Leão tem missão de risco

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo tem missão curiosa neste domingo em Paragominas. Precisa dos três pontos para seguir na liderança e terá pela frente a equipe mais frágil do Grupo 1 da Série D. O Náutico de Roraima perdeu pontos por escalar jogadores em situação irregular e veio para o jogo com dificuldades até para compor o banco de suplentes. Se em condição normal já seria um adversário pouco cotado, com a punição virou o azarão da chave.

unnamedÉ aí que mora o perigo da coisa. Equipes em situação de desesperança costumam jogar também sem maior pressão ou responsabilidade, o que pode permitir atuações bem mais ousadas. O futebol tem incontáveis exemplos de times aparentemente desenganados que, de repente, se superam e conseguem surpreender favoritos destacados.

Diante disso, o Remo entrará em campo consciente de que um empate já será resultado desastroso para as suas pretensões na fase inicial da Série D. Com isso, aumenta naturalmente o grau de ansiedade e risco. Enfrentar um franco-atirador é sempre temerário, mesmo que seja o combalido Náutico.

Para neutralizar as dificuldades, o Remo terá que mostrar postura resoluta, agressiva desde os primeiros minutos. De preferência, deve se empenhar para não repetir as hesitações e falhas de finalização que quase complicaram as coisas contra o Rio Branco, há duas semanas.

Naquela ocasião, mesmo com formação ofensiva, o time se perdeu em jogadas improdutivas, chutou poucas vezes a gol e desperdiçou todas as chances surgidas no primeiro tempo. Apanhou também das condições do gramado, muito seco, que dificultava o controle da bola. Foi achar o gol aos 28 minutos da etapa final, em cobrança de escanteio, quando o desespero já assolava a equipe.

Passado o nervosismo da estreia em casa, cabe ao time atuar como mandante e time grande da chave. Algumas vezes, o Remo passa a ideia de temer adversários de menor tradição e com elencos limitados.

Cacaio definiu o time com Juninho e Eduardo Ramos na criação, com Rafael Paty e Welthon na frente. É uma aposta no velho.  esquema 4-4-2 que rendeu bons frutos ao Remo e ao próprio Cacaio nas competições do primeiro semestre. À frente da zaga, estarão Ilaílson e Chicão, sendo que este tem características que casam bem com a movimentação e habilidade de Juninho.

Na lateral direita, Gabriel entra jogando, o que deve corrigir um dos sérios problemas do Remo atual: a ausência de força pelos lados do campo. Nos jogos anteriores, Cacaio viu-se forçado a improvisar Ilaílson na direita, enfraquecendo o apoio ao ataque.

É uma boa chance para a equipe se ajustar de vez na competição, mas sem esquecer das falsetas que o futebol gosta de pregar em favoritos.

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Faltou talento para evitar prejuízo em casa

Foi frustrante para os quase 20 mil torcedores que foram ao Mangueirão na sexta à noite. Para quem esperava uma reprise da boa atuação contra o América-MG, o Papão ficou devendo – muito – diante do vice-lanterna Mogi Mirim. Não se viu nem sinal da bem tramada movimentação dos atacantes que tanto contribuiu para a vitória de terça-feira. Faltou também apuro nas finalizações, embora as oportunidades tenham aparecido.

Apesar do gol logo de cara, a atuação evidenciou a limitação que o elenco impõe a Dado Cavalcanti. Como não dispõe de um homem criativo para organizar o jogo, o técnico tem que apostar no fraco Carlos Alberto, arriscar com um novato (Valdívia) e rezar por um lampejo de Pikachu.

Quem cuida das contratações no Papão parece crer que o ataque é a solução para todos os problemas. Nem sempre. É preciso entender que no futebol moderno tudo começa e acaba na meia-cancha. Sem vida inteligente naquela faixa do campo, pouco se pode esperar de um time. É possível até ganhar alguns jogos, mas é improvável chegar mais longe, principalmente em campeonato de pontos corridos.

O Papão tem hoje nove atacantes, já contando com Betinho, mas não tem um meia-armador para chamar de seu. Contra o Mogi Mirim, equipe aplicada e rápida, Carlos Alberto andava em campo. João Lucas era constantemente vencido na ala esquerda. Cearense voltou a ser o Cearense sem recursos. E, como Pikachu não estava em noite feliz, o time ficou na dependência de uma bola fortuita sobre a área, que não veio.

O lado preocupante da partida é que o Mogi deu sinais de exaustão, teve um zagueiro expulso no segundo tempo e ainda assim o Papão não foi competente para marcar o segundo gol. Diante de um adversário caindo pelas tabelas, Dado voltou a mexer com muito atraso, chegando a fazer a última substituição a cinco minutos do final. Série B requer, também, decisões rápidas.

Nos últimos seis jogos, o Papão só venceu uma vez e contabilizou cinco pontos em 18 disputados. É pouco.

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Direto do blog

“A gente torce, vibra e se desespera, mas a qualidade técnica fala mais alto, quem olha o Papão jogar vê que é muito difícil um time subir jogando somente com lançamentos longos para os atacantes correrem e o Leandro Cearense se bater com os zagueiros, e a bola sobrar em um lance fortuito para alguém empurrar para as redes. É pouco também viver só da bola parada. Hoje até quase tivemos um gol após os vários tiros de canto e na falta que sofreu o Valdívia e o Pikachu cobrou, mas sem dúvida é pouco para um time ascender à Série A através de pontos corridos. Espero mesmo é que time se mantenha na Série B e que se derem uma brecha, quem sabe com um pouco de sorte, o Papão suba”.

Raimundo Jaime, em diagnóstico realista sobre o plano de voo do Papão na Série B.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 02)

10 comentários em “Leão tem missão de risco

  1. Comentário sobre o PSC, foi mais que perfeito, amigo Gerson… É por aí mesmo..

    O Náutico-RR, fez algumas contratações e vem com um novo técnico, este, sempre deu certo no clube, Serginho Góis, que fará sua estreia, hoje…Remo, precisa tornar o jogo fácil pra ele, se não quiser se complicar nessa partida..
    Penso que Remo, Nacional e Rio Branco, disputarão 2 vagas… Todo cuidado é pouco com o Rio Branco, que já jogou com o Remo, aqui, fez boas contratações e tá crescendo na competição..Hoje, pegará o Vilhena, em casa podendo chegar aos 6 ptos, depois, pegará esse mesmo Náutico, em RR, o que fará com que o Nacional tenha que vencer o Remo, no jogo do próximo domingo, na Arena da Amazônia, de qualquer jeito…Isso acontecendo, o Remo, mesmo com a vitória hj, sairá do G2, dependendo dos critérios de desempates…É um grupo complicado e, o que vai determinar a classificação de um clube à 2ª fase, será a busca por pontos, fora de casa, fazendo o “dever de casa” vencendo seus jogos..

    Remo, pelo elenco que tem, é pra se classificar, sobrando nesse grupo…Mas sabemos que, no futebol profissional, o que manda é o time ser bem treinado, com um bom conjunto e com bons jogadores…Nessas 2 primeiras partes, já não tenho tanta certeza dessa superioridade azulina… Mas, vamos ficar na torcida pela classificação do Leão, à 2ª fase.

    Minha avó, quando um neto fazia aniversário, ela dizia: “Só quero que Deus me dê vida pra ver o niver do meu neto tal, no próximo ano… E assim falava todo ano… É o amigo Raimundo Jaime, hoje, na última parte de seu comentário…. É isso e aquilo, mas, se der pra subir, né amigo….rsrs.. Grande abraço

    É a minha opinião.

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  2. A coluna do amigo Gerson diz tudo sobre o Remo levando-se em consideração o adversário de hoje. O Remo tem que ganhar e bem o Náutico de Roraima pois já está na hora do time apresentar alguma evolução tática e técnica, jogadores em condições pra isso tem. Se não obtiver um ótimo resultado hoje, a situação pode ficar difícil em virtude do próximo jogo ser contra o Nacional aqui em Manaus, jogo complicado porque o Nacional vem de derrota para o Rio Branco. Espero não sair decepcionado da Arena Amazônia segunda-feira.

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  3. Depois de assistir a ridícula apresentação do Botafogo contra o Luverdense aumentou ainda mais a esperança de subida do Papão, fora Bahia e Vitória que têm bons elencos pelo menos mais seis clubes podem sonhar sim com série A.

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    1. A esperança existe, Máximo. A Série B deste ano é uma das mais fracas das últimas temporadas. A rigor, cerca de 10 equipes brigam pelo acesso, inclusive o Papão. O jogo do meu Botafogo foi de fato horroroso, igualzinho à grande maioria dos jogos desta Segundona, infelizmente.

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  4. Máximo,

    Penso que subir será conseqüência de um equilíbrio na competição. No momento o PSC está oscilando demais, por isso está fora do G-4. Se oscilar menos as chances aumentam signficativamente, contudo, no momento o Papão briga para está entre os dez.

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  5. Oscilando todos os candidatos estão, com exceção do enfraquecido Botafogo mas que brevemente estará fora do G4, exemplo é o Bahia maior candidato a subida que estava na sétima colocação antes dessa rodada e agora está na vice liderança, o Papão vem sendo prejudicado pelas arbitragens, o que não acontece com os favoritos.

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    1. Regularidade é fundamental. Alguns times estão no G4 desde o começo, isso deve ser levado em conta. Mas, de maneira geral, todos os que estão entre o primeiro e o décimo-segundo lugar têm chances reais de acesso. Campeonato aberto, com previsão de um returno disputadíssimo.

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  6. Bela coluna, amigo Gerson.

    Amigo Celira, agora vc pensou como pensam os remistas.

    Torcem pra um time que está na D, mas falam como se estivessem na A.
    O Remo está no mesmo barco do Nautico, por isso são iguais.

    Gerson, discordo frontalmente que esta série B seja uma das piores.
    O que vejo é muito equilíbrio.

    Claro que tecnicamente não e primor, mas tem sim suas qualidades.

    O nosso fogão repete o que fez ano passado na serie A, desmonta o time em plena competição e por isso pode até pagar um alto preço.

    Vejo o Bahia com cara de campeão.

    Mas como vc bem disse na sua coluna, o papão, tem um time arrumado dentro e fora de campo, e isso é importante, mas pra ganhar algumas partidas como essa do Mogi, o talento individual tem que aparecer, e hoje o papão joga muito coletivamente, mas sem boas conclusões.

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