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POR GERSON NOGUEIRA

Explorar a fina sintonia entre o meia Vítor Bueno e o atacante Taliari, exposta no belo gol de empate do Remo contra o Atlético-MG, é um dos desafios criativos impostos à comissão técnica de Léo Condé no momento mais decisivo da caminhada do time na Série A.

Ao mesmo tempo, o entendimento entre ambos é um importante passo para ampliar o repertório ofensivo do Remo. A combinação do talento de Bueno para lançamentos precisos com a capacidade técnica de Taliari para se deslocar rapidamente e finalizar pode tornar o ataque mais qualificado e menos previsível.

O gol contra o Galo foi o terceiro lance de finalização na área envolvendo Vítor Bueno e Taliari. Ambos já tinham sido protagonistas da goleada de 4 a 1 sobre o Bahia, no turno. Naquela tarde, Bueno fez o gol de empate e ajudou Taliari a marcar mais dois, lançando bolas na área e trocando passes inspirados. Jajá marcou o quarto gol.

Foi a melhor atuação do Remo em termos de superioridade e imposição técnica. O domínio sobre o time de Rogério Ceni está diretamente ligado ao nível de qualificação da dupla. A rapidez de raciocínio de um (Bueno) com o posicionamento perfeito na área do outro (Taliari) casou muitíssimo bem.

Infelizmente, para o Remo e para ambos, aquela foi a última vez em que puderam atuar juntos no turno. A interrupção da parceria devido à contusão de Taliari significou a perda de importante alternativa ao modelo de transição rápida e marcação forte implantado por Condé.

Sem a dupla, até porque Vítor Bueno também se lesionou, o técnico viu-se limitado à fórmula de força e velocidade até o final da primeira metade do campeonato. Com o retorno de Taliari, a conexão entre os dois pode contribuir para aumentar o poderio ofensivo da equipe.

Tudo vai depender agora de muito treinamento e repetição, o que abre a possibilidade de mesclar sistemas até no mesmo jogo. Sem abrir mão das transições, o time terá também como alternar os avanços pelo centro do ataque, de maneira bem-sucedida como no jogo com o Atlético-MG.

(Foto: Raul Martins/Ascom CR)

Cuidados para contornar os riscos de distração

Depois da difícil vitória sobre o Confiança, o técnico Júnior Rocha não disfarçou a preocupação com o comportamento de algumas “crias” bicolores. Não citou nomes, nem era necessário, mas enfatizou que todos têm a obrigação de manter o foco no que realmente importa: a campanha em busca do acesso à Série B.

A observação pontual pode ter soado como um recado superficial, mas, ao longo da semana de preparação para o giro pelo Sudeste, auxiliares diretos do treinador reforçaram o pedido de comprometimento.

As muitas tentações que a vida propicia a jovens atletas representam um risco permanente para as comissões técnicas. Essa preocupação vale para todas as divisões nacionais, não apenas para a Série C.

O foco deve estar nas metas a serem alcançadas. “Façam um favor para o Paysandu, para todos aqui. Se cuidem um mês e meio. Se o cara não conseguir aguentar 45 dias dormindo melhor, se alimentando melhor e descansando para treinar e render mais. Façam esse favor para a carreira de vocês”, disse Júnior Rocha nos vestiários, logo após o jogo.

A recomendação é pertinente. Questões disciplinares afetaram a trajetória da equipe a partir da metade do Brasileiro, motivando o afastamento de alguns jogadores. O alerta coincide com o momento de oscilação do time, que perdeu três jogos nas últimas cinco rodadas e colocou em risco a classificação aos quadrangulares finais.

De estilo comedido e tranquilo, Júnior Rocha não tem o perfil de um líder disciplinador. Por isso, quando expressa claramente o receio de que problemas comportamentais atrapalhem o time, é bom prestar atenção porque ele está falando sério.

Copa América: novo calendário e gera estranheza

Alguma coisa não está fazendo sentido nesse novo calendário que a Conmebol criou para a Copa América. Por uma década (2015 a 2024), a competição foi disputada de dois em dois anos. Por coincidência, a Argentina de Lionel Messi conseguiu a façanha de conquistar o torneio duas vezes em apenas quatro anos. Agora, mudou tudo de novo e o formato tradicional foi retomado.

Não se pode dizer que mudaram a competição só por causa de Messi, mas é legítimo questionar o calendário. Se havia um motivo de cunho esportivo para realizar cinco edições em 10 anos, deveria ser explicado.

Talvez a Conmebol tenha entendido que já é hora de espaçar a Copa América, visto que Messi conseguiu se reerguer – perante a própria torcida argentina – após levantar a taça no Brasil em 2024.

Como diz Romário, se o calendário especial foi criado para dar mais oportunidades àquela geração, o trabalho talvez já tenha sido concluído, mas a Conmebol continua devendo transparência. Por ora, a dúvida está no ar. O Baixinho nem sempre acerta, mas tem razão desta vez.

Bola na Torre

O programa vai ao ar às 22h deste domingo, na RBATV, com apresentação de Guilherme Guerreiro e participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba baionense. Em pauta, a expectativa para os jogos de Leão e Papão na segunda-feira (17), pelas séries A e C do Brasileiro. 

(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 15/16)

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