Família de Mbappé se queixava de tentativas de humilhação no PSG

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Por Diego Torres, no El País Brasil

Fayza Lamari foi uma boa jogadora de basquete da Primeira Divisão da França. A devoção por um jogo sacrificado fez com que formasse uma ideia severa da prática esportiva. No Paris Saint-Germain dizem que seu caráter áspero moldou seu filho, a nova estrela da seleção francesa, Kylian Mbappé.

No clube parisiense afirmam que a família do jogador percebeu desde setembro de 2017 que por trás das brincadeiras feitas por Neymar e Daniel Alves com Mbappé existia uma forma de menosprezo. Eles riem de suas feições. Dizem que ele parece Donatello, uma das Tartarugas Ninjas mutantes. Afirmam que uma coisa é jogar bem futebol e outra fazer o que ele faz, um puro exercício de velocidade. “Você sim é rápido!”, lhe diziam, “é muito rápido!”.

A família do jogador chegou a se sentir incomodada. O garoto sofria com a atitude de seus colegas, que se esforçavam para rebaixá-lo à categoria de novato. Um escalão que se dissolveu para sempre nessa Copa do Mundo. O torneio deixou Neymar em situação complicada, eliminado sem impor uma marca, e permitiu a Mbappé afirmar-se como o grande príncipe do futebol. O francês subverteu a ordem hierárquica do PSG colocando-se ele mesmo na frente de seus colegas na corrida pela Bola de Ouro, o prêmio mais desejado por Neymar.

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Como seus próprios chefes, a indústria do futebol também resistiu a reconhecer a verdadeira dimensão de Mbappé. Os fatos obrigam a recapitular. Mbappé é o homem assinalado pelos analistas dos grandes clubes da Europa como seu principal objeto de estudo. Em primeiro lugar, porque em termos históricos seu peso futebolístico em relação a sua idade é notadamente raro. Tem 19 anos, é indiscutível na França e marcou três gols na Copa. Na sua idade, Neymar, que agora tem 26, não foi convocado para jogar a Copa da África do Sul; Messi foi reserva na Copa da Alemanha, onde marcou um gol; e Ronaldo Fenômeno ganhou a Copa dos Estados Unidos sem sair do banco. Os precedentes só permitem a comparação de Mbappé com Pelé, que com 17 anos marcou seis gols na Copa de 1958.

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Mbappé combina a leveza com uma potência descomunal para arrancar de repente. Se seu primeiro gol contra a Argentina, esquivando-se de rivais com uma mudança de passos em quatro metros com a facilidade de quem traça uma linha reta, resume seu gênio, no primeiro da França, que levou ao pênalti anotado por Griezmann, bateu o recorde de velocidade do campeonato com 37 quilômetros por hora em pouco mais de dez metros de aceleração. O recorde da Champions foi marcado por Gareth Bale com 33,5 quilômetros por hora depois de 20 metros de sprint.

Fayza, que acompanha o filho por toda a Rússia, é a mais feliz da família. A Copa mudou a ordem do futebol, dentro e fora do vestiário do PSG. Haja o que houver, a nova estatura de Kylian Mbappé será impermeável aos piadistas.

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