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Amarildo, bicampeão da Copa do Mundo pelo Brasil, completa hoje 86 anos de idade, esquecido pelo futebol enquanto passa anos internado. O ex-jogador enfrenta Alzheimer e está em hospital no Rio de Janeiro desde 2023. Família reclama de falta de apoio e reconhecimento. Em 2011, Amarildo foi diagnosticado com carcinoma na laringe — tumor maligno que afeta partes da garganta.
Segundo seu filho, Rildo Corrêa, a situação era tão grave que não era possível fazer cirurgia, e o tratamento foi realizado com quimioterapia e radioterapia. Após muitas sessões de uma nova radioterapia, específica para o caso, o ex-jogador superou o câncer, mas teve a região cerebral afetada pelo tratamento.
A família, então, suspeitou de problemas em relação ao raciocínio, e em 2018 veio o diagnóstico de Alzheimer. Amarildo ainda sofreu três AVCs isquêmicos em 2023 e não deixou mais o hospital — ele está internado em estado grave no Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. “O quadro clínico do meu pai é complicado. Ele perdeu a visão e é alimentado por sonda gástrica. A situação dele é muito, muito difícil. A gente sabe que o Alzheimer é uma condição degenerativa, mas fazemos de tudo para que ele possa viver dignamente”, contou o filho do ex-jogador, que trabalha como Perito Assistente Técnico Criminal, em entrevista ao Globo.
Rildo e sua mãe Fiamma Silveira, esposa de Amarildo, fazem companhia ao ex-atleta no hospital, enquanto os custos são arcados pelo plano de saúde disponibilizado pela CBF. A família, porém, vê um campeão do mundo ser esquecido pelo futebol brasileiro, enquanto ele passa anos em uma cama de hospital. “Acho que o problema maior no futebol é a ingratidão. E vejo que meu pai foi colocado num total esquecimento. O que ele fez nunca foi valorizado da forma que merecia”, frisou Rildo.

CONSAGRAÇÃO NO MUNDIAL DO CHILE
Amarildo Tavares da Silveira nasceu em Campos dois Goytacazes-RJ, em 29 de julho de 1940. O ex-atacante iniciou a carreira no Goytacaz e posteriormente foi dispensado dos juvenis do Flamengo. Servia o Exército quando foi levado ao Botafogo pelas mãos do jogador Paulistinha. Autorizado por João Saldanha, fez um teste e acabou aprovado. Jogador de estilo impetuoso, drible fácil e ótimo finalizador, acreditava em todas as bolas. No Glorioso conquistou o bicampeonato estadual de 1961/62 e marcou 135 gols em 238 jogos.
Em 1962, seguiu com a Seleção para a Copa do Mundo. Amarildo se consagrou ao entrar no lugar de Pelé, que havia se machucado. Marcou os dois gols na vitória por 2 a 1 de virada sobre a Espanha, classificando assim a Seleção Brasileira para as quartas de final. Firmou-se como titular e, por sua valentia, tanto pelo Botafogo quanto na Seleção, ganhou o apelido de Possesso.
Pela Seleção foram 24 jogos e 9 gols marcados, sendo 22 jogos oficias e 6 gols. Sua atuação na decisão contra a Tchecoslováquia coroou a trajetória do “Possesso” na Copa do Mundo. O Brasil venceu por 3 a 1 e depois da Copa Amarildo deixou o Botafogo para defender o Milan.
Atuou durante nove temporadas no futebol italiano, tendo conquistado o Campeonato Italiano pela Fiorentina, em 1969. O último clube de Amarildo na Itália foi a Roma. Voltou para o Brasil e assinou com o Vasco. Foi submetido a uma séria operação no joelho esquerdo que o levou a encerrar a carreira, em 1974.
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