Na passagem do nono aniversário da morte do atacante Alcino, grande ídolo da torcida azulina, cabe rever a homenagem do programa “Loucos por Futebol” (da ESPN) ao Negão Motora.
Mês: julho 2015
Ah, o Dia do Amigo…
Todo mundo saudando o Dia do Amigo e ninguém lembra do amigo da onça e do amigo do alheio, esses seres tão presentes em nossas vidas.
Comediante atira notas de dólares em Blatter
Em sinal de protesto, o comediante inglês Lee Nelson atirou cópias de notas de dólares sobre o presidente da Fifa, Joseph Blatter, hoje cedo em Zurique (Suíça), quando este concedia entrevista anunciando a data da nova eleição na entidade. O pleito foi marcado para 26 de fevereiro do próximo ano. Até lá, mesmo bombardeado por denúncias de corrupção, Blatter continuará no comando da Fifa.
Apesar da crise
POR PABLO VILLAÇA, no blog Tijolaço
Eu fico realmente impressionado ao perceber como os colunistas políticos da grande mídia sentem prazer em pintar o país em cores sombrias: tudo está sempre “terrível”, “desesperador”, “desalentador”. Nunca estivemos “tão mal” ou numa crise “tão grande”.
Em primeiro lugar, é preciso perguntar: estes colunistas não viveram os anos 90?! Mas, mesmo que não tenham vivido e realmente acreditem que “crise” é o que o Brasil enfrenta hoje, outra indagação se faz necessária: não lêem as informações que seus próprios jornais publicam, mesmo que escondidas em pequenas notas no meio dos cadernos?
Vejamos: a safra agrícola é recordista, o setor automobilístico tem imensas filas de espera por produtos, os supermercados seguem aumentando lucros, a estimativa de ganhos da Ambev para 2015 é 14,5% maior do que o de 2014, os aeroportos estão lotados e as cidades turísticas têm atraído número colossal de visitantes. Passem diante dos melhores bares e restaurantes de sua cidade no fim de semana e perceberá que seguem lotados.
Aliás, isto é sintomático: quando um país se encontra realmente em crise econômica, as primeiras indústrias que sofrem são as de entretenimento. Sempre. Famílias com o bolso vazio não gastam com supérfluos – e o entretenimento não consegue competir com a necessidade de economizar para gastos em supermercado, escola, saúde, água, luz, etc.
Portanto, é revelador notar, por exemplo, como os cinemas brasileiros estão tendo seu melhor ano desde 2011. Público recorde. “Apesar da crise”. A venda de livros aumentou 7% no primeiro semestre. “Apesar da crise”.
Uma “crise” que, no entanto, não dissuadiu a China de anunciar investimentos de mais de 60 bilhões no mercado brasileiro – porque, claro, os chineses são conhecidos por investir em maus negócios, certo? Foi isto que os tornou uma potência econômica, afinal de contas. Não?
Se banissem a expressão “apesar da crise” do jornalismo brasileiro, a mídia não teria mais o que publicar. Faça uma rápida pesquisa no Google pela expressão “apesar da crise”: quase 400 mil resultados.
“Apesar da crise, cenário de investimentos no Brasil é promissor para 2015.”
“Cinemas do país têm maior crescimento em 4 anos apesar da crise”
“Apesar da crise, organização da Flip soube driblar os contratempos: mesas estiveram sempre lotadas”
“Apesar da crise, produção de batatas atrai investimentos em Minas”
“Apesar da crise, vendas da Toyota crescem 3% no primeiro semestre”
“Apesar da crise, Riachuelo vai inaugurar mais 40 lojas em 2015″
“Apesar da crise, fabricantes de máquinas agrícolas estão otimistas para 2015″
“Apesar da crise, Rock in Rio conseguiu licenciar 643 produtos – o recorde histórico do festival.”
“Honda tem fila de espera por carros e paga hora extra para produzir mais apesar da crise,”
“16º Exposerra: Apesar da crise, hotéis estão lotados;”
“Apesar da crise, brasileiros pretendem fazer mais viagens internacionais”
“Apesar da crise, Piauí registra crescimento na abertura de empresas”
Apesar da crise. Apesar da crise. Apesar da crise.
A crise que nós vivemos no país é a de falta de caráter do jornalismo brasileiro.
Uma coisa é dizer que o país está em situação maravilhosa, pois não está; outra é inventar um caos que não corresponde à realidade. A verdade, como de hábito, reside no meio do caminho: o país enfrenta problemas sérios, mas está longe de viver “em crise”. E certamente teria mais facilidade para evitá-la caso a mídia em peso não insistisse em semear o pânico na mente da população – o que, aí, sim, tem potencial de provocar uma crise real.
Que é, afinal, o que eles querem. Porque nos momentos de verdadeira crise econômica, os mais abastados permanecem confortáveis – no máximo cortam uma viagem extra à Europa. Já da classe média para baixo, as consequências são devastadoras, criando um quadro no qual, em desespero, a população poderá tender a acreditar que a solução será devolver ao poder aqueles mesmos que encabeçaram a verdadeira crise dos anos 90. Uma “crise” neoliberal que sufocou os miseráveis, mas enriqueceu ainda mais os poderosos.
E quando nos damos conta disso, percebemos por que os colunistas políticos insistem tanto em pintar um retrato tão sombrio do país. Porque estão escrevendo as palavras desejadas pelas corporações que os empregam.
Como eu disse, a crise é de caráter. E, infelizmente, este não é vendido nas prateleiras dos supermercados.
Rock na madrugada – Jimi Hendrix, Foxey Lady
Vasco derruba o Flu
A Dado o que é de Dado
POR GERSON NOGUEIRA
O Papão não jogou bem no primeiro tempo permitindo ações perigosas do adversário, melhorou um pouco no segundo, mas não foi competente para administrar a vitória que caiu do céu nos minutos finais, terminando por ceder o empate num cochilo imperdoável de todo o sistema defensivo.
Contra um Sampaio tecnicamente bem arrumado, mas que veio disposto a arrancar o empate, o Papão pecou pelo excesso de toques antes de definir as jogadas e certa ausência de objetividade. Pecados, aliás, que já vem se observando há algumas rodadas, mesmo em ocasiões vitoriosas.
O empate no minuto final adquiriu cores mais dramáticas porque a vitória estava na mão, conquistada com extrema dificuldade em típica jogada aérea de fim de jogo, lembrando até as circunstâncias da traumática derrota para o Macaé já nos acréscimos.
Entendo que, apesar da desatenção dos zagueiros no gol do Sampaio, o lado mais preocupante da atuação do Papão no sábado está na insistência em manter no time um jogador improdutivo. Com Souza no ataque, Dado escala uma equipe com uma peça a menos, o que naturalmente acarreta uma sobrecarga aos demais jogadores.
Um centroavante, ao contrário do que alguns tentam argumentar, existe basicamente para fazer gols. Se não faz, deve pelo menos facilitar as coisas para que outros façam em seu lugar. Não é o caso de Souza, que vem jogando com base no passado de artilheiro.
Fahel, que voltou a mostrar instabilidade e lentidão, andando em campo na maior parte do tempo, barrou Augusto Recife, cuja única desvantagem em relação ao novo titular está na altura.
Ao marcar o segundo gol da vitória sobre o Bahia, na quarta-feira, confirmando uma de suas virtudes, parece ter sacramentado de vez a titularidade. Ainda assim, Recife continua a ser mais jogador, pois sabe passar e organiza o jogo a partir da linha de volantes.
Quando Dado viu-se obrigado a mexer no segundo tempo, diante da clara impossibilidade de chegar ao gol com Souza lá na frente, tudo mudou. Mais ágil, o Papão passou a fustigar a defensiva maranhense, provocando erros seguidos dos zagueiros e criando boas chances. Tudo porque Leandro Cearense também ajuda Aylon a marcar a saída de bola do adversário.
Por outro lado, com Jonathan em campo, Pikachu naturalmente cresce de rendimento porque fica desobrigado da marcação, passando a contribuir para uma transição rápida, inviável hoje no deserto criativo da meia-cancha bicolor. Jonathan acrescenta porque, mesmo sem ser um meio-campista excepcional, produz mais, é rápido e simplifica as coisas.
A Série B é difícil, competitiva e cheia de armadilhas. Para chegar a algum lugar, é preciso mostrar regularidade e capacidade de resistência. Erros bobos de avaliação podem levar a prejuízos maiores mais à frente.
Pelos aspectos citados, pode-se dizer que Dado é o maior responsável pela atuação oscilante diante do Sampaio. Da mesma maneira que se deve sempre reconhecer e destacar que ele é o responsável pela surpreendente campanha do time na Série B.
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Cacaio precisa fazer as pazes com Cacaio
O Remo parece ainda carregar o fardo emocional da goleada sofrida em Cuiabá na decisão da Copa Verde. O resultado abalou profundamente as convicções do técnico Cacaio, que nunca mais teve a ousadia tática que lhe garantiu sucesso no Campeonato Paraense e no próprio torneio nortista. Ficou intimidado pelo fracasso naquela final e passou a abraçar a cautela como companheira. Pode estar aí a explicação para o pífio desempenho do Remo nas duas partidas pela Série D.
Contra o Vilhena, abriu o placar, mas resolveu segurar resultado na etapa final e cedeu o empate. A situação quase se repetiu no sábado à tarde na Arena Verde. Senhor absoluto das ações durante todo o primeiro tempo, o Remo não foi capaz de organizar ataques que permitissem furar a retranca do Rio Branco.
Eduardo Ramos, o mais dinâmico da equipe, carregava a bola até a entrada da área e esbarrava na firme marcação dos visitantes. Quando buscava alguém para dialogar, só enxergava Ratinho, muito vigiado quando caía pela esquerda.
No segundo tempo, o time melhorou um pouco, com Juninho e Levy substituindo a Ratinho e Ameixa. Mais agressivo, Juninho comandou uma pressão mais objetiva. Ele próprio disparou dois chutes perigosíssimos após ter entrado.
Quando a situação já parecia se encaminhar para novo empate, o próprio Juninho bateu um escanteio pela direita e achou o zagueiro Henrique na pequena área. Um gol salvador à aquela altura.
É verdade que, mesmo sem se organizar adequadamente para envolver o adversário, o Remo ainda produziu boas situações de área em lances envolvendo Eduardo Ramos.
Foram três bolas na trave, duas com Rafael Paty e uma com Max, mas a equipe parecia frágil, sujeitando-se a sustos desnecessários, como ataques fulminantes do Rio Branco nos dez minutos finais.
A destacar, além do bom trabalho de Ramos e Juninho, a atuação de Henrique ao lado de Max na zaga e o empenho de Paty na frente. Whelton também apareceu mais que Aleílson, ainda meio encabulado com a camisa azulina.
São sinais animadores, mas ainda é pouco para quem tem ambições de acesso.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 20)
Rock na madrugada – Pearl Jam, Last Kiss
Leão vence a primeira na Série D
Sob o peso da lei
POR GERSON NOGUEIRA
A notícia que fechou a semana não podia vir em pior momento para quem está conduzindo o futebol do Remo e lutando bravamente para juntar os cacos depois da semidestruição provocada pelas caóticas administrações de Zeca Pirão e Pedro Minowa.
Com a anunciada decisão da Justiça do Trabalho de autorizar a venda da área do Carrossel, o clube deverá perder um patrimônio importante por valor abaixo do esperado e insuficiente para sanear as dívidas trabalhistas do clube, muito agravadas pelo último período da gestão anterior.
Ao provável preço de R$ 10 milhões, o Remo ficará sem a área e ainda continuará a dever pelo menos R$ 3 milhões, pois a negociação com os credores será inviabilizada pela venda através do TRT. Caso tivesse condições de gerir o dinheiro arrecadado, o clube poderia procurar individualmente os reclamantes e baixar os valores.
Na forma como a coisa se desenha, os advogados de atletas e ex-funcionários estarão cientes de que o dinheiro está disponível e naturalmente exigirão o pagamento integral de cada ação.
Tudo isso poderia ter sido evitado – ou atenuado – se alguns cuidados básicos tivessem sido tomados ao longo dos últimos anos. A oferta de salários irreais a atletas caros (e improdutivos), associada à conhecida irresponsabilidade na redação dos contratos com atletas, está por trás de quase todos os problemas que travam a vida do clube.
Ronaldo Passarinho, grande benemérito e campeão nas batalhas jurídicas em defesa do Remo, encaminhou ainda em agosto do ano passado um pedido de informações, legalmente embasado (citando o artigo 7 da Constituição Federal, caput), e a resposta até hoje não veio.
Na solicitação, ele pedia informações sobre valores, duração de contratos, luvas de atletas e patrocínio no período de janeiro a julho de 2014. Queria saber se seria possível cobrir as dívidas que se acumulavam. Queria evitar que o clube tivesse verbas bloqueadas e perdesse patrimônio. Para seu espanto, o então presidente ignorou a cobrança e ainda teve suas contas aprovadas pelo Conselho Fiscal do clube, apesar de comprovada gestão temerária.
Para os que acompanham o dia-a-dia do clube e sabem da devastação ocorrida nos últimos anos, a atual situação não chega a surpreender. Os membros do Conselho Deliberativo e Confins, por motivos óbvios, também conhecem bem o tamanho da encrenca.
Associados e torcedores, porém, só ficam sabendo da tragédia quando as chamas já estão muito altas para serem debeladas. Aí nada mais resta do que chorar sobre o leite derramado. Um clube da grandeza do Remo não pode ficar à deriva, correndo o risco de desaparecer por força da inépcia dos gestores e da omissão de seus conselheiros.
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CBF: entre o atraso e a incompetência
Com a solene promessa de tirar o futebol brasileiro do atraso, o presidente da CBF reuniu duas frentes de trabalho, caprichando no marketing de que a entidade está mesmo preocupada com o futuro do esporte mais popular do país.
Seus primeiros passos nessa direção acabaram traindo a verdadeira intenção. Ao escolher técnicos completamente desatualizados para debater a nova realidade deixou claro que a intenção é apenas fazer marola para deixar tudo como antes.
Quem, em sã consciência, acredita que Zagallo, Parreira, Lazaroni, Carlos Alberto Silva, Candinho e Dunga podem de fato descortinar novos rumos para o futebol do país?
Dois deles conquistaram títulos, tiveram passado vitorioso no comando da Seleção Brasileira, mas se perderam em alguma curva do tempo, mumificados e aferrados a suas ideias anacrônicas e ultrapassadas. Parreira e Zagallo ainda acreditam que o melhor caminho para a vitória passa por sistemas defensivistas.
Nada a ver com a contemporaneidade de times extremamente dinâmicos e leves, como Barcelona e Bayern de Munique, capazes de ousadias como jogar com apenas dois zagueiros e um volante. Carlos Alberto Silva quando novo já era atrasado, o mesmo pode-se dizer de Lazaroni e Candinho, cuja marca principal na carreira é ter treinado a Portuguesa por quase 10 anos.
Na mesma semana, Marco Polo Del Nero reuniu os dirigentes de clubes para formar um conselho técnico da Série A que já nasce viciado. Tratou de prestigiar justamente os endividados e, obviamente, mais cordeirinhos – do Atlético-MG, do Corinthians, do Fluminense, do Atlético-PR e do Grêmio. Todos irrefreáveis caloteiros e acostumados a colecionar dívidas geradas por contratações extravagantes.
Está claro que o alardeado projeto de mudar o futebol brasileiro é potoca para impressionar incautos. Não por acaso, os principais assessores e conselheiros de Del Nero são figuras alheias ao universo do esporte, cujo maior mérito é a capacidade de fazer malabarismos políticos.
Walter Feldman, ex-assessor de Marina Silva e ex-tucano de carteirinha, é o secretário geral da CBF. Nunca chutou uma bola, talvez nem saiba a diferença entre impedimento e linha burra. O outro consultor de todas as horas é ninguém menos que João Dória Jr., lobbista profissional conhecido por programas sonolentos na TV e pelo convescote anual de empresários no interior da Bahia.
O que essa gente teria a oferecer de fato para tirar o futebol do Brasil do abismo em que se encontra? Obviamente, nada. Del Nero sabe disso e finge vivo interesse até para fazer esquecer as respostas que a CBF continua devendo sobre a parte que lhe cabe na gigantesca bandalheira capitaneada pela Fifa.
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Bola na Torre
Programa terá Guilherme Guerreiro no comando e participações de Giuseppe Tommaso, Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. Começa depois do Pânico na Band, por volta de 00h10.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 19)