A dura vida de centroavante

POR GERSON NOGUEIRA

O Papão virou um verdadeiro cemitério de centroavantes. Ninguém consegue acertar o pé na condição de atacante de referência do time. Vários já passaram por ali sem deixar saudades. A missão é tão desafiadora que já custou o emprego a dois profissionais (Bruno Veiga e Souza).

No total, o técnico Dado Cavalcanti conta hoje com nove jogadores para o ataque. Leandro Cearense, Everaldo, Betinho, Welinton Jr., Aylon, Misael, Léo, Leandro Carvalho, Edinho. Desses, somente os três primeiros se ajustam àquela faixa reservada aos finalizadores dos últimos 10 metros, como gostava de dizer Rubens Minelli.

Nenhum, porém, tem o perfil do centroavante-centroavante, talhado para ficar na pequena área durante os 90 minutos, à espera de rebotes e brigando com os zagueiros nas bolas aéreas.

unnamedSouza era o único especialista nisso. Não funcionou porque não é mais o Souza que estava no imaginário dos dirigentes quando foi contratado. Aquele Souza goleador ficou no passado e não se apresentou ao Papão.

Everaldo, recém-contratado, é a mais nova aposta. É um legítimo camisa 9, mas não marca gols em partidas oficiais desde setembro do ano passado. Estreou em Lucas do Rio Verde, mas só foi notado em campo aos 30 minutos de jogo quando deu um chute espirrado e torto.

Precisará de mais oportunidades, mas terá que rapidamente responder às cobranças da torcida e às necessidades de um time que tem um ataque econômico, que finaliza pouco – e mal.

Betinho chegou agora, mas traz um retrospecto não muito mais animador que o de Everaldo. Está há algum tempo sem marcar e, a rigor, nunca mais repetiu seus melhores momentos no Palmeiras.

Cearense teve várias oportunidades, mas não conseguiu se firmar nem na cabeça do técnico e muito menos na avaliação do torcedor. Ainda assim, é o mais produtivo dos atacantes, mesmo não tendo características de centroavante clássico.

Dado Cavalcanti é criticado por mexer muito no sistema de atuar da equipe, mas quase ninguém observa que as mudanças têm a finalidade de tornar o Papão mais agressivo, compensando a ausência de um jogador criativo no meio.

Buscou isso com Souza, quase perdeu o rumo das coisas. Voltou a escalar Cearense, com Misael e Welinton como parceiros de frente, mas o esquema só deu certo contra o América-MG. Terá agora que se valer das qualidades (ainda desconhecidas) de Everaldo ou esperar por Betinho.

O problema é que Dado não tem mais tempo a perder com experiências, pois o turno da Série B está chegando ao fim e a luta para permanecer na briga pelo acesso se torna cada vez mais renhida. E precisa ainda conviver com os corneteiros de plantão, sempre à espreita em momentos de baixa.

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Os descaminhos do ex-vibrante Azulão

O empate em 0 a 0 soa como nota pelo mau desempenho dos times em campo, mas quem de fato saiu prejudicado foi o Águia. Mais uma vez, o time não teve forças para se impor diante do Salgueiro e fecha a rodada na lanterna do grupo A da Série C.

Criou até algumas situações boas no ataque, mas perdia tempo demais em jogadas confusas pelo meio e falhava muito nas finalizações. Desta vez, pelo menos, a defesa não deixou passar nada. Mael, Lauro Cézar, Flamel e Júnior Timbó desperdiçaram chances preciosas.

Além das flagrantes limitações do time, é preciso entender também a crise de confiança que afeta o Águia. Até lances simples são mal executados em função da ansiedade e do nervosismo dos jogadores. A permanência prolongada na zona da degola só acentua esse estado de espírito e o time não consegue sair desse círculo vicioso.

Pelo andar da carruagem, o previsto aqui há três semanas começa a se desenhar como realidade: depois de oito anos consecutivamente participando da Série C, o Águia é candidatíssimo ao rebaixamento.

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Leão pode ter a pena reduzida

Duas notícias podem movimentar a vida do Remo nesta semana, além do importante confronto desta noite contra o Nacional na Arena Amazônia. A primeira, positiva, é de abrandamento da pena que castigou o clube com a perda de três mandos de campo durante a Série D. O departamento jurídico apelou ao STJD solicitando que seja aplicada uma sanção social. A decisão deve sair hoje. Caso seja bem sucedido, o Remo poderá jogar no Mangueirão já a partir da próxima rodada do campeonato.

A outra, nem tão positiva, é a possível contratação de Kiros, aquele centroavante grandalhão que passou sem deixar saudades pelo Papão em 2013, trazido por Givanildo Oliveira.

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As lições de um desastre

Ainda traumatizado pela eliminação na Libertadores, o Internacional perdeu de vez o equilíbrio e se estatelou justo diante do rival absoluto. Os 5 a 0 do Grêmio denunciam um estado de total barafunda nas hostes coloradas. A demissão intempestiva de Diego Aguirre na semana do clássico deveria ser debitada na conta da cartolagem, sempre açodada e ávida por holofotes.

O que ocorreu com o Colorado gaúcho serve de exemplo para muitos clubes país afora, inclusive aqui na aldeia. Nem sempre se livrar de um treinador é a melhor saída. Pode até afastar uma pressão momentânea, mas pode trazer prejuízos incalculáveis – e históricos, como a surra de ontem no Gre-Nal.

Quem viu a partida, apitada (muito bem) pelo nosso Dewson Freitas, sabe que pelo menos no início o Grêmio não jogou o suficiente para disparar goleada tão elástica. Sinal de que, mais do que virtudes gremistas, o que houve foi um apagão do Internacional.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 10)

89 comentários em “A dura vida de centroavante

  1. Paysandu : Das 3 umas, pra um desses atacantes funcionarem

    1 – O que eu mais penso, o meio campo criar jogadas, o tal camisa 10 aparecer no time;
    O cara que dita o ritmo do jogo, o maestro, que diz com sua habilidade como os setores do time devem se portar justamente pra que em harmonia o ataque e a defesa possam produzir pro time.
    Quando vc vê o Capanema o destruindo e tentando finalizar de qualquer jeito, vc percebe que o tal camisa 10 não existe, logo ressuscitar o Romário, que so por conta própria vai sair gol.

    Sonho – Que me perdoem os azulinos, mas este DJ já quer se aparecer, acho que o STJD nem vai analisar direito esse pedido.

    Maldição – Todo time que sai da Libertadores, como saiu o Inter, tem que pagar sua ressaca, a maldição da mesma.

    Aquela receita magica de mandar o técnico embora pra motivar pro clássico, muito feita aqui, dessa vez não deu certo.

    Extinção – o time marabaense que foi usado pelos separatistas quando estava bem a ignorar o campeonato paraense, hoje colhe o que plantou.
    Some-se a isso, falta de liga entre o time e a cidade e o descaso da FPF com seu afiliado, o azulão caminha pro cemitério dos mortos vivos, a serie D, como não tem a mesma torcida do riva, pode-se dizer que este Aguia est´´a ameaçado de extinção.

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  2. Amigo Gerson Nogueira, a história mostra curiosamente que em assunto de comandante de ataque no Paysandu, o clube sempre teve muita dificuldade ou falta de sorte para acertar na contratação de um comendante de ataque, , onde já postei aqui que que estatística de acerto bicolor nessa contratação de atacante é de 1 em cada 100 contratados. Porém curiosamente a história também prova que os que dão ou deram certo foram ídolos da torcida com grande destaque no clube: Bené, Hélio Quarenta, Carlos Alberto, Chico Spina, Cabinho, Cacaio, Wandick, Robson e Ze Augusto. Com certeza para acertar nessas 10 feras, , o Papão deve ter contratado uns 1000 outros atacantes. antes que não deram certo. Histórias do mundo da bola.

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  3. Só o aconchego do lar justifica a permanência de Leandro Cearense entre os relacionados para jogar pelo Papão, assim como só isso justifica o Aleílson ter disputado a Série B do ano retrasado, pelo baixíssimo nível técnico que apresentam, carentes dos mais óbvios fundamentos que devem ter os que atuam naquele setor.
    Quanto ao Dewson, não apitou bem , mas deu show de arbitragem e tornou fácil um jogo em que um apitador mediano transformaria em jogo catimbado e truncado. Nos quinze minutos iniciais marcou apenas uma falta ignorando aquelas trombadinhas costumeiramente transformadas em faltas e daí para as peitadas, pro empurra empurra e outras demonstrações de macheza recorrentes no Gre-Nal. Até no lance da simulação de pênalti, por parte do Pedro Rocha, Dewson contornou com energia e discrição o princípio de tumulto contribuindo para que o jogo fluísse de forma diferente do costumeiro nesse clássico. Um show, repita-se.

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  4. 1° Goiás, como previ, caminhando para o rebaixamento com a sua política de bom, bonito e barato.
    2° Águia do fanfarrão e bocudo João Galvão, que falava mal do futebol paraense e era cantado em verso e prosa com bom técnico, está indo pras cucuias.
    3° Internacional com herança de técnico estrangeiro pegando goleada histórica do rival.
    Futebol não é ciência exata.

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  5. O meio não cria oportunidades, logo, como cobrará dos atacantes?

    Tirando Souza que teve chances claras de fazer gol contra Macaé, Sampaio e Bahia, os demais tiveram raríssimas oportunidades.

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  6. Na minha modesta e sincera opinião, acho que o problema maior do Paysandu hoje é o inchaço do plantel. Pelo que anuncia a imprensa já são cerca de 37 contratados, além dos atletas da casa que podem somar um total de mais de 40 jogadores. Com isso inevitavelmente os problemas já começam a aparecer onde até o treinador está doidinho sem saber o que fazer. Problemas com plantel muito grande ocorrem em qualquer clube do mundo e no Paysandu não poderia ser diferente. Lembro que o Mazola achando que seria o treinador bicolor em 2015, falou no final de 2014 que iria querer trabalhar só com 28 atletas ou, no máximo 32. Diante disso, Não sei se os amigos vão concordar comigo, mas tenha a firme opinião que para o Paysandu melhorar dessa decadência que se inicia e voltar aos bons momentos onde ficou 9 jogos sem perder, acho que a diretoria deve demitir alguns atletas e dos que restarem chamar esse treinador ou outro que vier e falar para ele: ” O plantel para trabalhar agora vei ser esse até o fim. Não vamos contratar mais ninguém, encerramos as contratações, e tens de trabalhar com o que tem” . Isso às vezes dá mais certo do que ficar contratando aos montes e indiscriminadamente como está sendo feito.

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  7. Goooooooooooooooooooooooool do Leão
    Gooooooooooooooooooooooool do Leão
    Goooooooooooooooooooooool do Leão
    Naça 3 x 0 reminho

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  8. Gol do CÚiaba….
    Gol do Naça…
    Remerda sempre remerda…voltando a ficar sem série… coitado…timeco só vergonha…se vangloria por outras bandeiras…timeco sem história…Não tem mais o que falar de bom…fica escutando no radinho e aparecer quando há algum revés no maior do norte…timeco sem história…sem glória… Sem divisão… Quanto dó… Depois se perguntam porque estão na lama…

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  9. Gooooooool do Dadá kkkkkkkkkkkk e a mucura eliminada até em 2016 kkkkkkkkkkk é por isso q eu digo: mucura nossa eterna piada kkkkkkkkkkk

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  10. ESCALAÇÕES:
    NACIONAL-AM: Rodrigo Ramos, Peter, Maurício Leal, Romarinho e Robinho. Gilson, Dênis, Lusmar, Danilo Rios e Charles. Felipe

    Técnico: Aderbal Lana

    Banco: Wagner, Kelvin, João, André, Rafael, Lídio, Felipe, Bruno, Tiago, Nando e Felipe.

    REMO: Fernando Henrique, Ilaílson, Max, Henrique e Alex Ruan. Leandro Santos, Chicão, Juninho e Eduardo Ramos. Welthon e Leo Paraíba

    Técnico: Cacaio

    Banco: Fabiano, Levy, Rodrigo Soares, Ciro Sena, Felipe Macena, Aleilson e Rafael Paty.

    ARBITRAGEM:

    Árbitro: Rodolpho Toski Marques-PR

    Aux.1: Alexsandro Lira de Alexandre-AM
    Aux.2: Marcos Santos Vieira-AM

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  11. Olha, Gerson e amigos, jogo foi muito bom, muito disputado… Mas o Remo foi muito melhor… Olha, faltou caprichar no último toque pra sair desse 1º tempo com a vitória… Nacional, faz todo seu jogo no Danilo Rios… Ainda no 1º tempo, Lana acrescentou mais um meia de ligação, justamente pra dificultar a marcação sobre o Danilo e ele encontrou espaços e criou muito perigo… Remo, falta organizar seu jogo.. É melhor na partida, mas é carente de jogadas individuais, por isso suas melhores chances foram em jogadas individuais de E.Ramos, Leo Paraíba, Chute do Alex Ruan… Não se trabalha a bola pra chegar… Nacional, individualmente, é muito inferior ao Remo… Leão, tem jogadores de qualidade e tem em campo, o que tem de melhor… É saber ter calma, tocar mais essa bola pra que ela chegue aos homens de frente, em condições de definir… Não adianta ficar mandando o Leandro Santos colar no Danilo, que o Nacional tem 3 meias e o Remo, só 2 volantes… O ideal seria marcar em linha… Gostei muito da disposição do Remo em campo… Se continuar assim, poderá sair da Arena, com uma vitória…… Um 3º volante poderia equilibrar atrás, sem o Remo perder seu poderio ofensivo…Tiraria o Welthon e colocaria o Levy, com o Ilailson indo pro meio…. Mas é bom não vacilar atrás e ajeitar essa marcação dos volantes … Charles e Danilo, não são bobos e sabem jogar..

    Vamos ao 2º tempo….. Se o EI deixar…

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    1. Amigo Cláudio e demais baluartes, estava em evento (aqui em Brasília) sem possibilidade de publicar o post do jogo. Assim que cheguei em área de acesso providenciei a postagem. Peço a compreensão de todos para o meu contratempo.

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