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POR GERSON NOGUEIRA
A crise interna que ameaçava se instalar no PSC após a goleada diante da Ferroviária começou a ser debelada ontem, com o anúncio da volta do atacante Kleiton Pego ao grupo de jogadores, ficando como opção para o decisivo confronto de sábado (22) contra o Ituano, pela 18ª rodada da Série C.
A ausência de Kleiton Pego foi o ponto mais questionado na viagem do PSC para os dois jogos no interior paulista. A alegação de que tinha sofrido um mal-estar não foi bem assimilada pela torcida e pelo próprio clube.
Jogador importante na trajetória do time na temporada, com 11 gols (4 marcados na Série C), sempre como titular, Kleiton saiu da equipe nas últimas rodadas, aparentemente por queda de rendimento técnico.
Voltou no 2º tempo contra o Confiança na Curuzu, mas teve desempenho discreto. Apesar de ter treinado entre os titulares antes da viagem para São Paulo, o atacante alegou um problema de saúde para não acompanhar a delegação. As especulações começaram a pipocar, antes de qualquer posicionamento do clube.
A goleada sofrida na segunda-feira, em Araraquara, tornou o episódio ainda mais comentado, como se fosse um indício de problemas entre a comissão técnica e o elenco. Ontem, a situação começou a ser normalizada da única maneira possível. Kleiton foi liberado pelo departamento médico para se juntar ao elenco do Paysandu em São Paulo.
Pelo que já entregou em todas as competições do ano, o atacante pode ser fundamental no jogo contra o Ituano, jogando ao lado de Ítalo e Thaylon no ataque. Sua presença pode compensar as perdas de Pedro Henrique (expulso contra a Ferroviária) e de Marcinho, lesionado.
O PSC precisa acertar o passo, recuperar a disposição tática e a intensidade que apresentava até a metade da competição. Para garantir classificação, o time de Júnior Rocha precisa de 4 pontos em dois jogos – contra Ituano e Maringá, em casa. É possível classificar com 3 pontos, mas, para não depender de outros resultados, o ideal é garantir um empate e uma vitória.
Para alcançar o objetivo de classificar, será necessário ter concentração máxima e equilíbrio interno. Acima de tudo, espera-se comprometimento e disciplina por parte de todos os envolvidos.
Corinthians renova o prejuízo com Memphis
O desfecho da novela Memphis Depay no Corinthians é uma das provas definitivas da total irresponsabilidade como grandes clubes são geridos no Brasil. Depois de idas e vindas, a renovação do contrato foi anunciada na segunda-feira (17) à noite, sob aplausos entusiasmados da parte mais fanática e sem juízo da torcida corintiana.
O lado marcadamente insensato da história é que o acordo vai custar ao clube a bagatela de R$ 135,5 milhões. O novo vínculo foi dividido em quatro partes, sendo que a primeira inclui a renegociação da dívida (R$ 77,9 milhões) do contrato anterior, que já era prejudicial ao clube.
Como prova de “boa vontade”, Memphis aceitou dar um desconto de R$ 21 milhões no montante pendente. Ficou acordado o valor de R$ 56,9 milhões brutos – o atacante vai receber R$ 42 milhões líquidos em quatro parcelas semestrais, até agosto de 2028).
A coisa vai além, envolvendo dois contratos: de trabalho e de imagem. Na soma de ambos, o Corinthians vai desembolsar mais R$ 78,6 milhões. Como atravessa situação de quase insolvência, punido com transfer ban, o clube corre o sério risco de se enrolar com o novo acordo.
Os defensores da negociação para manter o jogador no Corinthians alegam que Memphis não terá direito a bônus por objetivos individuais. Optou por um percentual por metas coletivas (títulos, classificações, entre outros). Ao que parece, abriu mão também de morar no hotel mais caro de São Paulo, com diárias de quase R$ 90 mil.
Está claro que o holandês, desvalorizado na Europa, não tinha opções melhores em termos financeiros. Agarrou-se à renovação, chegou a ameaçar o clube e acabou conseguindo o que queria. Regiamente remunerado, vai continuar enganando por mais dois anos.
Apego às origens faz Kukri desistir do Coxa
As explicações são desencontradas. Ninguém sabe ao certo o que se passa com Kukri, meia de 19 anos cedido pelo Águia de Marabá ao Coritiba. Antes mesmo de estrear pelo time sub-20 do Coxa, o atleta aproveitou uma folga e voltou para a aldeia indígena onde nasceu, desistindo do contrato.
Kruki (Krowakreti Viviane Kajipok) se destacou pelo Águia no Parazão 2025 e voltou a aparecer bem neste ano. Foi emprestado ao Coritiba até 2027, com opção de compra de 70% dos direitos econômicos por até R$ 1 milhão, caso algumas metas fossem cumpridas.
Natural da aldeia Krijõhêrékatêjê, na Terra Indígena Mãe Maria, Kukri pertence ao povo Gavião. Cresceu falando a língua “jê” e o português, mantendo sempre uma relação muito próxima com sua comunidade.
Pelo menos por enquanto, o apego às raízes tem sido mais forte do que eventuais acenos de uma carreira profissional mais ambiciosa. No futebol que gera muita riqueza e faz brilhar os olhos de jovens boleiros, a atitude de Kukri pode gerar alguma estranheza, mas não deixa de ser uma afirmação de valorização da própria identidade.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 20)
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