Tribuna do torcedor

Por João Lopes Jr.

Lecheva foi o melhor técnico desse RE-PA. Ele olhou o primeiro tempo e viu o Pikachu sumir diante do Berg, os zagueiros remistas marcarem por zona, sem qualquer marcação individual sobre os meias do Paysandu, e desafogando a defesa com chutões. Um Galhardo que não passava, um Leandro Cearense motivado, mas isolado, e um Paulista que não era ele mesmo. Mas a pergunta que me faço é para quê manter dois cabeças-de-área como Gerônimo e Jhonnatan se a zaga não passava, só dava chutão? E a qualidade do passe no ataque? E a saída rápida para o contra-ataque? Não seria mais conveniente voltar a dupla inicial de volantes, Nata e Tony? Se era para ficar na retranca… Eu sou azulino, mas o Lecheva esteve iluminado essa tarde, pensou: “em vez de abandonar o Pikachu na direita, vou acrescentar nas costas do Berg o Heliton, e o Gaibu na meia já que Jhonnatan e Gerônimo estão por lá sem fazer nada, só correndo e cansando!” O resultado é que o Paysandu permaneceu no ataque e o Remo, acuado, cedeu o tento ao Paysandu em lance de bola parada, o mais novo cadafalso azulino. O Remo mereceu perder. Jogou pelo empate. Se jogasse pela vitória, talvez perdesse até, mas talvez  ganhasse ou empatasse, que fosse, seria campeão. E o Paysandu mereceu ganhar, sem muito esforço, o adversário colaborou, facilitou. Zagueiro que só dá chutão é dessas coisas que ficou para trás na história. Futebol é essencialmente técnica, essencialmente coragem. Foi o próprio técnico quem disse, “é esporte de macho”. Mas, no meio disso tudo… Bem, no meio disso tudo teve a interferência da diretoria que levou o time para Castanhal. Fazendo isso, tirou dos jogadores aquilo que os fez se motivarem: o clima da decisão, a atmosfera do RE-PA, o apoio, e também a cobrança, da torcida. Sem isso, a decisão virou um jogo qualquer. Não vi a mesma disposição e entrega dos jogos anteriores. O que vi foi um time desligado, pego de surpresa. Acho que a intromissão da diretoria azulina cobrou seu preço. O Paysandu mereceu ganhar essa. 

27 comentários em “Tribuna do torcedor

  1. Outro grande erro da diretoria do Remo foi ressuscitar a prática ultrapassada do “bicho” por vitória. O clube gastou uma fortuna premiando vitórias que nada valeram! Enquanto isto, os funcionários amargam meses de atraso. Que fique a lição para o amadorismo dos dirigentes. O prêmio tem que ser pago por títulos, não por efêmeras vitórias…

    Creio que a derrota de ontem foi a pá de cal nas pretensões remistas para este ano. A equipe, jovem, inexperiente, formada por muitos atletas semi-amadores, não conseguirá se recuperar do abalo emocional, nem suportará as críticas e cobranças, que certamente virão de todos os lados. O mau condicionamento físico do time, tão patente ontem, só deverá se agravar com a maratona de partidas que vem por aí e sequer o elenco terá uma semana para descanso, já reiniciando a competição no meio de semana. São erros que se repetem incessantemente e quem acompanha o blog deve se lembrar dos comentários do início do ano, quando muitos advertiram que a tão propalada arrancada remista não passava de fogo de palha. Não deu outra!

  2. Mamãe eu quero, mamãe eu quero
    Mamãe eu quero mamar!
    Dá a chupeta, ai, dá a chupeta
    Dá a chupeta pro lião não chorar!

  3. Taí um torcedor sereno!

    Para piorar o técnico azulino jogou seus jogadores às feras disse que o time se acovardou, recuou e que a sua orientação foi outra, sendo desobedecido. Acho que foi mais o costume de recuar, está no automático.

    RRamos

  4. O tecnico do Remo é do tipo que não joga e não deixa jogar, espera que as coisas aconteça do acaso ou de uma jogada errada do adversário ou de uma luz de um jogador seu.

    Ontem Iarley e Pikachú foram anulados. Aliás palmas p/ o Berg que marca sem ser desleal.
    O Iarley pra mim foi mal posicionado, baixinho do jeito que é não podia ficar entre os zagueiros galalau do rival. Mas ainda assim foi mais útil do que o Rafael Oliveira.

    Note que o Remo por ser treinado pra se defender, jogar na retranca mesmo, quando levou o gol ficou baratinado e só fez o gol por causa da falta infantil do raul.

    O rival teve chances de fazer gols apenas em conta ataques, pois se dependesse de criação, ia tá jogando até agora e não ia conseguir nada.

    O Lecheva fez o gosto do torcedor nas sibstituições. Ao colocar Hélinton e gaibú matou a pau o leãozinho.

    Note que se o desertor do RAFAEL OLIVEIRA tivesse aceitado a condição lhe dada pelo Lecheva, é quem entraria em vez do Hélinton.

    Esse rapaz precisa enteder que não é um Messi ou neymar.

    Espero que o DM bicolor faça um exame a risca, chega de molecagem, o Paysandu merece respeito!

  5. Foi muito preciso o J. Lopes Jr, ao notar que influenciou negativamente a estratégia da diretoria do CR ter levado sua equipe para longe do clima da decisão. Muito bem notado. É aquilo que o Cláudio vive dizendo: colocam na direção quem não entende de futebol…

  6. Tudo bem ganhamos, estou muito feliz, tudo tranquilo, mas que o Zé Carlos é um rebatedor de bolas pelo amor divino o cara não segura uma sequer e quando rebate é sempre no meio da área, sei não precisamos de um goleiro melhor.

    RRamos

  7. Esse negócio de levar para castanhal não influenciou nem para o bem nem para o mal. o problema é que muitos jogadores remistas jogaram para cumprir tabela, já que desde domingo passado, com o gol em cima da hora, muitos pensaram que a parada já estava ganha. Isso é porque desconhecem a mística bicolor. Se soubessem, não brincariam com o Lobo Mau!!

  8. Algumas Observações:
    1 Caso terminasse empate o técnico do Remo seria exaltado como grande estrategista.
    2 A questão do bicho por vitória e não por título sempre foi um erro. Concordo.
    3 O maior culpado foi o técnico que resolveu se retrancar no começo do segundo tempo.
    4 A Juiz deixou de marcar dois pênaltis para o Leão.
    5 O Clube do Remo não tem um meio de campo consistente.
    6 Ramos ta sendo escalado pela diretoria, não pelo técnico.
    7 O goleiro do Remo falhou feio no primeiro gol, porém tem crédito.

  9. Assim como não vi dois penaltys reclamados pelos bicolores na primeira partida, também não vi estes dois alegados penaltys não marcados para os azulinos. Se houve penalty ontem este foi clarividente em cima do João Neto, que aliás não foi marcado.

  10. Lopes Júnior,parabenizo-lhe pela sinceridade e pela coerência em tua análise.

    Venceu quem mais buscou a vitória.

  11. sou remista mas o futebol quase sempre premia quem joga pra cima e quem não tem medo de errar, nunca vi um time tão covarde como esse do remo ontem, time covarde e medroso, o 2° o lecheva foi pro tudo ou nada, deixou o capanema sozinho na cobertura com os dois zagueiros, quem viu o jogo via q a zaga do paysandu ficou uma avenida no 2° tempo, bastava o remo vim tocando a bola no ataque que deixa seus atacantes de cara com o gol, mais isso não aconteceu o time passou o 2° tempo todo só se defendendo mais eu sabia q uma hora essa sorte do remo ia acabar, o time do paysandú não é essas coisas todas que estão falando, mais ontem jogou com raça e coragem, time jogar pelo empate é uma desgraça e ainda mais quando se tem um técnico desse retranqueiro q joga por resultado, parabéns ao lecheva pela coragem q teve em lançar o time a frente pro tudo ou nada, e o futebol é isso pune os medrosos e covardes e premia o valente e corajoso, esse time do remo foi uma galinha, agora vamos ver no 2° turno qual vai ser a postura desse técnico do remo

  12. Tomara que levem o Tiago Potiguar pro Cuiarana. Esse cara é desagregador e não terá compromisso nenhum com o Clube do Remo. Só os incompetentes diretores não sabem disso.

  13. Quero só ver quem ainda vai chamar o Lecheva de “tapa-buraco”, ele é bom técnico. rs… Também é preciso entender que o Lecheva conhece tudo de Parazão, e o Flávio Araújo, não. Mas, agora, entendo que ele teve tempo suficiente para ver como é que é o Parazão, e espero que tenha aprendido sobre como se joga um RE-PA decisivo. Como remista, vou torcer por um time azulino menos afobado e um pouco mais seguro, pois qualidade tem. Tendo Jhonnatan e Gerônimo na cabeça-de-área, e, pelo que vi até agora, com Zé Antônio e Mauro tendo boa saída de bola, tomara que o time se concentre mais em sair jogando que dando bicuda e chutão pra todo lado. Tá na hora de deixar o Rech no banco, o Henrique me parece mais motivado para jogar. E também repetir a escalação o mais possível me parece a intenção do Flávio Araújo, e fez isso desde já, desde a decisão. Berg é anos-luz a frente do Panda (lembra dessa coisa?), e é dos melhores em campo já há vários jogos. E o Walber tem que se acalmar, ele já deve saber que é o titular da posição. O Paulista é um ótimo jogador e jogou bem até o penúltimo RE-PA, e incrível como foi discreto ontem, será que foi desgaste físico? O Branco não deixa a desejar em técnica, embora ainda esteja devendo seu golzinho, deveria ter jogado quando o Paulista cansou. O Leandro Cearense esteve muito bem, melhor que nos outros jogos ,pra mim, o melhor do Remo em campo. O ponto baixo de ontem foi a atuação discreta do Tiago Galhardo e, talvez por isso, também, o Paulista não tenha aparecido bem, pois a marcação (Ricardo Capanema) sobre o Galhardo foi mais intensa. Se vier mesmo o Potiguar, o Remo tem que passar ao 4-4-2. Assim, pelo que acho que seria o melhor time, no 3-5-2: Fabiano, Zé Antônio, Mauro e Henrique; Walber, Jhonnatan, Gerônimo (Tony), Galhardo (Potiguar) e Berg; Fábio Paulista e Leandro Cearense. Já no 4-4-2: Fabiano, Walber, Zé Antônio, Henrique e Berg; Tony, Jhonnatan, Galhardo e Potiguar; Fábio Paulista e Leandro Cearense. No 4-4-2 acho melhor fixar um dos cabeças-de-área porque há dois meias atacantes, por isso Tony em vez de Gerônimo. No mais, o Paysandu do segundo tempo é o favorito para o título do segundo turno. Acorda Leão!

  14. Caro Lopes Jr, você acredita mesmo nesse time do remo? Se vocês entrarem com Potiguar e Galhardo vão levar muito cacete, pois nenhum dos dois saber marcar, vão recarregar o Tony e o Jhonatan ou qualquer que seja, outra coisa tem que tirar o Paulista e dá uma oportunidade ao Branco, além de reforçar o lado direito de vocês, local do início das jogadas do Papão que resultaram em gols, esse Walber não sabe marcar. Desse time do remo, somente três jogadores se aproveitam o Berg, o Jonathan e o Val Barreto, o resto pode despachar.
    O leãozinho terá que rebolar nesse 2º turno, após a desculpa do técnico, penso que surgirá um clima de inimizade entre os jogadores e o técnico e ai a vaca (leão) vai de vez para o brejo.
    Quanto ao Papão, o Lecheva mostrou que conhece o plantel que tem, sabe posicionar os jogadores, a zaga está se acertando, o meio-campo possui um grande articulador (E Ramos), que aliás joga para o time sem firula, falta somente um matador na frente.

  15. Pois é, P. Borges e Heleno. É verdade, o Walber não marca, porém apoiaria mais o ataque se o Galhardo tivesse jogado melhor, mas prendeu demais a bola. Aliás, tava todo mundo querendo resolver sozinho, alguém deveria lembrar o que significa a palavra time. Dois cabeças-de-área que saem pro jogo é uma perda clara de poder de marcação, sempre. Por mais que um suba e outro fique, não são dois que estão sempre a frente dos zagueiros, mas apenas um. Isso ou acaba com a sobra do terceiro zagueiro, ou força um ala a recuar: o Berg, nesse caso. E dois cabeças-de-área que podem ser ofensivos é uma clara opção pelo ataque, não pela defesa. Com isso, ocorre, ainda, que o Galhardo é dependente da atuação ofensiva desses cabeças-de-área. Jhonnantan e Gerônimo, em dupla, não foram tão bem quanto no primeiro jogo. E sempre que os cabeças-de-área jogam mal, nenhum atacante joga bem, nesse time azulino, nada mais claro. Observo também que o Remo desistiu da marcação individual sobre o Eduardo Ramos. Um erro. Acho que o técnico escolheu atacar desde a roubada de bola na defesa, passando pelos cabeças-de-área, indo pelo Galhardo até o Paulista e o Leandro Cearense, para articularem o ataque com o Galhardo. Isso deu certo no primeiro jogo. Mas o que se viu ontem foi uma série de chutões. O que o Lecheva fez? Manteve o Galhardo sem espaço com a marcação do Capanema e aproveitou as falhas da estratégia do Remo. Quando o Jhonnatan saía, o Walber ficava descoberto. Quem deveria fazer a cobertura? Ninguém! Isso mesmo, ninguém assumiu essa função! Resultado: Sobrou pro Gerônimo, que teve cãibra, e também pra mais um dos zagueiros que saía da linha de três pra cortar a jogada com a bola pra fora ou fazer falta., a mina de ouro do Paysandu E o Berg saiu pouco pro ataque, mas quando ia, o Yago aproveitava, ou tentava aproveitar. O que chamou a atenção no Berg nas finais foi exatamente o papel defensivo, não o ofensivo. A saída principal do Remo deveria ser o Walber, pra segurar o R. Alvim, mais técnico que o Yago, na defesa, mas deu errado. A direita do Remo não funcionou, os atacantes do Remo gostam de jogar mais pela esquerda, como era a característica do time antes da titularidade do Walber. Mas também a direita do Paysandu só funcionou quando o Heliton entrou, sobrecarregando a defesa azulina. Entendo que o técnico demorou pra tirar o Gerônimo e pôr o Nata para corrigir a afobação dos cabeças-de-área. Da forma como as coisas aconteceram, o time ficou taticamente desequilibrado. E errou ao trocar o Paulista pelo Val Barreto, deveria ter saído Walber pelo Branco. O Remo só não teria mais um ala direito, que não funcionava aliás, e ganharia um ponta! Seria interessante ver o Raul ter de se virar com aquele passarão do Diego Bispo do lado dele. Ia rolar o pânico na zaga bicolor, mas esse palpite de nada adianta agora… Portanto, dá para acreditar no Leão sim! Opções há, falta usá-las.

    1. Concordo por completo, meu caro Lopes. Corretíssima a interpretação quanto à solidão do Galhardo, causada pela atuação irregular dos volantes.

  16. As análises do Lopes Junior são todas muito sensatas!

    Enxergou muito as fragilidades do Remo e as falhas que precisam ser corrigidas pelo Flávio Araújo. Apesar de finalmente, alguns poucos remistas deste blog, reconhecerem os problemas azulinos que há tempo muitos vem apontado, não vejo motivo para desespero no time rival.

    Os 3 confrontos foram absolutamente parelhos, e como tenho dito desde o início do campeonato, teremos ainda muitos Re-Pa’s pela frente. Nada, mas nada mesmo, está garantido ao Paysandu com a conquista do turno.

    O problema é que a sorte que bafejou o Remo em alguns jogos e já abandonara o Paysandu em outras jornadas, resolveu sumir justo na partida decisiva. O Papão mereceu porque insistiu, foi mais aguerrido, Lecheva ousou e tal, mas também foi um time em busca desesperada em busca do ataque, sem referência na área, descoordenado e avançando atabalhoadamente.

    Com mais paciência, o Paysandu poderia ter usado melhor os espaços dado pela retaguarda remista. Porém, insistiu na bola alçada à área. Uma hora, na base do abafa a bola entrou.

    Enfim, está só esquentando… Bicolores e azulinos já não perdem por esperar muitas emoções dia 17!!!!

  17. Se o Remo, realmente, trouxer o Thiago Potyguar ganhará em armação e jogadas pelas extremas. Particularmente, nunca quis que o jogador saísse da Curuzu… Mas, paciência, o gênio dele não é dos mais fáceis.

  18. Lopes e Gerson, com todo o respeito, acho que atuação apagada do Galhardo pode ter qualquer outra justificativa, menos a de que tenha sido prejudicada pela atuação irregular dos volantes. É só dar uma olhada no VT que se vai ver que eles, os volantes, juntamente com os zagueiros, se esfalfavam deveras para roubar a bola e entregá-la pro Galhardo. Algumas vezes não conseguiam porque ele estava bem marcado. Nas que conseguiam, logo após recebê-la, o Galhardo fazia uma firula e quase invariavelmente a perdia para o adversário.

    No primeiro tempo, fora os escanteios que bateu, se não estou enganado, o Galhardo só fez uma jogada, quando tocou de primeira para o Valber, naquela jogada em que este reclamou penalti. Já no segundo tempo, não se pode atribuir a má atuação do Galhardo, à irregular atuação dos volantes ou mesmo a uma suposta vocação ofensiva dos mesmos. Deveras, nesta etapa, desde o início, eles ficaram absolutamente sobrecarregados pela pressão causada pelo turbilhão ofensivo do rival decorrente das substituições feitas pelo Lecheva. Com verdade, eles não exerceram qualquer função ofensiva e se esgotaram física e psicologicamente na tentativa de barrar as articulações ofensivas do rival e quase conseguiram, juntamente com os zagueiros.

    De outra parte, vale lembrar que exatamente por estas modificações feitas pelo Lecheva, o Galhardo ainda teve mais espaço, eis que o rival ficou sem um volante que foi substituído por um meia com preocupações ofensivas apenas. Ocorre que aí, à moda dos ninjas, ele como que desapareceu, se escondeu do jogo e não se apresentou como opção para receber a bola, tampouco como coadjuvante da tarefa defensiva, coisa que até o Val Barreto não se furtou a fazer. Na realidade, ontem, o Galhardo, só faltou ir chorar pro técnico e perguntar, de novo, pro técnico, quanto tempo faltava pra acabar o jogo, como fez no primeiro Re/Pa, quando recebeu um passa fora do professor.

    Em suma, pra mim, o Galhardo, que já disse expressamente que não é meia armador, não se ressentiu da má atuação dos volantes, e, sim, em primeiro lugar, da falta de companhia de um outro meia para dialogar na armação e dividir a marcação adversária, e, em segundo lugar, de uma displicência básica que negou aos companheiros um auxílio precioso, seja para assediar a defesa adversária, seja para compor a defesa.

  19. Prezado Oliveira, sua análise condiz com a que fiz. Veja só, preferimos o 4-4-2 porque são dois armadores e dois cabeças-de-área, geralmente um que sai com a bola dominada, e encosta na armação, se apresenta, chuta de longe, etc., e outro mais fixo, o cão de guarda. A conclusão é matemática: dois armadores criam mais que um e é mais difícil marcar dois articuladores que um só. Outra vantagem é que entre os meias atacantes é comum, e desejável, que um tenha a característica de chegar a tabelar com os atacantes também para melhorar essa proporção matemática a favor do ataque, fazendo eventualmente um terceiro atacante contra dois zagueiros rivais. Num 3-5-2 a marcação de um 4-4-2 contrário é naturalmente mais fácil, porque já equilibra a disputa pela bola na defesa e, com isso, ou os volantes saem com a bola dominada, ou um dos zagueiros, o líbero, o cara da sobra se aventura na frente para compensar a perda de ofensividade de menos um meia atacante. Por isso que acho que o Rech deve sair, para entrar um “líbero”, que pode ser o Gerônimo (quem sabe?), ou o Zé Antônio, que me parece o mais tranquilo da defesa e capaz de sair com a bola, mas não tem assim as características de um líbero, que deve entender um pouco de armação também… Como o Jhonnatan e o Gerônimo saem com a bola dominada, o líbero é desnecessário, mas não se vê uma boa armação, que no 3-5-2 depende da velocidade do passe e é aí que tenho a cisma com o Galhardo porque ele é rápido, mas prende a bola inexplicavelmente. O Ramon cadencia o jogo, é um jogador clássico de 4-4-2 e por isso não rendeu ainda o esperado, na minha opinião. Quando o Remo vai pro ataque com velocidade, tendo o Paulista, geralmente aberto na esquerda, e o Leandro Cearense centralizado, a defesa adversária tem muita dificuldade de marcar, porque a jogada tende a ser rápida, mas a velocidade da jogada depende da velocidade do passe do Galhardo que, curiosamente, prende a bola. Quando ele está marcado, adivinhe, ele perde a bola facilmente porque retarda um lance que precisa ser rápido. Ele não aparece porque se esconde, mas, pelo contrário, porque quer aparecer, acaba sumindo. Com mais espaço, o Galhardo pensou em carregar mais a bola, mas o Capanema esteve o tempo todo colado nele, e aí não interessa se tem um ou dois cabeças-de-área, o que estava em campo estava sobre ele. O que acho é que o treinador do Remo não entendeu se tirasse o Walber, porque estava mal, ele poderia ter colocado o Branco na ponta direita, ou deslocar o Galhardo para lá e sacar o Walber e pôr o Ramon, e, aí sim, o time passaria a ter jogada pela direita e o Ramon pode ter aí sua oportunidade na meia, na habilidade do passe rápido… O Walber não é mal jogador, mas esteve mal ontem, tudo bem, não era o dia dele. O Potiguar joga naturalmente nesta velocidade mais alta e por isso poderia ser uma boa opção para a manutenção do 3-5-2. Ao menos imagino.

  20. Bom, Lopes, independentemente do que seja que determine o comportamento do Galhardo, o certo é que ele não comparece, quando mais o time precisa dele, ou pelo menos não compareceu nestes dois últimos jogos da final contra o rival. Noutras palavras, nestes dois últimos clássicos a produção do Galhardo foi muito baixa.

    Outra coisa, nos dois ou três comentários que você fez, fora o que aduziu na própria Tribuna, você cogitou pelo menos uma meia duzia de alternativas táticas que poderiam ter sido utilizadas pelo time azulino.

    Pois é, está justamente aí, quer me parecer, o problema do flávio Araújo, ele parece que nem cogita estratégias alternativas. Parece que congelou suas pretensões neste 3-5-2. Tanto que durante os jogos independentemente do adversário e da adversidade que esteja enfrentando, as mudanças que faz são apenas de nome de jogadores, mas o esquema permanece o mesmo.

    Ora, esta rotina torna o time limitado e previsível, e, por via de conseqüência, mais facilmente neutralizável.

    Bom, mas ainda não acabou… Com estes novos contratados e com a seqüência de treinamentos, se o técnico resolver insistir neste samba de uma nota só, e em nem ao menos treinar uma variação para o caso de necessidade, espero que o time ao menos se aperfeiçoe e consiga qualificar a posse de bola, trocar passes com mais precisão e eficiência etc, etc, etc. e consiga se impor aos interioranos e à Tuna para enfrentar novamente o rival nas finais do segundo turno e do campeonato.

    1. E é justamente quanto às alternativas criadas que o Lecheva merece destaque. Durante a semana do Re-Pa, treinou seu time em situações completamente diferentes, simulou esquemas de jogo e preparou seus jogadores para eventualidades. Um bom técnico age assim.

  21. Pois é Oliveira e Gerson, é isso aí mesmo que eu também não entendo, pois as possibilidades estão aí. Mesmo que o técnico prefira o 3-5-2, este mesmo esquema é tão variável quanto o 4-4-2. Para mim não é um problema se o esquema não muda muito de jogo pra jogo, a maioria dos times adota o 4-4-2 como esquema fixo. A manutenção do esquema tático e da escalação é o que produz o entrosamento, até aí o Remo está coerente. O que incomoda é a falta de variação das jogadas. Veja, não o esquema, mas as jogadas. O Remo só joga centralizando no Galhardo, abrindo na esquerda pro Paulista e pelo meio com o Leandro Cearense. Isso é pouco. Pelo próprio estilo de jogo, quando o Val Barreto entra no meio da partida, isso significa alguma variação tática, porque muda a forma de o ataque jogar, mas até isso os adversários já sacaram e vão marcar com mais atenção no segundo turno. A maioria dos times da Europa joga no 3-5-2 e varia bastante as jogadas. Quando querem retranca, lançam o 3-6-1, porque a retranca não é mais um zagueiro necessariamente, pode ser mais um cabeça-de-área, com o ferrolho longe da área, abafando a saída do adversário e tentando o contra-ataque já do meio de campo pra frente. A desvantagem é que o atacante fica muito isolado e tem que ficar muito ligado no jogo. O elenco parece razoavelmente adaptável a mais de um esquema tático, então acho que o Flávio Araújo deve arriscar nessa variação.

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