Pensata: A vida fora da Fórmula-1

Por Flavio Gomes
 
Rubens Barrichello está desanimado. Em entrevista à “Folha de S.Paulo”, o brasileiro disse, com todas as letras, que ficar na Williams do jeito que está não vale a pena. É melhor parar.
Na F-1 desde 1993, Barrichello completa 39 anos no próximo dia 23. Passou praticamente metade de sua vida num dos ambientes mais competitivos do esporte mundial. Ganhou corridas, fez poles, subiu ao pódio, tem uma carreira das mais respeitáveis. Perdeu muito, também. Faz parte.
Nesses 19 anos, Rubens passou por seis equipes, todas elas marcantes na história da F-1. Estreou na Jordan, time pelo qual também fez sua estreia o maior de todos, Schumacher. Correu pela equipe do lendário Jackie Stewart, que depois virou Jaguar e deu origem à Red Bull. Esteve na Ferrari nos melhores anos que Maranello ofereceu aos seus torcedores em todos os tempos. Defendeu as cores da Honda, montadora importantíssima, que fez os melhores motores que o mundo já viu, nos anos 80 e 90. Viveu a breve e intensa aventura da Brawn, única, rara, aquela que só existiu por uma temporada e foi campeã. E agora veste o macacão da tradicional Williams, que por conta de seu passado glorioso ninguém consegue ver como o que é atualmente, uma equipe pequena.
Barrichello ainda tem o que fazer na F-1? É fácil responder “não”. Basta usar os critérios que pautam o dia a dia das pessoas neste planeta cada vez mais bobo. Vai ganhar alguma coisa? Tem condições de ser campeão? É capaz de vencer corridas? Brigará na ponta? Fará alguma pole? Subirá ao pódio? Como a resposta a todas essas perguntas é “não”, fica fácil dizer que não, ele não tem mais nada a fazer na F-1.
Mas essa é uma visão estreita, mesquinha e frívola. Barrichello, se quiser continuar correndo, não tem obrigação de ganhar nada, de conquistar títulos, de vencer GPs, de lutar com Vettel, de largar na frente, de levar troféus para casa. Depois de quase duas décadas brigando por tudo isso, na maior parte do tempo sem grandes chances, suas obrigações agora são com ele mesmo, não com quem insiste em definir seu perfil e estabelecer seu destino.
As perguntas são outras. Está feliz? É o que quer fazer? Tem quem pague por seus serviços? Está se dedicando como quando era um garoto? Sente prazer quando entra num carro de corrida?
Se a essas perguntas a resposta for “sim”, ninguém tem o direito de dizer o que ele deve ou não deve fazer. Rubens que corra enquanto quiser, enquanto alguém achar que é útil, enquanto tiver um carro para dirigir. Não sei, sinceramente, se isso vai acontecer em 2012. Disputar um Mundial de F-1 não é algo que dependa exclusivamente da vontade de um piloto. Uma hora acaba, isso é preciso que qualquer atleta tenha muito claro na cabeça. Mas no caso do automobilismo, o fim pode demorar para chegar. Desde que se compreenda que a F-1 não é o fim. Barrichello vai sentir, quando não tiver mais nenhum cockpit para vestir domingo sim, domingo não. Mas existe vida da fora da F-1. É só procurar que acha.

4 comentários em “Pensata: A vida fora da Fórmula-1

  1. Belo texto! Por mim, fica Rubens! Acompanho a F1 desde a era Fittipaldi, sou fã de Rubinho como piloto e gentleman e fico com os sim, não com os não. E ainda tem a Indy, onde com certeza seu jeito de pilotar e ser cairá bem.

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  2. NADA contra Barrichelo, mas acabei, sem querer, deixando de torcer por ele por conta da forçação de barra de G. Bueno, querendo por força que ele repetisse (ou se aproximasse) dos feitos de Airton Senna. Mas ele não tem culpa disso.

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