POR GERSON NOGUEIRA

O camaronês Duplexe Tchamba é um dos grandes destaques do Remo no Campeonato Brasileiro. Com regularidade e muita qualidade nos desarmes, tornou-se um dos esteios defensivos da equipe. Sempre que esteve fora, o time sofreu e ficou mais exposto.

As boas performances garantiram um ganho adicional à carreira de Tchamba, que foi convocado para a seleção de seu país nos recentes amistosos da Data Fifa. O respeito adquirido pela campanha no Brasil deu ao zagueiro a condição de titular.

Depois de ficar fora de três partidas, Tchamba voltou ao time na vitória sobre o Botafogo, na quarta-feira (28), por 2 a 1. Atuou bem, voltando a ter papel de referência na última linha do time.

Atentos à grande visibilidade que o jogador ganhou, os diretores do Remo se apressaram em buscar a renovação contratual, cientes também do interesse que o zagueiro passou a despertar pelas atuações no Brasileiro.

Segundo informações do vice-presidente Glauber Gonçalves, candidato à presidência do clube, o acerto com Tchamba já está sacramentado. O clube se esforça para fechar o planejamento para 2027 e, nesse sentido, a permanência de alguns jogadores é tida como prioridade máxima.

Além de Tchamba, o Remo já apresentou proposta para renovar com o goleiro e ídolo Marcelo Rangel. O contrato é de três anos, o que deve garantir a renovação. Marcelinho, outro jogador que se valorizou muito na Série A, também já negocia com a diretoria.

Com Marcelo Rangel, Tchamba e Marcelinho, a base começa a ser definida para a próxima temporada, seja na Série A ou na Série B. Além desses jogadores, o Remo tem vínculo contratual com Leonel Picco, Zé Welison, Jajá, Taliari, Mayk, Galeano, David Braga, Jaderson e Vítor Bueno. (Foto: Samara Miranda/Ascom CR)

O perigoso protagonismo das arbitragens

Sob ameaças públicas das torcidas organizadas do Corinthians, a arbitragem entrou pressionada para apitar o jogo com o Mirassol, na sexta-feira à noite, na Arena Itaquera. Ainda no 1º tempo, em decisão polêmica, o juiz retirou um cartão amarelo e deu o vermelho para o atacante Bruno Santos, que havia atingido o corintiano André Ramalho.

Seria um típico lance de cartão amarelo, caso o jogo não fosse de interesse máximo para o Corinthians – sem vencer há 10 rodadas e ocupando assento no Z4. Ora, todo mundo sabe que jogar em Itaquera representa risco permanente de problemas com a arbitragem, principalmente quando o homem do apito é inexperiente, caso de Mateus Candançan (SP).

O desequilíbrio gerado pela expulsão deu ao atrapalhado time do Corinthians o controle do jogo. Obrigado a se desdobrar em campo com um a menos desde os 24 minutos, o Mirassol perdeu força no ataque e tomou o gol no início do 2º tempo. Matheus Bidu desviou para as redes cruzamento na área.

Logo depois, o Corinthians fez 2 a 0 com Kaio César, e se tranquilizou. Um resultado importante para o Timão, que quebrou a sequência de derrotas e ficou a apenas um ponto de deixar a zona de rebaixamento.

Algo parecido havia acontecido com o Grêmio, que derrotou o Atlético-PR na quinta-feira (29), em Porto Alegre. O placar de 2 a 0 reflete a melhor atuação gremista, mas cabe registrar que o segundo gol foi validado apesar de um toque na mão de Balbuena na finalização. A recomendação da Fifa é clara: em lance de gol, qualquer desvio na mão anula a jogada.

Como se dizia antigamente, de grão em grão a galinha enche o papo. Na Série A, de favorecimento em favorecimento, clubes mais poderosos vão se safando do risco de queda. Um filme antigo que sempre volta a entrar em cartaz nas rodadas decisivas do Brasileiro.

Futebol precisa respeitar diferenças e origens

A eleição presidencial brasileira deixou sequelas graves de pensamento e consciência no meio do futebol, normalmente marcado por indiferença em relação à política. O primeiro episódio digno de menção envolve o atacante Willian José, do Bahia, que compartilhou um vídeo de conteúdo ofensivo à população nordestina, a quem ele deve pelo menos respeito.

O clube reprovou a atitude do jogador e afirmou que não compactua com manifestações de ódio, xenofobia e/ou preconceito. O vídeo repostado pelo atacante classificava os nordestinos como “câncer do país”, repudiando a votação maciça dos eleitores baianos no presidente Lula. O fato curioso e triste é que Willian José é nordestino, natural de Alagoas.

Quase no mesmo dia, o atacante paraense Rony, revelado nas divisões de base do Remo e natural de Magalhães Barata, postou um mapa do Brasil, dividido pelas regiões que apoiaram Lula e Bolsonaro. Na parte do Norte e do Nordeste, incluindo o Pará, a imagem é de queimadas e destruição. No lado do Sul e Sudeste, só progresso e riqueza.

Preconceito elevado ao cubo, partindo de um paraense de origem humilde, que venceu na vida com muito trabalho, apesar de todos os obstáculos reservados aos pobres deste país. No Santos de Neymar, as influências canhestras parecem ter falado mais alto e isso se reflete na postagem discriminatória. Por mais desinformado que alguém seja, o desrespeito às próprias origens é um pecado inadmissível.

Bola na Torre

Giuseppe Tommaso comanda o programa neste domingo (01), às 22h, na RBATV, com a participação de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. Em pauta, a reta final da Série A e os desafios no caminho do Leão. A edição é de Lourdes Cezar.

(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 31/01)

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