De olho na classificação

POR GERSON NOGUEIRA

Na fronteira entre o G8 e o bloco intermediário, ocupando o 8º lugar com 22 pontos, o PSC tem hoje à tarde novo confronto com um time situado na zona do rebaixamento. Contra o lanterna Altos, o time de Hélio dos Anjos busca consolidar a boa campanha dos últimos cinco jogos – 10 pontos em 15 possíveis – para manter o sonho do acesso.

Hélio prometeu na chegada ao Papão que o time iria conquistar o acesso. Esse compromisso tem sido cumprido à risca. O time melhorou tecnicamente a partir da evolução no aspecto físico. Antes de Hélio, o PSC corria menos e parecia inferiorizado aos adversários.

Com o veterano treinador, o time recuperou a competitividade e a confiança nas próprias forças. Mesmo em situações adversas, a equipe reage e alcança bons resultados. Foi assim contra o Amazonas e o Remo. No atual giro pelo Nordeste, os embates são contra times em situação de desespero na tabela.

Na rodada passada, o América demonstrou o quanto pode ser difícil superar times aparentemente inferiores. A Série C é um campeonato democrático quanto à qualidade dos times. Todos têm nível insatisfatórios. Os jogos são disputados na base da valentia e da força. Não há técnica, nem talento.

Nesse aspecto, os times que privilegiam a objetividade tendem a se sair melhor. O PSC é um exemplo disso. Ganhou três jogos seguidos com imensas dificuldades, mas avançou na tabela. É o que importa na competição. Performance não conta, o que vale é o resultado.

Para o confronto deste domingo, Hélio altera um pouco sua filosofia de repetir sempre a mesma equipe. As atuações claudicantes de Vinícius Leite devem garantir a efetivação de Gustavo Custódio no ataque, ao lado de Mário Sérgio e Bruno Alves.

Outra “novidade” é a escalação de Mário Sérgio no comando do ataque, depois de cinco partidas entrando pelos lados do ataque enquanto Nicolas Careca atuava centralizado. O golaço que garantiu o empate em Natal talvez tenha influenciado a decisão de Hélio.

O meio-campo segue com Jacy Maranhão, João Vieira e Robinho. A criatividade passa longe, mas é a formação que Hélio tem mantido desde sua chegada. A construção de jogadas não acontece na meia-cancha, mas tende a ficar nos passes alongados para o ataque. Deu certo diante do América e certamente se repetirá contra o Altos.

A quatro rodadas do fim da etapa de classificação, uma vitória deixaria o PSC muito próximo de assegurar presença na fase de grupos. Item obrigatório para quem pretende chegar a algum lugar, confiança é o que não falta ao Papão, principalmente depois que Hélio dos Anjos colocou em prática sua conhecida linha motivacional.

O valor da experiência na campanha tunante na Série D

Paulo Rangel voltou à Tuna e tem justificado plenamente a nova oportunidade. Além de marcar gols fundamentais, tem sido útil atuando na criação de jogadas. A experiência também conta pontos. Diante do Maranhão, no primeiro confronto eliminatório, o atacante foi decisivo na conquista da vitória dentro de São Luís.

A volta será hoje, no Souza, com amplas possibilidades de um resultado satisfatório para a Lusa, que tem a vantagem do empate. Afinal, o time dirigido pelo técnico Júlio César ostenta trajetória brilhante na competição, firmando-se no pelotão dos times cotados para subir.

É grande a contribuição dos veteranos Paulo Rangel e Marlon para a tranquila caminhada da Tuna até aqui. Obviamente, a fase de mata-mata traz sempre o risco de surpresas, mas pelo que exigiu na ida a equipe é favorita para seguir em frente.  

Bola na Torre

Com apresentação de Guilherme Guerreiro, o programa começa às 22h, na RBATV, analisando a participação dos times paraenses nas séries C e D. Participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. A edição é de Lourdes Cezar.

Mudança na lei pode tirar jogador “de graça” dos clubes

Uma nova de recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) deve impactar fortemente o mercado do futebol profissional. Trata-se do FGTS Digital, que passará a vigorar a partir de janeiro de 2024. Os clubes correm o risco de perder atletas e de enfrentar sanções trabalhistas.

O modelo digital acarretará uma alteração no recolhimento do FGTS, que passará a ser feito pelo sistema PIX. Um dos efeitos da nova norma é a liberação (sem ônus) de atletas, caso não seja feito o recolhimento do fundo de garantia corretamente.

A partir deste ano, o tempo máximo de atraso para o recolhimento diminuiu de três para dois meses. A inadimplência do empregador quanto ao FGTS do atleta permite ao profissional o direito de receber todas as verbas rescisórias, inclusive a “cláusula compensatória esportiva”.

Prevista no art. 28 da Lei Pelé e no artigo 86 da nova Lei Geral do Esporte, sancionada pelo presidente Lula em junho, a cláusula compensatória tem dois limites: o máximo, de até 400 vezes o salário mensal no momento da rescisão; e o mínimo, equivalente ao total de salários mensais a que teria direito o atleta até o fim do contrato.

Dessa forma, a rescisão indireta de um jogador permite sua saída “de graça” e o recebimento de todas verbas rescisórias, além da cláusula de compensação. Por isso, além de se adaptar ao sistema PIX, os clubes terão que ficar atentos à data-limite de recolhimento – até o dia 20 de cada mês.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 06)

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