POR GERSON NOGUEIRA

Águia e PSC decidem hoje, no estádio Zinho Oliveira, em Marabá, às 19h, uma vaga na final da Copa Norte, competição ressuscitada nesta temporada e que em sua última edição (2002) teve os bicolores como campeões. A semifinal estabelece um confronto inédito pela competição.

Como líder do grupo B, o Águia recebe em jogo único o Paysandu, vice-líder da chave A do torneio que antecede a Copa Verde. Em duelos de semifinais, os dois times já se enfrentaram cinco vezes. Nos enfrentamentos recentes, há uma ampla vantagem alviceleste.

A partida de hoje surge como nova chance para que o Águia supere o adversário que derrotou em 2023, nas semifinais, antes de partir para a histórica conquista de seu único título estadual.

Na atual Copa Norte, o Águia tem sido o representante paraense mais destacado, com uma campanha primorosa. Acumulou 13 pontos em cinco jogos, classificando-se antecipadamente. Eliminou o Remo com vitória por 2 a 1, em Marabá, onde costuma ser um time extremamente competitivo.

Já o Paysandu cumpriu trajetória bastante irregular na primeira fase. Sofreu uma goleada histórica de 7 a 0 para o Nacional, em Manaus, e só se reergueu nas duas últimas rodadas, derrotando Independência e Trem.

O Águia tem entre seus destaques na temporada os meias Felipe Pará e Kukri. O time passou por reformulações no início do ano, mas manteve jogadores experientes, como o lateral Bruno Limão. Sob o comando do técnico Júlio César, o Águia costuma explorar o jogo aéreo e a pressão alta quando atua no Zinho Oliveira.

Depois de reintegrar o zagueiro Castro, que foi suspenso por indisciplina, o PSC vai completo para o confronto desta noite, incluindo o volante Pedro Henrique, que não atuou contra o Botafogo-PB pela Série C, domingo.

O técnico Júnior Rocha conseguiu estruturar um time competitivo a partir da mescla da experiência de jogadores como Ítalo, Marcinho, Edilson e Kleiton Pego com a juventude de atletas formados na base do clube, como Thalyson, Iarley, Hinkel e Pedro Henrique.

Intenso na marcação e rápido nas transições, o PSC de Júnior Rocha costuma ser letal nos contra-ataques principalmente quando joga como visitante. Neutralizar o sistema bem azeitado do Papão é o principal desafio do Águia nesta quarta-feira (6) à noite.

Missão espinhosa no caminho do Remo

Penúltimo colocado Brasileiro, o Remo ostenta a condição de pior mandante da competição, com 6 pontos ganhos em casa – empates com Mirassol, Internacional e Vasco; e vitória sobre o Bahia. O drama é que, no próximo domingo (10), o Leão recebe em Belém o melhor visitante do campeonato. O Palmeiras tem números opostos ao do Leão: quatro vitórias, dois empates e apenas uma derrota.

Líder do Brasileiro com 33 pontos e líder de seu grupo na Libertadores, o Palmeiras de Abel Ferreira é temido tanto como mandante quanto como visitante. Forte e entrosado, com jogadores de primeira linha, costuma se impor em qualquer lugar.

Por todas essas razões, a semana do Remo tem sido dedicada a ajustes cuidadosos em busca da formação que garanta uma atuação caprichada, perto da perfeição. Nas últimas partidas, contra Cruzeiro e Botafogo, o time jogou sem meias de criação, em função da ausência de Vítor Bueno, cuja escalação é incerta para domingo.

O técnico Léo Condé priorizou o setor de marcação e a proteção à defesa. Um trio de volantes tem sido prestigiado na meia-cancha: Zé Welison, Patrick e Zé Ricardo. Na empolgante vitória de virada sobre o Botafogo, David Braga entrou nos minutos finais.

A estratégia deve se repetir domingo, até pela necessidade de sustentar o embate com o forte meio-campo palmeirense. Na frente, outra quase certeza: a opção por Pikachu como homem avançado pela direita, com Alef Manga e Jajá completando o ataque.

Seleção ainda arrasta povo, mas paixão sofre abalo

Em ano de Copa do Mundo, os números mostram que o futebol ainda apaixona o país, mas não como em outras épocas. Um estudo realizado pelo Centro de Pesquisas da ESPM-SP revela que o monopólio da Seleção Brasileira no coração da torcida vem sofrendo abalos: 10% dos entrevistados dizem que não irão torcer exclusivamente pelo Brasil na Copa.

Não precisa ir fundo nas origens do problema para descobrir que a perda de interesse tem a ver com performance. Entre os torcedores que avaliam o time de Carlo Ancelotti com nota 4 ou menos, o índice de fidelidade despenca para 57,4%.

Na hipótese de eliminação do Brasil – como ocorreu nas últimas cinco Copas –, o plano B dos brasileiros fica assim definido: 3% migrariam para seleções europeias e 2,5% cruzariam a fronteira do afeto para torcer pela arquirrival Argentina.

Foram ouvidos 400 torcedores de todas as regiões do país. Para 67% dos brasileiros, a Seleção já foi mais importante no passado. O sentimento de “saudade” é unânime entre os torcedores acima de 70 anos (100%), gente que viveu e viu de perto os tempos dourados do pentacampeonato e de craques que encantavam o mundo.

O vazio de referências fica escancarado quando o assunto é a convocação para o Mundial. Neymar é a figura mais lembrada, 56% ainda o defendem na Seleção, mas o número de opositores cresceu: 30,5% não o convocariam. Os mais jovens (18 a 34 anos) ainda o veem como ídolo.

As esperanças residem mesmo na nova safra: Luiz Henrique, Endrick e Estêvão são os únicos pontos de convergência, mas figuras como Danilo (Flamengo) e Lucas Paquetá registram altos índices de rejeição, provando que o torcedor não aprova quem traz o peso de eliminações passadas.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 06)

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