
POR GERSON NOGUEIRA
O mais caro reforço bicolor foi anunciado, de forma inesperada, com o campeonato já em andamento – embora o técnico Marquinhos Santos insista com a tese de que a pré-temporada se estendeu até anteontem – e tem boas chances de emplacar por aqui. Walter precisa apenas ser 50% do Walter goleador para encantar a torcida e se reabilitar junto ao mercado boleiro nacional.
Aos 28 anos, o atacante ainda é um jogador com metas a cumprir. Está longe de ter o perfil de veterano sem ambições, como tantos que andaram enganando por aqui até recentemente. E a necessidade de dar a volta por cima é um senhor fator de motivação.
Walter experimentou, ao final da temporada passada, a falta de perspectivas gerada pelas desconfianças em relação à sua disposição de continuar a ser um atleta profissional de futebol.
A passagem pálida pelo Atlético Goianiense, com cinco gols marcados em pouco mais de duas dezenas de jogos (nem sempre como titular), deixou um rastro negativo para o currículo do jogador, já bastante desgastado pela temporada ruim no Goiás, em 2016, quando fez apenas três gols.
É óbvio que o Papão fechou negócio consciente de que faz uma aposta de risco neste atacante polêmico pelo físico pouco compatível com a função em campo, além de algumas derrapadas fora das linhas.
Contribuiu muito para que o negócio fosse fechado a quase total ausência de concorrentes pela aquisição do jogador – o único que formalizou proposta foi o Vila Nova-GO. Além disso, Walter foi avalizado pelo técnico Marquinhos Santos e o executivo André Mazzuco.
Um aspecto pode ser determinante para que o jogador se enquadre nas exigências necessárias para que jogue em bom nível: o rigoroso processo de condução do futebol profissional vigente no Papão. Foi com base nesse critério, que destaca comprometimento e disciplina, que jogadores como Leandro Carvalho e Ricardo Capanema não tiveram mais chances na Curuzu.
Walter passa a ser estrela de um clube órfão de ídolos. Os mais recentes foram Robgol e Vandick, que penduraram as chuteiras em há mais de 10 anos. Se fizer os gols que prometeu na primeira entrevista e levar a cabo o projeto pessoal de “fechar a boca”, o atacante ingressa na seleta galeria de jogadores cultuados pela apaixonada torcida alviceleste.
Sabe, porém, que não terá muito tempo para se estabelecer. Ainda sem o condicionamento ideal, Walter deve estrear na fase semifinal do Parazão e precisa mostrar a que veio balançando as redes.
De toda sorte, a contratação tem o mérito de valorizar o Campeonato Estadual e de chamar a atenção da mídia nacional para o que se faz aqui, além de ser um motivo a mais para que o torcedor compareça aos estádios e prestigie o investimento maior do Papão para a temporada.
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Sonhando alto, Galo Elétrico importa centroavante
Não é só o Papão que investe alto em contratações. O Independente, único invicto no campeonato, fez à sua maneira uma aquisição tão cara quanto a de Walter para os bicolores. Trouxe de volta o centroavante Betinho, que esteve na Curuzu e não deixou muitas saudades.
Para os projetos do clube de Tucuruí, Betinho pode se encaixar bem, até porque a falta de referência no ataque era um dos problemas do time treinado por Júnior Amorim.
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Trivial variado do pós-clássico pelos baluartes da coluna
A cidade está ainda em clima de ressaca do Re-Pa. No blog campeão e na coluna, os baluartes se manifestam, opinando sobre atuações e apontando detalhes do primeiro clássico da temporada.
Mateus Miranda avalia que a festa remista passou do ponto e tem lá suas explicações para isso. “A carência da sofrida torcida remista é impressionante, a vitória de ontem pareceu conquista de título. Aqui no bairro onde moro a foguetaria não para desde ontem. É uma estória que se repete quase todos os anos, com os remistas começando o ano sorrindo e terminando chorando. Explica também o fato de o Remo ter mais vitórias e o Paysandu ter mais títulos, pois o bicolor perde quando pode perder e vence as partidas decisivas”.
Antonio Oliveira centra seu olhar crítico nas declarações do técnico Marquinhos Santos. “É verdade que o Remo mereceu a vitória, e que o técnico listrado reconheceu este merecimento. Mas, quando um técnico vem com a justificativa de que faltou brio e vontade de vencer aos seus próprios comandados, é muito provável que ele não esteja querendo assumir a própria parcela de responsabilidade no insucesso. No caso do jogo, parece que foi o que aconteceu com o técnico do rival. Deveras, ontem pode ter faltado tudo aos listrados, menos brio e falta de vontade de vencer. Ao revés, a vitória além de tudo, foi valorizada pela entrega do adversário que se empenhou ao máximo para ser ele próprio o vencedor”.
Já o Maurício Carneiro é direto e certeiro: “Sem alongar, o Remo mereceu vencer até por diferença maior. Não vi o dito lance de pênalti a favor do PSC – como entrei no intervalo, acho que foi antes disso e nem na mídia consigo achar. O pênalti marcado é interpretativo e aceitável. Perema caiu muito ultimamente, mas ontem estava bem até a falha fatal. Marcão merece voltar pro banco. O plantel do Papão é bem superior ao de 2017. Re x Pa é Re x Pa e é cedo pra detonar o PSC”.
Para George Carvalho, o importante é enaltecer os nativos. “Com o apenas esforçado Perema sendo o algoz, méritos para a dupla de caboclos paraenses Levy & Elielton, que mostraram aos emplumados jogadores importados que aqui chegam, usando sapatilhas, como se joga futebol na Amazônia, em tempo de inverno”.
(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 30)
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