Coluna: Da passagem do tempo

Boleiros veteranos têm o direito de exigir respeito como se estivessem no auge da forma? Rivaldo acha que sim. Fugindo ao próprio estilo matuto, bateu o pé e atacou publicamente o técnico Paulo César Carpegiani, por não ser lançado no jogo decisivo contra o Avaí pela Copa do Brasil, na última quinta-feira.
Pelos cálculos do experiente meia-atacante, o São Paulo sairia no lucro com ele em campo. Acha Rivaldo que o time catarinense iria respeitá-lo. Há controvérsias. Carpegiani, senhor das decisões naquele momento, pensou diferente. Mesmo depois de obrigar o ex-craque da Seleção a fazer duas longas sessões de aquecimento, optou pelo novato William José para tentar um gol salvador nos instantes finais.
O gol não saiu e Rivaldo sentiu-se à vontade para estrebuchar. Sacou do bolso o belíssimo currículo para definir sua barração como um ato humilhante. É possível compreender seu protesto, mas a explicação do técnico é razoável: preferia um ataque jovem e rápido, capaz de envolver a zaga do Avaí.
Nos bons tempos, Rivaldo seria a estrela da companhia e opção natural para entrar jogando. Acontece que já se passou quase uma década da fase mais brilhante de Rivaldo, quando ele regeu a Seleção pentacampeã em gramados asiáticos. Os Ronaldos estavam muito bem, Roberto Carlos voava em campo, mas Rivaldo teve indiscutivelmente o papel mais decisivo daquela conquista.
Dói dizer, mas o tempo passa rápido para os craques. E a rapidez é tamanha que nem sempre eles conseguem perceber que chegaram ao fim da linha. Alguns resistem até a última gota de suor. Romário cumpriu um roteiro constrangedor em busca da marca de 1.000 gols, até hoje contestada. Ronaldo Fenômeno brincou perigosamente com a própria história nos meses derradeiros de sua passagem pelo Corinthians.  
Rivaldo, que já rema para a beira há alguns anos, precisamente desde que andou pelo futebol grego, ganhou do São Paulo a oportunidade de uma despedida em alto nível. Estreou fazendo um golaço no Morumbi, mas não conseguiu engrenar uma sequência satisfatória de jogos. Tornou-se reserva de luxo, com todas as implicações negativas que envolvem essa condição. 
Contra o Avaí, Carpegiani foi coerente. Manteve no banco o jogador que disputou dez partidas sem mostrar sinais de que ainda é um fora-de-série. Tem alguns lampejos, trata a bola com perícia e dispara ainda belos chutes com a canhota, mas a pontaria não ajuda e o fôlego não permite alcançar alto rendimento. O mundo do futebol já viu isso acontecer com muita gente boa. Agora foi a vez de Rivaldo.
E a velha lição de saber parar revela-se sempre atual e implacável. Certo mesmo estava o inesquecível Fiori Gigliotti quando soltava o bordão clássico: “O tempo paassaaa, torcida brasileira…”. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 15)  

8 comentários em “Coluna: Da passagem do tempo

  1. APRENDI com a vida que toda história tem dois lados. Em quase tudo há prós e contras.
    COMO já opinei aqui antes sobre a matéria, Rivaldo tem e não tem razão.
    PERDEU a oportunidade de já ter saído por cima, tal qual fez el negrón Pelé, ainda que tenha voltado (por uma ‘boa’ causa) desta vez pelo NY Cosmos.
    No entanto, já que ele estava disponível nesse jogo, eu não abriria mão de sua experiência porquanto o São Paulo, até perdendo por 2 a 1, classificar-se-ia diante do Avaí. Era pôr em campo alguém da experiência de um Rivaldo e cadenciar o jogo.
    Eis os dois lados da mesma história. É a minha opinião, camarada Gerson.

    Um bom domingo a todos.

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  2. Gerson, penso que o Carpegianni não concordava com a contratação do Rivaldo desde o início, se era assim, porque deixou que o contatassem, o Felipão disse não, e assumiu. Se aceitou, então! Ciosas parecidas acontecem por aqui, vide, Alex Oliveira e Finazi.

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  3. Perfeito, Gerson. Agora, de tudo se tira uma lição. Rivaldo está demonstrando que falta alguém para cadenciar a meiuca do SPFC e controlar a corrida enlouquecida dos jovens, que às vezes parecem baratas tontas fugindo de chineladas, e talvez naquele jogo pudesse ser sim, ele, pois não tinha outro.

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  4. Gerson e amigos, quanto ao 1º tempo de Remo x Independente;
    1- O Remo joga com 3 volantes e, dois não marcam ( Moisés e Mael);
    2- Gian joga solto e, o Marlon sem cobertura, toma contra ataque a toda hora nas suas costas;
    3- O Remo sente dificuldades de articulação no meio, por isso embola a toda hora;
    4- Ratinho iniciou o jogo, pela esquerda, para dar mais campo a Thiaguinho, mas não está fazendo um bom 1º tempo, assim como o Thiago Marabá;
    5- Acredito que as entradas de Ramon e Pardal, para as saídas de Marabá e Moisés(ou Thiaguinho(que ao que parece, sentiu o forte calor), poderão fazer o Remo melhorar no jogo
    Vamos ao 2º tempo.

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  5. Agora vou te contar, Gerson e amigos, o Comeli com esse bom elenco do Remo, não consegue dar um padrão tático a essa equipe. Eu heim.

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    1. Verdade Cláudio! Mais mesmo assim, ele e infinitamente melhor treinador que o Sergio Cosme. O tal cara de grilo, está totalmente desatualizado, pois ele vem de uma safra de treinadores mediocres, que não deram certo no seu tempo e, hoje está tentando, porém conseguindo enganar o trouxa do aLOPrado e sua trupe de palhaços. Te contar, quando a incompetência impera, é melhor ficar calado e ver o naufrágio em terra firme, debaixo de um coqueiro, bebendo água de côco…

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  6. O certo é que nunca vai ser possível saber se o Rivaldo poderia realmente ter sido útil ao São Paulo, eis que o treinador não o quis colocar em campo. O que também é certo é que a opção do Treinador pela juventude resultou no mais rotundo fracasso. A propósito, após o jogo, foi quase unanimidade a sentença de que o jovem time do S. Paulo não ostenta a têmpera vencedora justamente por faltar-lhe maturidade. Em suma, a volta de jogadores veteranos ao futebol brasileiro´, como o Rivaldo, o nosso Giovani e outros, frustrou as espectativas deles próprios e de muitagente boa Brasil à fora.

    Pô, se é “gente diferenciada” mesmo, esta que foi à Higienópolis, devem ter levado muito tecnobrega e congêneres prá lá então.

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    1. Em tempo, o último parágrafo (Pô, se é “gente diferenciada…) é comentário destinado a outro post, que veio neste por equívoco.

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