Por eles, com eles

Por Gerson Nogueira

A gente se ilude, pensa que pode e manda, mas o mundo é deles. Definitivamente. Nossos filhos, pelo script natural das coisas, nos sucedem, dão continuidade à família, preservam o sangue, ampliam a saga. Fazem com que a eternidade terrena seja quase possível. E poucas, pouquíssimas vezes, isso fica tão explicitado aos nossos olhos quanto na hora em que dormem. Aliás, poucas, pouquíssimas coisas, são mais revigorantes e ternas do que acompanhar um filho a dormir, entregue ao deus Morfeu, espalhado na cama – ou na rede, como é mais comum aqui em casa.

Ouve-se a respiração, vela-se o sono. Dá tempo de arrumar o lençol, ajeitar um braço ou perna meio torto, ou ficar apenas contemplando a obra que pusemos no mundo. Quanto orgulho. É certo que, dormindo, parecem ainda mais belos e perfeitos.

Como de hábito, beijo os cabelos revoltos e arranco do moleque o ensaio de um sorriso (reflexos da alma talvez?). Cuidados e desvelos com eles, carícias que fazemos em nossos corações. Egoísmo amoroso. Envolvidos pelo torpor de onipotência até acreditamos, por segundos, que somos capazes de livrá-los de todo o mal. Da dor. Da tristeza. Suprema pretensão, que os raios da manhã se encarregam de varrer do pensamento. Escrevo estas mal-traçadas linhas influenciado por esta breve passagem do tempo. Cazuza escreveu que só as mães são felizes. Bobagem. Pais também podem ser.

15 comentários em “Por eles, com eles

  1. Gerson, belíssimo texto, ao contrário do que disse Cazuza, sou muito feliz com os meus filhos. Tenho um de seis anos que é a minha vida.
    Abraços

  2. Tenho Lorena de seis e Saulo de quase dois. Bonito texto que reflete uma migalha de toda sentimmentalidade que nos envolve.

  3. Eu e minhas Mayara e Mayra Neves sabemos que o nobre Cazuza estava equivocado….rsrssr…textos assim, deveriam ser mais frequentes, pois a familia é a nossa base do dia a dia tao corrido….o mundo é deles realmente…PS: levou eles ao cinema para ver Joao e Maria em 3 D ????? rsrssr

  4. Eu, graças ao bom Deus, já tenho os meus criados e formados nas respectivas Faculdades, mas sei a que o senhor Gerson se refere e ainda sinto no coração o mesmo amor que ele sente.

    Parabéns Sr. Gerson, não tenho pejo de dizer que lhe invejo o dom de saber exprimir em palavras o que sente o coração.

  5. Belíssimo texto! Digno de compartilhar nas redes sociais, se houvesse a opção. Tenho Mauricinho, de 14, já roqueiro hehe, e Lis, de 7, minha princesa. Acabam de passar um mês comigo, moram com a mãe em MG, e fiz muitas vezes exatamente isso que o Gerson diz. Repetitivo mas incansável de dizer: filho é tudo!

  6. Belíssimas palavras nobre escriba, eu também sou muito feliz com os filhos que tenho e que embora em certos momentos e até em muitos momentos não podendo ser o PAI ideal fazemos o possível e atá o impossível para não vê-los passar por situações que venham trazer dor e tristeza a estes que nos tornarão eternos no livro da vida!
    PARABÉNS!

  7. Gerson e Colegas do Blog,

    O amor pelos filhos é o sentimento mais verdadeiro que um ser humano pode ter… É altruísmo no sentido mais literal da palavra.

    Filhos, todo sorriso, todo abraço, todo o olhar tristonho e de felicidade fazem nos sentir quase “Deus”, como dissestes, capaz de protegê-los de todo o mal.

    Por ter filhos, entendo que todo Pai deve viver cada dia como se fosse um último suspiro, pois somente vivendo desta maneira poderemos entender que filhos é o mundo inteiro de um pai.

  8. Filhos, filhos são temporariamente. Logo, serão eles, eles mesmos. Também os pais filhos são por certo tempo, desde que nascem até o dia em que partem. A diferença entre ser pai e ser filho é o delay entre uma coisa e a outra, entre se sentir filho, protegido, e se sentir pai, protetor. Ninguém nasce pai, todos nascemos filhos, com a vontade de sermos filhos sempre que a responsa de pai aperta. É a falta que faz um pai. É a falta que faz um filho. O que conta, no fim das contas, é que amar é bom quando se é filho e quando se é pai também. Ambos os sentimentos são legais, e confusos somos nós, filhos-pais.

  9. Também já sou pai, de dois, e ainda sou filho! Meu pai já partiu e me deixou muita saudade. Gostei do que escreveu Renato Maurício Prado, o futebol é sempre dessas conversas e da convivência mais que gostosa que temos com o velho (mesmo que eu seja remista e ele fosse bicolor). Bons tempos sempre voltam, nas recordações.

  10. Texto lindo Gerson parabéns ! tambem tenho dois filhos, no meu caso uma menina de 12 e um menino de 6 anos, teu texto me deixou com os olhos rasos d’água.

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