Necessidade, modismo ou imposição?

POR JAMARI FRANÇA, via Facebook

Vejo por aí a síndrome da eterna juventude, ninguém quer dizer a idade, ninguém quer parecer ultrapassado, querem estar rigorosamente upgreidados, ligados na última onda. É preciso cultivar o ego, está na moda, tome selfies. A indústria está aí mesmo para dizer que é imperativo postar tudo nas redes sociais, com os celulares dela e com as mau prestadoras de serviços dela.

Também é imperativo estar sempre em contato com pessoas que não estão onde você está. E as pessoas com quem você está? Estão em contato com outras pessoas que não estão onde elas estão. Quer dizer que ao vivo ninguém mais está com ninguém? Não chega a tanto, mas é por aí, no mínimo uma atenção dividida com quem está e com quem não está. Consequência: ninguém fica plenamente com ninguém. Só na cama, talvez.

Há tempos li uma entrevista do Caetano em que reclamava do celular porque a pessoa podia ser encontrada a qualquer momento. E dizia que saía sem celular porque não queria ser encontrado, queria estar consigo mesmo e se sentir livre. Isso antes da indústria criar a febre de estar antenado.

Uma amiga certa vez fez uma pequena palestra sobre as “vantagens” de ter o smartphone. Quando acabou eu lhe disse que não precisava de nada daquilo. Se um dia precisasse, compraria um. Claro que é necessário pra muita gente, maravilha, mas é preciso discernir se há uma necessidade verdadeira ou é apenas indução psicológica pela publicidade.

Viver sem isso hoje em dia é se sentir um marginal, exatamente como nas décadas de 60 e 70 no Brasil. Quando se atende um celular dumbphone num lugar publico, percebe-se olhares de “ih, esse aí é velho, tá por fora.” Rejeição idêntica à que sentia quando usava calça rasgada, o cabelo comprido, depois com a bolsa e os brincos. Continuo o mesmo, sem tudo isso, mas sempre surfando na direção contrária à onda, os conservadores hoje são os antenados. Nem todos, claro.

P.S. Nada tenho contra quem usa ou deixa de usar o que seja. Cada um sabe de si, é apenas um ponto de vista de observador com seis décadas e meia no couro.

Deixe uma resposta