
POR GERSON NOGUEIRA
A contusão grave do zagueiro Paulão – lesão dos ligamentos do joelho direito – na partida contra o Náutico, domingo, foi a grande perda do PSC para a sequência do Brasileiro da Série C. Um dos sustentáculos da zaga, ao lado do goleiro Matheus Nogueira, o veterano defensor deixa um espaço difícil de ser preenchido no momento.
No próprio jogo com o Náutico, o setor defensivo do Papão foi posto à prova no primeiro tempo, com duas falhas muito bem exploradas pelo time visitante. A dupla de área foi formada por Paulão e Vânderson. No segundo tempo, lesionado, Paulão saiu, mas o PSC já controlava a partida.
O zagueiro deixou o campo chorando, acusando dores. A avaliação médica confirmou depois a gravidade da lesão. Com previsão de seis a oito meses de inatividade, ele está fora da temporada. O fato obriga o clube a sair em busca de um substituto, capaz de fazer o papel de referência que era exercido por Paulão.
A procura por um outro zagueiro exige agilidade por parte do Papão. O prazo para inscrição de jogadores na Série C já se encerrou, mas o regulamento da CBF permite substituir oito atletas até 25 de agosto.
Caso se classifique para a próxima fase, o PSC disputará 10 jogos até o fim da competição – se chegar à decisão do título. É inevitável que a comissão técnica busque um outro xerife. Entre os zagueiros disponíveis – Wellington, Filemon, Wanderson e Naylor –, nenhum tem as características de liderança exibidas por Paulão.
A ironia disso tudo é que o experiente zagueiro chegou cercado de muita desconfiança. Veio por indicação do ex-técnico Marquinhos Santos. Estava parado há meses e a idade sempre gera dúvidas. Aos poucos, porém, Paulão ganhou a confiança do torcedor e se consolidou ainda mais sob o comando de Hélio dos Anjos.
Todo poder às mulheres e crianças bicolores
Uma plateia diferente da que normalmente prestigia os jogos do PSC vai comparecer à Curuzu, no domingo à tarde, para incentivar o time na decisiva partida contra o Pouso Alegre. Mulheres e crianças estarão no estádio, no cumprimento da punição aplicada ao clube pelo STJD. Torcedores homens estão proibidos de entrar no estádio.
Depois da partida com o Náutico, o técnico Hélio dos Anjos já deu a letra: ele conta com o entusiasmo da mulherada e das crianças alvicelestes para empurrar o time na luta por mais três pontos.
Ontem, os ingressos foram colocados à venda. Os tíquetes para a arquibancada custam R$ 20,00, enquanto um lugar no setor de cadeiras sai por R$ 40,00. Crianças com até 11 anos entram gratuitamente nas arquibancadas e pagam meia-entrada nas cadeiras.
Crianças de 12 até 15 anos pagam ingresso, desde que acompanhadas de um responsável legal e com documento de idade. Apesar da restrição de público, o clube vai promover uma festa para a transmissão ao vivo da partida, com música, bar e local para alimentação.
Flamengo e o favoritismo que vem dos pênaltis
Aconteceu ontem o 15º pênalti para o Flamengo na temporada. Uma marca expressiva. Nada contra, a não ser a excessiva boa vontade dos árbitros em ver faltas capitais em favor do rubro-negro carioca. Diante do Grêmio, um lance de bola desviada de cabeça e que bateu no braço de um zagueiro virou pênalti. Há uma semana, jogada igual contra o Palmeiras foi interpretada como lance não faltoso.
O gol decisivo, originado do pênalti, foi o segundo seguido marcado para o Fla, que havia se beneficiado de um penal mandrake contra o S. Paulo, domingo, pelo Brasileiro. Com essa sorte para achar pênaltis, o favoritismo aumenta para enfrentar o Tricolor paulista na final da Copa do Brasil.
O velho esporte de botar chifre em cabeça de cavalo
Um mergulho garboso nas nulidades da vida. Assim pode ser definida essa falsa polêmica criada pelo presidente do Manaus, aparentemente revoltado porque o técnico Ricardo Catalá reclamou da arbitragem do baiano Emerson Andrade na partida de domingo. Ora, as queixas apresentadas pelos azulinos dirigiram-se ao árbitro, sem referência ao Gavião.
E, convenhamos, críticas procedentes. Andrade teve péssima atuação, não controlou o antijogo dos amazonenses, que se dedicaram a cair em campo depois que marcaram o gol (Thalyson), aos 10 minutos do 2º tempo.
A cera excessiva irritou os jogadores do Remo, que cobravam providências do árbitro e este, ao invés de punir a embromação, aplicava cartão nos azulinos – foram cinco só na etapa final. Além de lamentar o estado do campo, Catalá mostrou-se irritado com o tempo de acréscimos.
Caso a matemática fosse o forte de Emerson Andrade, teria dado pelo menos 10 minutos de acréscimos. Além do cai-cai, o goleiro do Manaus caiu por 4 minutos simulando contusão – levou amarelo por isso. Não houve nenhuma declaração insinuando favorecimento ao time mandante.
De repente, talvez para se promover, o presidente do clube, Giovanni Silva, emitiu uma nota, dizendo-se indignado com Catalá e aproveitando para atacar o treinador, chamando-o de incompetente. É óbvio que o técnico não irá perder tempo com bravatas de cartola em busca de visibilidade, mas é inadmissível que um dirigente se preste a isso.
Ainda afirma que o árbitro teria deixado de marcar um pênalti no último lance da partida. O ruidoso cartola manauara devia estar vendo outra partida porque a jogada citada foi absolutamente normal, uma disputa por espaço entre o lateral direito Lucas Marques e o atacante Tiaguinho.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 17)