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Uma história que criou raízes na Universidade Federal do Pará (UFPA) há quase cinco décadas ganhou forma também na paisagem do Campus Guamá nesta terça-feira, 18 de agosto. A professora emérita Zélia Amador de Deus participou do plantio de um baobá em sua homenagem. Assim como a árvore que agora começa a crescer no campus, o legado de Zélia atravessa o tempo e permanece ligado à construção de uma universidade mais plural, inclusiva e comprometida com a igualdade racial.
A escolha do baobá para a homenagem dialoga diretamente com a trajetória da professora. Árvore de grande importância simbólica para diferentes povos africanos, o baobá está associado à ancestralidade, à resistência, à memória e à transmissão de saberes entre gerações.
Emocionada, Zélia agradeceu a homenagem e ressaltou o significado da árvore e sua relação com a ancestralidade. “Esse baobá representa muito para mim, porque fala de ancestralidade, de memória e daqueles que vieram antes de nós. Estou muito emocionada e só tenho a agradecer por esta homenagem”, afirmou.
Durante a homenagem, o reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva, destacou o papel de Zélia nas transformações vivenciadas pela Universidade ao longo das últimas décadas e sua capacidade de reunir pessoas em torno da construção de uma instituição melhor e mais inclusiva.
“Eu não tenho dúvida da importância da Zélia para esta universidade. A UFPA é o que é hoje, com todos os seus desafios, também porque houve pessoas que tiveram coragem e determinação para transformá-la. E Zélia conseguiu fazer isso com uma característica muito especial… a firmeza dos seus propósitos acompanhada de uma enorme capacidade de acolher, dialogar e congregar pessoas. Ela ajudou a fazer uma verdadeira revolução dentro da Universidade”, afirmou o reitor.

Para Gilmar Pereira, o baobá também permitirá que a história da professora permaneça presente no cotidiano da Instituição. “Que cada pessoa que vier estudar nesta universidade e passar por este baobá possa conhecer quem é a professora Zélia, e a importância de sua luta para que estudantes negros, indígenas, quilombolas e tantos outros possam estar hoje produzindo conhecimento e transformando a realidade dentro da UFPA”, acrescentou.
Trajetória – Professora, pesquisadora, artista e ativista, Zélia Amador de Deus é uma das principais referências do movimento negro na Amazônia e construiu grande parte de sua trajetória acadêmica e política em estreita relação com a UFPA. Ao longo de quase cinco décadas, sua atuação contribuiu para fortalecer na Universidade o enfrentamento ao racismo e o debate sobre as desigualdades, além da defesa da ampliação do acesso e da permanência de grupos historicamente excluídos do ensino superior.
Sua contribuição atravessa diferentes áreas da vida universitária, da formação de estudantes e da produção de conhecimento à gestão e à construção de políticas de inclusão e equidade. Ao longo desse percurso, Zélia tornou-se referência para diferentes gerações dentro e fora da Universidade.
“Zélia é uma referência, um símbolo, uma entidade. Mas nunca deixou de cultivar as relações humanas, a amizade e o cuidado com as pessoas. Esta universidade tem uma dívida que não tem como pagar com você, querida Zélia. Por isso precisamos continuar reconhecendo e homenageando sua contribuição. É uma honra para a Universidade Federal do Pará ter a história dela ligada à sua”, concluiu Gilmar Pereira da Silva.
(Transcrito do portal da UFPA)
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