Emoção até o último instante

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POR GERSON NOGUEIRA

O Remo ainda lamenta os pontos perdidos em casa, sábado, para o Luverdense. Levado ao pé da letra, o resultado ficou realmente aquém das expectativas criadas e das próprias exigências do momento da competição. É preciso, porém, entender que o jogo foi atípico e que as circunstâncias não podem ser menosprezadas.

Com estádio lotado, ambiente festivo, emoções à flor da pele e um certo clima de já-ganhou, o time remista entrou desplugado. A distração custou caro. Em dez minutos, um apagão permitiu ao Luverdense construir o que parecia quase uma vitória garantida. Em duas jogadas pela direita, Anderson e Kauê conseguiram chegar ao gol com extrema facilidade.

Com 2 a 0, a equipe de Junior Rocha ficou à vontade para desenvolver uma estratégia de espera. Mantinha-se em seu campo, explorava os erros de passe dos azulinos e saía em velocidade com jogadas sempre centralizadas em Juninho Tardelli, que acionava Da Silva e Kauê pela direita e Jefferson Recife e Anderson Ligeirinho pela esquerda.

O tempo ia passando, o drama se acentuando e revelando que, além do nervosismo de algumas peças (Daniel Vançan, Carlos Alberto e Geovane), o Remo tinha sérios problemas de confiança para definir situações no ataque. A bola queimava nos pés dos atacantes.

Só depois que Emerson Carioca entrou aos 23 minutos, no lugar de Carlos Alberto, o time se recompôs e passou a dispor de quantidade e maior qualidade na frente. Posicionando-se de maneira mais recuada, próximo a Eduardo Ramos, Emerson surpreendeu pelo desassombro e coragem de buscar a finta e o chute de média distância, coisas que seus companheiros pouco arriscavam fazer.

Sua entrada em alta rotação corrigiu desajustes da equipe. Entusiasmado, Emerson quase fez um gol tocando à esquerda da trave do LEC e ainda disparou um chute na gaveta, que o goleiro Edson espalmou para escanteio. Além da utilidade no esquema de jogo, Emerson foi responsável por afastar o marasmo e fazer a torcida continuar acreditando.

No segundo tempo, quando o Remo se lançou definitivamente à frente, já com Alex Sandro no lugar de Geovane, a importância do camisa 9 se acentuou porque ele se desdobrava ajudando Vançan no lado esquerdo e recuando para se juntar a Yuri e Ramires na marcação.

Com Garré substituindo a Marcão Assis, peça improdutiva pelo mau aproveitamento do jogo aéreo no primeiro tempo, o Remo cresceu em movimentação e elevou a qualidade do passe. Foi o suficiente para controlar as ações dentro do campo do LEC, mas o gol não saía.

Aos 31 minutos, em escanteio batido por Eduardo Ramos, o zagueiro Marcão escorou de cabeça e diminuiu. Pela primeira vez na partida, a torcida conseguiu festejar. O time então se lançou a um esforço de superação para alcançar o empate, que veio no minuto final dos acréscimos, em cabeceio de Eduardo Ramos.

A festa podia ter sido melhor, mas também podia ter virado pesadelo. O esforço dos jogadores compensou os erros, arrancando um empate com sabor de vitória. Até porque seria um tremendo pecado se a celebração vista no Evandro Almeida fosse manjada por uma derrota em campo.

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Arbitragem errática e tímida nos acréscimos

O Luverdense, a despeito de ter feito uma boa atuação quando teve a bola nos pés, foi muito aplicado também nas paralisações para conter a reação remista. E contou com a conivência involuntária do atrapalhado árbitro Gilberto Junior (PE), que inverteu marcações, aplicou cartões injustos e deixou de punir faltas violentas.

O pior foi ter colaborado com a cera ao conceder quatro minutos de acréscimos no primeiro tempo, quando o correto seria dar no mínimo seis minutos. No tempo final, a contabilidade foi ainda pior. O jogo ficou parado para atendimento a jogadores do LEC por mais de 10 minutos e Gilberto deu apenas seis.

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Papão conquista empate e mantém série invicta

O técnico Hélio dos Anjos saudou como positivo o empate do PSC em Caxias do Sul (RS), no sábado à tarde. E foi mesmo um bom resultado. Manteve o time na briga pela classificação e ainda segurou a arrancada que o Juventude ameaçava dar.

De negativo apenas o fato de que o Papão teve durante boa parte do tempo as rédeas da situação. Marcou o gol aos 30 minutos, com Nicolas, teve mais três excelentes chances e acabou se acomodando com a vantagem mínima. Na etapa final, mesmo com um jogador a menos (Dalberto foi expulso no 1º tempo), o Juventude conseguiu reagir e empatar aos 33’, com Breno.

Poucas vezes o PSC desfrutou num jogo de tantas chances para melhorar a artilharia. Nicolas, Tony, Jheimmy e Elielton, com atuação destacada, também perdeu o seu. O mais incrível foi o lance desperdiçado por Diego Rosa, que, livre e de frente para o gol, errou o arremate.

Hélio tem toda razão em enaltecer a evolução do time, que abandonou a sequência de tropeços para abraçar uma série invicta que já lhe garante uma posição de destaque na chave. Com dois jogos em casa nas próximas rodadas, as perspectivas não poderiam ser melhores.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 15)

Um comentário em “Emoção até o último instante

  1. Não sou “analista de desempenho” – tipo cargo de DAS importado pelo futebol paraense, mas quando anunciada a contratação pesquisei com amigo de Salvador, membro do Conselho do Bahia Esporte Clube, sobre a passagem do jogador Diego Rosa, pelo clube baiano. Sua resposta foi curta e objetiva: “desapercebida”… !!.
    No Paysandú, este jogador somente foi percebido, pela primeira vez, no jogo do último sábado, ao perder o gol mais feito que o time já teve nesta Série C. Se o Paysandú não se classificar, pela falta de 2 pontos, este jogador já é candidato nº 1 a vilão do ano.

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