Separatistas fazem mutirão por plebiscitos

Da Folha de S. Paulo

O acordo de “apoio recíproco” entre deputados federais pode ajudar na aprovação de plebiscitos sobre a criação de novos Estados. No início do mês, a Câmara dos Deputados aprovou a realização de uma consulta popular sobre a criação de dois novos Estados a partir do Pará: Carajás e Tapajós. “Ajudamos os líderes [que articularam a divisão] do Pará a aprovar o requerimento deles e eles vão nos ajudar com o nosso”, disse o deputado Júlio Cesar Lima (DEM-PI), sobre seu projeto de plebiscito para dividir o Piauí em dois Estados.

O novo Estado se chamaria Gurgueia e englobaria 87 municípios no sul do Piauí. Em 2010, Lima fez um requerimento para que o projeto fosse apreciado em regime de urgência. Até agora, porém, ele não foi à votação. O deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA), autor do projeto do plebiscito sobre o Estado de Carajás, disse que a criação de Gurgueia tem seu “apoio pessoal”. O plebiscito sobre Carajás deve ser feito em seis meses. Já o projeto do plebiscito sobre Tapajós ainda depende de aprovação no Senado.

Como diria meu amigo Anaice, maaasaaassiim… te dizer.

Robgol ingressa com HC para evitar prisão

O ex-deputado José Robson do Nascimento, o Robgol, ingressou com habeas corpus preventivo na 1ª Vara de Justiça Penal de Inquéritos Policiais de Belém, na manhã desta quinta-feira, para evitar a possibilidade de prisão por envolvimento no esquema de desvio de recursos da Assembleia Legislativa do Estado. O ex-artilheiro e ídolo do Paissandu é um dos investigados no inquérito policial e pelo Ministério Público, cujos agentes, através de busca e apreensão na casa de Robgol, encontraram quase R$ 500 mil em dinheiro e R$ 40 mil em tíquete-alimentação da Assembleia Legislativa. O depoimento dele no MP está previsto para a quarta-feira, dia 25.

A frase do dia

“Tampei o nariz e fechei com a Globo”.

De Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG, justificando ter topado o acordo para transmissão dos jogos do Brasileiro.

Dica gastronômica: a tradição da cunhapira

Por Olívia Fraga, d’O Estado de S. Paulo

O fruto do tucumanzeiro perfuma e colore a canhapira, um tipo de feijoada marajoara feito com carne de boi, de porco e vinho de tucumã. Não é de se encontrar fácil. O prato está à beira do desaparecimento na Ilha do Marajó, onde surgiu. O chef Paulo Martins (morto em 2010), em suas pesquisas gastronômicas, tentava promover seu resgate. Ele tentou divulgar a canhapira, registrando seu preparo em cadernetas e imagens para que fizesse parte do livro Culinária Marajoara, publicado postumamente. A feijoada dos marajoaras, redescoberta por Martins, estava adormecida nos arquivos de Martins, até suas filhas a encontrarem perdida em um arquivo de computador, descrita em um capítulo incompleto do livro que acabou não saindo.

“Tem gente em Belém que nunca ouviu falar em canhapira”, conta a filha Daniela Martins, também chef, que assumiu o restaurante Lá em Casa. “Eu mesma só fui saber o que era quando encontrei a receita perdida, no computador do papai.”

Ocorre com a canhapira algo que parece ser o destino de toda a cultura amazônica: nota em documento histórico, tema de trabalho acadêmico. Está em poder do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro o primeiro registro que descreve ‘como se faz e como se come’ a canhapira “na Ilha Grande de Joannes” (antigo nome da Ilha do Marajó), datado do século 18.

Por adensamento da população – e carência de gosto popular pelo que é de sua terra – o marajoara deixou de comer canhapira. O foco de resistência é Cachoeiro do Arari, município de 20 mil habitantes, que preserva de forma oficial o passado da ilha: o Museu do Marajó também não quer deixar a canhapira morrer e promove encontros festivos, oferecendo o prato os visitantes.

Dona Jerônima Barbosa, da Fazenda São Jerônimo, costuma servir canhapira (ou cunhapira) vez ou outra. Aprendeu com a mãe, mas diz que encontrar o prato nas redondezas é raríssimo. “Só vejo nas fazendas distantes, nos lugares em que dá muito tucumã. Nas cidades ninguém mais faz. Imagina, aqui ninguém mais gosta nem da cuia…”, conta ela. O termo “cunhapira” parece ter se restringido ao preparo da feijoada com peixes secos, de mar e de rio.

Jerônima já viu e experimentou canhapira com todo tipo de carne, mas gosta de fazer com a de sol. “Moqueio, refogo com folha do cipó do alho, maniçoba, e apuro bem com o vinho do tucumã, em fogo baixo”, explica a cozinheira. No Alto Rio Negro, ainda sobrevive a quinhapira, cozido de peixe com tucupi, pimentas-de-cheiro e caruru. (Foto: PAULO SANTOS)

Coluna: Triunfos fora de campo

Dizer que o Remo ainda não ganhou nada em 2011 não corresponde exatamente à verdade dos fatos. Pode-se afirmar até que é uma tremenda injustiça. Se nos gramados o time perdeu o primeiro turno e ainda está devendo no returno, na seara trabalhista a história é bem diferente: importantes vitórias foram alcançadas ao longo dos quatro primeiros meses da nova gestão.
O passivo trabalhista herdado da administração passada chegava à casa de R$ 9,5 milhões. Com dedicação e habilidade, o departamento jurídico do Remo conseguiu baixar a dívida para cerca de R$ 5,8 milhões. Tramitavam no Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região 104 processos contra o clube. Em somente 120 dias, os advogados liderados pelo benemérito Ronaldo Passarinho reduziram as pendências para 72 – em torno de 69%. As ações foram encerradas ou negociadas.
O esforço, porém, é incessante. Restam ainda 32 processos, que começam a ser enfrentadas por Passarinho e sua dupla de auxiliares, contando com a boa vontade dos magistrados do TRT. A demonstração clara de que o clube quer de fato sanar seus débitos tem sido a principal moeda de facilitação para os acordos.
Para um clube que há seis meses estava mergulhado em crise e se defrontava com o fantasma do desmanche de patrimônio, representado pelo desastrado projeto de venda do estádio Evandro Almeida para pagamento de dívidas, os novos tempos parecem auspiciosos.
Do alto de sua experiência e vivência no futebol, Passarinho tem o equilíbrio necessário para traçar um cenário dos mais realistas, sem ilusões. Observa que a cruzada na Justiça Trabalhista só terá pleno êxito se o time fizer sua parte em campo. Significa que uma eventual eliminação nas semifinais do Parazão deixaria o Remo sem competições a disputar pelo resto da temporada e sem perspectiva de receita, o que inviabilizaria todos os acordos conciliatórios com ex-jogadores celebrados com o aval do TRT. É maior do que se imagina, portanto, a responsabilidade do time nesta reta final do campeonato. 
 
 
A contratação de Givanildo Oliveira, além de eliminar as nuvens negras que já se formavam sobre o Evandro Almeida, teve o mérito de dar novo combustível a um campeonato que corria sério risco de esvaziamento, desde que o Paissandu saiu da briga pelo returno. Com o pernambucano comandando o Remo, a disputa adquire um novo contorno.
Um forte sinal desse novo cenário é o interesse da torcida pelo embate de domingo contra o Independente. Com Comelli à frente, o clima já era de quase desolação entre os azulinos, depois da derrota em Tucuruí.
Elemento novo na disputa, Givanildo mexe com o ânimo dos demais candidatos ao título do returno e pode afetar até os planos do Paissandu, ainda às voltas com a pinimba envolvendo torcida, diretoria e treinador.  

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 19)

Divisão do Estado interessa a todo mundo

De Guilherme Augusto, no DIÁRIO

Plebiscito interessa…
É por meio do debate aberto que surgem novas idéias, propostas, sugestões e por aí vai. Na Veja desta semana, o jornalista Roberto Pompeu de Toledo afirma que a questão da divisão do Pará em três estados mexe não apenas com os interesses da região “diretamente interessada”, como defendem os separatistas, ou da totalidade da população paraense, como está na Constituição, mas de toda a nação brasileira.
“Votemos todos os brasileiros” no plebiscito sobre o fatiamento do Pará, diz o jornalista.  
 
 …a todos brasileiros
Segundo Pompeu, “o transtorno institucional” que a divisão causará, “somado à despesa que virá dos impostos de todo o país”, com a criação e manutenção das novas unidades federativas, “conduz à conclusão inescapável de que diretamente interessados são todos os brasileiros. O total do eleitorado deveria ser convocado para o plebiscito”.