram transportadas no avião presidencial para os Estados Unidos, segundo a PF.
  • Março de 2023 – Imprensa revela existência do Rolex.
  • 08/03/2023 – Envolvidos criam operação para resgatar as peças do “Kit Ouro Branco”, incluindo o Rolex. A PF informou que, durante a troca de mensagens, os envolvidos compartilharam notícias de que o TCU poderia pedir imediata devolução dos itens.

  • 11/03/2023 – Frederick Wassef viaja para os EUA para recuperar o Rolex.
  • 14/03/2023 – Wassef recompra o Rolex nos EUA. Ele precisou pagar um valor maior do que o obtido na venda, segundo o Blog da Natuza Nery.
  • 15/03/2023 – Fábio Wajngarten troca mensagens com Mauro Cid (filho). Segundo a PF, na conversa, eles diziam temer que o Tribunal de Contas da União (TCU) determinasse a devolução imediata dos itens de luxo.
  • 15/03/2023 – O TCU determina a devolução dos itens de luxo dado por sauditas. A entrega dos itens deveria ser feita à Secretaria-Geral da Presidência da República no prazo de cinco dias.
  • 27/03/2023 – Mauro Cid (filho) embarca para os EUA para recuperar as demais peças do “Kit Ouro Branco”, na Flórida. Nesta data, Mauro Cid (filho) disse a Osmar Crivelatti, por meio de um mensagem, que a situação estava resolvida.
  • 28/03/2023 – Mauro Cid (filho) retorna ao Brasil com as peças do “Kit Ouro Branco”.
  • 29/03/2023 – Wassef volta ao Brasil com o Rolex e desembarca em São Paulo.
  • 02/04/2023 – Wassef entrega o Rolex a Mauro Cid (filho) em São Paulo.
  • 02/04/2023 – Mauro Cid (filho) leva o Rolex para Brasília e o entrega a Osmar Crivelatti.
  • 04/04/2023 – Kit de joias é entregue na Caixa Econômica Federal pela defesa de Jair Bolsonaro, segundo o blog da Julia Duailibi.

(Com informações do G1, Folha e Jornal GGN)

Estudante da Ufam preso em protesto se pronuncia ao lado de reitor: ‘Democracia deve ser respeitada’

O estudante do Programa de Pós-graduação em Educação, da Universidade Federal do Amazonas (PPGE-Ufam), e membro do Conselho Universitário (Consuni), Christopher Souza da Rocha, pronunciou-se ao lado do reitor da instituição, Sylvio Puga, na noite desta quinta-feira, 10, após ser preso e algemado por agentes federais durante um protesto no campus da Ufam.

“Durante uma manifestação que eu estava fazendo pacífica contra um sionista que foi palestrar dentro da universidade, eu fui detido e preso pela Polícia Federal, sendo colocado dentro de um camburão e, logo em seguida, viemos para cá, na sede da Polícia Federal, para fazer os procedimentos, e estou saindo agora”, relatou Christopher.

O acadêmico explicou que teve o acompanhamento do reitor e apoio de movimentos estudantis. “Estou aqui com o reitor da universidade e representantes de movimentos estudantis que vieram se solidarizar, mas também viemos buscar resolver isso, porque não estávamos fazendo nada de errado. Estávamos todos amparados perante a lei. Isso foi muito errado, a Polícia Federal prender alguém dentro do campi universitário. A gente segue na luta para que a democracia seja respeitada dentro da universidade”, concluiu o acadêmico.

Christopher explicou que ele e um grupo de estudantes protestavam contra a participação do cientista político André Lajst, no “1° Simpósio Ajuricaba de Liberdade na Amazônia”, que acontecia dentro da Ufam, quando foram abordados por agentes da PF. O estudante diz que Lajst é defensor do regime Apartheid e faz limpeza étnica em Israel. Cristopher é graduado em História e presidente da União da Juventude Socialista (UJS).

O estudante informou ainda que o reitor da Ufam, Sylvio Puga, foi acionado por funcionários da universidade e chegou ao local no momento da prisão. “O reitor me acompanhou dentro da viatura durante todo o trajeto até a sede da Superintendência da Polícia Federal (na Zona Oeste de Manaus) e ficou comigo até o fim do depoimento”, relatou Christopher.

Com a ação da PF, a diretoria da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua) publicou nota sobre a prisão de Christopher Souza da Rocha. A associação informou que Christopher e outros estudantes “exerciam o direito constitucional de livre manifestação política, por ocasião da realização do 1° Simpósio Ajuricaba de Liberdade na Amazônia”.

Até as 20h (horário de Manaus) desta quinta-feira, 10, a Superintendência da Polícia Federal no Amazonas não havia se pronunciado sobre a prisão do acadêmico da Ufam Christopher Souza da Rocha. (Transcrito de Revista Cenarium Amazônia)

Ilha de Cotijuba será palco da 5ª Edição do Festival Gastronomia das Ilhas

A ilha de Cotijuba será palco da quinta edição do Festival de Gastronomia das Ilhas, promovido pela Prefeitura de Belém, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém (Codem). A ilha fica distante 27 km da sede do município e é um dos destinos de turismo mais procurados durante o período de férias.

A programação será realizada das 11 às 16 horas, do sábado, 26 e domingo, 27, deste mês de agosto com a participação de 15 estabelecimentos, disponibilizarão como menu um prato especial exclusivo para o evento, ao preço individual de R$ 59,90, com direito à entrada, prato principal e sobremesa.

A capital paraense é detentora do Selo de Cidade Criativa da Gastronomia desde 2015 e o projeto “Festival Gastronomia das Ilhas” na atual gestão já realizou quatro edições (Ilha do Combu, Mosqueiro, Icoaraci e Outeiro), reunindo cerca de 70 empreendedores, capacitando mais de 650 trabalhadores, gerando algo em torno de três mil empregos diretos e indiretos.

Dados da Diretoria de Desenvolvimento e Negócios (DDN) da Codem contabilizam a participação de cerca de 50 mil pessoas durante os dois dias de realização dos eventos, durante as quatros edições do festival, movimentando cerca de R$ 4 milhões.

Desde 2015, Belém possui o selo de Cidade Criativa da Gastronomia, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O selo tornou a cidade uma referência mundial em gastronomia, passando a integrar a rede que busca desenvolvimento de maneira sustentável e de modo socialmente justo.

Atualmente, a administração do selo está sob a responsabilidade da Codem, que promove, apoia e fortalece eventos e atividades nessa área, sendo ainda responsável pela elaboração dos relatórios e articulações junto à Unesco, poder público, iniciativa privada e sociedade civil.

O Brasil possui quatro cidades com selo da gastronomia criativa: Florianópolis (RS), Paraty (RJ), Belo Horizonte (MG) e Belém (PA). “Belém tem uma das culinárias mais ricas e originais do país, que têm raízes indígenas e possui influências portuguesas e africanas. Possui um caráter nativo com ingredientes baseados na fauna e flora amazônicas”, afirma o gastrólogo Rodin Miranda.

Insumos  – Ingredientes como o açaí, tacacá, filhote no tucupi, maniçoba e pirarucu têm atraído o interesse de especialistas, chefs em gastronomia e turistas de todo o mundo. Cozinheiros brasileiros e estrangeiros estão vindo à região procurando inspiração nessa culinária criativa.

“É devido à originalidade e às possibilidades de sua cozinha exótica que o Pará é um dos destinos gastronômicos mais promissores do mundo. A culinária de Belém transforma esta experiência em uma viagem pelo universo amazônico, mistura cores e sabores típicos dessa região, com ingredientes exóticos e exclusivamente regionais direto de quem pesca, colhe ou produz mantendo sua originalidade em todos os pratos que oferece”, afrma o diretor-presidente da Codem, Lélio Costa. .

O Festival de Gastronomia das Ilhas tem o apoio da Fundação Escola Bosque (Funbosque), Universidade da Amazônia (Unama), Agência Distrital de Outeiro (Arout) e Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém (MMIB), Banco do Povo de Belem e Secretaria Municipal de Turismo (Belémtur). (Com informações da Agência Belém; colaboração: Lucas Santos)

Tudo começa no meio-campo

POR GERSON NOGUEIRA

Todo time precisa de um meio-campo organizado, criativo e firme na marcação. Está nos manuais, desde que os ingleses assumiram a paternidade do esporte. Com o Remo não é diferente. O time andou se atrapalhando em várias partidas da Série C, principalmente logo no começo, devido à indefinição entre cuidar do setor defensivo e investir na criatividade. Tinha bons jogadores, mas não se encontrou como time.

Por um desses acasos que o futebol proporciona de vez em quando, eis que na reta final da fase de classificação o técnico Ricardo Catalá encontrou uma formação razoavelmente interessante, com Anderson Uchoa, Claudinei, Richard Franco, Paulinho Curuá e Rodriguinho.

De vez em quando, troca uma das peças, mas no geral esses jogadores têm segurado a peteca na meia-cancha. Nada excepcional ou brilhante, mas com uma regularidade que tem sido suficiente para garantir ao time um processo de saída de bola mais eficiente.

Claudinei, em particular, tem sido um jogador fundamental, pois, além do trabalho de proteção à zaga, aventura-se em saídas rumo ao ataque. Foi desse modo que marcou o primeiro gol azulino diante do Ypiranga, há duas rodadas, aparecendo como elemento surpresa dentro da área.

Quando o ataque não funciona, por alguma razão específica, é importante que os homens de meio se aproximem. Claudinei, que começou hesitante e abusando da lentidão, evoluiu muito à medida que ganhou melhor condicionamento.

Ao lado de Anderson Uchoa, forma uma dupla de qualidade. Sem Uchoa, como vai ocorrer no jogo de domingo contra o Manaus, ele deve ter a companhia de Paulinho Curuá, de características diferentes, mas de rendimento também satisfatório.

Desde o confronto com o Volta Redonda, na 16ª rodada, um trio diferente passou a ser utilizado por Catalá; Claudinei, Curuá e Richard Franco. O paraguaio entra com funções mais avançadas, quase como um meia de ligação. Claudinei, porém, também pode se revezar nessa tarefa.

Deu certo contra o time carioca e pode encaixar de novo contra os amazonenses, em jogo que deve ter um volume maior de pressão sobre o setor defensivo remista, em função da situação de desespero do Manaus. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Com raça e cabeceios, Olímpia despacha o Flamengo

Com três gols de cabeça, o Olímpia paraguaio derrubou o favoritíssimo Flamengo ontem à noite no icônico Defensores Del Chaco, em Assunção. Foram lances telegrafados e previsíveis, mas a defensiva zaga rubro-negra patinou e permitiu cabeceios tranquilos, sem marcação. Saiu na frente, com um bonito gol de Bruno Henrique, mas se acomodou e permitiu o crescimento do adversário.

Mesmo com a boa vantagem (2 a 0) no agregado, o Flamengo parecia intranquilo, com jogadores muito nervosos. Gabriel Barbosa é normalmente assim, passa os jogos questionando arbitragem. Ontem, a tática não funcionou. O árbitro ignorou o chororô e o jogo foi disputado à moda da Libertadores, com bicudas e pescotapas.

Com raça e determinação, o time treinado por Arce foi ocupando espaços e usou as únicas armas que tinha: os cruzamentos altos na área. Foi assim que fez o primeiro gol minutos depois do gol de Bruno Henrique.

A partir daí, o Fla desceu ladeira abaixo. Ficou sem o técnico Jorge Sampaoli, expulso após um festival de reclamações e impropérios, e sofreu com as más performances de Arrascaeta, Gerson e Everton Ribeiro. A zaga tremia feito vara verde a cada bola cruzada pelo Olímpia. Foi assim que surgiram os dois gols paraguaios no 2º tempo, fechando a contagem.

Os narradores, naquele desespero doentio para afagar a maior torcida do país, insistiam ao final da partida em dizer que o resultado era uma zebra. Bobagem. O Olímpia, três vezes campeão do continente, é um dos times mais tradicionais da Libertadores. Não custa respeitar.

Foi a pior participação do Flamengo na Libertadores desde 2018, quando foi eliminado pelo Cruzeiro. Um ano depois, com Jorge Jesus à frente, emergiria para a conquista da América e o vice mundial. A lembrança dessa coincidência deve servir de consolo para os rubro-negros.

Neymar: de aspirante a melhor do mundo a astro descartável

Um cenário absolutamente novo na carreira de Neymar começa a se desenhar no PSG, depois da chegada do técnico Luis Enrique. As informações de bastidores indicam que o espanhol não quer o brasileiro no elenco, pois tem planos de remodelar completamente o time para o certame francês e a Liga dos Campeões.

Neymar e seus assessores não confirmam a saída e o jogador segue treinando normalmente, mas a imprensa francesa garante que, além de Mbappé, que ainda não renovou contrato, o clube deve ficar sem outros cinco jogadores. Uma verdadeira limpeza.

Incomodado com a condição de possível dispensado, Neymar se apressou em informar que pediu para ser transferido. Nesse sentido, o problema fica ainda mais sério, pois nenhum dos grandes clubes europeus se mostrou disposto a negociar sua contratação.

A fama de pouco comprometimento e de prioridade a projetos pessoais corre o mundo. Por isso, de candidato a melhor do mundo há seis anos, Neymar hoje é um craque em disponibilidade. Curiosamente, aos 31 anos, é um astro que ninguém quer.

O jornal L’Equipe chegou a noticiar que Neymar estaria disposto a voltar ao Barcelona. Ocorre que sua contratação abre uma discórdia no clube catalão entre os jogadores e junto ao próprio técnico Xavi, que já comentou que o brasileiro não se encaixa em seu sistema de jogo.

A hipótese de regresso do brasileiro foi posta na mesa da diretoria, mas não prosperou – e não apenas pelas complicações de natureza econômica.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 12)

Rock na madrugada – Rolling Stones, “Gimme Shelter”

Áudio daquela que é considerada a melhor versão de “Gimme Shelter”. Show no Spectrum, Filadélfia 1972. O áudio captura o auge criativo da banda, com pleno domínio de seus poderes. O diferencial em relação a outras versões deste clássico é a participação de Mick Taylor nos solos. O então jovem guitarrista estava particularmente inspirado e registra seu grande momento ao vivo do curto período em que reforçou o time de Jagger, Richards, Wyman e Watts.

O preço da irresponsabilidade

POR GERSON NOGUEIRA

As notícias custaram a ser confirmadas. Primeiro, o próprio PSC informou por sua assessoria que o julgamento do lateral-direito Nino Paraíba havia sido adiado para hoje. Depois, veio a confirmação: ainda na noite de ontem o atleta foi condenado pela 2ª Comissão Disciplinar do STJD a 480 dias de suspensão e pagar multa de R$ 40 mil.

Como se sabe, o PSC não tem nada a ver com essa história. Entrou de gaiato no navio, por exclusiva lambança em sua política de contratações. Nino Paraíba, réu confesso no escândalo da manipulação de resultados desvendado pelo MP de Goiás, estava quieto, sem clube, há meses.

Aí, quando ninguém se arriscava a contratá-lo, chega o PSC, por indicação do técnico Hélio dos Anjos, e fura a fila da insanidade. Aquela proverbial mania de autoflagelação dos grandes clubes paraenses.

Nenhum problema em contratar veteranos. O futebol do Pará vive repleto de masters na Série C. Talvez seja o Estado da federação que mais valoriza a longevidade no futebol. Nino Paraíba tem 37 anos, já rodou o país defendendo uma infinidade de times.

Hoje, porém, é um jogador sob suspeita. Mesmo depois de ter se prontificado a contribuir com as investigações sobre a máfia das apostas, o STJD aplicou a pena mais próxima do banimento.

Em três partidas do Campeonato Brasileiro da Série A 2022 – contra Flamengo, Cuiabá e São Paulo –, quando defendia o Ceará, o atleta teria recebido uma quantia para ser advertido com cartões amarelos, beneficiando os apostadores.

Nino foi autuado nos artigos 191, III inciso, e 243, que preveem, respectivamente, punição para quem deixar de cumprir, ou dificultar o cumprimento de regulamento, geral ou especial, de competição e atuar deliberadamente, de modo prejudicial à equipe que defende.

A trapaça acabou descoberta e as investigações prosseguem. Até o momento, não há notícia de que atletas de clubes do Pará tenham sido subornados para receber advertências e expulsões.

Irresponsavelmente, a diretoria do PSC decidiu contratar o atleta, mesmo ciente de todos os problemas. Ato de generosidade ou esperteza de alguns? É mais provável que o clube tenha sido vítima, mais uma vez, da fraqueza e do despreparo de seus próprios dirigentes, sempre submissos à vontade de técnicos de pulso firme.

Nino Paraíba atuou por 46 minutos com a camisa do Papão. Foi na partida contra o América, em Natal, pela Série C. Parecia haver pressa em colocá-lo em ação, mesmo com a presença de outros dois laterais direitos no elenco – Anilson e Edilson. Azar do clube, cuja imagem pública ficará sempre associada a um ilícito que não cometeu.

Evandro: um raro reforço de verdade no Remo

O Remo custou a achar um lateral-esquerdo para a campanha na Série C. Leonan, o melhor do elenco, sofre com um histórico de lesões e não poderia ser utilizado sempre. O reserva imediato, Kevin, não convenceu. De repente, com a competição em andamento, alguém lembrou que havia no Águia campeão estadual um jogador talhado para exercer a função no Leão.

Evandro, melhor lateral-esquerdo do Parazão, estava com o Águia na Série D, mas fechou com o Remo e ajudou Ricardo Catalá a resolver o drama ali pela faixa canhota da defesa. Com características ofensivas, bom chute de média distância e desempenho excelente nos cruzamentos, entrou na equipe e não saiu mais.

É provavelmente o melhor reforço da lista de 26 que o Remo trouxe desde janeiro. Como não foi oferecido por empresários e nem envolveu negociações mais rebuscadas, saiu a um preço bem interessante para o clube. Típico caso de custo-benefício satisfatório.

Que exemplos como o de Evandro inspirem os clubes locais a lançarem um olhar mais generoso para os jogadores regionais. Como ele, vários outros bons valores participaram do campeonato estadual e foram ignorados enquanto os clubes se lançavam em negócios de resultado duvidoso.

Palmeiras e Galo expõem o lado feio da Libertadores

A Taça Libertadores já foi um torneio marcado por jogos empolgantes e tecnicamente interessantes. Há alguns anos, coincidindo com o domínio brasileiro, as partidas se arrastam de maneira sofrível. Muita marcação, briga intensa pela bola, chutões e seja o que Deus quiser.

Ninguém vê dribles e jogadas cerebrais. É um vale-tudo sem fim. Ontem à noite, Palmeiras e Atlético-MG confirmaram essa tendência. Um duelo chato, rude, desprovido de lances bonitos. Da Libertadores raiz apenas a tendência para a pancadaria. Faltas duras e ríspidas.

Até os jogadores mais qualificados, como Dudu e Raphael Veiga pelo Palmeiras e Paulinho pelo Galo, ficaram devendo. As torcidas envolvidas vibram, se exasperam, sofrem, mas os demais espectadores ficam sempre com a sensação de que o futebol está bem longe dali. O placar de 0 a 0 foi fiel ao show de antijogo exibido em São Paulo.

Não é um problema exclusivo de palmeirenses e atleticanos. É quase uma tendência no continente. Raros são os times que valorizam a posse de bola, que trabalham com lançamentos e passes precisos.

Quem se deu ao trabalho de assistir os 90 e tantos minutos de Palmeiras x Atlético ficou com a sensação de que qualquer perna de pau poderia estar em campo, tal a limitação e o primarismo das ações de lado a lado. Um clássico brasileiro que não tem absolutamente nada daquele futebol vistoso de dribles e alegria que um dia (faz tempo) encantaram a torcida. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 10)