Papão x Sampaio (comentários online)

Campeonato Brasileiro da Série B 2015 

Paissandu x Sampaio Corrêa – estádio Jornalista Edgar Proença, 16h30

Na Rádio Clube, Valmir Rodrigues narra, João Cunha comenta. Reportagens – Dinho Menezes, Hailton Silva e Carlos Estácio.
Banco de Informações: Adilson Brasil. 

Remo x Rio Branco (Comentários online)

Campeonato Brasileiro da Série D 2015

Clube do Remo x Rio Branco (AC) – Arena Verde, em Paragominas, às 16h

Na Rádio Clube, Jones Tavares narra, Gerson Nogueira comenta. Reportagens – Carlos Gaia e Paulo Caxiado. Banco de Informações – Adilson Brasil.  

Marin temia ser envenenado na cadeia

POR RICARDO PERRONE

Da água mineral europeia tomada em fina taça ao gole sorvido numa torneira qualquer. Obrigado a abandonar o luxo do hotel suíço em que estava hospedado ao ser preso, José Maria Marin dispensou nos primeiros dias até o mínimo oferecido pelos carcereiros com medo de ser envenenado na prisão.

O relato de quem é próximo ao ex-presidente da CBF é de que uma de suas primeiras reações ao ser preso foi o pavor de tomar veneno no cárcere por obra de alguém interessado em sua morte. Assim, durante por volta das 72 primeiras horas trancafiado, ele decidiu que só beberia água da torneira, mais segura.

A preocupação extrema encontra uma de suas justificativas no fato de Marin, como advogado, sempre dizer aos amigos que um dos maiores riscos de quem vai preso é ser envenenado no presídio.

O temor ilustra como foram as horas iniciais do cartola na detenção, as piores de acordo com os poucos que conversaram com ele desde o dia 27 de maio.

Sem falar inglês, Marin não sabia exatamente o que estava acontecendo. Perdeu a noção de tempo, e achava que logo voltaria para casa. Tanto que, no início, após acordar e tomar banho, chegou a vestir terno para partir, em vão. Já são 50 dias encarcerado.

A calma só começou a chegar no primeiro telefonema em que conversou com sua mulher, Neusa. E ouviu dela que os amigos do dirigente não tinham se voltado contra ele. Respondeu, então, que aguentaria o tranco.

Outro ponto crucial foi conseguir os remédios que toma constantemente para o estômago e a pressão. A dificuldade com o idioma atrapalhou. Mas, enfim, os advogados conseguiram a receita de seu médico no Brasil em inglês.

Os 70 euros quinzenais depositados por sua família para serem gastos numa lojinha disponível na prisão o ajudam a cuidar da alimentação com iogurte e barras de cereal.

Assim, aos poucos, o cartola foi se adaptando à dura rotina na cadeia. Nesse período, demonstrou preocupação com o que a imprensa brasileira fala dele. Quis saber de um de seus defensores se estava apanhando muito dos jornalistas. Especialmente de Juca Kfouri, blogueiro do UOL.

Também tem demonstrado preocupação com Neusa, que agora passa a maior parte dos dias reclusa em casa, na capital paulistana. Na carta em que solicitou que ela nem o filho o visitassem na cadeia o dirigente chegou a pedir perdão, caso tenha desonrado o nome da família. Disse que estava pagando o preço por sua vida e que iria pagar com altivez e honradez.

Nos últimos dias, o ânimo do dirigente melhorou por ter uma ideia mais clara de quando os suíços definirão se vão extraditar o cartola para os Estados Unidos. Na última terça, aconteceu a primeira audiência na Suíça sobre o pedido de extradição feito pela Justiça dos Estados Unidos. A expectativa dos advogados é de que entre os dias 3 e 6 de agosto Marin saiba seu destino. Se a extradição for recusada, provavelmente responderá às acusações de ter recebido propina e conspirado para lavagem de dinheiro em liberdade no Brasil. Caso contrário, será transferido para uma cadeia nos Estados Unidos.

Itália mostra o lado avançado da arbitragem

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Claudia Romani, modelo e árbitra de futebol na Itália.

O blog, obviamente, dá o maior apoio.

Legendas da história do futebol

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Evaristo de Macedo, ídolo nos dois grandes clubes espanhóis. Lenda.

O torcedor-cliente

POR MAURO CÉZAR PEREIRA, na ESPN

As novas “arenas” trouxeram mudanças impactantes à rotina do nosso futebol. E com elas coisas estranhas, bizarras até. Torcer deixou de ser um ato de devoção. O fanático que sofria na derrota para voltar no jogo seguinte sai de cena para dar espaço aquele que ainda irá ao Procon reclamar formalmente por ter pago pelo ingresso num dia em que o time perdeu.
As novidades fizeram proliferar as “selfie girls” (ou boys), que ignoram o placar e passam o tempo fazendo fotos delas mesmas, com ou sem acompanhante. Pau de selfie, aquele acessório que supera todos os limites do patético, toma o lugar do mastro que agitava a bandeira com fervor.
Há ainda a galera do coraçãozinho. Este curioso personagem une as mãozinhas sobre o lado esquerdo do peito em forma de coração e passa o jogo torcendo. Não pelo que se passa em campo, mas por um instante no qual a câmera o focalize e então apareça no telão. Tudo com muito orgulho, com muito amor.
Tem ainda o torcedor de vitórias. Esse estranho espécime contraria a lógica da paixão incondicional por um clube, o que de mais precioso o futebol proporciona. Ele não tem vergonha de se dizer arrependido quando vai ao jogo e o resultado não é bom.
Pelas redes sociais, escancara sua relação interesseira com o time que deveria ser de fé. Sem constrangimento, relata claramente que não vai ao jogo se o elenco não é bom. Apoiar na hora difícil é algo que sequer passa pela sua cabeça.
O sujeito quer apenas vencer e acredita que seu clube tem obrigação proporcionar somente alegrias. Como se isso fosse possível. Como se o sabor da vitória não estivesse intimamente conectado à dor da derrota.
Esse personagem, quando não vai ao estádio, se aproveita de um dia ruim para tentar justificar a própria postura. A equipe é fraca, portanto não merece sua ilustre presença. Irei mais longe: quem torce(?) assim não merece ter um bom time. Por desconhecer a beleza do futebol, marcada pelo amor verdadeiro e desinteressado por uma camisa.
Quem dessa forma age não merece desfrutar do que o nosso esporte oferece. Das lições que a derrota nos dá à loucura, o descontrole da vitória tão esperada, sofrida, brigada. Esses seres nunca compreenderão isso, jamais terão tal emoção.
Tais personagens se proliferam nesses estádios com seus telões em alta definição. O povo está cada vez mais distante das canchas. O grito de incentivo se restringe às organizadas, confinadas a um canto e sem serem acompanhadas pelos demais quando o time mais precisa do seu grito.
Um cenário desolador que se acentua. E piora com a multiplicação dos torcedores de renda, que vibram com as cifras arrecadadas como se fossem gols. Tem também o torcedor de cartola, que defende em qualquer situação os dirigentes mais contraditórios, incompetentes ou trapalhões. Mantêm com essas pessoas uma relação de fidelidade canina que nunca demonstraram pelo time.
O pior é que nada disso parece estar ligado ao 7 a 1. Os problemas são maiores do que o massacre alemão nos mostrou. Se em campo o futebol brasileiro padece, fora segue se afastando dos mais apaixonados e atraindo quem apenas segue modismos. E modismos passam. Acabam. Que perfil de torcedor teremos no futuro?
A quem interessar possa: no Brasil mais da metade da população é classificada como pobre ou de baixa renda. São 50,9% em tais faixas. Futebol para eles, cada vez mais, é atração distante, pela TV (aberta) nas noites de quarta-feira ou tardes de domingo. Preferem lugares sobrando nos estádios do que tê-los por lá.

PS: todos têm o direito de torcer do jeito que bem entenderem. E todos, inclusive o blogueiro, têm o direito de achar lastimável que a tradição das arquibancadas seja perdida por modismos que fazem delas ambientes cada vez mais frios.

Sócio torcedor: balanço atualizado por clubes

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E se a delação contra Cunha fizer parte do jogo?

POR MIGUEL DO ROSÁRIO, no blog O Cafezinho

Francamente, não acredito em mais nada nessa grande conspiração midiático-judicial que se tornou a Lava Jato e suas delações.

Tudo que vem dela merece minha desconfiança.

Aliás, numa conjuntura como essa, confiar em quem?

Que instituições merecem nossa confiança?

Ao contrário do que tenta passar a mídia, a política é o único esteio ao qual devemos nos agarrar.

Aqueles que defendem políticas públicas progressistas, modernas, nacionalistas, investindo nos mais pobres de um lado, em infra-estrutura de outro, são os únicos que merecem a nossa confiança. 

Por que a confiança não é exatamente em sua conduta pessoal, esta infelizmente sujeita às chantagens e brutalidades do jogo sujo da política, somadas às vaidades e fraquezas características do ser humano, mas em suas ideias e projetos, que se transformam em ações concretas para melhorar a vida do povo e acelerar o nosso desenvolvimento sócio-econômico.

Voltando às minhas paranoias: e se as acusações contra os presidentes das casas legislativas, Cunha e Renan, estiverem sendo feitas com objetivo de chantageá-los, com a possibilidade de prisão, caso não aceitem o esquema golpista?

E se há um grande esquema de chantagem em andamento?

O blog Conversa Afiada divulgou, há pouco, uma denúncia sinistra, de que ministros do TCU estariam sendo chantageados para não aprovar as contas de Dilma Rousseff.

Uma coisa está clara para mim desde muito tempo: Cunha é um pião facilmente manipulável pela mídia e seus braços dentro dos aparelhos de repressão, justamente por seu longo e sombrio passado de denúncias.

Alguns analistas dizem que as acusações contra Cunha o desmoralizam e dificultam que seja ele o líder do processo de golpe.

Só que Cunha nunca foi líder de nada. Esse processo tem sido liderado pelo PSDB, a mídia, e alguns ainda misteriosos patrocinadores estrangeiros.  A prova disso é a blindagem incrível gozada pelos tucanos.

O Ministério Público e a Polícia Federal não tem coragem de investigar tucanos.

Todo o mundo político tem sido exposto, justo ou injustamente, à sanha dos aparelhos de repressão.

Menos o PSDB.

Nas redes, agora faz sucesso marcar eventos de filiação de tucanos ao PT para ver se alguém investiga alguma coisa sobre seus governos, que protagonizaram escândalos e mais escândalos, todos abafados.

Cunha e seus acólitos na Câmara não dão a mínima para essa questão de “imagem pública”.

Prefiro manter, portanto, meu nível de paranoia em estado máximo.

Todas essas jogadas, o inquérito contra Lula, a delação contra Cunha, podem ter apenas um objetivo: o golpe.

Entretanto, com golpe ou não, temos que admitir uma coisa. Esse curto circuito entre as instituições mostra que o Brasil do PT é um Brasil diferente.

Todo mundo é investigado.

Uma pena que esta liberdade esteja sendo manipulada com finalidades políticas espúrias, e conspurcada por excessos da Polícia Federal, conspirações do Ministério Público, arbítrios do judiciário e manipulação das notícias.

Ao cabo, aliás, o último problema mencionado, a manipulação da informação, é o problema principal, por ser a plataforma a partir da qual todas as conspirações se estruturam.

Saímos de uma situação em que o governo mandava abafar qualquer investigação contra si mesmo e seus aliados, para uma outra, de aparente descontrole dos órgãos de repressão, que seguem apenas a orientação da mídia.

No fundo sombrio das minhas paranoias, porém, ainda alimento um fio de esperança de que, quando (e se) vencermos todos esses golpes, conspirações, arbítrios judiciais, teremos um Brasil bem melhor.

O adeus do carrasco

POR GERSON NOGUEIRA

Quis o destino que a morte de Alcides Ghiggia, herói da conquista uruguaia mais celebrada e carrasco do Brasil pelas mesmas razões, coincidisse com a data histórica do Maracanazo. Há exatos 65 anos, no dia 16 de julho de 1950, o veloz e franzino ponta-direita (então com 23 anos) silenciou 200 mil torcedores presentes ao então maior estádio do mundo e outras milhares de pessoas espalhadas pelo país.

Partiu ontem certamente recompensado pelas lembranças da glória conquistada naquela tarde distante no Rio de Janeiro. Talvez tenha sido a homenagem derradeira dos deuses da bola.

Cá pra nós, o trauma de 50 só não é maior para a torcida brasileira porque foi substituído pelo recente vexame de Belo Horizonte. A surra aplicada pelos alemães fez abrandar a dor sentida pela perda da primeira Copa do Mundo promovida no Brasil.

Vi inúmeras entrevistas de Ghiggia falando sobre o Maracanazo e sempre pareceu um sujeito tranquilo, humilde, alegre e de bem com a vida. Uma postura comum aos craques que atuaram na era dourada do futebol, quando a menor das preocupações era em amealhar fortunas.

Nos dias de hoje, acima de qualquer outra motivação, os boleiros elegem a independência financeira como meta inicial a alcançar. O que vier depois é lucro. Por isso mesmo, rareiam exemplos como o de Gigghia, cujo impulso na carreira só viria depois da conquista da Copa do Mundo.

Depois de uma punição decorrente de briga em campo no campeonato uruguaio, deixou o seu amado Peñarol e foi jogar na Itália. Ganhou dinheiro e fama como atacante do Roma. Acima de tudo, se divertiu muito, com a vida noturna de então, a mesa farta e o conforto que o futebol italiano oferecia.

Em campo, correspondeu plenamente à expectativa. Comandou a recuperação do clube e chegou a defender a Azzurra, beneficiando-se do fato de ser um oriundi (descendente de italianos). Os gols, a identificação com a torcida e as conquistas eternizaram seu nome na história do clube

Viveu bem, mesmo depois de se aposentar dos gramados. Foi, enfim, um homem feliz. Só por isso já é merecedor de todas as homenagens. Era o último sobrevivente daquele grupo de 22 jogadores que terminou aquela partida inesquecível no Maracanã. Tinha 88 anos.

(Artigo humildemente inspirado em crônica premonitória de Giovanni Guerreiro, publicada no portal ESPN, antes do falecimento de Ghiggia)

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Uma nova dupla nasce no Leão

Os últimos treinos do Remo indicam que Cacaio, forçado pelas circunstâncias, deverá escalar um ataque com Welton e Aleílson contra o Rio Branco, amanhã, em Paragominas. Pode dar liga. A dupla mostrou desembaraço durante os coletivos da semana e pode dar ao time uma movimentação ofensiva que não há quando joga com um centroavante fixo, como Rafael Paty. Welton joga na área também, mas sabe sair para buscar a bola e tentar tabelinhas em velocidade.

Ao lado de Aleilson, tem condições de formar uma nova dupla de ataque, capaz de resolver o que já se configura como o maior problema do Remo na Série D: o desperdício de gols. Contra o Vilhena, domingo passado, foram pelo menos cinco grandes oportunidades perdidas por precipitação, falha de pontaria e posicionamento adequado.

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Das dores do inferno às glórias do céu

O futebol prega peças e deixa lições. O atacante Misael tem exibido qualidades que confirmam o acerto de sua contratação pela diretoria do Papão. Arisco e habilidoso, vai se credenciando como um reserva qualificado, que sempre aparece bem quando chamado a entrar.

Foi assim contra o Macaé, quando em poucos minutos conseguiu produzir o que o titular Souza não fez ao longo de quase 80 minutos. Entrou na área, gingou na frente do marcador e sofreu pênalti. Confiante, pegou a bola e partiu para a cobrança. O chute saiu fraco e em cima do goleiro, que evitou o gol. Um minuto depois, o Macaé desempataria e Misael cairia em desgraça perante a torcida. Houve quem até cobrasse sua dispensa, responsabilizando-o diretamente pela derrota.

Cinco dias depois tudo mudou. A situação se inverteu por completo quando o mesmo Misael entrou no jogo contra o Bahia. Da mesma maneira desassombrada da partida anterior, foi pra cima da defesa inimiga.

Em investida rápida pela direita, cortou um zagueiro junto à linha de fundo, depois fintou outro e bateu na saída do goleiro. O gol abriu caminho para uma vitória que era improvável até ele entrar em campo. Na verdade, o Bahia foi superior no primeiro tempo e podia ter balançado as redes.

Misael foi fundamental para restituir confiança ao time, que a partir de seu gol encaminhou um triunfo categórico por 3 a 0. Saiu de campo de peito lavado, com a atuação louvada por todos.

O futebol é muitas vezes ingrato, mas consegue ser generoso também com os que perseveram.

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Agressão e covardia

Fazia tempo que o Mangueirão não via cenas tão agressivas contra profissionais de imprensa como as que ocorreram na quarta-feira à noite, depois do jogo entre Papão e Bahia. O repórter Chico Chagas, da rádio Marajoara, foi agredido pelo auxiliar técnico do time baiano, identificado como Denys Luctke Fancincani.

Chagas buscava se aproximar para entrevistar o técnico Sérgio Soares quando levou um soco, caindo ao lado do túnel utilizado pelo time baiano. Não havia mais policiamento no gramado do estádio e o repórter não teve a quem recorrer. Através dos confrades, a denúncia foi feita na hora, mas o agressor conseguiu sair sem maiores incômodos. A Aclep se posicionou através de nota oficial, repudiando a atitude do funcionário do Bahia.

Resta agora ao próprio Bahia tomar as atitudes cabíveis em relação ao profissional que maculou, de forma tão irresponsável, a sua imagem de tradicional clube do futebol brasileiro.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 17)