Entre o atalho e o abismo

POR GERSON NOGUEIRA

Para os orientais, crises significam oportunidades. Avaliam que situações traumáticas trazem a chance de achar novos caminhos ou redirecionar rotas. Mesmo que alguns tentem diminuir o tamanho da encrenca, o fato é que a dupla Re-Pa está diante de uma encruzilhada inédita na história dos grandes clubes paraenses. Caso os gestores entendam a gravidade da situação, há uma boa possibilidade de que este seja o atalho para mudanças de vulto. Do contrário, pode ser o começo do fim.

Nem a terrível campanha do Remo em 2000 foi tão impactante quanto a eliminação dos dois rivais neste primeiro turno. Naquela temporada, os remistas cometeram erros pontuais, apresentando um time tão desentrosado como agora. Terminaram rebaixados, vindo a escapar da segunda divisão devido à virada de mesa pelo caso Leandrinho.

unnamed (2)Desta vez, os dois gigantes foram abatidos logo de cara. Não houve tempo para mascarar os problemas nas escalações e as deficiências de condicionamento. Com todas as fragilidades táticas e técnicas expostas, os adversários, apesar de mais modestos em gastos e ambições, trataram de tirar proveito da situação e atropelaram a dupla.

O aspecto mais desconcertante é que, depois de muitos anos, todos os times desfrutaram de tempo razoável para preparar e treinar seus times. O mês de janeiro foi todo dedicado a isso. No entanto, quando a bola finalmente rolou, só os times do interior pareciam prontos.

São muitas as causas do fiasco, a começar pelo excesso de contratações. Com tantos jogadores novos chegando torna-se mais trabalhoso construir bons times. Por outro lado, é justo ressaltar os méritos dos emergentes, que contrataram menos e melhor. Souberam se estruturar com eficiência, mesmo com parcos recursos.

É preciso considerar também as aspirações de cada time na competição. O Remo, sem vaga na Série D, elege o campeonato como prioridade máxima. O Papão, mesmo disposto a conquistar o título estadual, mira o Parazão mais como um laboratório de preparação para a Série B.

Após três rodadas, as campanhas de ambos desmentem qualquer empenho prático em atingir esses objetivos. Nem o Papão conseguiu estruturar uma equipe visando a competição mais importante da temporada, nem o Remo se aproximou da aspiração à Série D.

Haverá ainda muito debate em torno do desastre e de suas consequências para o futebol paraense. O processo de decadência é mais do que explícito. Descobrir as maneiras de estancar a sangria é o mais complexo dos desafios – para todos os envolvidos, inclusive a imprensa esportiva.

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Decisão na Arena da Floresta

Nem deu tempo de esfriar a cabeça. Depois de empatar com o São Francisco em Santarém, o Remo entra em campo neste domingo para uma nova decisão. Terá que garantir classificação à próxima fase da Copa Verde, jogando contra o Rio Branco na Arena da Floresta.

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A vantagem azulina é razoável. Marcou 2 a 0 em Belém e joga por dois resultados – empate ou até uma derrota pela contagem mínima. O Rio Branco não é mais aquele Rio Branco de outros carnavais, mas é sempre um adversário tinhoso dentro de seus domínios.

O confronto é difícil e, para se classificar, o Remo terá que esquecer a má jornada no Parazão e corrigir os pontos que mais comprometeram sua vida no campeonato estadual: lentidão no meio-de-campo, buracos nas laterais e erros de finalização.

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Champions e Libertadores: o valor da diferença

Caso alguém se dedique a medir a distância entre o rico futebol europeu e o cambaleante futebol sul-americano vai chegar à cifra de R$ 86 milhões como ponto de referência. É esta a diferença entre as premiações pagas pela Champions League e a Copa Libertadores.

A Uefa oferta R$ 100 milhões ao vencedor do maior torneio continental entre clubes. A Conmebol paga R$ 14 milhões ao campeão da Libertadores.

Curiosamente, a Champions só consegue movimentar cifras tão fabulosas graças ao talento de alguns sul-americanos ilustres, como Messi e Neymar.

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Figo e o projeto para avacalhar a Copa

Ao longo da semana, ganhou espaço precioso na mídia esportiva mundial uma intempestiva declaração do português Luís Figo, candidato à presidência da Fifa. Preocupado em conquistar os votos do chamado terceiro mundo do futebol, o ex-atacante de Barcelona e Real Madri pisou feio na redonda.

Propôs a ampliação do número de participantes da Copa do Mundo de 32 para 48. É um ato que beira a irresponsabilidade. O glamour e a excelência do torneio seriam velozmente dissipados caso a infeliz (e eleitoreira) ideia de Figo fosse posta em prática.

Nos moldes atuais, a competição já se mostra extremamente ampla, conciliando interesses políticos em detrimento do bom futebol. Acrescentar mais 16 seleções à festa só serviria para comprometer a qualidade dos jogos.

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Bola na Torre

O técnico Sidney Moraes (PSC) é o convidado do Bola na Torre deste domingo. Guilherme Guerreiro comanda o programa, com participações de Cláudio Guimarães e deste escriba de Baião. Começa logo depois do Pânico na Band, por volta de 00h10.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 22)

20 comentários em “Entre o atalho e o abismo

  1. Em relação ao número se participantes na Copa proposto pelo FigoRAÇA, não devemos nunca esquecer que com 16 seleções tínhamos só jogões memoráveis e a Copa do Mundo encantava com futebol vistoso e surgimento de verdadeiros craques de futebol como não temos mais vistos hoje em dia. A Copa do Mundo hoje só produz craque para a mídia, vide o CR7 que não chega aos pés de um Platini. Com 24 seleções começou a decadência mas ainda sim continuou o bom futebol sendo esse o número mais correto de partipantes dado ao crescimento do futebol no mundo. Com 32 seleções começaram a faltar os grandes jogos, os grandes craques, e surgiram os jogos deprimentes que jamais deveriam ser de Copa do Mundo, onde por exemplo assistir um Haiti e emirados arabes e de dar calo no olho, mas é possivel esse jogo pela quantidade de participantes hoje. Se aumentarem para 48 como o FIGORAÇA quer será o assinato, velório e enterro da Copa do Mundo. Em relação ao futebol paraense agora não tem mais jeito. Pelo menos Um dos considerados grandes do futebol de Belém, ficará invitavelmente pelo meio do caminho neste parazão, isso se não ficarem os dois. A coisa é muito séria, mas tão séria que temo que esse campeonato não termine e vá parar nas barras da justiça igual ao PARAZÃO 2000 muitíssimo e brilhantemente lembrado pelo amigo Gerson Nogueira, onde ocorreram fatos lamentáveis que nunca mais deveríamos ver no futebol do Pará, mas incorremos a esse risco quando em 2000 o CLUBE DO REMO FOI REBAIXADO PARA A SEGUNDA DIVISÃO DO PARAZÃO EM PLENO MANGUEIRÃO APÓS DERROTA DE 3X1 PARA O TIRADENTES, e aí começou uma das mais vergonhosas atitudes do futebol onde CLUBE DO REMO não conformado entrou NA jUSTIÇA local para voltar a competição e fugir do rebaixamento alegando uma infame irregularidade de um jogador do Tiradentes que nunca existiu e o TJD local mais vergonhosamente ainda tentou reagir mais cedeu às pressões remistas e da imprensa local a favor do azulino porque o campeonato ficou 2 meses parado após isso, as semifinais foram canceladas pelo mandado de segurança azulino, e foi o jeito recolocarem o CLUBE DO REMO na competição novamente, so que de forma mais vergonhosa ainda, pressionaram a FPF ao convencerem todos os classificados que voltariam todos á competição, inclusive os eliminados, com outro regulamento montado e aprovado na hora com sistema de mata mata entre os 8 partcipantes, onde CLUBE DO REMO pegou novamente o tiradentes e eliminou dessa vez, e foi á semifinal contra o Paysandu que tinha eliminado seu adversário, onde foi finalmente eliminado pelo Paysandu, o qual foi para a decisão, mas para completar a palhaçada geral naquele parazão nunca vista, o azulino que aprontou o diabo na competição, após ser eliminado pelo Papão saiu acusando todo mundo, metralhando ofensas para todos os lados e pasmen senhores, SE DIZENDO INJUSTIÇADO E LOGRADO PELOS BICOLORES COM AJUDA DA FPF. pode?????PUTZGRILA!!

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  2. O maior problema do Remo hoje é a falta de credibilidade geral que toma conta do Clube. Nós, torcedores comuns, não confiamos nas diretorias, na comissão técnica, muito menos no elenco. Pior é que a maior estrutura que é a FPF, não sabe ou não se interessa pelo fortalecimento do nosso futebol. Nosso estado com a tradição e a força das arquibancadas, deveria ter duas vagas na série D. Um clube que representa a maior força da Amazônia Legal não pode continuar tanto tempo nesta sofrência. O exemplo de já pensarem em um novo atacante sem dar uma sequência ao Rafael Paty, mostra o nível de amadorismo que nos cerca. Não vou me admirar se contratarem mais uma carrada de “caça-niqueis” para virem enganar a nós que bancamos todas essas trapalhadas.

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  3. O clima no Remo, está traduzido em uma nota na coluna do Tomazzo, no caderno Bola de amanhã, que mostra o relacionamento” amistoso” entre o Pres. e o Vice.Que tal, o Danilo Lins para centro avante? É O MESMO QUE ANO PASSADO FOI CONTRATADO, E NÃO ENTROU EM CAMPO UM SÓ MINUTO.

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  4. O clima no Remo está retratado em uma notícia na coluna do Tomazzo, no caderno Bola de amanhã,deixando claro ‘ a harmonia”entre o Pres. e o Vice. Para centro avante, o Danilo Lins é uma excelente escolha. É aquele contratado ano passado, que não entrou um em campo, um só minuto. Que lástima!!!

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  5. Aproveitando a comparação acima sobre Champions e Libertadores, podemos também traçar um paralelo entre algumas competições nacionais e suas premiações:

    Campeão da Copa do Brasil – total de 7,9 milhões
    Copa do Nordeste – total 2,3 milhões
    Copa Verde – total 325 mil.

    Fica muito clara a desimportância da copa verde. O vencedor do nordestão levará 8 vezes mais que o da copa verde. Já o campeão da copa do brasil levará 25 vezes mais. A cota da copa verde reflete o baixíssimo interesse dos anunciantes pelo torneio e, tudo indica, a competição terá vida curta, assim como a falecida copa norte, que foi de 97 a 2002.

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  6. O Princesa eliminou o mundico roraimense e espera rio ou remo.

    Ano passado eles foram massacrados pelo papão.

    Aposto que este ano farão um mata mata duríssimo com o rio do acre

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  7. Se estão levando em conta a qualidade do futebol do norte, está em conformidade o valor. Fora o Lobo que está acima dos demais e por isso deveria ser valorizado, quando campeão, embora esteja, no momento, claudicante.

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  8. E a imprensa Paraense continua querendo equiparar Paysandu e Remo no presente momento… mesmo que seja por baixo. Espero mais profissionalismo do Escriba. O Papão tem calendário e está em situação bem diferente do Rival.

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    1. Cidadão, não exija profissionalismo sem ter cacife para julgar um profissional. Sugiro que dedique esse conselho a outro tipo de jornalista. E seja, como torcedor, um pouquinho mais consciente. Falei da situação geral dos nossos clubes, caótica e em queda. Sinto muito se continua, como alguns iludidos, a achar que tudo está às mil maravilhas. Mas, se está satisfeito, parabéns.

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  9. Na minha opinião que inclusive cheguei a postar aqui quando inventaram essa “Copa Verde” é que essa competição nesses moldes, com esse nome, mesmo dando uma vaga ao campeão para a Copa Sul Americana, teria vida curta, onde continuo com amesma opinião. Essa Copa já começou muito mal, funadada por interesses exclusivamente políticos, a primeira edição foi de cartas marcadas, onde o campeão teria de ser obrigatoriamente um time do Distrito Federal, ou na pior das hipóteses, clube de Cuiabá onde também foi construída uma Arena de Copa elefente branco, para que o alto investimento fosse justificado, ainda que timidamente, com clubes desses locais disputando competição internacional, como no caso do Brasília campeão sem merecimento de 2014. Para que o time candango pudesse chegar a esse título com um time pra lá de modesto, tiveram de lograr o Paysandu,melhor do torneio em todos os quesitos, por 4 vezes dentro e fora de campo. O logro mais incrível ocorreu no julgamento de um recurso contra jogadores irregulares do candango, onde o Paysandu que já tinha sido logrado em campo pela arbitragem e perdido o título, caminhava certo para arrematar o título no STJD, quando sem ninguém entender, o presidente deste interrompe a votação e voto do auditor que selaria a vitória bicolor no tribunal, cancelando por tempo inderminado o julgamento, e quando resolveram julgar o Paysandu perdeu por 3×2. isto é incrível!!!!! Essa Copa para vingar terá de ser mudado o nome para Copa Norte / Centro Oeste, ou campeonato do Norte Centro Oeste, tendo calendário definido previamente, longe de politicagem e com regulamento condizente tipo fases de grupo, com oitvas de final, quartas de final, semifinal e final. Esse sistema de mata mata desde o início tipo a Copa do Brasil, é xulo e inconveniente, devido aos poucos participantes. talçvez se almentassem para 32 participantes, ainda daria para ser mata mata. mas só com 16 não motiva nenhum time a investir sabendo que pode ser eliminado em 2 jogos apenas. Com isso os patrocinadores também ficam cabrieiros.

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  10. Um diretor de futebol deve entender de futebol, então porque o Remo vive essse calvário? Não tem um goleiro: o Jader falhou numa bola igual a que o Camilo falhou e foi dispensado, o Fabiano é o terror da torcida quando sai nas bolas altas. O Mike Douglas não se sabe se ainda é reserva. O técnico ainda não conseguiu fazer o time atacar objetivamente ou seja, as bolas são rifadas na área e nenhum atacante vai resolver (lembrem se do Fred na seleção e no Flu) se a bola chegar ao ataque em condições tanto os atacantes como que mais tiver em condições finaliza., Ai ficam querendo importar atacantes matadores quando tem por lá o Val Barreto, o Paty, Ratinho, Caça Rato e Rony, só prá ficar nos mais atuantes..

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  11. Apesar do evidente eleitoreirismo da proposta de Figo, não defendo o modelo antigo das 16 seleções, fruto do eurocentrismo da FIFA de Stanley Rous. Por exemplo, em 1958 o Brasil jogou contra Áustria, Inglaterra, União Soviética, País de Gales, França e a dona da casa, Suécia, todos europeus e muitos sem qualquer relevância no futebol mundial. Aliás, se a memória não me falha, Brasil e Argentina só vieram a se enfrentar na Copa do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental(naquele tempo ainda havia a separação).
    Claro que a operacionalização do aumento de participantes, sob a batuta mafiosa de João Havelange, veio recheada de politicagem e perpetuação de práticas marotas no interior da entidade do futebol mundial. No entanto, em um mundo em que quase 2 centenas de países praticam o tal ‘rude esporte bretão’, não faz sentido chamar de “mundial” um torneio que reúna menos de duas dezenas desses, sendo a quase totalidade de europeus. Seria perpetuar no futebol o modelo diplomático surgido após o fim da II Guerra Mundial, não por acaso o sustentáculo do capitalismo selvagem ainda vigente e fabricante de miséria.

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