A Dado o que é de Dado

POR GERSON NOGUEIRA

O Papão não jogou bem no primeiro tempo permitindo ações perigosas do adversário, melhorou um pouco no segundo, mas não foi competente para administrar a vitória que caiu do céu nos minutos finais, terminando por ceder o empate num cochilo imperdoável de todo o sistema defensivo.

Contra um Sampaio tecnicamente bem arrumado, mas que veio disposto a arrancar o empate, o Papão pecou pelo excesso de toques antes de definir as jogadas e certa ausência de objetividade. Pecados, aliás, que já vem se observando há algumas rodadas, mesmo em ocasiões vitoriosas.

O empate no minuto final adquiriu cores mais dramáticas porque a vitória estava na mão, conquistada com extrema dificuldade em típica jogada aérea de fim de jogo, lembrando até as circunstâncias da traumática derrota para o Macaé já nos acréscimos.

Entendo que, apesar da desatenção dos zagueiros no gol do Sampaio, o lado mais preocupante da atuação do Papão no sábado está na insistência em manter no time um jogador improdutivo. Com Souza no ataque, Dado escala uma equipe com uma peça a menos, o que naturalmente acarreta uma sobrecarga aos demais jogadores.

Um centroavante, ao contrário do que alguns tentam argumentar, existe basicamente para fazer gols. Se não faz, deve pelo menos facilitar as coisas para que outros façam em seu lugar. Não é o caso de Souza, que vem jogando com base no passado de artilheiro.

Fahel, que voltou a mostrar instabilidade e lentidão, andando em campo na maior parte do tempo, barrou Augusto Recife, cuja única desvantagem em relação ao novo titular está na altura.

Ao marcar o segundo gol da vitória sobre o Bahia, na quarta-feira, confirmando uma de suas virtudes, parece ter sacramentado de vez a titularidade. Ainda assim, Recife continua a ser mais jogador, pois sabe passar e organiza o jogo a partir da linha de volantes.

Quando Dado viu-se obrigado a mexer no segundo tempo, diante da clara impossibilidade de chegar ao gol com Souza lá na frente, tudo mudou. Mais ágil, o Papão passou a fustigar a defensiva maranhense, provocando erros seguidos dos zagueiros e criando boas chances. Tudo porque Leandro Cearense também ajuda Aylon a marcar a saída de bola do adversário.

Por outro lado, com Jonathan em campo, Pikachu naturalmente cresce de rendimento porque fica desobrigado da marcação, passando a contribuir para uma transição rápida, inviável hoje no deserto criativo da meia-cancha bicolor. Jonathan acrescenta porque, mesmo sem ser um meio-campista excepcional, produz mais, é rápido e simplifica as coisas.

A Série B é difícil, competitiva e cheia de armadilhas. Para chegar a algum lugar, é preciso mostrar regularidade e capacidade de resistência. Erros bobos de avaliação podem levar a prejuízos maiores mais à frente.

Pelos aspectos citados, pode-se dizer que Dado é o maior responsável pela atuação oscilante diante do Sampaio. Da mesma maneira que se deve sempre reconhecer e destacar que ele é o responsável pela surpreendente campanha do time na Série B.

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Cacaio precisa fazer as pazes com Cacaio

O Remo parece ainda carregar o fardo emocional da goleada sofrida em Cuiabá na decisão da Copa Verde. O resultado abalou profundamente as convicções do técnico Cacaio, que nunca mais teve a ousadia tática que lhe garantiu sucesso no Campeonato Paraense e no próprio torneio nortista. Ficou intimidado pelo fracasso naquela final e passou a abraçar a cautela como companheira. Pode estar aí a explicação para o pífio desempenho do Remo nas duas partidas pela Série D.

Contra o Vilhena, abriu o placar, mas resolveu segurar resultado na etapa final e cedeu o empate. A situação quase se repetiu no sábado à tarde na Arena Verde. Senhor absoluto das ações durante todo o primeiro tempo, o Remo não foi capaz de organizar ataques que permitissem furar a retranca do Rio Branco.

Eduardo Ramos, o mais dinâmico da equipe, carregava a bola até a entrada da área e esbarrava na firme marcação dos visitantes. Quando buscava alguém para dialogar, só enxergava Ratinho, muito vigiado quando caía pela esquerda.

No segundo tempo, o time melhorou um pouco, com Juninho e Levy substituindo a Ratinho e Ameixa. Mais agressivo, Juninho comandou uma pressão mais objetiva. Ele próprio disparou dois chutes perigosíssimos após ter entrado.

Quando a situação já parecia se encaminhar para novo empate, o próprio Juninho bateu um escanteio pela direita e achou o zagueiro Henrique na pequena área. Um gol salvador à aquela altura.

É verdade que, mesmo sem se organizar adequadamente para envolver o adversário, o Remo ainda produziu boas situações de área em lances envolvendo Eduardo Ramos.

Foram três bolas na trave, duas com Rafael Paty e uma com Max, mas a equipe parecia frágil, sujeitando-se a sustos desnecessários, como ataques fulminantes do Rio Branco nos dez minutos finais.

A destacar, além do bom trabalho de Ramos e Juninho, a atuação de Henrique ao lado de Max na zaga e o empenho de Paty na frente. Whelton também apareceu mais que Aleílson, ainda meio encabulado com a camisa azulina.

São sinais animadores, mas ainda é pouco para quem tem ambições de acesso.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 20)

11 comentários em “A Dado o que é de Dado

  1. O amigo Gerson parece que leu meus comentários…rs.

    Na verdade, Gerson e amigos, essa é a leitura mais do que óbvia (com todo respeito ao especialista Gerson) do momento do PSC. Dado mexeu demais na estrutura do time e, com isso, conseguiu piorar o desempenho (isto ocorre em campeonato longo).

    Logo, a pergunta que não quer calar é: Dado fará as mudanças necessárias para o time voltar a crescer?

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  2. Gerson sempre perfeito nas suas colocações, acrescento apenas que o gol azulino foi meio tipo jogada de “totó”, a bola bateu no zagueiro indo parar no fundo das redes.
    Quanto ao Papão, espero que não seja o dedo da diretoria querendo que o Souza “pegue” no tranco, o cara deu mostras de que não passa de uma vaga lembrança de um jogador de futebol, jamais será o matador que o Paysandú precisa.
    Fahel e Souza não justificam suas escalações, pior para o Paysandú que fica com duas peças decorativas em campo.
    Na atual situação acéfala do meio campo bicolor o mais sensato seria entrar com Recife, pois possui um passe melhor do que o titular, embora tenha também caído de produção tanto na Copa Verde quanto nas últimas partidas do paraense, mas é ainda bem melhor que Fahel.
    Pra terminar sobre o Souza, o cara chegou no início do ano, fez apenas um gol naquela pelada contra o São Francisco. o Paysandú não precisa de jogador esforçado, a torcida bicolor quer jogador que faça gols pois só com gols marcados é que se pode somar pontos. Chega de tanto “Uhhh”, eu quero gritar gol, e com o Souza, fico apenas com a sensação de que o Dado tem dado errado com as mudanças feitas nas duas últimas partidas.
    Tomra que ele repense sua posição e retorne com aquele time que era bem mais arrumado em campo que este que cisca, cisca e não faz mais nada!

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  3. Penso, Gerson e amigos, que o Dado fez o correto…Desculpe discordar dos amigos… Jhonnatan e Leandro Cearense, começaram muito bem, mas depois caíram demais de produção e já mereciam um banco… Souza, é verdade, não vem bem, mas que outro atacante de área tem o PSC, hoje, pra substituir Leandro Cearense? Pois é… Muitos cobram do Dado a presença do Souza, mas esquecem quem contratou o jogador: Roger… Hoje, Jhonnatan e Leandro Cearense, pelo último jogo, já merecem voltar, mas isso, é hoje.. antes, não… Assim como Fahel, que jogou quase todas as partidas e fez grandes partidas, já começa a sentir o desgaste, já deve ser poupado, também… Campeonato, é longo e com esses desgastes, Dado sabe muito bem como administrar isso e, claro, vai sempre administrar dentro do que ele tem em mãos.. Por isso o torcedor acha estranho essas mudanças no time… João Lucas, jogou todas as partidas e já começa a mostrar esse mesmo desgaste…É outro que não deverá demorar pra ser poupado…Essas mudanças, são por isso, e acho que são necessárias, sim…Uma pena é que não pode trocar todos de uma vez, pra não perder o conjunto… Se pudesse..

    É a minha opinião.

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  4. Quanto ao Remo, penso que se não mudar o técnico, Remo vai se complicar na competição… Cacaio tá sendo fritado no Baenão..Remo, não vai assinar o contrato dele…Jogadores, são contratados sem nem o técnico saber.. Nomes, já foram consultados… Problema do Remo, é de organização tática dentro de campo, e isso, é competência do técnico.. Time do Remo, é colocado pra jogar, apenas… Jogadores que se virem… Infelizmente, é assim.. Mas, como as vezes você faz as coisas erradas e dá certo, é uma luz pra que o torcedor se agarre nisso.

    Ahhhh, Leãoooooooo

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  5. Tenho uma forte preocupação com o paysandu que é a seguinte: em quase todas as posições temos substitutos a altura dos que estão jogando, menos em uma que é a lateral esquerda. se o joão lucas sair, e ele vai sair, quem vai substitui-lo é o Caio, garoto da base, que mostrou no paraense não está a altura o titular.
    O paysandu vai sentir bastante quando ele sair.

    Concordo com o que postou o Sr. Cláudio sobre o papão, só que o souza já deu.

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  6. Que bom saber disso Sr. Cláudio.

    Pensei que fosse o caio pq no site do paysandu aparece como laterais esquerdo apenas o joão lucas e o caio.

    Muito obrigado pela informação

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  7. Gerson e amigos do blog, eu nao tenho duvida nenhuma que há uma politicagem por tras dessa atitude do Dado manter o Souza como titular, pois não acredito que o Dado seja tão cego e burro para ver que o cara nao tem condiçoes nenhuma. Triste para um time que quer subir pra serie A.

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