Bancada ruralista quer incluir benefícios aos agrotóxicos na reforma tributária

Agrotóxicos já têm redução e até isenção nas alíquotas de ICMS, além da isenção total do IPI. E não pagam PIS e Cofins

Parlamentares da bancada ruralista na Câmara querem embutir na reforma tributária ainda mais benefícios ao setor de agrotóxicos. A denúncia é do deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ), que vê grave distorção na inclusão desses produtos entre os itens com desconto de 50% nos tributos. “Eles dão esse benefício dizendo que é para itens de higiene, mas quando abrimos a legislação e as tabelas citadas no texto encontramos um monte de agrotóxicos misturados”, disse Glauber.

Segundo ele, a distorção está no Artigo 8º, inciso 7º, no qual insumos agropecuários como inseticidas, fungicidas, herbicidas e similares são inseridos junto com alimentos destinados ao consumo humano e produtos de higiene pessoal. “Isso é uma fraude. Colocam todo tipo de agrotóxico como se fossem itens de higiene”, disse o deputado, que ao lado de outros parlamentares fazem pressão sobre o relator na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). O objetivo é retirar mais esse benefício a esses produtos que contaminam o meio ambiente, causam intoxicações agudas e doenças graves e letais.

“Também apresentamos um destaque para votação em separado desse ponto, para, caso o relator não suprima o texto, que esse tema seja deliberado e que os deputados tenham que colocar as suas digitais”, disse. “Não é possível que a gente tenha um incentivo ao uso de agrotóxicos. É isso que a bancada do latifúndio está tentando fazer e nós estamos tentando evitar”.

Os agrotóxicos já são fartamente beneficiados pela estrutura tributária no Brasil. As indústrias desses produtos pagam em média 3% de ICMS, mas são isentos desse impostos em várias partes do país. E zero de IPI, Pis e Cofins.

O tema está em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). No último dia 15, o ministro André Mendonça pediu vista em ação do Psol que pede a inconstitucionalidade de cláusulas do Convênio 100/97 do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), além do Decreto 7.660/2011. Com base nesses dispositivos, o mercado de agrotóxicos passaram a ter, com redução de 60% da base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), além da isenção total do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de agrotóxicos. E não pagam PIS e Cofins

O placar no STF está em um voto contrário aos benefícios fiscais, da parte do relator, Edson Fachin. E um voto favorável à isenção, de Gilmar Mendes. Faltam ainda o posicionamento de outros oito ministros, já que Cristiano Zanin ainda não assumiu a vaga deixada por Ricardo Lewandowski em abril. (Transcrito de Rede Brasil Atual)

Vitória sobre o Grêmio leva Botafogo a fazer história no Brasileiro dos pontos corridos

O fato do Botafogo conseguir derrotar o Grêmio por 2 a 0 neste domingo (9) levou a equipe alvinegra a mais uma façanha no Campeonato Brasileiro. O grupo comandado interinamente por Cláudio Caçapa conseguiu igualar a melhor campanha na história dos pontos corridos após 14 rodadas. O Glorioso chegou a 36 pontos, mesma pontuação que o Corinthians de 2017, que era o recorde isolado. No entanto, o clube carioca teve mais vitórias. Em 14 jogos, os botafoguenses venceram 12 partidas e tiveram duas derrotas. O Timão, por sua vez, havia vencido 11 jogos e empatado outros três.

A distância para o segundo colocado também chama atenção. O Botafogo abriu dez pontos de vantagem, enquanto o Corinthians em 2017 estava a oito pontos do vice-líder Grêmio.

Curiosamente, os gremistas em 2017 também eram comandados por Renato Gaúcho, que naquela edição chegou a dizer que “o Corinthians vai despencar na tabela”. Há um bom presságio para o Botafogo ao fim desta décima-quarta rodada em meio à expectativa pela chegada do técnico Bruno Lage. Em 2017, os corintianos terminaram a competição como campeões brasileiros.

VAR ANULA GOL E GERA CRÍTICAS

O comentarista Sérgio Xavier Filho, do “SporTV”, usou as redes sociais para criticar o VAR no futebol brasileiro após a arbitragem anular um gol do Botafogo contra o Grêmio, em jogo disputado na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, neste domingo (9). O atacante Tiquinho Soares balançou as redes na primeira etapa, mas os juízes entenderam que o zagueiro Victor Cuesta, responsável por escorar a bola para o companheiro, estava em posição irregular. Para o jornalista, o lance não ficou claro mesmo depois de um longo tempo de revisão.

“O VAR brasileiro é uma piada. Fizeram o trabalho no gol do Botafogo. Desconfiaram que não ficou bom. Refizeram. Deu no mesmo. Nenhuma certeza de nada quando o telão mostra como as coisas são feitas. E toda a dinâmica do jogo indo para o espaço”, publicou o jornalista.

A vitória da esperança

POR GERSON NOGUEIRA

Depois da heroica e dramática vitória sobre o líder Amazonas, sábado, em Manaus, o técnico Hélio dos Anjos resumiu o sentimento que envolvia todos os bicolores naquele momento: “O que o Paysandu exige da gente é coragem”. Descreveu de maneira quase perfeita o que ocorreu no gramado do estádio Eduardo Zamith. O PSC se armou de raça, valentia e objetividade para arrancar um triunfo importante em condições adversas – segurou o resultado mesmo com nove jogadores nos minutos finais.

A vitória ganha importância especial porque reabre em cores vivas as esperanças de classificação. Da 16ª posição, o time pulou para a 11ª colocação, com 15 pontos, um ponto atrás do oitavo colocado – Volta Redonda. Entrar para o G8 se tornou algo cada vez mais possível, sonho quase abandonado depois do tropeço da rodada passada.

Hélio dos Anjos assumiu o time, perdeu o primeiro jogo, mas avisou que mudanças iriam ocorrer, fazendo sangrar e doer. Ele não mudou jogadores, mas o time teve outra atitude diante do Amazonas. Intensidade, força, gana de vencer. Apesar de inicialmente acuado, mas aos poucos se firmou em campo e acabou abrindo o placar logo no primeiro chute a gol.

Eltinho recebeu passe pela esquerda, avançou até o lado da área e deu um passe perfeito para Nicolas Careca desviar em direção às redes, aos 16 minutos. O Amazonas, que entrou a todo vapor, continuou jogando em alta velocidade. Pressionou muito, forçando o PSC a recuar excessivamente, mas a zaga e o goleiro Matheus Nogueira saíram bem diante da pressão.

Veio a segunda etapa e o Amazonas redobrou os ataques. Trocou DG por Ruan e o rápido Luan passou a atuar pela esquerda. Levou perigo em três lances seguidos, obrigando Mateus a boas intervenções. Em escanteio cobrado por Gustavo Ermel, a bola foi cabeceada pelo zagueiro Maycon, aproveitando a única falha do setor defensivo bicolor.

Ao contrário do primeiro tempo, quando baixou as linhas e aceitou a presença do Amazonas em seu campo, o PSC mudou de estratégia. Passou a tocar a bola junto à área adversária. Geovani, Dalberto e Bruno Alves, que entraram no segundo tempo, fizeram o time avançar mais.

Apesar de constantemente ameaçado pelos donos da casa, o PSC teve o mérito de não abrir mão de buscar a vitória. A Série C é uma competição que depende muito do comportamento anímico dos times. Quando não há volume técnico para se impor, é necessário recorrer à imposição física.

O PSC foi aguerrido e lutou bastante, fazendo por merecer o segundo gol. Já na reta final da partida, Eltinho aproveitou um clarão na defensiva do Amazonas e disparou um chute forte. O goleiro deu rebote para o meio da área. João Vieira pegou em cheio, abrindo novamente vantagem.

Wellington Carvalho e Eltinho ainda foram expulsos e o Papão precisou ter forças para resistir à pressão final do Amazonas nos acréscimos. O triunfo, muito comemorado, recoloca o time na briga pela classificação.

Leão e o desafio de exorcizar o Fantasma

Contra o Operário-PR, hoje à noite, o Remo terá que se armar de todos os recursos possíveis para garantir os três pontos e deixar o Z4, onde está desde ontem devido aos outros resultados da 12ª rodada da Série C. A ausência de Pedro Vitor faz com que o técnico Ricardo Catalá precise mudar a configuração do ataque, que pode voltar a ter a dupla Fabinho e Muriqui na linha de frente.

Há também a opção de colocar Vitor Leque atuando pelos lados, mais ou menos como Pedro Vitor joga. Explorador as laterais é um dos caminhos naturais para enfrentar equipes que jogam muito fechadas, como o Operário, que tem a melhor defesa do campeonato.

O confronto é considerado pelo próprio Catalá como o mais complicado para o Remo entre os que restam a cumprir. Tudo em função das características do visitante. Em casa, o Leão teve tropeços que contribuíram para atrasar a reação do time. Empatou com América-RN e Figueirense.

Evandro, lateral esquerdo contratado ao Águia, pode aparecer na equipe, entrando no decorrer do jogo. É um jogador de características ofensivas, que pode fazer a bola chegar à área, onde Muriqui e Fabinho irão se posicionar.

Firme e letal, Botafogo amplia vantagem na liderança

No fim da partida de ontem no estádio do Grêmio, o técnico Renato Gaúcho foi ao trio de arbitragem reclamar não se sabe bem do quê. Alguns comentaristas de emissoras gaúchas também ficaram se lamuriando e apelando feio, tentando explicar o injustificável.

O choro gremista não tem razão de ser. A vitória do Botafogo foi merecida e dentro das características que o time apresenta nesta surpreendente campanha no Brasileiro. Teve um gol anulado pelo VAR, mas manteve a atuação segura e tranquila, esperando o momento certo de liquidar a fatura.

O primeiro gol nasceu de jogada sutil de Segovinha e Di Plácido, finalizada brilhantemente por Eduardo. Nos minutos finais, quando o Grêmio ensaiava uma pressão, Segovinha apareceu de novo. Foi dele o passe para Marlon Freitas, que tocou para Carlos Alberto estufar as redes.

A campanha é impecável, afronta os desavisados e céticos e encanta uma torcida apaixonada. O time está fazendo o botafoguense sonhar. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 10)

Recorde de visitação marca a 2ª edição do projeto ‘Uma noite no Museu’

Assim como na primeira edição, iniciativa da Secult bate recorde de público

A noite da primeira sexta-feira, 07, foi movimentada no Complexo Feliz Lusitânia. Aproximadamente 12 mil pessoas participaram da segunda edição do projeto “Uma noite no museu”, iniciativa do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult). Nem a chuva intimidou o grande público que prestigiou a ação gratuita composta por visitas noturnas a museus do Sistema Integrado de Museus e Memórias do Estado (SIMM), feira do Preamar da Criatividade e apresentação musical.

As estudantes de fisioterapia, Paula Timóteo e Geovana Salles conferiram atentamente os elementos da mostra “Amazônia Presente”, na Casa das Onze Janelas. “A gente acaba se enxergando, se identificando nas fotografias e pinturas, mas o mais interessante é que a gente também conhece um pouco mais da Amazônia que a gente vive. Por morarmos aqui, achamos que sabemos tudo, mas é muito importante estar sempre aberto a conhecer um pouco mais. A Amazônia é um universo”, comentou Paula.

Na mesma exposição, uma peça específica chamou a atenção das crianças Lina e João, de 8 e 10 anos: a cuia câmera obscura de Miguel Chikaoca. A peça consiste num disco de policarbonato e lente convergente de vidro. “Eu achei a coisa mais legal de todas, porque para onde você aponta você consegue enxergar com a cuia, como se você fosse o fotógrafo”, detalha João.

A recepcionista Alana Silva, 37, levou os sobrinhos e a mãe para curtir uma noite nos museus do Estado e contou que precisou combinar um roteiro para decidir por onde começar. “Cada um queria começar por um local diferente, mas no final, decidimos iniciar pelo Museu do Círio, depois Fidanza, Igreja de Santo Alexandre, Casa das Onze Janelas e Feirinha. Realmente, vir nos museus à noite é diferente. Uma experiência única, e ao mesmo tempo uma coisa tão simples. Estou encantada, parecem outros espaços. A iniciativa está de parabéns, porque temos muitas opções neste circuito”, considera Alana.

O advogado de Santa Catarina, Wilson Casseb, levou a mãe, Alice, de 71 anos, para conhecer os museus do Estado e aproveitou para refletir com ela sobre a delicadeza da coleção exposta na Galeria Fidanza, “Uma poética natural”. “É interessante observar o instinto e a genialidade dos povos originários no manuseio dos elementos da floresta, construir móveis como bancos a partir da madeira bruta, com utensílios tão primitivos, não é pra qualquer um. E não eram móveis simples, eram todos cheios de significados, representavam classes dentro das aldeias. Uma mostra fantástica”, observa o advogado.

“A resposta do público sempre nos surpreende. Foram mais de 10 mil pessoas na primeira edição. Nesta, nós estamos vendo um fluxo igual de pessoas que vêm conhecer, não só as exposições, os equipamentos museais, mas também viver essa paisagem urbana aqui no centro histórico de Belém. Esta, também, é uma ação de educação patrimonial. A população gosta de viver sua cidade e cada vez mais ela se torna vigilante desse patrimônio. Então, nós estamos muito felizes, porque esta ação é um abraço nessa criatividade, nesse talento dos artistas, mas também um abraço na nossa cidade”, aponta a Secretária de Estado de Cultura, Úrsula Vidal, idealizadora do projeto.

A frase do dia

“Felicidade não é ter mais que os outros. Felicidade é que todos tenham as mesmas coisas que você tem e precisa: uma casa, educação e saúde, o que comer, o que vestir, acesso a cultura e lazer. Felicidade é que todos tenham os mesmos direitos e respeito. A felicidade é socialista”.

Ricardo Pereira, professor e jornalista

A consistência subestimada

POR GERSON NOGUEIRA

A campanha que o Remo faz desde a chegada do técnico Ricardo Catalá, com 13 pontos ganhos em sete jogos e 66% de aproveitamento, equipara-se à do campeão do ano passado, o Mirassol – que era dirigido pelo atual comandante azulino. O time está invicto desde a quinta rodada. Seguramente estaria melhor posicionado se não tivesse jogado fora as quatro primeiras partidas, ainda com Marcelo Cabo.

O próximo adversário do Remo é o Operário-PR, nesta segunda-feira (10), às 20h30, no estádio Baenão. Um confronto decisivo para as aspirações azulinas de brigar pela classificação. O problema é que, apesar da excelente trajetória sob o comando de Catalá, a equipe ainda não conseguiu entrar no G8.

Com apenas dois gols sofridos em sete rodadas, o sistema defensivo do Leão é um dos melhores da competição, apesar das várias mudanças que Catalá foi obrigado a fazer, em função de contusões e cartões. A torcida sempre desconfiou do duo central – Diego Ivo e Diego Guerra –, mas o desempenho de ambos tem sido satisfatório.

O que não vem funcionando a contento é a pontaria da equipe. Nos jogos diante de Figueirense e Floresta, foram criadas pelo menos oito grandes oportunidades de gol, mas o time só conseguiu balançar as redes uma única vez. Foi contra o time catarinense, no Mangueirão, ocasião em que a arbitragem anulou erradamente um gol de Diego Ivo.

Contra o Floresta, em Fortaleza, o Remo mandou três bolas na trave – duas com Fabinho – e não conseguiu marcar. Perdeu um gol do tipo inacreditável, quando o meia Marcelo teve a bola à sua frente na linha do gol e acabou não conseguindo chutar.

Para Catalá, a receita não mudou. O Remo faz uma campanha de recuperação e precisa acumular pontos. Mesmo quando o resultado foge aos planos, ele faz questão de valorizar a consistência tática e o modelo praticado, que se estrutura no 4-1-4-1 com variações para o 4-4-2 e o 4-4-3.

O desafio de superar o Operário, terceiro colocado (19 pontos) e dono da melhor defesa (6 gols) da competição, vai exigir algumas adaptações na linha ofensiva. Sem poder contar com Pedro Vitor, seu principal atacante, o Remo terá Muriqui e Fabinho na frente.

Com essa formação, cresce a importância das jogadas de lado. Na direita, Lucas Marques deve atuar como um ala ofensivo, auxiliado provavelmente por Richard Franco, que volta a ter chance como titular. Pelo corredor esquerdo, o recém-contratado Evandro pode estrear. Kevin é a outra opção.

O certo é que, com dois ou três atacantes de ofício, o Remo não pode mais correr o risco de tropeçar em casa, como ocorreu contra Botafogo-PB, Amazonas, América-RN e Figueirense. Um erro, por mínimo que seja, pode comprometer ainda mais a difícil caminhada até o G8.

Além de Pedro Vitor, o Remo não terá o capitão Vinícius, suspenso pelo terceiro amarelo. Zé Carlos entra no gol, mas os problemas envolvem principalmente a funcionalidade do meio-de-campo, onde Pablo Roberto reaparece. Criatividade e ocupação de espaços podem decidir a parada contra um adversário que pode (e vai) jogar inteiramente fechado. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 22h30, na RBATV, com participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em análise, as campanhas dos times paraenses nas Séries C e D. A edição é de Lourdes Cezar.

Futebol como campo de guerra e ódio sem limites

Os incidentes violentos envolvendo um grupo de torcedores e o atacante corintiano Luan reacenderam o alerta sobre os rumos brutos que o futebol está tomando no Brasil. Há algum tempo que as atenções estão focadas exclusivamente no que ocorre dentro das quatro linhas. Facções organizadas agem antes, durante e depois dos jogos, sem freio.

Não basta ao atleta profissional cuidar de suas responsabilidades com o clube empregador. Agora, é necessário que tenha vida de monge ou eunuco. Farras, passeios ou idas ao motel podem representar risco à integridade física. Agredido pelos baderneiros, que se identificaram como sendo da organizada Gaviões da Fiel, Luan levou um mata-leão e ficou ferido, mas o ataque podia ter terminado de forma trágica.

A emboscada sofrida por ele dentro de um motel da capital paulista revela requintes de uma ação violenta cuidadosamente levada a cabo. A polícia investiga o caso, mas ainda não chegou a nenhum dos agressores. Talvez fosse interessante lançar um olhar sobre figuras ligadas ao próprio clube, a essa altura a parte mais interessada em se livrar de um jogador caro (R$ 800 mil mensais) e improdutivo.

Outro lusitano a caminho do líder Botafogo

Bruno Lage, técnico da mesma geração de Luís Castro, está praticamente acertado com o Botafogo. Vem assumir o time que lidera o Campeonato Brasileiro. Não é tarefa simples. Terá que manter o incrível desempenho apresentado sob a direção de Castro.

Lage fez fama ao conquistar o título português de 2018/2019 com o Benfica. Foi treinar o Wolverhampton, da Inglaterra, na última temporada, mas acabou demitido. Segundo a imprensa de Portugal, o estilo dele lembra o de Castro, principalmente quanto à obsessão pela posse de bola.

No Botafogo, ele vai precisar de muita firmeza para suportar a pressão normal num time que não conquista o título brasileiro desde 1995.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 09)

Rock na madrugada – Deep Purple, “Highway Star”

A isto aqui chamamos rock’n’roll. Um clássico presente no top 10 das canções roqueiras mais famosas em seu registro mais famoso de 1972, ao vivo em Osaka (Japão), com a formação original do Deep Purple: Ian Gillan, Ritchie Blackmore, Jon Lord, Ian Paice e Roger Glover. Performances memoráveis de Gillan (“a voz de prata”), Blackmore (um dos melhores guitarristas do rock) e Jon Lord no órgão elétrico. O vídeo tem o áudio do show no Japão, um dos melhores “ao vivo” de todos os tempos, mas mescla imagens de uma apresentação da banda na Dinamarca.

Fundada em 1968, em Londres, o Purple cravou seu nome na história como um dos pioneiros do heavy metal, ao lado de Led Zeppelin e Black Sabbath. Continua em plena atividade, apresentando-se em festivais e shows pelo mundo (passou por Belém em 2013, num show pouquíssimo divulgado à época), mas trocou de formação várias vezes depois das desavenças internas entre Gillan e Blackmore (que saiu para formar o Rainbow) e a morte de Lord, em 2012. O próprio Gillan saiu e voltou algumas vezes, chegando a substituir temporariamente Ozzy Osbourne no Sabbath.

Papão vence a primeira fora de casa e quebra invencibilidade do líder Amazonas

Com gols de Nicolas Careca, no primeiro tempo, e João Vieira, na etapa final, o Papão quebrou a sequência ruim em jogos fora de casa e derrotou o Amazonas por 2 a 1, na tarde deste sábado, em Manaus. O triunfo teve um toque de dramaticidade, pois o PSC ficou com apenas nove jogadores (Wellington Carvalho e Eltinho foram expulsos na reta final da partida), resistindo à pressão exercida pelo Amazonas em busca do empate.

A equipe amazonense lidera a Série C com 24 pontos e estava invicta há dez partidas. Foi a primeira vitória do Papão fora de casa, resultado que lhe garante a 11ª posição provisória na classificação.

O imortal Zé Celso mostrou Silvio Santos como ele é: um milionário mesquinho

Por Kiko Nogueira, no DCM

De tudo que fez pela arte brasileira, Zé Celso será lembrado, também, por desmascarar Silvio Santos. Durante mais de 40 anos, os dois brigaram por causa da área onde está localizado o Teatro Oficina, em São Paulo. Fundado em 1958, o prédio reformado por Lina Bo Bardi foi tombado pelo Condephaat em 1981. Dono de um terreno nos arredores no bairro do Bixiga, Silvio pretendia construir um edifício e Zé Celso levou o caso para a Justiça, alegando, corretamente, que o empreendimento prejudicaria o teatro.

Em agosto de 2017, eles tiveram uma reunião mediada pelo então prefeito de São Paulo João Dória e o vereador Eduardo Suplicy para tentar uma solução. O vídeo do encontro, divulgado pela turma de Zé Celso, incomodou Silvio porque expôs sua verdadeira face. O momento mais revelador do colóquio é quando Zé lhe cobra generosidade ou algum senso de responsabilidade pública.
— Você é um homem super-rico, supergeneroso!, diz o dramaturgo.
— Eu tenho culpa de ser rico? Eu dei sorte, e daí? Você não deu ainda, problema teu, responde Silvio.
— A gente tem que pensar na cidade, cara. Eu tenho 80 anos e ele tem mais do que eu [Silvio tinha 86]. Daqui a pouco a gente some do mapa. No entanto, a cidade fica. Você sabe disso.
— Eu não quero morrer. Não vou morrer, devolve o apresentador, enquanto os circunstantes se divertem.

Zé Celso estava apelando para um sentimento que seu interlocutor não tem: o de que ele deveria devolver — ao menos pensar em devolver — ao lugar que o acolheu uma parte da fortuna que amealhou ali. Em Nova York, para ficar apenas num exemplo, a sede da ONU está num terreno doado por John D. Rockefeller. Mas Silvio é de outra cepa. Prefere se afundar numa grana que não vai usar e erguer “torres residenciais”.

O sujeito que aparece naquela reunião é o SS da vida real. Não o bufão do domingo, mas um milionário ordinário cuja única motivação é colecionar moedinhas e não morrer. Aos domingos, com sua peruca, uma certa incontinência verbal, o carisma, a nostalgia, é fácil esquecer que ele apoiou Figueiredo, Bolsonaro e ajudou a tornar um país mais burro e mais reacionário.

Quem morreu foi seu inimigo — o poeta que o desmascarou e, agora, é imortal.

Vídeo no site da Folha de S. Paulo sobre a reunião ocorrida há cinco anos.

Rock na madrugada – The Who, “Won’t Get Fooled Again”

Formação quase completa do Who – faltando apenas o encapetado Keith Moon -, com Pete Townshend, John Entwistle e Roger Daltrey em show beneficente no teatro Royal Albert Hall, em Londres, no final de 2000. Participação luxuosa de Noel Gallagher na guitarra, fazendo bonito e divertindo-se ao lado de seus heróis de adolescência. A canção, um rockão de Townshend, cresce ainda mais nos registros ao vivo, como boa parte do repertório clássico do Who. Na bateria, Zak Starkey, filho de Ringo Starr, outra lenda do instrumento.