POR GERSON NOGUEIRA
A Copa do Brasil tem, entre outras virtudes, a de clarear as coisas quanto ao verdadeiro poder de fogo dos clubes brasileiros. A rodada desta semana expôs, em toda a sua intensidade, o surpreendente equilíbrio de forças entre equipes de divisões diferentes. O todo-poderoso São Paulo caiu do cavalo frente ao Ceará, lanterna da Série B. O Fluminense, integrante do G4 da Série A, passou maus pedaços e poderia até ter perdido para o Papão aqui do Norte se o futebol fosse mais justo. Venceu nos acréscimos, depois de tomar um sufoco nos 15 minutos finais.
É claro que o formato da competição privilegia a emoção e acaba dando lugar muitas vezes ao inusitado, a partir de um mau momento de uma equipe mais qualificada. No sistema de pontos corridos dos Brasileiros das Séries A e B, inexiste a possibilidade de surpresas na classificação final. Copas, ao contrário, sobrevivem justamente da sempre presente hipótese do inesperado.
Como nada tem a ver com isso, o Papão mostrou que tem condições de se entestar com um grande da Primeira Divisão sem precisar se retrancar ou apelar para o jogo mais ríspido. Atuou no mesmo nível do adversário e, em várias ocasiões, foi nitidamente superior. Por tudo isso, a rápida visita ao Rio de Janeiro pode se tornar extremamente lucrativa para o time e para um de seus mais importantes jogadores.
Mesmo com a derrota diante do Flu por 2 a 1, o Papão saiu engrandecido. Sim, parece estranho, afinal perder nunca é bom. Ocorre que, pelo sistema de disputa da Copa do Brasil, marcar gol em terreno inimigo representa um bom negócio. Tanto que na partida de volta, em Belém, um placar simples de 1 a 0 servirá para classificar os bicolores.
Acima de tudo, o bom jogo feito pelo Papão garantiu repercussão amplamente positiva nos meios de comunicação de Rio e São Paulo, jogando luz sobre o futebol que se pratica na parte de cima do mapa. Pode ser uma atenção passageira, mas ainda assim representa muito para quem vive normalmente segregado do resto do país.
Permitiu, inclusive, que algumas vozes de expressão voltassem a falar na bizarra discriminação que Belém sofreu por ocasião da Copa do Mundo de 2014, alijada de sediar jogos para que cidades sem qualquer tradição boleira pudessem participar do banquete.
Cuiabá e Manaus, para ficar só em dois casos, não tinham como vencer a capital paraense caso a seleção cumprisse normas claras e lógicas. Como dependeu dos humore$ de Ricardo Teixeira e sua gangue, a candidatura de Belém nem sequer foi considerada a sério.
Mas, além das loas ao Papão, a súbita descoberta do futebol do Pará levou ao reconhecimento de Pikachu, subitamente elevado à condição de astro da semana em programas de esportes da TV e manifestações na internet. Foi preciso que o camisa 2 bicolor mostrasse sua habilidade na cobrança de faltas para que obtivesse aplausos gerais e até um olhar mais atento por parte dos responsáveis pela Seleção Brasileira que vai disputar os Jogos Olímpicos do Rio.
Um telefonema de Gilmar Rinaldi a Charles Guerreiro, na tarde de sexta-feira, deu a entender que Pikachu pela primeira vez é considerado como possível nome para o escrete olímpico. Por aqui todos já sabiam de seus recursos como ala ofensivo, mas o Brasil só costuma ver o óbvio quando este passeia sob seus olhos em gramados cariocas e paulistas. Que Pikachu tenha a chance que já faz por merecer há pelo menos dois anos.
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No templo da Enciclopédia do Futebol
No universo da Série B, jogar fora de casa significa iminência de derrota. Felizes aqueles que subvertem essa regra não escrita. Podem não alcançar o reino dos céus, mas é certo que disparam na tabela de classificação. O Papão tem a chance de cumprir esse rito, hoje pela manhã, no estádio Nilton Santos, frente ao vice-líder Botafogo.
Quis o destino que pela primeira vez nesta Série B o estádio esteja lotado de botafoguenses, ávidos por vibrar e celebrar com o time de Ricardo Gomes, que demonstra ter recuperado o apetite por vitórias depois de uma curva descendente que custou o emprego de Renê Simões.
O Papão chega credenciado pela atuação contra o Fluminense. A maneira destemida como se exibiu na quinta-feira faz com que seja olhado com respeito. Pelas palavras do técnico Dado Cavalcanti é provável que o meio-de-campo seja mantido com Capanema, Augusto Recife e Jonathan, com Fahel ficando no banco.
A única mudança no setor seria a inclusão de Valdívia, substituindo ao improdutivo Carlinhos com a missão de injetar dinamismo e criatividade ao setor. O ataque segue com Leandro Cearense e Aylon, dupla mais entrosada do Papão nesta Série B. Na defesa, Pablo é o mais provável substituto de Gualberto.
O teste de fogo no Maracanã mostrou que a equipe dispõe daquela força interior necessária para não se intimidar diante de adversários aparentemente superiores. No caso do Botafogo, nem há uma vantagem acentuada, pois tecnicamente os times se equivalem. O que pode fazer a diferença é o apoio da apaixonada torcida alvinegra, que parece disposta a dividir com o time as responsabilidades pelo acesso.
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O clamor de Jóbson por justiça
Durante a semana, o atacante Jóbson esteve no Botafogo tratando de questões burocráticas e aproveitou para clamar de novo por justiça, aquela instância a que todos os homens recorrem quando se sentem prejudicados.
E se há alguém que pode bater no peito e reivindicar este é Jóbson, punido pelo tribunal da Fifa com quatro longos anos de suspensão, pena tão rara quanto draconiana, capaz de sepultar a carreira de qualquer futebolista.
Por mais que o atleta paraense tenha cometido irregularidades – e, de fato, cometeu – nada justifica uma sanção tão inclemente. De origem humilde, negro e com pouca instrução, Jóbson é alvo fácil para discriminações.
Tem direito, como todo homem, a uma nova oportunidade.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 23)
Belo texto, Gerson.
Os brasileiros do Rio e Sampa vivem tanto no seu mundinho que quase sempre esquecem que nosso país é continental.
Por sinal, a ausência de uma visão mais integrada do Brasil, por parte dos brasileiros do Sul e Sudeste, gera reações de ódio e preconceito, vide nossas eleições em outubro.
Daí que existem um papel importante a ser realizado pela mídia do Sul e Sudeste (juntamente com a escola) que é: sair do lugar comum, para produzir um brasileiro mais integrado com o Brasil.
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Na verdade, o Brasil futebol se acostumou com a ideia que o jogador pra envergar a camisa da seleção tem que obrigatoriamente jogar no sul e sudeste ou na pior das hipóteses, Bahia ou Pernambuco.
Na minha humilde opinião, hoje na posição melhor que o Pikachú, só Marcos Rocha e Daniel Alves.
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Jobson seria um grande reforço para o Botafogo.. Precisamos recuperar esse bom jogador Gerson e amigos..
– Amigos me perguntam se esse jogo de hoje, poderá prejudicar o PSC na quarta, no jogo de volta contra o Fluminense… Digo que, o jogo passado e este de 4ª, contra o Fluminense, poderão atrapalhar o PSC, no jogo de hoje… Quiça, no jogo de sábado, contra o Bragantino, também… Vamos aguardar.
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Com relação ao Pikachu, espero que a imprensa e o Paysandu, fale mais de uma regrinha , criado pelos velhinhos da FIFA, chamado de mecanismo de solidariedade.
Nele o clube formador tem certos direito$ % na hora que o pé de obra é vendido.
Muita gente tem contado a potoca de que Yago é obra e cria da Curuzu. Não é!
Não discuto o lado da baba, das cifras.. Vindo ou não , meu time vai seguir no mesmo endereço e empunhando a mesma bandeira.
Reclamo em muito pelos fatos que agitaram a semana na mangueirosa, quando uma turba se misturou no mesmo urucum e clamou por enes coisas -todas justas!- .
Mas seria bom que fosse dados certos exemplos no próprio terreiro e também iniciassem o corajoso ato de dar os créditos , aos da malocas vizinhas, pela pomar produtor de tão cobiçado sumo.
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Vai passar em canal aberto o jogo do Bicola??
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Quanto ao Yago, penso que, se ele for convocado, começará pelo lado certo…Uma seleção de base, pra quem sabe chegar ao profissional.. Valorizaria e muito o jogador, até no exterior…Fico na torcida para que isso aconteça.
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* Ao Profissional = à Seleção principal
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Só PPV, amigo Agostinho
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Amigo Harold, me tire essa dúvida… Yago é cria da base da Tuna, amigo?
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Obrigado Mestre Cláudio!!!
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Salvo engano, o Yago jogava futsal na Tuna…e campo, começou no Maior do Norte!!!
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Yago começou na Tuna e foi muito cedo para o PSC, Cláudio. Ambos são formadores de Yago, cabendo calcular quanto cada clube receberá na primeira transação do jogador.
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Bora Botafogo, só quero 5 em cima da mucura sem vergonha!
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Maior? Kkkkkkkk só se for maior piada kkkkkkkkkkk
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A propósito do charme da Copa do Brasil, ficou na minha cabeça uma frase que considerei muito inteligente, dita pelo Dado Cavalcanti na coletiva após o jogo com o Flu. Na preleção antes da partida disse aos jogadores mais ou menos isto, Não precisamos mostrar ao Fluminense que somos melhores que eles durante o ano todo, mas que podemos ser mais competentes em 180 minutos. Acho que isso revela um entendimento perfeito do espírito da competição.
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Aqui só tem um jogador pra jogar na seleção, se chama Eduardo Ramos, o resto é só fuleiragem e o técnico tem q ser o Cacaio q enrola a língua dos comentaristas kkkkkkkkk
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Amigo Celira, um ou outro… Não tem como 2 clubes terem revelado o atleta… Veja o Ganso… Tuna era pra ter levado, mas não tinha registro e, quando foi pro PSC, Papão fez o registro do atleta, tudo direitinho… Só o Papão levou
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Confesso, amigo Cláudio, que não detenho tanto conhecimento acerca da temática que levantaste.
Contudo, lembro que Carlos Ferreira, em uma coluna antiga sobre a questão da formação do Ganso, disse que o valor é calculado pelos anos de formação.
Segundo ele, a Tuna e PSC tinham direito de receber uma porcentagem. A Tuna menor que a do PSC. Mas, como a Cruz de Malta não tinha os documentos necessários para reivindicar o valor, ficou a ver navios.
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Temos post exclusivo do jogo, amigo Lira.
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Já já tem Papãooooooooooooooooooooooooooo
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Já temos o post do jogo, amigo Cláudio e demais baluartes.
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ESCALAÇÕES:
BOTAFOGO-RJ: Jefferson, Luis Ricardo, Renan Fonseca, Diego Giaretta e Thiago Carleto. Serginho, Willian Arão, Daniel Carvalho e Elvis. Neilton e Luis Henrique
Técnico: Ricardo Gomes
Banco: Helton Leite, Diego, Roger Carvalho, Camacho, Rodrigo Lindoso, Lulinha, Sassá, Diego Jardel, Gegê, Tomás Bastos, Octávio e Vinicius
PAYSANDU: Emerson, Yago Pikachu, Pablo, Thiago Martins e João Lucas. Fahel, Ricardo Capanema, Jhonnatan e Valdívia. Aylon e Leandro Cearense.
Técnico: Dado Cavalcante
Banco: Ivan, Dão, Paulo Otávio, Augusto Recife, Djalma, Misael, Edinho, Léo, Wellington Jr. e Betinho
ARBITRAGEM:
Árbitro: André Luiz de Freitas Castro – GO
Aux.1: Cristhian Passos Sorence – GO
Aux.2: Marcio Soares Maciel – GO
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Vou pesquisar mais sobre isso, amigo Celira e posto aqui pra você e os amigos do Blog
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Columbia San, o Yago é sim cria do Chico Vasques, teve o mesmo professor que o Ganso. O apelido Pikachu recebeu lá,. Mas como já disse, não interessa certos minguados, mas sim o reconhecimento sincero de gente que tanto reclama de discriminação , direitos..
Mas a culpa dessas coisas, está lá dentro de nossa propia casa, que abriga uns e outros traíras . É tanta coisa..
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Já com 4 min ….Roooooooooooolaaaaa a boooooooooolaaaaaaaaa, comeeeeeeeçaaaaaaaaaaaaa , Botafogo-RJ x Paysandu… Série B… Vaaaaaaaaaamoooooooooooooos Papãoooooooooooooooooo
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Minha net continua a mesma… técnico só vem amanhã..Pensem
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5 min – Bota marca sobre pressão e PSC tem dificuldades pra sair
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Amigo Cláudio, já temos post exclusivo do jogo.
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Eras, quero escrever assim quando eu crescer. Bela coluna Gerson.
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Claudio, o Yago tem 23 anos, se for convocado será para seleção principal, talvez para um amistoso.
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