Da lama ao caos

POR GERSON NOGUEIRA

Ninguém sabe ao certo ainda o tamanho exato da roubalheira na Fifa e confederações a ela vinculadas. Do que foi revelado até agora impressiona a facilidade com que fortunas eram manipuladas e divididas entre os chefões do mundo da bola. Da enxurrada diária de números é possível concluir que a falcatrua foi monstruosa. Ao mesmo tempo, surgem dúvidas quanto aos verdadeiros da investigação conduzida pelos norte-americanos.

Na sexta-feira, soube-se que que a África do Sul pagou gorda propina pelo direito de sediar a Copa do Mundo de 2010. O FBI revelou também que o brasileiro J. Háwilla embolsou R$ 30 milhões pela intermediação fraudulenta do acordo entre Nike e CBF para vestir a Seleção Brasileira.

Como sempre acontece em escândalos financeiros de grande magnitude, aos poucos vão se confirmando todas as suspeitas sobre determinados negócios. É o caso do polêmico acordo entre CBF e Nike, celebrado nos anos 90. Na época, as desconfianças levaram à criação da CPI da Nike no Congresso Nacional.

Nada foi além do barulho inicial em torno de alguns depoimentos e ameaças de punição. O inquérito parlamentar terminou sufocado pela força da chamada bancada da bola, cujos tentáculos se estendem por todos os partidos. Com base nos fatos recém-descobertos pelos americanos, o senador Romário já reuniu as assinaturas necessárias para criar uma nova CPI.

Resta saber se irá resistir à articulação dos bombeiros pró-CBF, ágeis e articulados. E precisa demonstrar coragem de ir fundo na apuração, promovendo, por exemplo, uma devassa nos contratos que garantem exclusividade à Globo nas transmissões dos campeonatos brasileiros, mesmo quando sua proposta é inferior à da concorrência.

Os movimentos esboçados até aqui indicam que a cúpula da CBF manobra para deixar tudo do jeitinho como está. Presidentes de federações foram convocados para reunião com Marco Polo Del Nero, cuja intenção declarada é limitar a reeleição. Nas entrelinhas, fica claro que todos serão chamados a reafirmar solidariedade ao presidente.

Talvez nem fosse necessário. O colégio de presidentes de federações, responsável pela sustentação do esquema de Ricardo Teixeira e José Maria Marin, continua exatamente como antes. A cartolagem mais conservadora segue fechadíssima com Del Nero, por razões que talvez só o FBI tivesse peito para averiguar de verdade.

Por ora, a única voz dissonante é a do presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Fernando Noveletto, autoproclamado líder da oposição – embora defensor de práticas arcaicas quando o assunto é democratizar a relação entre clubes e atletas profissionais, representados pelo Bom Senso F. C.

Trocando em miúdos, significa que o tsunami que devasta a Fifa tem tudo para se transformar em brisa suave por aqui, visto que dona CBF, pródiga em afagos e mimos a autoridades executivas, legislativas e judiciárias, continua praticamente intocável.

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Bola na Torre

Guerreiro comanda a atração das noites de domingo, na RBATV, ao lado de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. O convidado é o técnico Dado Cavalcanti, do Papão. O programa começa logo depois do Pânico, por volta de 00h10.

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Os muitos mistérios que rondam o Remo

Ninguém entendeu muito bem, mas o Remo agendou um amistoso para Uberlândia (MG), assim do nada, como ensaio para a Série D.

Do mesmo modo, ninguém entendeu a forte boataria sobre um suposto interesse no meia Rogerinho, de quem o Papão acaba de se livrar.

Muito menos deu para entender a propalada intenção de contratar o meia-atacante Gegê, encostado no Botafogo e na faixa salarial de R$ 25 mil.

Na verdade, o Remo é há algum tempo um enigma difícil de decifrar.

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Uma Seleção cada vez mais invisível

Não é exagero supor que a crise moral que assola a Fifa acabe por respingar na Seleção Brasileira. O time de Dunga começa neste domingo contra o México, em São Paulo, a sequência final de amistosos preparatórios à Copa América. Como de hábito desde aquela peia vergonhosa diante da Alemanha, a movimentação do escrete é praticamente ignorada pela torcida brasileira.

É como se a seleção pentacampeã do mundo de repente tivesse ficado invisível aos nossos olhos. Sabe-se que ela está viva e treinando para a maior competição continental, mas é preferível não ver, nem saber nada sobre ela.

Não há como comparar, mas talvez nem o Brasil de 1950, derrotado dramaticamente pelo Uruguai na final, tenha sofrido merecido menosprezo. Por isso mesmo, é louvável o esforço de Dunga e dos jogadores em buscar resultados que ajudem a recuperar a velha chama.

Ganhar a Copa América é missão prioritária a essa altura, apesar das imensas dificuldades que a equipe terá pela frente em gramados chilenos. Argentina, Colômbia, Uruguai e o próprio Chile têm bons times e chegarão fortes à competição. Com a vantagem de não ter a responsabilidade que pesa sobre os ombros do selecionado canarinho.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO de domingo, 07)

6 comentários em “Da lama ao caos

  1. Taí uma coisa curiosa: rolou propina pra escolher as sedes das copas de 2010, 2018 e 2022. Será que só em 2014 tudo foi dentro da legalidade? Dúvido muito… Infelizmente esses “donos do futebol” estão acabando com uma das poucas alegrias a que o povo tinha direito.

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  2. Não vai acontecer nada com esse Pessoal aqui no Brasil, numa dessas vai que criam uma liga e fecham com outra emissora que não a Globo? por isso a Globo vai trabalhar pela manutenção dos velhos conhecidos, se dermos sorte o FBI pega um desses

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  3. Também estranhei essa historia de jogo amistoso em Uberlândia, acontece que no Remo inventam tanto notícia pra dar moral à torcida, nesse caso é só pensar quem pagaria as despesas?

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  4. Del Nero e Teixeira vieram correndo se refugiar no Brasil, por que será? A verdade é que por aqui vai ficar tudo na mesma, podem até trocar as peças, mas a roubalheira continuará.

    Que bom que o azul escuro aceitou a minha indicação do Rogerinho, ele e o Eduardo Rama vão formar uma meiuca de peso. Se quiserem levem o Souza também. Já pensaram na Série D esse quadrado mágico: Rama+Rogerinho+Souza+Paty?

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  5. Não é isso, Máximo. Clubes de massa não precisam fabricar notícia, eles são notícia naturalmente. É um acordo com um patrocinador, mas o problema está na falta de transparência. Não se sabe ao certo quanto o clube vai ganhar nisso.

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  6. Sobre a selecinha brasileira depois do escândalo FIFA acredito que os 7×1 foi um ato político contra a eleição da Dilma, o Brasil não podería ser campeão Aécio, Ronaldo, L.Huck, Marin e etc tramaram aquela humilhação feita por jogadores mercenários, treinador mercenário, pouparam apenas o Neymar(mandaram o colombiano tirar o Neymar e até abusou da dose)… E o povo brasileiro desolado com esse indigesto placar..é brincadeira!

    Date: Sun, 7 Jun 2015 12:25:37 +0000 To: rildoagro13@hotmail.com

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