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Rockabilly is here to stay – desde 1950, 1981, 1990
Por André Forastieri
2026: os Stray Cats tocam num talk-show pela primeira vez em 32 anos. Estão velhos, estão idênticos. Arrepiaram “Rock This Town” como se fosse o século passado. Saem em tour já já. Adoraria assistir. Não assisto um show deles tem 36 anos.
Flashback 1990: entrevisto Brian Setzer pra revista “Bizz” no bar do hotel Hilton. Papo lubrificado por umas cervejas vespertinas no bar do hotel Hilton, avenida Ipiranga. Nunca tirei foto com artista nenhum, só com eles, sugestão do fotógrafo. Quem era? Esqueci. Que fim levou a foto? Sumiu.
Os Stray Cats estavam felizes e cansados. Foi no dia seguinte do show eletrizante. Público animadíssimo: garotada topetuda direto do ABC paulista, gatinhas periféricas de saia rodada. Você tinha que estar lá. Você pode assistir hoje.
Flashback 1983: compro a primeira de muitas “Rolling Stone” da minha vida. Stray Cats gatos na capa, entrevista pelo Kurt Loder. Só três caras de vinte e poucos anos obcecados pelo rock de antes deles nascerem e fazendo sucesso além do que sonhavam. Túnel do tempo, leia aqui a íntegra.

Flashback 1981: assisto pela primeira vez o recém-lançado vídeo de “Stray Cat Strut”. Foi no programa “Mocidade Independente”, uma ilha de modernidade sábado oito horas na TV Bandeirantes.
Nelson Motta, Julio Barroso & Absurdetes, Kid Vinil, videoclipes de Kid Creole, Devo e Blondie, o pré-rock 80 brasileiro levanta a cabeça. Durará cinco meses. Sobraram uns áudios, como essa entrevista com Itamar Assumpção.
Jim toca bateria tôsca de pé, Lee baixo de pau, Brian guitarra Gretsch classicona, arranjo enxutésimo, vídeo barato e fofo. Tá enterrado o monumentalismo do rock setentão, tá liberado descansar do pós-punk sombrio. Be-bop-a-lula Manda-Chuva!
Rewind, Fast Forward: os Stray Cats nunca conquistaram e continuam sem o prestígio que merecem. Porque retrô. Porque a música era simplona e as letras simplórias. Porque eram três bons moços classe média de Long Island. Porque eram só mais uma “banda bonitinha pra MTV”. Porque eram nerds colecionadores de memorabilia.
Porque eles eram bem-humorados e como reza o provérbio em Hollywood, “comédia não ganha prêmio”. Mas hoje comédia ganha Oscar e é mais que hora de reconsiderar o papel fundamental dos Stray Cats em muito do que veio depois.
Repare que a outra grande banda responsável por ressuscitar o rockabilly no exato mesmo período que eles, os Cramps, eram tão palhaços quanto. De uma maneira mais psicótica e drogada: os Stray Cats são animados e os Cramps alucinados.
Entre essas duas bandas está toda a filharada e netaiada de bandas inspiradas pelo rockabilly dos 80 até aqui. Dos Guana Batz ao Messer Chups aos moleques arranhando semana passada acordes nostálgicos e irresponsáveis na Eslováquia, Indonésia, Curitiba.
Lembrei agora que uma vez fomos ao Slim´s, boteco do Jim na Sunset Strip, Los Angeles, 2000 e algo, Pablo Miyazawa e quem mais? Tava vazio. Lembrei agora do trio apelão que Jim e Lee montaram com Earl Slick, guitarrista de David Bowie, 1985.
Lembrei também dos certinhos discos sérios do Brian e de sua festeira big-band Brian Setzer Orchestra. Mas o destino dos Stray Cats sempre foi os anos 50 mesmo.
Só não lembrei o que escrevi na minha entrevista de 1990. Obrigadão ao camarada Matheus Mossmann por me despachar o PDF. Não lia desde a época. Flashback: foi a primeira entrevista que escrevi pra “Bizz”.

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