Jornalista solta mais nomes do escândalo HSBC

Mais uma informação foi vazada por Fernando Rodrigues sobre as contas secretas do HSBC, nesta manhã: o empresário Jacob Barata, de 83 anos, conhecido como o “Rei do Ônibus”, e sua família, ilustram a seção de donos de empresas de ônibus municipais do Rio de Janeiro que tem contas bancárias listadas no banco suíço, entre 2006 e 2007.
O empresário e seus parentes têm participação em 16 empresas de ônibus municipais da cidade. Os registros mostram que Jacob mantinha US$ 17,6 milhões em uma conta conjunta com sua esposa Glória e seus filhos Jacob, David e Rosane. A conta existia desde 1990, e sua filha e esposa foram agregadas em 2004.
“De maneira inédita na história está sendo possível identificar as pessoas físicas por trás das antes inexpugnáveis ‘contas numeradas da Suíça’, quase sempre controladas por empresas em paraísos fiscais”, publicou o jornalista do Uol.
Com essas informações, foi possível descobrir que o número 1640BG, e depois sob o nome da empresa Bacchus, pertencia à Jacob Barata. A família abriu a conta há quase 25 anos, mas, a partir de 2004, os valores não foram mais movimentados diretamente pela família, quando uma empresa offshore passou a fazer isso por eles: a Bacchus Assets Limited, com sede em Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas, do Reino Unido.
Nos dados secretos do HSBC, há os nomes dos clientes, os valores depositados e registros, como de reuniões realizadas por funcionários dos bancos e seus correntistas, incluindo data, local e o que foi conversado. “Esse conjunto de dados confere grande solidez à história de cada pessoa que buscou abrigo no sigilo financeiro da Suíça”, escreve o jornalista.
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Jacob Barata integra essa “seção” selecionada por Rodrigues de 31 sócios, diretores e parentes de proprietários de empresas de ônibus do Rio de Janeiro. Não há a informação sobre como os recursos desses empresários foram parar no exterior. Mas o jornalista constatou que 23 dos 31 anunciados abriram as contas no HSBC de Genebra em um intervalo de 34 dias, entre maio e junho de 1990, doi meses depois de o ex-presidente Fernando Collor de Mello ter determinado o confisco de contas, poupanças e investimentos.
Se por um lado, Fernando Rodrigues confirma que os dados fornecem informações suficientes para entender o contexto das transações bancárias, por outro, insiste que o governo brasileiro “ainda não está investigando e pretende requerer os dados ao governo da Suíça”, escreveu hoje, em outra publicação, reiterando a tese de colocar a culpa no governo sobre os motivos que utiliza para não publicar os nomes da lista secreta ou demais apurações.
Ainda nessa publicação, o jornalista tira dúvidas sobre o projeto dos documentos nas mãos do Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo (ICIJ). Em um dos tópicos, explica que “o ICIJ não fará divulgação em massa de dados pessoais, mas vai continuar a investigar todos os dados com a ajuda de seus parceiros na mídia”.
Não foi a política editorial adotada por Fernando Rodrigues.
Em uma das primeiras publicações, Rodrigues explica que o seu Blog “vem tentando apurar esses dados desde o final do ano passado” e que “uma fração mínima de nomes sob os quais há alguma suspeita foram mostrados ao governo, de maneira reservada”. “A apuração demorou mais de três meses e continua incompleta”, completou, no dia 12 de fevereiro.
No dia seguinte, o jornalista informou que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) havia analisado a amostra de 342 nomes de brasileiros ou pessoas ligadas ao Brasil, que entregou em novembro de 2014 ao órgão, ligado ao Ministério da Fazenda.
O único jornalista brasileiro, dentre mais de 150 da equipe de investigação do ICIJ (aqui a lista completa), selecionou 342 nomes que considerou, por critérios próprios, ter alguma suspeita. Ele não investigou “todos os dados”, como estabeleceu o ICIJ. (Do Jornal GGN)

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