
Mês: julho 2023
Direto do Twitter
Ímpeto, raça e intensidade
POR GERSON NOGUEIRA
Um gol logo aos 20 minutos garantiu a vitória do PSC sobre o CSA, ontem à noite, na Curuzu, garantindo o ingresso na zona de classificação. O time foi eficiente, aproveitando a chance surgida e depois tornou o jogo extremamente favorável, usando a pressão alta para incomodar o adversário. Com a terceira vitória consecutiva, Hélio dos Anjos vai avançando no cumprimento da promessa inicial de alcançar o acesso.
Na primeira etapa, com o time disposto e preparado para correr o campo inteiro, o CSA não teve chances claras de chegar ao gol de Matheus Nogueira. O PSC, ao contrário, criou oportunidades com Mário Sérgio e Vinícius Leite.
Hélio utilizou uma de suas estratégias preferidas. Fez o time exercer uma pressão permanente sobre o setor defensivo do CSA, utilizando principalmente os laterais Anilson, que estreava, e Eltinho. Não permitiu espaços para o alviceleste alagoano.
Aos 20 minutos, Robinho fez o que sabe e cobrou escanteio no segundo pau para um cabeceio seguro e certeiro do zagueiro Wellington Carvalho. O goleiro pulou com atraso e a bola morreu no canto direito da trave.

Com a vantagem, a empolgação da torcida entrou em sintonia com a confiança do time. A partir dessa combinação, o PSC viveu momentos de muita presença no ataque, mesmo sem fazer com que a bola girasse no meio-campo. Era a tal verticalização que Hélio dos Anjos tanto prega.
Aos 35’, em contra-ataque fulminante pela direita, Anilson cruzou rasteiro e quase Mário Sérgio tocou para o gol. Nos acréscimos, Vinícius Leite teve um rebote da defesa alagoana, mas mandou para fora.
Já no segundo tempo, apesar de continuar ameaçando o gol do CSA, o time teve uma diminuição de ritmo que permitiu ao atrapalhado visitante sentir o gostinho de chegar perto do empate. Marcelo Cabo, técnico do CSA, lançou o atacante Júnior Todinho e o time ficou mais agressivo.
A partir daí, o Papão ficou mais à espera de erros do CSA para organizar contragolpes, mas as chances não se repetiram como na etapa inicial. No final da partida, aos 45’, Arnaldo avançou pela esquerda e bateu cruzado, com muito perigo, assustando a zaga bicolor e a torcida.
No minuto seguinte, o meia Leandrinho bateu da entrada da área e o goleiro Dalberson fez uma excelente defesa. O atacante Gustavo Custódio ainda teria uma chance, aos 48’, mas finalizou mal.
Uma vitória importante, que coloca o PSC em 7º lugar e em ritmo de ascensão, se comparado com times como São Bernardo, São José e Ypiranga, que tiveram um início de competição melhor e hoje aparecem em queda. Hélio disse, ao final do jogo, que o nível de intensidade do time está próximo do ideal, dando a entender que a evolução está em marcha.
Faltou contundência, mas Leão pontua nos Aflitos
A partida era considerada difícil pelo mau momento do Remo e pela boa campanha do Náutico (5º lugar), ainda mais jogando diante de sua torcida no alçapão dos Aflitos, mas o Remo mostrou uma disposição tática que conteve os avanços do time da casa e foi responsável por ações ofensivas que poderiam ter garantido a vitória.
O empate em 0 a 0 retratou o equilíbrio das ações de meio-campo, povoado em excesso, e a baixa criatividade dos times. Na primeira etapa, a chance mais clara de gol coube ao Remo. Aos 28 minutos, Rodriguinho ergueu uma bola na área e Richard Franco mergulhou para cabecear na trave direita. A bola bateu e voltou para as mãos do goleiro Wagner.
Assustado com a chegada do ataque azulino, o Náutico insistia em cruzamentos na área, mas Vinícius exibiu segurança e bom posicionamento, não permitindo nem rebote.
Depois do intervalo, o Remo trocou Fabinho por Kanu e Uchoa por Paulinho Curuá. Na primeira investida, aos 12 minutos, Ronald cruzou da direita, a zaga rebateu e Rodriguinho, livre, chutou rasteiro. O goleiro salvou com os pés o que seria o primeiro gol da partida.
A resposta do Náutico veio dois minutos depois. O meia Souza entrou na área, driblou dois marcadores e disparou em direção ao gol. Vinícius afastou com os pés e, no rebote, a bola sobrou para Jean, mas o lance foi invalidado por impedimento.
Com o estreante Renanzinho aberto pela esquerda, o Remo ameaçou duas vezes antes do final do confronto. Na primeira, o ponta chutou da entrada da área para defesa tranquila de Wagner.
Em seguida, aos 46’, ele foi à linha de fundo e cruzou encobrindo o goleiro. A zaga afastou, com o gol vazio, antes que Kanu chegasse na pequena área. Diego Guerra tomou o segundo cartão e foi expulso, mas o Remo controlou os lances derradeiros e saiu dos Aflitos com um empate, que lhe garante ficar fora do Z4 pelo menos até o final da rodada.
Uma atuação segura, bem encaixada e com alguns destaques: Vinícius, Ícaro, Richard Franco e Evandro (que saiu lesionado no 2º tempo). Renanzinho fez boa estreia, Paulinho Curuá e Kanu renderam bem mais que Uchoa e Fabinho.
Reação fulminante prova que o Fogão está afiado
Mesmo com uma atuação abaixo do esperado, talvez a pior da equipe no campeonato, o Botafogo foi buscar um empate heroico na Vila Belmiro após estar perdendo por 2 a 0 até os instantes finais. Em dois lances rápidos, Tiquinho Soares diminuiu e Adryelson empatou, de cabeça.
Nos acréscimos, a bola quase entrou para o terceiro gol botafoguense, em lances com Lucas Fernandes e Felipe Sampaio, cabeceios que só não entraram por milagre. Nas circunstâncias, um excelente resultado, mas no geral o desempenho foi ruim e expôs fragilidades no líder da Série A.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 24)
Bomba em Brasília envolveu empresário e casal pecuarista do Pará, aponta inquérito
Por Rafael Neves, do UOL em S. Paulo

Ricardo Cunha (esq.) com o deputado federal Delegado Caveira (PL-PA)
Um empresário e um casal de pecuaristas do Pará são investigados pela tentativa de atentado a bomba perto do aeroporto de Brasília, em dezembro, contra o resultado das eleições. Um relatório da Polícia Civil do DF, entregue à CPMI dos Atos de 8 de Janeiro, indica que eles discutiram detalhes do plano com George Washington de Oliveira Sousa, que confessou ter encomendado e montado o explosivo.
O empresário é Ricardo Pereira Cunha, dono de uma loja de informática em Xinguara (PA). Segundo o relatório da polícia do DF, Washington afirmou, em “entrevista informal” na delegacia, que Cunha enviou o explosivo a ele.
Os pecuaristas são Bento Carlos Liebl e Solange Liebl, de São Félix do Xingu (PA). Eles pediram aval de Washington para buscar “peças de caminhão”, algo que o próprio militante confessou ser um código para os explosivos.
Cunha e o casal Liebl, entre outros investigados, foram alvos de buscas e apreensões no final de abril. A operação das polícias civis do Pará e do DF mirou quatro cidades do sudeste do estado, região de onde saíram lideranças bolsonaristas para se articularem em Brasília.
Até o momento, nenhum deles foi preso nem denunciado, e o inquérito corre sob sigilo. Washington, por sua vez, já foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão, em maio.
Ao chegar à delegacia, em 24 de dezembro, Washington indicou Cunha e Bento Liebl como nomes para contato. Os três frequentaram o acampamento golpista em frente ao quartel-general de Brasília e combinaram atos em novembro e dezembro.
A defesa de Washington negou que haja outros envolvidos no caso. “George Washington não tem nenhuma ligação com essas pessoas”, afirmou a advogada Rannie Karla Monteiro.
Cunha, por sua vez, negou ter levado qualquer material a Washington em Brasília. O empresário disse que apenas ajudou na organização do acampamento na capital federal. “Sou patriota, amo meu país, mas não sou louco para colocar vidas de pessoas inocentes em perigo”, declarou ao UOL.
Bento e Solange Liebl não foram encontrados. O UOL tentou contato com ambos desde o início da semana por telefone e e-mail, mas não houve retorno.
EMPRESÁRIO ACERTOU ENVIO DE “ENCOMENDA” AO TERRORISTA
Washington e Cunha moram em Xinguara e teriam se conhecido durante a campanha eleitoral. Cunha, que pediu votos para Bolsonaro na cidade, se chamava “Ricardo Adesivaço Xinguara” na agenda de Washington.
Os dois foram a Brasília em datas parecidas. Washington informou à polícia que chegou à capital federal em 12 de novembro, vindo de Goiânia. Já Cunha postou seu primeiro vídeo na cidade no dia 13, em sua conta no TikTok.
Durante seu tempo em Brasília, Ricardo fez uma breve viagem a Xinguara, onde estava em 14 de dezembro. Foi de lá que ele se ofereceu para levar uma “encomenda” a Washington, que continuou na capital federal. A informação está no relatório policial entregue à CPMI.
Cunha é conhecido como “Ricardo da USA Brasil”, nome de sua loja de informática e eletrônicos. Ele foi um dos líderes da “Direita Xinguara”, movimento local que contestou o resultado das eleições vencidas pelo presidente Lula (PT).
Ele arrecadou fundos para os atos bolsonaristas usando o Pix da própria loja, segundo noticiou em janeiro o site Repórter Brasil. Os recursos foram usados para manter acampamentos em Marabá (PA) e Brasília.
REUNIÃO COM INDÍGENA QUE ACABARIA PRESO
Bento e Solange Liebl são donos de terras e criadores de gado em São Félix do Xingu, também no sudeste paraense. Ambos trocaram mensagens com Washington nas semanas que antecederam a tentativa de atentado no DF.
Já estava em Brasília, Washington acertou com Solange a remessa do que chamou de “peça de caminhão”. Isso aconteceu em 1º de dezembro. O próprio militante, conforme o relatório, disse à polícia ao ser preso que isso era um código para os explosivos. Com Cunha, Washington fala em “material do caminhão”.
Em 11 de dezembro, os dois convocaram Washington para uma reunião “urgente” no QG dos manifestantes em Brasília. Isso ocorreu, segundo o relatório policial, um dia depois de Cunha afirmar que tinha uma “missão” para o militante bolsonarista.

Pecuarista Solange Liebl em fazenda em São Félix do Xingu (PA), em 2017
Washington “não foi muito claro” sobre a participação do casal pecuarista, conforme o documento. Ele não cita nenhum dos dois em seu depoimento oficial, embora tenha se articulado com ambos, por mensagens, no mês que antecedeu a tentativa de atentado.
Tadinho dele…
A arrancada rumo ao G8

POR GERSON NOGUEIRA
Com um time que obteve duas vitórias seguidas e dá sinais de que está assimilando a filosofia do técnico Hélio dos Anjos, o torcedor bicolor deve lotar o estádio da Curuzu hoje à noite, confiante em novo bom resultado. Diante do CSA, o Papão tem uma chance preciosa de entrar no G8.
A esperança é plenamente sustentada na realidade. Mesmo sem grande desempenho, o PSC conseguiu superar adversários difíceis. Primeiro, foi o então líder Amazonas; depois, venceu o clássico Re-Pa. Saltou da 13ª posição para a 18ª, a um ponto apenas da zona de classificação.
Para seguir vencendo, o Papão parece precisar apenas de coragem e força de vontade. A tarefa deve ser turbinada pela evolução do time. Hélio dos Anjos teve pouco tempo para colocar em prática suas ideias. Identificou problemas físicos no elenco, falta de força e intensidade.
Os últimos dois jogos mostraram que essas dificuldades começam a ser superadas. É um caminho complexo, que traz o risco de problemas gerados pela sobrecarga nos exercícios. Ao chegar, Hélio deixou claro que não seria possível ir em frente com os baixos níveis de velocidade e resistência.
Nesse processo, alguns resultados são evidentes. Os laterais estão mais participativos e o meio-de-campo mostra uma combatividade que não existia no período de Marquinhos Santos. A parte criativa, sob responsabilidade do veterano Robinho, é um ponto ainda em aberto.
Talvez pela dificuldade física, o meia-armador não tem conseguido um rendimento que facilite a vida dos atacantes. Mário Sérgio e Nicolas Careca continuam dependendo excessivamente de cruzamentos na área. As jogadas trabalhadas com a bola no chão praticamente inexistem.
Não há dúvida que a evolução do time se sustenta no nível de confiança que os jogadores adquiriram diante do discurso motivacional de Hélio. Em tom enfático, ele repete exaustivamente que é possível alcançar os resultados buscados. Injeta otimismo a cada preleção.
Diante do CSA, que está empatado com o PSC em número de pontos (18), embora uma posição atrás, a receita de fé no próprio taco será colocada à prova. O adversário não é conhecido pela ousadia. Provavelmente, vai jogar fechado e à espera de um contra-ataque. Ao Papão caberá ter paciência e método para furar o bloqueio defensivo alagoano. (Foto: Marcio Melo/Ascom PSC)
Com várias baixas, Leão busca superação no Recife
As más notícias têm sido frequentes no Remo nas últimas semanas. Perdeu dois jogos seguidos, vacilou nos detalhes e amarga a permanência na 17ª colocação. A presença no Z4, além de incômoda, é denunciadora da campanha descuidada e recheada de erros desde a estreia.
Ao contrário dos demais competidores, o Remo desperdiçou os quatro primeiros jogos. Sob o comando de Marcelo Cabo, foi o pior início de campeonato da história do clube em competições nacionais.
Como ninguém perde 12 pontos impunemente, as consequências estão chegando agora. Na reta decisiva da fase de classificação, o Remo mostra-se instável e pouco efetivo. Ricardo Catalá, responsável pelos pontos conquistados a partir da 5ª rodada, parece ter esgotado seus truques.
A partir do empate com o Figueirense, em Belém, o Leão começou a exibir fragilidades. Não venceu mais, o que comprometeu o esforço de recuperação. As duas derrotas em Belém, para Operário e PSC, complicaram os planos de buscar a classificação. Com 13 pontos, o Remo precisa lutar para não cair. E até essa missão se mostra desafiadora.
Sem Pedro Vitor, seu melhor atacante, e sem Pablo Roberto – negociado pelo Vila Nova com o futebol português –, seu meia mais talentoso, Catalá vai escalar um time bastante modificado contra o Náutico, hoje, no Recife. Tem Uchoa e Richard Franco, mas não contará com Muriqui na frente.
Marcelo, o questionado meia de confiança do técnico, deverá ser o titular da meia-cancha, ao lado de Uchoa, Richard e Rodriguinho. Outra opção, mais confiável, seria Paulinho Curuá como segundo volante.
Seja qual for a formação remista, o cenário não muda: o Náutico é um adversário duríssimo dentro de seus domínios. Ocupa a 5ª colocação e joga para se aproximar do número mínimo de pontos para se classificar.
Bola na Torre
Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 22h, na RBATV, com a participação de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. Em pauta, os jogos das séries C e D. A edição é de Lourdes Cezar.
Futebol feminino: caminhos para consolidar sucesso
Na véspera da estreia do Brasil na Copa do Mundo de futebol feminino, a torcida ainda mostra um certo distanciamento em relação ao time de Pia Sundhage, talvez pela pouca familiaridade com as atletas da Seleção. A exceção é Marta, que não tem mais o apelo de antes.
Uma recente pesquisa realizada no Reino Unido aponta uma outra realidade: 68% dos homens mantêm uma atitude misógina em relação à modalidade praticada pelas mulheres.
Há também a percepção sexista. A discriminação de gênero se mostra ainda muito forte na sociedade. Além disso, como historicamente recebe menos investimento, o futebol feminino é visto como se tivesse menor qualidade ou fosse menos importante.
A falta de visibilidade também contribui para o baixo apelo. É preciso ainda observar que a história do feminino é bem mais curta do que a do masculino. A primeira Copa dos homens ocorreu em 1930, enquanto o Mundial feminino só surgiu em 1991.
Nem tudo está perdido. Os especialistas indicam que o caminho para obter mais aceitação é investir na exposição e na visibilidade, com mais torneios e eventos. É a melhor maneira de normalizar as coisas.
(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 23)
Tudo junto & misturado
A frase do dia
“Parabéns pra quem fez o ‘buzz’ do filme da boneca no Brasil. Antes os caras torravam milhões na promoção. Hoje plantam polêmicas e o público faz campanha por um filme que ainda nem viu. Do mesmo jeito que limpa a mesa do McDonald’s e faz as transações bancárias para o banco”.
Luiz Carlos Azenha, jornalista
Rock na madrugada – Bob Dylan, “Idiot Wind”
Melhor versão de “Idiot Wind”, as imagens do vídeo focam as expressões faciais dele, aqui num figurino inteiramente inusitado, em estilo cigano. A banda que o acompanha tem um Rob Stoner fantástico nas linhas de baixo e a guitarra de Dave Mansfield dita o ritmo desse clássico de Dylan. Cinquenta anos depois, a performance se mantém atualizada, retratando um dos maiores astros do rock na plenitude, inclusive quanto ao uso perfeito da voz.
De outubro de 1975 a maio de 1976, Dylan caiu na estrada ao lado de alguns de seus amigos mais talentosos num histórico roteiro de shows pelo país, denominado “Rolling Thunder Revue” – que virou um documentário primoroso de Martin Scorsese para a Netflix.
Hoje detentor de um Prêmio Nobel de Literatura, Dylan brilha intensamente nos shows, que coincidiu com o lançamento do disco “Desire”. Joan Baez (com ele na foto abaixo), Roger McGuinn, T Bone Burnett, Ramblin’ Jack Elliott, Mick Ronson, Scarlet Rivera, Allen Ginsberg, Sam Shepard, Joni Mitchell, Ringo Starr, Patti Smith, Dennis Hopper e Phil Ochs, entre outros, são os amigos que ajudaram a deixar a turnê ainda mais memorável.

Tom Cruise: o empreendedor impossível
Dois segredinhos para você trabalhar como o ícone (e minha babação sobre o filme novo)
Por André Forastieri

Tom Cruise não é melhor ator do mundo, o mais bonito, o mais forte, o mais nada. Ele é bom, bonito e forte o suficiente. Como muitos outros atores. Mas é o maior astro do planeta e isso já tem umas três décadas. Seus filmes já renderam mais de onze bilhões de dólares, só de bilheteria.
O novo “Missão Impossível” vai aumentar bem o bolo. Vimos ontem na estréia. A família é fã de blockbusters bilionários pra ver no IMAX, ou como os batizou minha mulher, “filminho”.
“Ajuste de Contas” é o ideal platônico de big filme de ação pra fazer pipoca voar. Certeiro na premissa, espetacular no escopo, extasiante na retina e anfetamínico na direção. Se você não ficar com o coração na boca é porque ele parou de bater.
A fortuna de Tom está por volta de U$ 600 milhões. Tem 61 anos e não dá nenhum sinal de desacelerar. Depois da continuação deste “Missão Impossível” em 2024, seu plano é filmar na Estação Espacial.

Qual o segredo de Tom Cruise? São dois.
Primeiro: ele sabe no que é bom. Se concentra nisso e se cerca de pessoas que têm o talento e habilidade para fazer do seu bom, ótimo. Como o diretor Christopher McQuarrie, seu parceiro de quase dez anos.
Cruise sabe o que o mercado, nós, queremos dele. Se dedica a poucos projetos. A cada década que passa foca mais em filmes que têm sua cara, seu DNA: filmão pra ver no telão.
Você se esforça pra ser cada vez melhor no que é bom?
Segundo, ele se dedica. Se dedica MESMO.
Antes, durante e depois. Antes: na seleção, gestação, formatação, casting e até financiamento do projeto. Se esforça para ter o máximo de controle sobre seus projetos. Montou a própria produtora em 1993.
Durante: se expondo como raramente um ator se expõe, fazendo seus próprios stunts. Energizando toda a equipe. Mantendo o astral lá no alto. Liderando. Sendo perfeccionista. Sempre com aquele sorriso de vencedor nos lábios.
Depois: na divulgação incansável do filme. Que funciona também e principalmente porque não vemos Tom Cruise o tempo todo na mídia ou nas redes sociais.
Quando ele dá as caras, é sempre um evento. Imagem editadinha, nenhuma palavra fora de lugar. Aprendeu com as besteiras que soltou no passado.
Ei, não importa se todo mundo já sabe do novo filme e todo mundo conhece Tom Cruise; você tem que vender o peixe. Comunicação é a alma do negócio.
Você se dedica de verdade? E aliás, vende bem seu peixe?
É impossível um sujeito ser na vida real o que a imagem de Tom Cruise nos sugere.
Não seria surpresa se de perto ele seja um mitômano intragável, com um ego cósmico e veleidades de gênio. É o destino provável dos popstars de qualquer ramo.
Mais quando fama e fortuna chegaram cedo e se instalaram. Mais ainda quando você saiu do nada, como Cruise.
Você não ascende em um ambiente tão competitivo quando Hollywood sendo gente fina. Nem se mantém ali no topo da pirâmide. As rasteiras e facadas nas costas estão no script. As recebidas e as cometidas.
Na filmagem deste “Missão Impossível”, no meio da pandemia, vazou um esporro de Tom em membros da equipe. Soa escroto. Soa humano. Uma brecha na fachada de Mr. Perfeito.
Jamais saberemos de fato quem ele é.
Mas vamos falar aqui do ícone Tom Cruise, não do homem.
Você não gostaria de trabalhar com Tom Cruise? Virando a pergunta ao contrário: você não gostaria de trabalhar como Tom Cruise?
Eu gosto de pensar em Tom Cruise, o ícone, como um exemplo de (sinto muito se você não gosta da palavra) empreendedor.
Empreender é se aventurar. Mas também é controle.
Requer perspectiva, persistência, pressão na direção precisa. Não tenho força de vontade ou disciplina remotamente semelhantes às de Tom.
Mas frequentemente me pergunto: como posso fazer melhor aquilo no que já sou bom? E como me dedicar com energia e inteligência a isso, sem desperdiçar esforço e tempo com desvios e distrações?
E você?
Rock na madrugada – George Harrison, “What Is Life”
Um clássico formidável do beatle místico. George Harrison havia composto uma grande quantidade de músicas enquanto integrava os Beatles e pareceu desentocar todo o material de uma vez só. Sobre “What is Life”, uma das joias do super disco “All Things Must Pass” (1971), muita gente já se debruçou em busca de um significado. Críticos musicais, biógrafos e até teólogos tentam esmiuçar e explicar a letra aparentemente simples, mas de forte teor filosófico, como quase tudo que Harrison fez. A dança do casal de jovens é mais do que ilustrativa. Mostra a saída do lar em direção ao mundo, encontros e desencontros, celebração de liberdade, amor e vida.
A revista Rolling Stone descreveu como um clássico definitivo e uma “exultante canção de rendição”. Um super time de músicos foi convocado por Harrison para a gravação. Eric Clapton faz os solos principais de guitarra, na companhia da banda Delaney & Bonnie and Friends. Harrison produziu a música junto com Phil Spector, cuja produção de Wall of Sound também contribui com um arranjo de cordas de John Barham e vários violões acústicos, tocados pelo Badfinger , colegas e protegidos de Harrison na Apple Records.
Rockão poderoso, sucesso no mundo inteiro, “What Is Life” ilustra brilhantemente as cenas finais de “Os Bons Companheiros” (Goodfellas, 1990), filme de Martin Scorsese. Apareceu também na trilha sonora de outras longas-metragens – Patch Adams (1998), Big Daddy (1999), Away We Go (2009), This Is 40 (2012) e Instant Family (2018).
Tony Bennett, 03.08.1926 – 21.07.2023
Morreu nesta sexta-feira, 21, aos 96 anos, o astro da música pop e do jazz Tony Bennett, em Nova York. Bennett foi diagnosticado com a doença de Alzheimer em 2016, mas continuou a se apresentar e gravar até 2021. Na época, ele escreveu no Twitter: “A vida é um presente – mesmo com Alzheimer”. No entanto, embora estivesse com a função cognitiva prejudicada, ele ainda era capaz de cantar o repertório.
Voz que defendeu, por anos a fio, a sofisticada canção americana do século XX (de compositores como Jerome Kern, Irving Berlin, George Gershwin, Richard Rodgers, Cole Porter, Hoagy Carmichael e Harold Arlen), além de ter cantado ao lado de Frank Sinatra, Amy Winehouse e Lady Gaga, ele vendeu milhões de discos em todo o mundo e ganhou 20 Grammys, incluindo um prêmio pelo conjunto da obra.


