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POR GERSON NOGUEIRA

“Uma lenda eterna, o imortal Blackmore”. Assim Ian Gillan saudou a aparição surpreendente e histórica do ex-companheiro Ritchie Blackmore no show da banda realizado na quarta-feira (12), em Jones Beach, próximo a Nova York. O guitarrista não se apresentava com o Purple desde 1993, quando saiu da banda, após brigar justamente com o vocalista Gillan.

A participação de Blackmore, aos 82 anos, foi saudada no mundo inteiro pelos fãs do Deep Purple e pelos apreciadores de rock de maneira geral. O músico é um dos maiores guitarristas de todos os tempos, inventivo na forma pioneira de misturar acordes do rock com a influência da música clássica.

Brilhou intensamente no auge do Purple, fundado por ele em 1968 ao lado de Ian Paice (bateria), Rod Evans (vocais), Jon Lord (teclados) e Nick Simper (baixo). Gillan só entraria para a banda nos anos 70 e, desde o começo, bateu de frente com o irascível Blackmore, conhecido pelo mau humor crônico.

As brigas se acumularam, os sucessos também e Blackmore acabou deixando o Deep Purple em 1993 e foi tocar com o supergrupo Rainbow. Gillan saiu logo depois, mas voltou já na década de 90. Agora, ambos se reconciliaram após um telefonema de Ritchie para o cantor. Nasceu daí o convite para dar uma canja naquele que é o clássico definitivo do grupo, “Smoke on the Water” (Fumaça sobre a água), hino lançado no álbum “Machine Head” em 1972.

A participação foi anunciada pelo próprio Blackmore um dia antes do show, durante uma transmissão ao vivo no Instagram ao lado de sua esposa, Candice Night. O músico contou que procurou o vocalista Ian Gillan para sugerir uma aparição durante o bis.

No palco, o peso dos anos se manifestou. Blackmore pouco se movimentou e não mostrou a destreza genial na guitarra, mas fez o suficiente para encantar a plateia ao revisitar o solo clássico da canção, sendo aplaudido festivamente. O reencontro em Nova York fecha um dos capítulos mais improváveis da longa caminhada do Deep Purple. Por alguns minutos, Blackmore revisitou alguns dos riffs que redefiniram a história do rock.

Blackmore precisou tomar uma injeção na região lombar para permanecer de pé durante a apresentação. Ele tem quatro hérnias de disco e sofre de gota. Por precaução, deixou um banquinho no palco caso precisasse se sentar.

Vida longa ao rock’n’roll.

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