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POR GERSON NOGUEIRA

Dois gols em cobranças de escanteio liquidaram o sonho azulino de sair finalmente da zona de rebaixamento da Série A. O Mirassol venceu por 2 a 1 com uma atuação pouco inspirada, mas objetiva. O Remo fez um 1º tempo de marcação forte e saídas rápidas, equilibrou as ações no meio, mas caiu drasticamente de rendimento na etapa final.

O zagueiro Marllon (contra) abriu o placar para o Mirassol, após escanteio batido por Reinaldo aos 29 minutos. O lance manjado não foi policiado pela defesa. Apesar da falha, o Leão foi à frente e buscou o empate ainda na primeira etapa.

Após lances seguidos na área do Mirassol, com chances desperdiçadas por Taliari e Alef Manga, o Remo encaixou uma excelente arrancada com Marcelinho pelo lado direito. A bola foi cruzada e Patrick chegou batendo em direção ao gol. Houve rebote e Leonel Picco acertou um disparo forte, que desviou em Reinaldo e entrou.

Na segunda etapa, o jogo ficou muito aberto, com ataques de parte a parte, com o Remo ameaçando com Taliari e Manga, mas cedendo muito espaço à frente da linha de zaga. Marcelo Rangel fez grande defesa em disparo de Gustavo. O Mirassol ameaçava sempre pelos lados.

O Mirassol chegou ao desempate em outro escanteio cobrado por Reinaldo. A bola foi erguida no meio da área e o zagueiro João Victor, sem marcação, chegou testando para o fundo das redes. Faltou marcação para pelo menos interromper ou atrapalhar a subida do jogador.

Aos 20’, Edson Carioca teve chance de anotar o terceiro, mas furou diante de Marcelo Rangel. Com as entradas de Deivid Braga, Poveda, Mateus Alexandre, Vítor Bueno e Jajá, o Remo impôs um ritmo mais agressivo, embora pecando pelas falhas na construção das jogadas.

Ainda assim, Jajá quase empatou a partida aos 44’, girando em cima da marcação e chutando próximo ao gol. O próximo desafio para os azulinos é o Santos, na Vila Belmiro, sábado, pela Copa do Brasil.

Ancelotti volta e projeta início do novo ciclo

Depois de curtir férias na Europa, após o papelão do Brasil na Copa, o técnico Carlo Ancelotti está de volta. E chegou antecipando seus planos para o início do novo ciclo na Seleção Brasileira até o Mundial de 2030, que terá Espanha e Marrocos como sedes principais.

“Vamos iniciar a montagem de um novo time, observando e testando jovens jogadores, mas sem abrir mão de alguns atletas que estiveram conosco no Mundial e que ainda têm muito a contribuir”, disse.

Sobre as mudanças equivocadas diante da Noruega, citou o pênalti e o gol perdido por Endrick e admitiu que mudar a estrutura depois da parada para hidratação fez o time perder o controle do jogo. Mas, espantosamente, avaliou que Neymar “se portou muito bem no jogo”.

Espera-se que não esteja se referindo a atletas como Casemiro, Danilo (Flamengo), Alex Sandro, Fabinho, Alisson e outros. O único caminho possível para recuperar prestígio é a renovação completa.

Adeus tardio de Neymar traz alívio quase geral

Depois da vitória do Santos sobre a Universidad Central, da Venezuela, pela Copa Sul-Americana, anteontem à noite, Neymar confirmou que está se aposentando da Seleção Brasileira. Na entrevista pós-jogo, afirmou que não vai mais vestir a camisa do Brasil depois da eliminação na Copa 2026.

Jogador brilhante entre 2010, quando despontou no Santos, e 2020, quando já atuava no futebol europeu, Neymar não conseguiu manter o mesmo nível nos últimos cinco anos. Isso mudou (para pior) sua maneira de jogar, levando a questionamentos sobre sua utilização na Seleção Brasileira.

Aliás, com Neymar em campo, o Brasil não conseguiu ir adiante em Copas. Caiu para a Bélgica em 2018, dançou para a Croácia em 2022 e foi eliminado no mundial deste ano. Participação pífia do camisa 10, que tem no currículo apenas a conquista do ouro olímpico, na Rio-2016.

Negócios de Infantino geram reação da Uefa

A Uefa prepara uma reunião de emergência com suas 55 associações para discutir um possível boicote à Copa do Mundo (inclusive a de futebol feminino) em oposição ao interesse da Fifa de vender ações do torneio para investidores por 20 bilhões de dólares (mais de R$ 100 bilhões).

Na terça-feira (28), a Uefa se manifestou contra e afirmou que o futebol “não pertence à Fifa para ser vendido”. “Isto ultrapassa um limite que as instituições que regem o futebol nunca deveriam ultrapassar”.

“A essência e a governança do futebol não são bens para serem negociados… Especialmente sem nenhuma transparência sobre quem lucra financeiramente”, segue a entidade. É “altamente provável” que a reunião entre os membros da Uefa aconteça até o fim de semana.

Em 2021, a Fifa descartou a ideia de realizar a Copa do Mundo a cada dois anos após a Uefa ameaçar um boicote. A expectativa é de que a entidade europeia repita a estratégia para evitar a venda das ações do Mundial.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, estaria buscando investidores para financiar a Fifa Forward Enterprise (FFE), órgão recém-criado que vai assumir o controle das operações comerciais e de eventos, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina.

A entidade está costurando o acordo ao lado da multinacional do ramo financeiro JP Morgan e da Thrive Eternal, empresa de Joshua Kushner, irmão do genro de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

A relação entre Infantino e Trump se intensificou durante a Copa, e alimentou rumores (agora confirmados) sobre possíveis parcerias.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 30)

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